terça-feira, 21 de julho de 2020

"A Corrente", de Adrian McKenty

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Gostava de ver um filme baseado neste livro.


Dos pouco (quase nenhuns) livros que li este ano este é, sem dúvida, o melhor.


 


O que faria eu se, de repente, me ligassem a dizer que a minha filha tinha sido raptada e que, para a ter de volta, teria eu mesma que raptar o filho de alguém?


Se soubesse que estava a ser controlada, e que bastaria um passo em falso para a matarem?


Faria o que me pedissem, claro. Tal como fizeram todas as mães/ pais d'A Corrente, e como continuarão a fazer aqueles que tiverem o azar de serem escolhidos como alvos.


Ainda que isso signifique entrar num pesadelo, que pode nunca ter fim e que destrói, de outras formas, todas as vítimas envolvidas.


 


Há alguém, no topo da corrente, que move os cordelinhos das marionetas que escolhe, e que as mantém aprisionadas enquanto assim o entender, ainda que não lhes dê movimento. Alguém que quer continuar a brincar com as vidas dos outros, a troco de emoções, e dinheiro.


Quem são essas pessoas, e o que as levou a iniciar A Corrente?


Poderá esta ser quebrada? E a que preço?


 


Esta é uma história que mexe connosco porque, de repente, somos vítimas e atacantes ao mesmo tempo. Criticamos aquilo que fazem aos nossos mas, ao mesmo tempo, somos obrigados a fazer o mesmo a outros. Sofremos pelo que nos fizeram, mas iremos fazer sofrer, aqueles a quem vamos fazer exactamente o mesmo.


De um momento para o outro, tornamo-nos criminosos. Hipotecamos o nosso destino, com uma dívida que nunca estará saldada, e passaremos a viver uma vida que nunca mais nos pertencerá inteiramente.


Mas havia outra alternativa?


Não.


E quem criou esta corrente, sabe que os filhos são, de entre todos, aqueles que as pessoas salvarão a qualquer custo. Qualquer pai/ mãe, fará tudo pelos seus filhos.


Para manter a corrente alinhada, e sem elos fracos, A Corrente dá uma ajuda, a par com uns avisos de que é melhor não inventar muito, para não arcar com as consequências, não só para si, mas para outros intervenientes da corrente, e respectivas famílias.


 


Mas Rachel não se conforma com a situação que está a viver com a sua filha, ambas a definhar, sem conseguir ultrapassar aquilo pelo qual passaram, e sem poder falar disso com ninguém, colocando todos os dias uma máscara que, às tantas, já não consegue disfarçar o que sentem.


É por isso que Rachel está disposta a correr o risco de tentar travar A Corrente.


Porque, apesar de a sua filha ter voltado para si, viva, está a morrer a cada dia que passa, psicologicamente. 


E Rachel não o irá permitir. Só não sabia era que, nesse desafio, iria encontrar A Corrente tão perto de si...


 


Costuma-se dizer que as mulheres são, muitas vezes, a fraqueza dos homens, que os leva a cometer erros que deitam tudo a perder.


Neste caso, foi a fraqueza de uma mulher, que levou ao fim d'A Corrente.


 


 

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