sexta-feira, 31 de janeiro de 2020

Quando os filhos são, literalmente, um presente para os pais!

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A minha mãe faz hoje anos.


E dizia-me ela que, se a minha avó fosse viva, também faria anos hoje.


Ou seja, a minha mãe nasceu no dia do aniversário da minha avó, como se fosse um presente para ela!


 


E por aí, conhecem filhos que tenham nascido no dia de aniversário dos respectivos pais?

Quando todo o nosso trabalho se perde em segundos

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Está uma pessoa a colocar todo o seu empenho naquele trabalho, a emendar daqui e dali, a retirar uma palavra, e a colocar outra, até chegar a um resultado satisfatório e pensar "ok, é isto" quando, no alto da sua tamanha inteligência, decide cortar do rascunho, e colar no documento final.


 


Só que, pelo meio, lembrou-se de cortar e colar outra coisa e, quando percebe, lá se foi o trabalho e não há forma de o recuperar!


 


Quem me manda a mim "cortar", em vez de "copiar".


Como diz, por vezes, a minha filha, sou mesmo "jumenta"!


Claro que me chamei um rol de nomes bem piores quando percebi a asneira que tinha feito.

quinta-feira, 30 de janeiro de 2020

"Mais vale um asno que me carregue do que um cavalo que me derrube"

Uma+das+criações+mais+perfeitas+de+Gil+Vicente..


 


Não conhecia este provérbio!


Vi-o no fim de semana, a propósito de um trabalho que a minha filha tinha que fazer, sobre A Farsa de Inês Pereira.


 


Segundo consta, Gil Vicente era acusado de plagiar obras do teatro chinês de João Miguel. Então, pediu aos que o acusavam, que lhe dessem um tema para que ele pudesse escrever uma peça.


E surgiu assim, desse ditado popular, “A Farsa de Inês Pereira” apresentada, pela primeira vez, para o rei D. João III, em 1523, no Convento de Tomar.


Esta farsa é considerada a peça mais divertida e humanista de Gil Vicente, pelo facto da protagonista trair o marido e não receber nenhuma punição ou censura por isso, diferentemente de outras personagens por si criadas.


 


A verdade é que, hoje em dia, quase todos procuram "cavalos/ éguas". Ninguém quer saber dos "asnos". Mas depois, tal como aconteceu com Inês Pereira, nem sempre aquilo que é idealizado corresponde à realidade, e podem acontecer surpresas que seriam dispensáveis.


É nessa altura que as pessoas se viram para os "asnos", que antes desprezaram, e começam a vê-los de outra forma. Não é o ideal mas, entre um e outro, acabam por preferir o segundo. Por vezes, transformam-se, essas pessoas, nos cavalos que não queriam ao seu lado, quando ao lado dos "asnos".


E um meio-termo, não se arranja por aí?!

Eliana - história de uma obsessão, de Élvio Carvalho

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A nossa mente tem uma forma muito peculiar de funcionar.


São tantos os mecanismos que ela utiliza, com as mais variadas intenções, que se torna difícil, a quem quer que seja, conseguir entrar nela e encontrar a chave certa para desbloqueá-la. Descobrir todos os seus segredos e mistérios, com alguma certeza de que não está apenas a enganar quem o faz, sem o perceber.


Se até mesmo a nós, a mente ludibria e manipula tão sabiamente, a ponto de não sabermos o que é real, ou apenas imaginado por ela.


 


Em “Eliana – história de uma obsessão”, cabe ao Dr. Albuquerque utilizar as ferramentas que tem ao dispor, para desbloquear a mente de Henrique, e perceber a verdadeira história por detrás do assassinato, do qual é o principal suspeito.


Se, para nós, leitores, faz todo o sentido a versão que ele conta, para a polícia, trata-se de uma história louca, de alguém que se quer passar por tal para se safar ou que, na verdade, não está mesmo no seu perfeito juízo, não distinguindo a realidade de pura invenção, obsessão ou desejo que tudo fosse diferente.


 


Para todos os que a conheceram, Eliana morreu num acidente de carro, há 5 anos. Nunca foi encontrado o corpo. Mas ninguém duvidou que estivesse morta.


O ex-namorado seguiu com a sua vida, e está agora numa relação com Maria, a irmã de Eliana, que espera um filho seu.


Tudo corria bem, até ao momento em que Henrique se torna suspeito de ter assassinado Paloma, uma estudante espanhola, com quem foi visto, no dia do crime, naquilo que parecia uma discussão entre ambos.


De onde conhecia, Henrique, Paloma? Teria sido uma situação ocasional? Ou algo mais?


 


Henrique acaba por contar a sua versão de tudo o que aconteceu nos últimos dias e quem é, na verdade, Paloma, explicando quem a poderá ter matado, e porquê.


Mas nada, nem nenhum dos testemunhos ou factos comprovados até ao momento, bate certo com esta história mirabolante.


Ainda assim, sem uma confissão, e sem provas concretas, a inspectora terá, mais cedo ou mais tarde, que libertar Henrique, que afirma não ter cometido o crime.


 


Em várias sessões, o Dr. Albuquerque acabará por conseguir que Henrique retome o controlo da sua mente, e perceba como as coisas realmente aconteceram, levando-o a, finalmente, confessar o crime, e a encerrar o caso.


Uma coisa é certa. Sabemos que Henrique não matou Paloma, e sabemos, por fim, quem o terá feito.


Só uma dúvida permanece: terá sido toda a história, realmente, uma invenção provocada pela obsessão de Henrique pela falecida ex-namorada, uma rasteira da mente para o enganar, ou teria, no fundo, contado a verdade, tal como nós mesmos a conhecemos, logo no início da história?


Seria aquela mulher, agora encontrada morta, Paloma, ou Eliana?


 


Gostei da forma como o autor dividiu a história em duas partes, e me fez voltar a reler tudo só para ver se, também eu, não estaria a ficar louca!


Se não teria lido mal, ou se me tinha escapado alguma coisa, deixando sempre aquele bichinho da dúvida.


É uma história que prende, que cativa, que nos entusiasma, porque também nós queremos saber a verdade.


Se há muita coisa que não bate certo na versão final de Henrique, o que nos leva a crer que ele sempre disse a verdade desde o início, e só depois alterou a sua versão, também há um ou dois factos que nos levam a pensar que, talvez, tudo tenha sido mesmo imaginação.


 


Sinopse



"Uma jovem de 22 anos é levada para Espanha por uma rede de tráfico de seres humanos e forçada a prostituir-se durante mais de três anos. O ex-namorado fica em apuros quando é encontrado um corpo, cuja descrição corresponde à dela."


 


 


Autor: Élvio Carvalho


Data de publicação: Novembro de 2019


Número de páginas: 392


ISBN: 978-989-52-7015-6


Colecção: Viagens na Ficção


Idioma: PT


 


 



quarta-feira, 29 de janeiro de 2020

As "ervas daninhas" da nossa vida

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Há pouco tempo, andaram por ali na zona uns homens a arrancar as ervas da rua, que teimam em nascer junto aos muros, nas valetas e por entre as pedras da calçada.


Hoje, reparei que estão lá de novo, crescidas, verdes, viçosas, como se nunca tivessem sido arrancadas.


E na verdade, não o terão sido, mas apenas cortadas. E como todos os “males” que não são eliminados pela raiz, acabam por voltar, muitas vezes mais fortes e mais nocivos.


 


Mas é incrível ver como algo que nunca foi semeado, e que certamente não é tratado nem cuidado, surge sem ninguém estar à espera, e cresce e se desenvolve sem darmos conta. Assim, com a maior facilidade.


Já aquilo que semeamos por nossa autoria, que queremos que dê flor, e fruto, que cuidamos com todos os cuidados, e vigiamos constantemente, na ânsia de ver a nascer e crescer, muitas vezes demora, não vem da forma como gostaríamos que viesse ou, por vezes, nem sequer chega a nascer, morrendo e apodrecendo debaixo da terra.


Irónico, não?!


 


Também nós, ao longo da nossa vida, nos vamos deparando com algumas ervas daninhas. Como já percebemos, elas não pedem licença, nem precisam de muito para surgir. E são tão manhosas que, muitas vezes, se misturam disfarçadamente, para que ninguém se aperceba delas.


Vão convivendo connosco, camufladas, fazendo-nos mal mesmo sem darmos conta disso. Roubando-nos espaço, sugando aquilo que ambicionamos para nós, tornando a nossa vida e existência mais negativa, sem grande esforço.


As coisas já não são fáceis de conquistar por nós mesmos, sem intromissões. Se tivermos inimigos invisíveis, a dificuldade aumenta ainda mais.


 


E, tal como acima referia, não adianta, quando nos apercebemos dessas ervas daninhas, apenas cortá-las, para que consigamos temporariamente, viver em paz.


Porque, mais cedo ou mais tarde (por norma mais cedo do que imaginamos) elas voltam, mais resistentes, mais perigosas, para ficar com tudo o que é nosso, nem que para isso tenhamos que ser sacrificados.


Por isso, há que arrancá-las de vez da nossa vida, e ficar atentos, ao mínimo sinal, para que outras não surjam no seu lugar, com o mesmo objectivo ou intenção e, caso se atrevam, para combatê-las enquanto ainda não têm força suficiente para nos derrubar.

terça-feira, 28 de janeiro de 2020

Coisas que me irritam - pessoas que não deixam as coisas conforme as encontram

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Sabem aquela porta que está fechada e, como tal, têm que bater ou tocar à campainha para que se abra? 


Ela estava fechada por algum motivo. Então, porque é que, depois de entrar, as pessoas insistem em deixá-la aberta?


 


E aquela tampa do frasco que não estava colocada, mas sim a fazer de suporte para o mesmo, durante dias e dias. Porque é que, quando mexem no frasco, o tapam?


 


Poderia dar tantos outros exemplos, de como as pessoas têm uma tendência a nunca deixar as coisas da mesma forma que as encontram, mas nunca mais sairia daqui.


E não, isto não é ser picuinhas, metódica ou manienta. É ter a noção de que as coisas estavam como estavam por algum motivo e, na dúvida, não custa perguntar, ou perceber antes como estavam, para deixar da mesma forma.


 


Porque é irritante termos que ser nós a fazer, uma vez atrás da outra, aquilo que os outros deveriam ter feito logo.


E por aí, também vos acontece?

Um chá que solidifica?!

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Estou habituada a beber chás desta gama.


Gosto muito do sabor do "Dormir Bem", com flor de laranjeira, e do "Adelgass Plus", com chá verde e algas. Em tempos, experimentei outro, mas não fiquei fã.


Não compro estes chás pelo que são, mas pelo sabor. Por isso, quando este fim de semana andei à procura de um novo para experimentar, fiquei curiosa com este "Control Apetite", de pêssego e laranja.


 


No domingo à noite, estreei-o.


Aqueci água, como habitualmente, e deitei o conteúdo da saqueta na chávena. O cheiro não me inspirou muito mas...


Como tive que fazer umas coisas antes, acabei por aquecê-lo um pouco mais no microondas, e levei-o para o quarto.


 


Quando provei, aquilo não era água! Estava pastoso.


Fui à cozinha mexê-lo com uma colher. Quando retiro a colher, vinha uma espécie de polme agarrado a ela.


Deitei fora essa parte. Bebi o resto. Lentamente. Com pouca vontade.


Agora percebo porque diz que controla o apetite. É que, se não vomitarmos com ele, também não nos apetece pôr mais nada dentro do estômago.


Ainda deixei um resto na caneca. Não conseguia beber mais.


 


No dia seguinte, levo a caneca para a cozinha, para despejar o chá.


Saiu da caneca, não líquido, mas numa espécie de gelatina. E não era do frio!


Só então me deu para ir ler o que vinha lá na caixa, e foi quando me saltou à vista "beber de imediato, antes de solidificar"!


 


Ora, nunca na minha vida imaginei que um chá pudesse solidificar. Ainda sou do tempo dos chás líquidos, independentemente do tempo em que ficassem no bule ou na caneca.


E por aí, conheciam?


 

segunda-feira, 27 de janeiro de 2020

Nem sempre nos conseguimos adaptar a novas realidades

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Lembro-me sempre da Heidi, a menina órfã que, de um momento para o outro, foi morar com o avô nos Alpes.


A mudança foi grande. Ela não estava habituada àquela vida. Nem àquele homem.


Mas a verdade é que se tornaram grandes amigos, e a Heidi adaptou-se facilmente à vida na montanha, ao ponto de não mais querer sair de lá.


A Heidi era uma menina feliz.


Quando a tia apareceu para a levar dali, para a casa dos pais de Clara, Heidi voltou a ter que se adaptar a uma nova realidade: a vida na cidade, sem árvores, sem passarinhos, sem cabrinhas.


Foi muito mais difícil. Não é que não estivesse a gostar, que a tratassem mal ou não gostassem dela. Mas não era o seu ambiente.


E essa adaptação nunca foi total, levando mesmo Heidi a ficar doente, com saudades de casa, do avô e da sua montanha.


Só a perspectiva de voltar em breve para lá a fez melhorar e, uma vez de volta ao seu mundo, recuperar definitivamente.


 


Hoje em dia, cada vez mais temos que nos adaptar às mais diversas mudanças na nossa vida e, quanto melhor e mais rapidamente o fizermos, melhor para nós.


Por norma, temos uma grande capacidade de adaptação às circunstâncias, a novos mundos, a novas realidades.


Mas existem situações em que tal não é possível. E pessoas que não se conseguem mesmo adaptar.


Nem fisica, nem psicologicamente.


E quando, psicologicamente, não estamos bem, é meio caminho andado para que o corpo se ressinta também.


 


Quando assim é, não vale a pena insistir numa mudança.


Não será caso para desistir logo à primeira, segunda ou, até mesmo, uma terceira tentativa. Mas também não vale a pena passar o resto da vida a chocar contra uma parede que nunca irá cair.


Por vezes, basta voltar ao seu ambiente habitual, para voltar a ser feliz, e sentir-se bem. E não há nada melhor que isso.

sexta-feira, 24 de janeiro de 2020

Nunca estaremos preparados para a morte

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É aquilo que de mais certo temos na vida.


Sabemos que chegará. Sabemos que nada a impedirá.


Mas, ainda assim, nada, nem ninguém, está preparado, nem nos prepara, para quando ela chega.


Porque, o momento em que estivermos totalmente preparados para ela, será o momento em que já nos conformámos, em que perdemos a esperança, em que baixamos os braços e deixamos de lutar.


 


Por isso mesmo, nunca estaremos preparados para a morte dos nossos entes queridos.


Como os nossos pais.


Pai, é pai. Mãe, é mãe. São eternos, no nosso pensamento.


Estarão sempre lá para nós, tal como nós, para eles. Aguentam tudo, são valentes, são rijos, são sobreviventes. São o nosso apoio, o nosso abrigo, os nossos conselheiros.


Por vezes são chatos, rabujentos, dão trabalho, dão-nos preocupações. Mas não o fazemos tantas vezes, também nós, enquanto filhos?


E, no entanto, não deixamos de os amar, e eles a nós.


Por isso, por muito que a vida nos vá dando indícios de que as coisas estão diferentes, de que as probabilidades estão a aumentar, de que o tempo está a fugir pelos dedos, de que algo se pode aproximar, ignoramos, fingimos não ver, ou acreditamos, sinceramente, que é apenas um mau pensamento, numa má fase, e que tudo voltará a ficar bem.


A morte dos meus pais é algo que, felizmente, ainda não me surge muito no pensamento. Penso sempre que ainda têm muitos anos pela frente.


 


Mas já vi muitos pais, e mães de pessoas que me são próximas, ou nem tanto, deixarem este mundo. Muitas vezes, cedo demais. Para alguns, já seria um desfecho previsível. Para outros, nem tanto.


E, seja em que circunstância for, nunca é fácil. É sempre um choque, uma sensação de punhalada, de vazio, de inconformismo.


Podemos tentar confortar, de todas as formas que conseguirmos, os filhos e familiares que ficam, mas nenhum gesto ou palavra, por mais sincera e sentida que seja, apaga a dor da perda.


Só quem passa por isso, saberá.


O mais próximo que tive de alguém a falecer na família, foi a minha tia e madrinha. E custou-me, na altura.


Mas mãe, é mãe. E pai, é pai. É diferente.


 


O maior consolo, para um filho que perde uma mãe, ou um pai, é saber que, em vida, esteve sempre lá para eles. Que não deixou nada por dizer. Nem por fazer.


Que viveram e partilharam os melhores momentos que poderiam ter vivido, e partilhado.


Acreditar que, onde quer que estejam, estarão bem. Que já fizeram o que tinham a fazer neste mundo, e agora resta-nos continuar o seu legado, até chegar a nossa vez. 


E que um dia, quem sabe, se reencontrarão.


 


Hoje, soube que partiu a mãe de uma blogger desta plataforma, com quem tenho uma relação meramente virtual, mas que já considero de amizade - a Joana.


Este texto é dedicado a todos aqueles que já perderam os seus pais e, especialmente, para a Joana, a quem desejo muita força, neste momento tão triste para si e para a sua família.


 


Um beijinho, Joana! 


Um abraço apertado, e muita força e coragem


 

"Até Sempre, Meu Amor", de Lesley Pearse

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Ellie e Bonny não poderiam ser mais diferentes, em todos os sentidos.


Ainda assim, viriam a ter muito mais em comum, do que pensavam.


Quis o destino que as duas se viessem a conhecer, e a trabalhar juntas, na concretização dos respectivos sonhos.


E nasceu uma amizade improvável, que foi sobrevivendo ao passar dos anos.


Seria mesmo amizade, aquilo que as unia?


 


A mim pareceu-me que ambas se juntaram pela semelhança das circunstâncias em que se encontravam, pelo sonho comum, pelo apoio e força que iam buscar uma à outra.


Com Bonny, sem dúvida, a pedir muito mais de Ellie, do que o contrário, e a falhar muitas vezes, quando Ellie precisava.


Poder-se-ia dizer, até, que Bonny prejudicava mais Ellie, do que ajudava.


Ainda assim, nenhuma se conseguia afastar da outra, nem romper a ligação.


 


Bonny era a menina mimada, caprichosa, aventureira, habituada a fazer tudo o que queria, à sua maneira, a manipular as pessoas consoante os seus interesses, até mesmo a utilizá-las para seu benefício, enquanto assim o entendesse, descartando-as quando já não precisasse delas.


Ellie, era bondosa, amiga, ingénua, divertida, confiava e tentava ver sempre o melhor nas pessoas. Era leal, e tinha tendência a pensar mais nos outros, que em si própria.


À medida que os anos vão passando, elas percebem que, à excepção de meia dúzia de pessoas, só podem contar mesmo uma com a outra, para o bem e para o mal. E estiveram lá, até ao fim.


Talvez também isto seja amizade.


 


O passado foi doloroso e complicado para ambas, mais para Ellie mas, ainda assim, não as definindo para sempre, conseguiu transformá-las nas mulheres em que se viriam a tornar.


Se tivesse que definir esta história, baseada na Ellie, em duas palavras, seria superação e abdicação.


Superação por tudo o que de mau lhe aconteceu, por tudo o que perdeu, e abdicação, por tudo o que teve que abrir mão, pelo desejo de concretizar o seu sonho.


Já quanto a Bonny, seria, acima de tudo, irresponsabilidade e maturidade. Foi incrível ver como a menina que faria tudo para ser bailarina, e ter na mão quem ela quisesse, sem olhar a meios para atingir os seus fins, se transforma numa mulher que em nada faz lembrar quem ela outrora foi.


 


"Até Sempre, Meu Amor" poderia ser uma história sobre uma despedida amorosa, ou sobre a separação de duas amigas. Mas não. Embora, no fundo, estes factores também estejam presentes, o segredo é bem mais poderoso.


É uma despedida de alguém muito especial que, para o bem de todos, nunca deverá saber a verdade sobre as suas origens.


Talvez não seja possível compreender, aceitar ou, mesmo, perdoar. Talvez seja mais fácil julgar, condenar, abominar aquela decisão final. 


Mas "Até Sempre, Meu Amor" é, ainda assim, uma história de amor. De amor a uma mãe. De amor a uma tia. De amor ao sonho. De amor à sua amiga. De amor a uma filha. E, sobretudo, de amor a si mesma. 


 


Gostaria de ver esta história continuada, à semelhança do que a autora fez anteriormente, com outras como a de Belle.


Queria ver o crescimento de Camellia, a descoberta da verdade, e como ela reagiria a tudo. Queria ver a felicidade brindar a Ellie, para variar.


E, quem sabe, assistir a um pouco mais da nova Bonny, nas décadas seguintes.

quinta-feira, 23 de janeiro de 2020

Do progresso e das novas tecnologias

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O progresso, e a tecnologia, só podem ser encarados como negativos se, à medida que acompanharmos a actualidade e a modernização, adquirindo novas competências, nos esquecermos de tudo aquilo que adquirimos até aí, e as competências consideradas, agora, obsoletas, forem totalmente apagadas da nossa memória.


 


É isso que vemos hoje acontecer.


O progresso é necessário e positivo. 


Se não fosse ele, tudo continuaria como há milhares de anos atrás. Teríamos ficado na idade da pedra. Seríamos seres primitivos.


Com a evolução, fomos fazendo descobertas, criando invenções, inovando, melhorando as técnicas, utilizando tudo o que pudessemos a nosso favor, melhorando a nossa vida.


 


O que acontece é que, como se tivessemos pouco espaço na memória e não coubesse lá tudo dentro, por cada competência nova que adquirimos, eliminamos uma antiga, como se já não nos fizesse falta.


E, às tantas, se alguma coisa na actualidade falha, não temos como voltar atrás e recuperar as competências antigas, que nos desenrasquem e sejam úteis nesse momento.

quarta-feira, 22 de janeiro de 2020

O bloco de apontamentos das parvoíces

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Lá por casa, costumamos ter uns blocos de apontamentos na cozinha.


Por norma, servem para fazer as listas de compras ou anotar alguma informação que seja necessária.


 


Mas ultimamente, damo-lhes também outros usos.


Ou serve para fazermos desenhos de como as gatas estavam a dormir connosco, ou para apontar aquela letra que inventámos para uma música, ou para não nos esquecermos que alguma frase ou piada sem graça que nos saiu no momento.


Vamos pondo lá tudo.


 


No outro dia, peguei num dos blocos, e estive a ver o que por lá estava.


Achei engraçado ver a quantidadede parvoíces que para lá vai.


Um dia mais tarde, sempre que pegarmos neles, vamo-nos lembrar desses momentos.


 


Porque nem só de imagens são feitas as recordações, ficará sempre, para a posteridade, os nossos blocos de apontamentos das parvoíces!


 

O facebook e a descoberta de coincidências curiosas

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Diz-se tanto mal do facebook, mas ainda há coisas curiosas que ele ainda nos vai dando.


Uma delas, são as coincidências.


Através de uma partilha de memórias, de publicações nossas, noutros anos, é curioso perceber como certas coisas tendem a repetir-se, nos mesmos dias, nos anos seguintes.


 


Por exemplo, num determinado dia, de um ano anterior, tinha feito uma publicação sobre o frio extremo aqui na vila. Anos depois, no mesmo dia, o frio repete-se.


Também já me aconteceu com a chuva.


Há 3 anos, andava a chupar Halls de mel e limão para a garganta. Hoje, cá estou eu de novo com eles.


 


Pena é que algumas coisas boas não se repitam também.


Era sinal que hoje, em vez de vir trabalhar, estaria a assistir a um qualquer concerto, na Altice Arena!

terça-feira, 21 de janeiro de 2020

Olhar para dentro de nós, antes de criticar

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A tendência para criticar os outros está tão enraizada, em cada um de nós que, por vezes, as palavras saem da nossa boca quase automaticamente, sem darmos conta.


Porque é o que está ali à nossa frente, à nossa vista. E é algo que não gostamos, que não achamos bem, que nunca faríamos.


 


Ou então, faríamos!


Muitas vezes criticamos, nos outros, aquilo que também nós fazemos.


O problema, é que é mais difícil olhar para dentro de nós, e perceber o que fazemos errado, ou que atitudes temos, que abominamos nos outros, mas nem nos apercebemos delas em nós.


 


Assim, talvez fosse bom, antes de criticar o próximo, olhar para nós e pensar: é algo que eu costumo fazer/ dizer?


Se sim, ainda vamos a tempo de conter a crítica.


Mais vale calarmo-nos, e tentar começar por corrigir os nossos gestos.


Se não, pensar até que ponto vamos fazer essa crítica de forma construtiva e positiva, acrescentando algo a quem a recebe ou se é, pura e simplesmente, vontade de dizer mal e criticar negativamente.


Porque esse tipo de críticas não servirá para nada, além de para nos julgarmos superiores aos outros.


 


 

segunda-feira, 20 de janeiro de 2020

Não adianta forçar relações

As relações não surgem, apenas e só, porque é suposto.


Porque é isso que se espera.


Ou existe algo que faz nascer e desenvolver essa relação, ou não adianta.


É quase como aquela semente que colocamos na terra mas, sem as condições adequadas, acaba por morrer lá enterrada. Ou até brota, mas logo murcha e morre.


 


No novo programa da SIC, "Amigos Improváveis", juntaram idosos e jovens, naquilo a que consideram amizades improváveis que é suposto transformarem-se, quem sabe, em amizades para a vida.


 


Ora, logo à partida, sendo um programa de televisão, a naturalidade e espontaneidade não serão as mesmas.


É suposto estarem abertos à experiência, darem-se bem, colaborarem.


Ainda assim, ao ver as relações entre os vários concorrentes, é possível perceber o que está ali a ser relativamente natural, ou forçado. 


 


 


Ana e Fernanda


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Há uma total falta de noção, de parte a parte, para saber como levar cada uma, a entrar no mundo da outra, e ficar ali numa espécie de consenso que dê para ambas.


Uma parecia rígida demais. Ainda assim, tem vindo a surpreender. A outra, parecia ter energia e vontade de animar a vida de ambas, mas só a vimos triste, adoentada, a chorar, e sem vontade de fazer o quer quer que fosse, que não fosse do seu gosto ou agrado.


Para já, a Ana deixou a casa da sua sénior.


Não me parece que resulte dali grande amizade.


 


 


Diogo e Silvina


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No caso da Silvina e do Diogo, apesar de a primeira usar, muitas vezes, uma capa de durona e picuinhas, ao mesmo tempo que, já na experiência, se mostra muito (demasiado) extrovertida, por contraste com um Diogo, aparentemente, mais tranquilo e tímido, acredito que possa resultar dali uma amizade para a vida. Mais do que com a candidata que lhe suceder, penso eu.


Em termos de prestação e entrega à experiência, o Diogo é um dos meus preferidos, e que mais se está a entregar.


 


 


Ana Catarina e Maria Lina


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A Ana Catarina e a Maria Lina estão ali de corpo, alma e coração. 


Parecem dar-se lindamente, sem forçar, sem estar ali com muito teatro.


Parecem mesmo neta e avó.


Acredito, e espero, que essa amizade continue fora da experiência.


Elegeria a sua prestação como a relação mais genuína.


 


 


Elisabeth e Tatiana


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Esta é uma relação que não me inspira.


Acredito que, quando a experiência terminar, vá cada uma para seu lado, sem qualquer relação de amizade.


A Elisabeth parece, ou quer mostrar-se, uma mulher "prá frentex", mas mostra também um lado demasiadamente despreocupado e desinteressado, diria até, algo desajeitado, que acaba por se reflectir na sua relação com a Tatiana que, não precisando ainda de mais paninhos quentes, também não saberá lidar com a atitude e comportamento da sua sénior.


 


 


João/ Natália e Pedro


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Adoro este casal, sobretudo o Sr. João.


Quanto ao Pedro, é o concorrente que, na minha opinião, mais se tem entregado à experiência e vivido a mesma na sua totalidade.


No local totalmente diferente do que está habituado, a fazer actividades que nunca imaginou, ele tem mantido o espírito aberto.


Não sei o quanto disso é porque até fica com conteúdos para o seu canal ou porque, para além de ter sido bem recebido e acolhido, também ele gosta dos séniores que o escolheram, e poderá resultar dali uma amizade. Ainda que não como a que imagino para a Ana Catarina e Maria Lina.


Ainda assim, a mim, parece-me que se darão melhor com o Pedro, do que com a Bárbara, que irá a seguir.


 


De qualquer forma, seja em programas de televisão, ou na vida real, a regra é a mesma: não adianta juntar as pessoas e dizer - agora sejam amigas - porque não funciona assim.


A amizade, tal como qualquer outra relação entre as pessoas, tem que vir de dentro de cada um de nós, tem que ser sentida, tem que ser recíproca, tem que ser verdadeira e genuína, tem que crescer naturalmente.


Ou nunca terá pernas para andar.


Muito menos, forçada.


 


Imagens: sic


 


 


 


 


 


 


 


 


 

sexta-feira, 17 de janeiro de 2020

As milagrosas pastilhas EUPHON!

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Estava eu na casa dos 20's, quando comecei a ter as primeiras afonias da minha curta existência.


E, digamos que, quando se tem que utilizar a voz em serviço, é complicado.


Telefones para atender, em que quem está do lado de lá não nos ouve, ou mesmo falar pessoalmente como se estivéssemos a contar um segredo, também não dá muito jeito.


Nessa altura, receitaram-me as pastilhas "Euphon" que, além de se parecerem e saberem a gomas, tinham um efeito bastante rápido e eficaz. Para bem da nossa voz, e mal da nossa gulodice, porque quanto mais tempo durasse, mais pastilhas marchavam!


 


Depois, deixei de ter esses episódios e, uns anos mais tarde, quando foi preciso, não havia à venda. Acabei por ter que levar outras. E nunca mais pensei no assunto.


 


No início deste ano, a minha filha começou a ficar rouca e chegou mesmo a quase perder a voz. 


Tinha um trabalho para apresentar dali a uns dias.


Fui à farmácia, e perguntei se tinham as milagrosas pastilhas "Euphon".


Para minha surpresa, e ainda bem, continuam a comercializá-las e levei para a minha filha.


Dois dias depois, tinha voltado ao normal.


 


Por isso, já sabem, se algum dia estiverem com afonia ou rouquidão, Euphon é a solução!


 


E por aí, já alguma vez experimentaram?


Deram-se bem com elas?

O Caminho da Felicidade, de Teresa Caetano

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Felicidade…


Algo que sentimos, que nos faz bem, que não sabemos bem definir, e não fazemos a mínima ideia onde encontrar.


Seria tão mais fácil se pudéssemos chegar ali ao mercado e pedir uns quilos de felicidade, como quem compra alimento quando tem fome, ou um medicamento quando está doente.


Mas não…


Algo tão precioso não poderia ser alcançado assim.


É preciso merecê-la, lutar por ela, tentar encontrá-la ou, simplesmente, estar aberto e disponível para a reconhecer, para a receber, para tirar o máximo partido dela.


 


O problema é que nem todos a vêem da mesma forma, com os mesmos olhos, pela mesma perspectiva.


E o que é a felicidade para uns, nem sempre o é para outros.


 


Eu acredito que é por as pessoas procurarem tanto e de forma tão “cega” aquele ideal de felicidade que construíram, aquela “forma” que imaginaram que, simplesmente, a felicidade pode estar mesmo ali à frente delas, e não a distinguirem naquele momento.


A felicidade é tida como algo tão grandioso e gigantesco, que se torna difícil acreditar que ela possa estar ali, em coisas tão pequenas e, aparentemente, insignificantes.


 


 


Para mim, não existe um caminho único para a felicidade.


Existem vários, uns maiores, outros mais pequenos, uns mais importantes, outros secundários, uns mais rectos, outros mais sinuosos, uns mais rápidos, outros mais demorados, que vamos percorrendo ao longo da vida, e que, juntos, complementando-se, nos levam lá, onde queremos estar, ao que queremos alcançar.


 


E custa ver as pessoas abdicarem de percorrer alguns desses caminhos, por considerarem que bastaria um deles, para chegar à felicidade com que sempre sonharam.


Ainda que, no momento, acreditem nisso, só mais tarde poderão perceber o quão enganadas estavam.


E, mais tarde, pode ser tarde demais…


 


 


Em "O Caminho da Felicidade", são-nos dadas três perspectivas diferentes do que seria o ideal de felicidade, de cada uma daquelas pessoas: a do amor, a da saúde e a do dinheiro.


Logo por aqui, a questão lógica seria "mas não se pode juntar as três"?


Por vezes é possível, outras nem tanto.


E, nesta história, Alice, Madalena e Luís fizeram as suas escolhas.


 


A que melhor compreendo e, provavelmente, quereria para mim, seria a da Alice. Penso que acaba por representar a vida dos meus pais, a forma como me criaram a mim e ao meu irmão. Nunca tivemos muito, mas nunca nos faltou nada, sobretudo, amor.


 


Já a Madalena, irritou-me profundamente. Apesar de tudo pelo que passou, ela não tinha que fazer daquilo que aconteceu com os outros, ou no passado, uma regra sem excepção para o presente. É que ela tinha ali a felicidade mesmo escarrapachada à sua frente, mas a teimosia, a crença "cega" de que apenas a saúde importava, fê-la perder a oportunidade de agarrar a felicidade, de a deixar fugir, e ser apanhada por outra.


De que adianta uma vida saudável, se for vivida sozinha. De que adianta ajudar tanta gente, se não se ajudar a si própria?


 


O Luís, fez a escolha mais lógica, tendo em conta o mundo em que cresceu. Afinal, é suposto o dinheiro comprar tudo. E, sejamos honestos, o dinheiro em si pode não ser sinónimo de felicidade e saúde, mas que ajuda, de diferentes formas, lá isso ajuda. E contribui para uma boa parte da felicidade, quando bem usado.


 


A personagem que mais me cativou foi a Maria.


Maria é uma mulher, filha de pais ricos, da chamada "alta sociedade". Seria de supor que Maria fosse uma mulher fútil, habituada a comprar tudo o que quisesse, habituada a um casamento de fachada, a manter a imagem da família perfeita.


Mas Maria é uma mulher que exige muito mais da vida. E que se preocupa com muito mais do que futilidades. Ela vai ser mãe e pai, de um filho que é rejeitado pela própria família por ser diferente, e vai fazer de tudo para proteger e apoiar o filho nas diferentes etapas, dificuldades e superações da sua vida.


 


 


O que mais me emocionou, e me fez derramar umas lágrimas (há algum tempo que um livro não me tocava assim), foi ver como algumas decisões tomadas impediram estas pessoas de ser mais felizes, a forma como ignoraram a chave para a sua felicidade e a deitaram fora, muitas vezes por puro orgulho, por teimosia, por não se predisporem a deixá-la entrar, como se não fossem merecedores dela, como se lhes pudesse fazer mais mal que bem.


Foi ver vidas adiadas por décadas e décadas, algumas com uma última oportunidade à sua espera. Outras, desperdiçadas para sempre.


Foi ver como a inflexibilidade, a frieza e a rigidez podem levar, muitas vezes, a que as pessoas fiquem sozinhas.


Como, por vezes, percebem tarde demais que erraram, e já não podem voltar atrás no tempo.


Porque a vida, e a felicidade, não esperam eternamente. 


E, no fundo, apesar de todas as decisões que tomaram, e escolhas que fizeram, acabaram juntos no mesmo sítio, unindo e interligando as suas histórias de vida.


Talvez as coisas tenham um momento certo para acontecer. Talvez tudo aconteça por uma razão. Talvez, por mais voltas que tenham dado, estivessem destinados a encontrar-se ali.


Onde tudo começou. E onde tudo, um dia, acabará.


Até lá, que possam continuar, ou começar, a ser verdadeiramente felizes, no tempo que ainda lhes resta.


 


 


Sinopse


 



"Alice, Madalena e Luís conhecem-se num lar da terceira idade e decidem contar as suas histórias de vida. Cada um deles defende que o caminho para a felicidade tem um objetivo diferente. Alice vive para o amor; Madalena tem como prioridade a saúde; Luís dá mais importância ao dinheiro.


Ao recordarem as suas experiências, entre os vinte e os oitenta anos, acabam por compreender qual o verdadeiro caminho para ser feliz.


Mais do que um turbilhão de emoções, este romance permite uma reflexão sobre as escolhas que fazemos durante a vida.


Qual será o caminho certo para a felicidade?"


 


 


 Autor: Teresa Caetano


Data de publicação: Novembro de 2019


Número de páginas: 305


ISBN: 978-989-52-7009-5


Colecção: Viagens na Ficção


Idioma: PT



 


 



 

quinta-feira, 16 de janeiro de 2020

Perdoar? Para quê? Porquê?

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Por vezes, ao longo da nossa vida, somos magoados por algumas pessoas que, em determinados momentos, fizeram parte dela.


Essas pessoas acabam por sair da nossa vida, nem sempre a bem, mas a mágoa pelo que fizeram, vai permanecendo.


Há coisas que não se esquecem. Que não se perdoam. Será mesmo assim?


 


Por norma, quando alguém, que fez muito mal no passado, está prestes a partir, e quer fazê-lo em paz, tenta obter o perdão daqueles a quem um dia magoou.


Devemos perdoar alguém apenas porque está a morrer? Para lhe dar essa paz que deseja? Essa redenção que procura?


 


Penso que o acto de perdoar ainda é visto de uma forma errada ou, pelo menos, incompleta.


Perdoar não é algo que se faz somente pelos outros, para bem dos outros.


Devemos fazê-lo, sobretudo, por nós.


É que, mais do que libertar os outros da culpa pelos erros que cometeram e lhes dar paz, perdoar liberta-nos a nós, de sentimentos de negativos, de histórias mal resolvidas, permitindo encerrar o capítulo, e seguir em paz, mais leve e positivamente, a nossa vida!


Ao perdoar, colocamos um ponto final no passado, para vivermos com mais harmonia e mais felizes no presente.


E, quanto mais cedo o conseguirmos fazer, mais depressa recuperamos a nossa vida.


 

quarta-feira, 15 de janeiro de 2020

Porque é que as nossas lágrimas incomodam tanto os outros?

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Ontem, dizia uma senhora para a jovem que estava a chorar à sua frente: "Aqui nesta casa, não se chora! Mesmo que as coisas não estejam bem, mostramos sempre um sorriso na cara.".


Não sei se, por ter tido sempre que se habituar a esconder aquilo que sentia, e usar esse sorriso como máscara, e agora querer transmitir isso, ou porque, simplesmente, queria consolar a jovem.


 


Já outra, afirmava, em jeito de brincadeira "Ela já sabe que se começar a chorar, leva logo na cabeça!"


Neste caso, porque acha que, da infelicidade, já se encarrega a vida, restando a nós ver o lado bom das coisas, e mudar a forma de pensar e encarar as situações.


 


Até mesmo eu, apesar de também ser uma chorona, por algumas vezes, para atenuar momentos tristes que presencio, com pessoas à minha volta, tento fazer parvoíces, palhaçadas, brincar, fazê-los rir ou, com pessoas apenas conhecidas, tentar mostrar um outro lado da mesma situação.


Se, no primeiro caso, é mesmo por gostar das pessoas e não as querer ver tristes, no segundo, é porque fica sempre aquele desconforto, aquele constrangimento, de não saber o que fazer, o que dizer, de não sermos a pessoa mais indicada para estar ali, e consolar.


Também pode acontecer achar que a situação não é assim tão grave, que justifique aquelas lágrimas.


Ou não ter o mínimo jeito, ou sensibilidade, para consolar os que estão ao nosso lado.


 


Seja qual for o motivo, a verdade é que as lágrimas parecem incomodar ainda muita gente. As nossas lágrimas, aos outros. E as dos outros, a nós?


Porquê?


Não sei.


É assim tão mau chorar? Mostrar os nossos sentimentos, a nossa tristeza, através delas?


Até dizem que chorar faz bem e lava a alma, que ajuda a superar e ultrapassar os problemas. 


Então, porque é que os outros querem, tantas vezes, que as contenhamos, que as evitemos, que não as derramemos, pelo menos à sua frente?


Pensarão eles que isso nos torna mais fracos, mais frágeis, mais vulneráveis?


Será também isso o que pensamos, quando nos envergonhamos de estar ali a chorar à frente dos outros?


Ou por acharmos que não as, e nos, irão compreender? 


 


E por aí?


Como reagem às lagrimas dos outros?


E os que vos rodeiam, às vossas? 

terça-feira, 14 de janeiro de 2020

Abdicar da vida, pela carreira, ou da carreira, pela vida?

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Gosto de comunicar, de pesquisar, de entrevistar mas, nem uma única vez, pensei seguir a área do jornalismo. 


Muitas vezes o meu marido diz-me: devias investir nessa área. Ao que eu lhe respondo sempre: o facto de gostar de uma coisa, não quer dizer que tenha que fazer dela profissão ou carreira.


Da mesma forma que ele, apesar de gostar tanto de animais, não tem, obrigatoriamente, de ser médico veterinário, por exemplo.


 


Claro que haverá áreas que interessam a determinadas pessoas e que, por isso mesmo, querem seguir porque isso as realiza e faz felizes. E que o ideal, sempre que possível, é trabalharmos em algo que gostemos. Mas não tem que ser uma regra. Até porque, gostanto de diferentes áreas, não seria fácil exercê-las todas ao mesmo tempo.


 


Assim, e escolhida aquela que mais queremos ou nos agrada ou, simplesmente, aquela que, não nos agradando, é a que tem melhor saída profissional, há que mostrar o que valemos, dar o nosso melhor, decidar a nossa vida a ela, até porque é ela que nos dá o sustento.


Mas há quem leve a sua carreira a um extremo, de quase abdicar da sua vida, pelo trabalho. Muitas vezes, durante anos a fio.


Até há bem pouco tempo, era essa a tendência, sobretudo por parte das mulheres, que além de tudo o resto, queriam afirmar-se e mostrar o que valiam, num mundo de homens.


 


Hoje em dia, parece-me que a tendência se está a inverter.


Parece-me que, hoje, as pessoas estão a abdicar das suas carreiras, para recuperar a vida que naõ viveram até agora.


Há cerca de 2 anos, um conhecido do meu marido abdicou da sua carreira de engenheiro, e do belo salário que ganhava, para se tornar recepcionista num ginásio, e treinador de futebol de crianças nos tempos livres.


Aquilo que perdeu em dinheiro, ganhou em descanso, em horas com a família, em paz, e a fazer algo que gosta. E não se arrepende.


 


Da mesma forma, o médico veterinário que fundou o Hospital Veterinário aqui da vila, que estudou tanto para se formar, que lutou tanto para se dedicar aos animais e ter um hospital a seu cargo, desistiu porque já estava farto.


 


Colegas do meu marido, seguranças, com mais idade, já começam a acusar o excesso de trabalho, as noites  fora de casa, o pouco tempo para a família, e a preferir postos e horários mais suaves.


 


Até mesmo eu, quando tive oportunidade de ir para um trabalho a ganhar um bom ordenado, pouco depois de terminar os estudos, disse que não. Iria sair de casa de madrugada, e chegar à noite. Não dava para mim. E era solteira na altura, e sem filhos.


Hoje, ainda menos abdicaria, a não ser por extrema necessidade, do tempo que ainda vou tendo com a minha filha, por uma carreira profissional, por um emprego bem remunerado, mas que me tirasse a liberdade que hoje tenho.


 


E por aí, do que abdicariam mais facilmente: qualidade de vida, ou da carreira?

segunda-feira, 13 de janeiro de 2020

Rita Sanches foi eleita a "voz" de Portugal

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Realizou-se ontem mais uma final do The Voice Portugal, que viu ser eleita vencedora, a concorrente Rita Sanches, do mentor António Zambujo que, assim, se estreia nestas lides com uma vitória!


Como é óbvio, no rescaldo desta surpresa (sim, acho que foi uma surpresa para a maioria de nós), há quem considere a Rita a justa vencedora, mas há ainda mais quem não tenha gostado, quem critique, quem tivesse outra preferência e, até, quem, à semelhança das edições anteriores, levante suspeitas sobre as votações.


 


 


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Estavam 5 concorrentes a disputar a vitória: O Gabriel, a Joana, a Rita, a Carolina e o Sebastião.


Logo no início, quando mostraram o quadro das votações até ao momento, o Gabriel estava em último e, a primeira coisa que pensei foi "Impossível! A não ser que seja uma estratégia para votarem ainda mais nele."


Achei mesmo que ele seria o vencedor, quebrando assim o jejum à Aurea, que se fica quase sempre pelo segundo lugar, morrendo na praia. O que se confirmou, mais uma vez.


 


 


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Gosto do Gabriel. Não achei que estivesse tão bem na final.


E confesso que as lágrimas, tanto dele, como da mentora, já enjoam um pouco e soam forçadas, propositadas.  Se assim o foi, creio que acabou por ter o efeito inverso. A Aurea já teve excelentes concorrentes e, não desfazendo o mérito e talento do Gabriel, achei exagerada a forma como a Aurea se referiu a ele.


 


 


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Era mais que certo que a Carolina se ia ficar pelos últimos lugares. Nunca reuniu muita preferência do público, ao contrário da Rita.


No entanto, a Carolina foi sempre a Carolina, do início ao fim. Posso não gostar do estilo dela, mas pelo menos tem um estilo, que já é meio caminho andado para o sucesso.


 


 


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Imaginei que o Sebastião não fosse, igualmente, longe. A Marisa já venceu duas vezes seguidas, não lhe dariam novamente a vitória. E o Sebastião também não tinha um grande apoio, em comparação com os restantes.


Ainda assim, na final, foi dos concorrentes que mais gostei de ouvir. Simplicidade, verdade, cumplicidade, humildade. 


Acredito que, com as mãos certas, ele poderá desabrochar e chegar longe, com o seu estilo muito próprio.


 


 


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Pensei que fosse a Joana a disputar o primeiro lugar com o Gabriel, embora acreditasse que se ficaria apenas pelo segundo lugar.


O público sempre a apoiou, mas achei que esse apoio não chegaria para vencer. 


Não conhecia a Joana antes do The Voice.


Daquilo que ela foi mostrando no programa, na minha opinião, a Joana tem uma bonita voz, mas para determinados géneros musicais, e algumas escolhas talvez a tenham prejudicado.


Na final, esteve excelente. Temi quando percebi que ela ia cantar Lady Gaga, mas venceu o desafio.


 


 


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A Rita Sanches pode ter uma boa voz, pode ter técnica, teve um enorme apoio do público, que lhe deu a vitória, mas a mim soou-me, muitas vezes, a uma voz igual a tantas outras, com nada de particular que a faça sobressair.


Um pãozinho sem sal que até é saudável e se deve comer, mas que não deixa aquela sensação de prazer, quando se saboreia.


 


Feitas as contas, e não falando de eventuais concorrentes que poderiam ter estado ali, e ficaram pelo caminho, dos 5, não havia nenhum que pudesse dizer ser o meu preferido, ou que se destacasse em grande escala como aconteceu com a Deolinda ou o Dennis Filipe, por exemplo.


Até mesmo o Fernando Daniel, embora não sendo o meu preferido nessa edição, conseguia reunir o consenso geral de que iria chegar longe. E está a dar provas disso.


 


Rita Sanches pode ter sido a vencedora do The Voice Portugal.


Pode ter sido eleita (de forma honesta ou duvidosa, só quem de direito saberá) a "voz" de Portugal.


Mas, à semelhança da Marvi (alguém mais ouviu falar dela?), não acredito que, no futuro, se oiça falar muito dela.


Vamos esperar para ver...


 


Parabéns a todos, vencedores e vencidos!


E que esta etapa seja apenas o começo para eles.


 


 


Imagens: The Voice Portugal

sexta-feira, 10 de janeiro de 2020

Entrevista da Cristina Ferreira a Raquel Tavares

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As melhores entrevistas são aquelas em que as perguntas colocadas permitem, ao entrevistado, ser ele mesmo, sem filtros, e mostrar-se assim mesmo.


São aquelas que chegam lá, onde é preciso, e onde todos os outros têm medo de ir, por não ser politicamente correcto, por não se enquadrar no alinhamento, ou por não terem sequer a capacidade e, acima de tudo, a sagacidade, a inteligência e a sensibilidade necessárias, para o fazer.


 


Pode-se não gostar da Cristina Ferreira, pelos mais variados motivos mas, verdade seja dita, ela é boa naquilo que faz. E consegue chegar ao lado mais íntimo das pessoas que entrevista, solidarizando-se com elas, emocionando-se, e emocionando quem ouve as entrevistas.


 


Foi o que aconteceu ontem, na conversa que teve com a Raquel Tavares, e que esta escolheu para partilhar, com o público, a decisão mais difícil da sua vida: a de parar de cantar, algo a que, actualmente, ganhou aversão.


Nessa entrevista, ficamos a conhecer a Raquel, como nunca a vimos: frágil, magoada, sofrida, a tentar erguer-se do abismo para onde a vida artística a atirou, para onde ela se foi deixando atirar ao longo do tempo, ainda que a tentar agarrar-se, a tentar ser agarrada, antes de perder a esperança.


 


Todos sabemos que a vida de grande parte das figuras públicas não é aquele mar de rosas que se pinta.


Claro que têm benefícios que nós, comuns, não temos. Que ganham bem mais que nós. Que têm muitos mais privilégios.


Mas também têm que fazer opções na vida. Têm uma imagem a manter. Têm regras que não podem quebrar, responsabilidades que não podem ignorar, compromissos assumidos que não podem descartar.


No fundo, sabemos que o mediatismo, a pressão, a exigência podem, muitas vezes, quebrar as pessoas que estão por detrás dos "artistas", das "figuras públicas".


É por isso que alguns começam a beber, outros enveredam pelas drogas, outros suicidam-se.


 


No caso da Raquel, ela optou por cortar o "mal pela raiz" - deixar de cantar, algo que ela sempre gostou de fazer, mas que nunca sonhou fazer como carreira profissional e que, ao longo da vida, a fez abdicar de muitas coisas a ponto de, agora, aos 35 anos, se sentir vazia. 


 


Foi um momento de partilha de experiências, de verdade, de revelações, até da própria Cristina Ferreira, e que não deixou ninguém indiferente.


Também eu me emocionei ao ver esta entrevista.


 


E, como diz a Cristina, que cada um de nós pense, antes de julgar ou criticar que, por detrás da figura pública, existe alguém como cada um de nós, que sente como nós, que sofre como nós, que tem os seus momentos menos bons, como nós, que é de carne e osso, e não de ferro.


 


A Raquel teve a coragem de decidir mudar radicalmente a sua vida, doa a quem doer porque, acima de tudo, não quer mais que lhe doa a si. E de o assumir e contar a todos. De se mostrar nua, despida de máscaras.


A Cristina, pediu respeito para com a Raquel, neste momento pelo qual está a passar, mas penso que também ela, depois desta conversa tão franca, de mulher para mulher, também a Cristina ganhou um pouco do respeito de todos nós.


 


Imagem: sic.pt

A segurança está dentro de nós, e não nos outros!

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Soube esta semana, que o cantor Armando Gama tinha sido detido, acusado de violência doméstica pela companheira, 34 anos mais nova que ele.


"A mulher do artista denunciou o clima de coação psicológica a que Armando Gama alegadamente a sujeitava, não a deixando arranjar emprego ou relacionar-se com os amigos. Também há denúncias de alegadas agressões físicas, na presença da criança." 


 


Antigamente, as mulheres preferiam homens mais velhos porque, diziam elas, ofereciam mais segurança, para além de uma maior maturidade.


Hoje, os tempos são outros e, é vê-las, mais velhas, a preferir rapazes novos, que lhes saibam dar valor, que mostrem que, apesar da idade, ainda são desejadas e apetecidas pelos mais jovens.


 


Já os homens, sempre tiveram a tendência a manter relações com mulheres mais novas. Noutras épocas, por tradição, pela regra ditada na altura, dentro da sociedade em que viviam.


Hoje, porque querem sentir-se novamente jovens, e saber que as mulheres mais novas ainda estão ali aos seus pés, mesmo quando as mais velhas já não mostram qualquer interesse.


No fundo, tudo se resume a optar por relações em que sintam segurança, que lhes elevem a autoestima, que os façam sentir, a eles, uns D. Juans e, a elas, as poderosas.


 


Mas, depois, com essa diferença de idades, acabam por vir à tona, mais cedo ou mais tarde, as incompatibilidades, as consequências.


Um homem que tem uma mulher mais nova ao seu lado deveria sentir-se, inicialmente, bem, mas acaba por meter na cabeça que, sendo mais nova, vai acabar por o trair com alguém da mesma idade. Torna-se inseguro, desconfiado. Vai começar a querer controlar a vida da companheira, a limitá-la, a sufocá-la e, em último caso, chegamos à violência doméstica.


Da mesma forma, se essas mulheres mais novas procuravam segurança e maturidade, acabam por encontrar precisamente o oposto, nos homens com quem estão.


E o mesmo no caso das mulheres, com rapazes mais novos. Também se podem tornar possessivas, controladoras, manipuladoras, arruinando as relações. 


 


Porque a verdade é apenas uma: não adianta procurar nos outros, aquilo que nós próprios não temos!


Se não somos pessoas seguras, se não prezamos o respeito, se não confiamos, se não temos uma boa autoestima, se não acreditamos em nós, se não nos sentimos bem com a pessoa que somos, com o nosso corpo, com a nossa forma de estar na vida, não serão os outros a dar-nos isso.


E depender dos outros para nos dar aquilo que não conseguimos encontrar dentro de nós, só nos fará mais mal, que bem. Porque essa dependência será, por certo, usada contra nós, quando menos o esperarmos.

quinta-feira, 9 de janeiro de 2020

O que se passa com o meu dedo, que nenhuma máquina o reconhece?!

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Sabem aquelas máquinas das senhas que existem nos hipermercados, nas várias secções, em que se tem que tocar com o dedo para sair a senha?


Ou aquelas, nas farmácias, com a mesma funcionalidade?


São um atrofio para mim!


Eu toco, e volto a tocar. Ao meio ou mais à ponta. Mais suavemente, ou com mais força. E nada! Não me dá senha. Não reconhece o meu toque.


Vai lá o meu marido, ou outro cliente qualquer, e dá na boa.


 


Já com o telemóvel novo é a mesma coisa.


Carrego para ligar, faz de conta que nem lhe toquei.


Simplesmente, não obedece a nada.


 


O que se passa com o meu dedo? Estará assim tão gelado que acham que é um morto que lhes está a tocar? Ou um fantasma?

quarta-feira, 8 de janeiro de 2020

Um direito tem sempre, como contrapartida directa, um dever?

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A minha filha está a fazer, para a disciplina de Filosofia, um ensaio filosófico que, após escolha de algumas das ideias em cima da mesa, acabou por recair na defesa da Eutanásia, como um direito à dignidade.


Ela teria que expôr a sua tese, os seus argumentos a favor da mesma, as objecções e a respectiva resposta a estas, de forma a manter a sua defesa.


Confesso que é um tema que me interessa.


Tal como relativamente ao aborto, defendo a sua despenalização, e não condeno quem a peça, ou quem a pratique a pedido de alguém.


O facto de defender a eutanásia não significa, obrigatoriamente, que essa seja uma opção à qual recorreria. Penso que só quem está nas situações, saberá o que sente e o que quer para si.


Quanto mais leio sobre o assunto, sobre os argumentos a favor e contra, mais me apercebo da complexidade da questão.


Mas o que me abriu, de facto, uma nova visão para o tema, foi a perspectiva, vista do lado dos profissionais de saúde.


 


 


Podemos ter o direito a morrer dignamente, mas teremos o direito de pedir ao médico, que nos mate?


Assim de uma forma um pouco radical, o que era defendido era que, se o paciente tem o direito de morrer, então o médico tem o dever de matar.


Isto porque partem da premissa de que um direito implica sempre um dever. O direito de um, implica o dever de outro. 


 


 


Mas será que um direito tem sempre, como contrapartida directa, um dever? Em qualquer circunstância? 


Não me parece. Nem sempre.


E, pelo menos, não neste caso. O facto de se ter direito a morrer dignamente, não faz da morte, automaticamente, um dever do médico. A não ser que este seja a favor, e considere seu dever, apresentado o pedido do paciente e analisado o seu quadro e situação clínica, aceder ao mesmo e pôr fim à vida e ao sofrimento.


Mas nada o obriga a matar, se ele assim não o entender, ainda que não venha a ser penalizado por tal acto.


Talvez o ideal fosse a pessoa que quisesse morrer dignamente, pôr fim à sua própria vida. Aí, falaríamos de suicídio. Mas faltar-lhe-iam sempre os meios, que levassem ao fim. E, talvez, a coragem.


Algo que também não se pode exigir do profissional de saúde. Eu quero morrer mas não tenho coragem de me matar, por isso, preciso de si. Não seria justo.


Mas acredito que um qualquer médico que pratica o aborto que, no fundo, não deixa de ser matar um ser humano, que teria toda uma vida pela frente, que desliga uma máquina, por não ser útil na reversão de um determinado quadro clínico, ou até mesmo eutanasia um animal para lhe acabar com o sofrimento, não terá problemas em o fazer, aos humanos que querem partir.


 


Sobre os argumentos contra e a favor, sobre eutanásia activa e passiva, voluntária ou não voluntária, o matar e o deixar morrer, muito haveria para falar, quer em termos éticos ou religiosos, e não chegaríamos a lado nenhum.


Até que ponto estão os médicos dispostos a ir, na defesa da vida humana, e daquilo que consideram que é melhor para o paciente, ainda que esse não o veja dessa forma?


Até que ponto estão os pacientes dispostos a ir para ver satisfeito esse seu desejo e direito que lhes assiste, a uma morte digna?


E o que é, para cada um de nós, uma morte digna?


 


 


 


 

terça-feira, 7 de janeiro de 2020

Amigos Improváveis: a nova experiência social da SIC

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Estava com alguma curiosidade para ver este novo programa e perceber como tudo se iria desenvolver, bem como que relações sairiam dali.


Sobretudo, esperava que não fosse a palhaçada em que se tornou o "Casados à Primeira Vista".


 


 


 


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Do lado dos mais velhos, assim que ouvi a D. Fernanda, uma das "avós", como lhes apelidam no programa, abrir a boca, disse logo ao meu marido: "já não gosto desta".


Uma pessoa que acha que não tem nada a aprender com os jovens, mas apenas a ensinar, que acha que a sua forma de ver as coisas é que está correcta, que quer impôr a sua forma de estar e pensar, que tem uma mente tão fechada que não permite que mais nada lá entre, não está ali a fazer nada.


Não percebi se está apenas a representar a personagem de má, mas não será assim na realidade, ou se aquilo é mesmo genuíno.


Dizia o meu marido "ela terá tido uma educação rígida, e é assim que agora a transmite também aos outros". Ao que eu contrapus "não é por se ter uma educação rígida, da qual nunca gostámos, que temos que fazer o mesmo aos nossos filhos/ netos, podemos ser diferentes".


Por outro lado, simpatizei muito com o casal de Sacoias, João e Natália, e com a D. Maria Lina. Uma outra forma de olhar para os jovens, de encarar a experiência, e de lidar com a evolução da sociedade.


 


 


 


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Já da parte dos concorrentes, gostei muito da Catarina, do seu modo rebelde, e da sua gansa de estimação!


Achei o Hugo humilde e genuíno, mas desnecessário o drama que fizeram à volta dele e da avó. Ainda assim, comoveu.


Ao contrário da Ana que, apesar de a D. Fernanda ser perita a ler as pessoas e afirmar que ela foi sincera, a mim soou-me a discurso ensaiado e pouco natural.


Simpatizei com a Bárbara. Parece-me uma miúda ajuizada e com vontade de aprender nesta experiência, apesar de não ter achado piada à ideia de ter que subir escadas para ter rede.


O Pedro Ferreira mostrou-se bastante gabarolas e convencido mas, no fundo, acredito que seja o que mais evoluirá na experiência, até porque lhe calharam dois "avós" simpáticos e que até agradecem os vídeos no youtube para partilhar tradições.


 


E por aí, viram o primeiro programa? 


Vão acompanhar?


O que acharam?


 


 


Imagens: atelevisaosicamigosimprovaveis

segunda-feira, 6 de janeiro de 2020

Os finalistas do The Voice Portugal

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Foram ontem escolhidos, por mentores e público, os finalistas do The Voice Portugal e, confesso, fui surpreendida por algumas dessas escolhas.


A minha previsão era:


 


Equipa Diogo Piçarra


O Diogo daria mais pontuação ao Gabriel, que era desde o início o seu favorito à vitória. 


Acreditava que, apesar do apoio do público à Joana, seria o Gabriel o finalista.


Mas o público foi decisivo e deu a vitória à Joana Alegre.


 


Equipa Aurea


Era óbvio que a Aurea iria dar mais pontuação ao Gabriel de Rose, e não tive dúvidas de que seria ele o finalista.


Confirmou-se.


 


Equipa António Zambujo


Como seria de esperar, o António deu a sua maior pontuação à Carolina que era, para si, a merecedora de ir à final.


Nas últimas galas, o público tem preferido a Rita, mas não sabia se seria o suficiente para a levar à final. Acreditei que fosse a Carolina a finalista.


Mas o público escolheu a Rita.


 


Equipa Marisa


A Marisa prefere o Sebastião ao Francisco, já tínhamos percebido isso. Achei, por isso, que ela fosse dar mais pontuação ao primeiro, mas surpreendeu-me, pela positiva, ao dar essa vantagem ao Francisco. Achei mesmo que seria o Francisco o finalista.


Mas também o público me surpreendeu, e votou no Sebastião.


 


Apurados os 4 finalistas, os apresentadores anunciaram a novidade. O público poderia votar nos 4 restantes, para escolher um 5º finalista.


 


 


A imagem pode conter: 4 pessoas, pessoas em pé


 


E aqui, mais uma vez, fui surpreendida. Acreditei que a escolha recaísse sobre o Francisco ou o Gabriel, mas foi a Carolina a eleita, para grande alegria do mentor que, na sua estreia, leva assim duas finalistas à última gala!


 


E agora, quem acham que vai ganhar?


Eu acredito que a vitória seja do Gabriel de Rose, da equipa da Aurea.


 


 


Imagens: The Voice Portugal 

Quando existe um orgulho recíproco entre pais e filhos

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Os pais são o principal exemplo para os filhos. A sua referência.


Muitas vezes, os seus ídolos, as pessoas que mais admiram.


Como tal, é normal que, até pela educação que lhes é dada, por esses pais, os filhos tenham vários comportamentos e atitudes semelhantes aos pais.


E isso acaba por incluir as mesmas qualidades, e os mesmos defeitos que, quando colocados frente a frente, chocam.


Sobretudo quando essas características são influenciadas por gerações diferentes, e pela sociedade em que cada uma dessas gerações se insere.


 


 


Todos sabemos que, muitas vezes, as discussões entre pais e filhos surgem mais pelas semelhanças entre ambos, do que pelas diferenças.


Se pais e filhos são determinados, vão querer levar a sua avante, achando que a sua forma é a melhor. Se pais e filhos são teimosos, cada um vai puxar para o seu lado a razão. E por aí fora.


 


 


No outro dia, num filme que vi, mãe e filha tinham ideais muito semelhantes mas, ainda assim, elas chocavam uma com a outra.


Porquê?


Porque aquilo que, na geração da mãe, era tido como coragem e determinação, numa época em que esses comportamentos não eram muito aceitáveis, hoje, apenas representa algo banal, aceitável e, como tal, ineficaz, sendo necessário enveredar por outro tipo de acções, que causem impacto e levem à mudança, na geração actual.


A mãe ainda não se tinha apercebido que, de certa forma, a filha queria seguir o mesmo caminho da mãe, mas com as ferramentas que existem agora à sua disposição, e que são mais úteis que as da mãe.


Por outro lado, a filha encarava cada refutação, cada questão, cada confrontação da mãe, como um ataque, como manifestação de superioridade, revoltando-se, e sentindo-se inferiorizada ou desvalorizada.


Quando, na verdade, a mãe apenas o fazia para que ela pudesse mostrar a sua opinião, debater, expôr as suas ideias e formas de ver o mesmo problema, tal como, anteriormente, a sua própria mãe tinha feito com ela.


 


 


É nessa partilha, nesse debate, que se quer saudável, que surge aquilo que nos enche o coração: o orgulho recíproco!


É nesses momentos que percebemos que os nossos filhos cresceram numa outra época, e devem dar uso às ferramentas que têm ao dispor, bem melhores que as nossas, que já estão obsoletas.


E, quando os vemos em acção, não conseguimos esconder o orgulho que sentimos por ver como cresceram, e como fazem bom uso daquilo que lhes transmitimos, mas lhe dão, ao mesmo tempo, o seu próprio cunho.


Por outro lado, os filhos não esquecem aquilo que os pais são, o que defendem, aquilo pelo qual lutam e, se por vezes, lhes tentam mostrar um outro lado, uma outra visão, não é porque estejam do contra, ou porque não gostem daquilo que somos ou fazemos, mas porque têm orgulho nesses pais, e querem que eles continuem a ser aquilo que sempre foram, e lhes transmitiram.

sexta-feira, 3 de janeiro de 2020

Aquele momento em que tudo nos desaparece e começamos a panicar!

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1.º Panicanço


No outro dia, estava a chegar a casa e procuro, como habitualmente, a chave de casa dentro da mala.


Não a vejo mas, como lá dentro tenho sempre mil tralhas, e nem sempre arrumadinhas, não liguei. Sabia que o meu marido estava em casa e bati à porta.


Já em casa, reviro a mala toda, e nada de chave. 


Será que perdi pelo caminho? Será que saiu sem eu dar conta, ao tirar outras coisas da mala, num dos locais onde fui? Será que a levei sequer? Terei deixado na porta no dia anterior, e alguém ma roubou?


Já estava a stressar, não só pela chave em si, mas pelo próprio porta-chaves, que me foi oferecido e tem um significado especial.


Já sem grandes opções de onde pudesse estar, e com a barriga a dar horas, ainda assim lembrei-me de ir a casa da minha mãe, onde tinha estado antes, para ver se por acaso tinha caído por lá. Não tinha muita esperança.


Ela abre a porta, pergunto-lhe se por acaso viu alguma chave e responde-me ela: "Sim, deixaste-a ali em cima da mesa!"


E eu só pensei "E não me podia ter ligado logo, assim que a viu, para eu não me preocupar!?"


 


 


2.º Panicanço


Tinha a ideia de ter estendido um par de meias mas, quando estava a arrumar a roupa, só tinha uma. Procurei no chão, no quintal, nas máquinas de lavar e secar, na dispensa, nos carapuços da camisola e casaco, não fosse lá estr enfiada, e nada.


Já tinha desistido quando, ao dobrar uma camisola, descubro a meia enfiada dentro da manga daquela!


 


 


3.º Panicanço


Também com uma meia!


Sabia que tinha estendido as duas, e que as tinha apanhado, mas voltava a só ter uma. Depois de ter procurado em todos os sítios da situação anterior, descubro-a no chão, quase debaixo do sofá.


 


 


4.º Panicanço


Porque não sou só eu que perco coisas lá por casa, estávamos a sair de casa, para ir celebrar o aniversário do meu marido, quando ele percebe que não tem a chave do carro. Procuramos nos sítios mais comuns, onde ele costuma deixar, mas não encontrámos.


Como estávamos atrasados, acabou por levar a suplente.


Ainda procurámos, mais tarde, na roupa que ele tinha vestido no dia anterior, na máquina de lavar, e nada.


Ele dizia que tinha quase a certeza que a chave tinha caído para debaixo da cama.


Andei a tirar tudo lá de baixo, mas nem sinal.


No dia seguinte, fui à entrada porque a gata me estava a chamar, olho para a máquina de secar, que estava a trabalhar, e deparo-me com a chave ali encostada ao vidro, a rir-se de nós!


 


 


Os panicanços da filha


Quase sempre, quando ela não sabe de alguma coisa, chama-me. 


Como se fosse eu que tivesse mexido nas coisas e soubesse onde ela as enfiou.


Mas a resposta dela é sempre esta "Tu és mãe, e as mães descobrem sempre tudo!"

A semana numa imagem

  Chuva, chuva, e mais chuva!