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quarta-feira, 5 de fevereiro de 2020

Praticar o "desapego"

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"A expressão desapego pode ser dura e fria, mas todos nós devemos aprender a desenvolver o desapego."


Li esta frase ontem, e fiquei a pensar na mesma.


 


Todos nós, ao longo da nossa vida, nos vamos apegando a coisas, e a pessoas que, pelos mais variados motivos, passam a fazer parte dela.


Muitos objectos simbolizam momentos, lembranças, memórias, de algo que foi importante, e por isso queremos manter.


Talvez por isso seja tão difícil, a algumas pessoas, "destralhar". Porque cada um dos objectos que já não tem utilidade nem faz falta tem, ainda assim, a sua história e o seu significado, por mais tolo que seja.


Ainda assim, é mais fácil, no dia a dia, praticar o desapego das coisas materiais.


 


Mas, quanto ao desapego das pessoas que no rodeiam e fazem parte da nossa vida? Também devemos praticá-lo?


Será o apego algo assim tão mau para nós, que seja preferível não o ter?


O apego, enquanto sentimento de afeição, de simpatia ou estima por alguém , enquanto ligação afetiva que se estabelece com alguém, traduzida em afeto, amizade, amor, benevolência, fraternidade, ternura ou afeição, em nada prejudica a nossa vida. Pode, até, funcionar como suporte para a segurança emocional, em determinadas fases.


Apenas quando começa a haver um apego extremo, uma obsessão, um viver em função de determinada pessoa, anulando-se, é que pode ser considerado perigoso e prejudicial, tanto para quem o pratica, como para quem o recebe.


 


"Ah e tal, quanto mais apegados tivermos, mais iremos sofrer depois."


E então? É por isso que não nos apegamos a ninguém? Para não correr o risco de vir a sofrer com a sua perda?


Não faz também isso, parte da vida? Da nossa experiência, neste mundo?


Ou é preferível passar a vida a não nos ligarmos sentimentalmente a ninguém, a olhar para os outros de forma indiferente, e a sermos, também nós, indiferentes para os outros, como se fossemos apenas meras máquinas, sem sentimentos e emoções?


 


 


E por aí, acham que o desapego é necessário ao nosso bem estar, ou pode ter, precisamente, o efeito inverso? 

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