
"A expressão desapego pode ser dura e fria, mas todos nós devemos aprender a desenvolver o desapego."
Li esta frase ontem, e fiquei a pensar na mesma.
Todos nós, ao longo da nossa vida, nos vamos apegando a coisas, e a pessoas que, pelos mais variados motivos, passam a fazer parte dela.
Muitos objectos simbolizam momentos, lembranças, memórias, de algo que foi importante, e por isso queremos manter.
Talvez por isso seja tão difícil, a algumas pessoas, "destralhar". Porque cada um dos objectos que já não tem utilidade nem faz falta tem, ainda assim, a sua história e o seu significado, por mais tolo que seja.
Ainda assim, é mais fácil, no dia a dia, praticar o desapego das coisas materiais.
Mas, quanto ao desapego das pessoas que no rodeiam e fazem parte da nossa vida? Também devemos praticá-lo?
Será o apego algo assim tão mau para nós, que seja preferível não o ter?
O apego, enquanto sentimento de afeição, de simpatia ou estima por alguém , enquanto ligação afetiva que se estabelece com alguém, traduzida em afeto, amizade, amor, benevolência, fraternidade, ternura ou afeição, em nada prejudica a nossa vida. Pode, até, funcionar como suporte para a segurança emocional, em determinadas fases.
Apenas quando começa a haver um apego extremo, uma obsessão, um viver em função de determinada pessoa, anulando-se, é que pode ser considerado perigoso e prejudicial, tanto para quem o pratica, como para quem o recebe.
"Ah e tal, quanto mais apegados tivermos, mais iremos sofrer depois."
E então? É por isso que não nos apegamos a ninguém? Para não correr o risco de vir a sofrer com a sua perda?
Não faz também isso, parte da vida? Da nossa experiência, neste mundo?
Ou é preferível passar a vida a não nos ligarmos sentimentalmente a ninguém, a olhar para os outros de forma indiferente, e a sermos, também nós, indiferentes para os outros, como se fossemos apenas meras máquinas, sem sentimentos e emoções?
E por aí, acham que o desapego é necessário ao nosso bem estar, ou pode ter, precisamente, o efeito inverso?
Grata por esta reflexão, Marta. Acredito no desapego às coisas (afinal não passam disso, são só "coisas"), mas também no apego às pessoas. Contudo, penso que devemos estar conscientes de que as pessoas entram e saem da vida umas das outras naturalmente. Por isso devemos aceitar as saídas com gratidão pelas aprendizagens que nos proporcionaram e acolher as entradas como potencialmente enriquecedoras da nossa vida...
ResponderEliminarNão consigo imaginar o desapego propositado de pessoas que queremos. Já o de pessoas que não nos dão, mas que nos tiram, é fácil. Sou daquelas que destralhar é tirar-me bocados.
ResponderEliminarSofrer faz, e fará, sempre parte da vida. Só temos que escolher algo ou alguém por quem valha a pena sofrer. Claro, era sempre preferível não sofrer, mas, verdade seja dita, isso é muito pouco provável. Tarde ou cedo, há sempre alguém que nos magoa, seja com ou sem intenção.
ResponderEliminarExcelente texto Marta, parabéns!
Um beijinho, V