segunda-feira, 31 de maio de 2021

Cuidar de quem, um dia, também cuidou de nós

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Resistência e teimosia não duram para sempre, quando a saúde (ou a falta dela) reclama que os tempos são outros.


Os meus pais, sobretudo o meu pai, tiveram que se render ao facto de que teriam que mudar um pouco (grande) a sua vida.


 


E não é fácil conjugar um modo de vida calmo, sem pressas, vivido à medida das necessidades diárias, com o ritmo e falta de tempo que nós, filhos, levamos.


Os meus pais eram daquelas pessoas que hoje precisavam de uma coisa, e compravam. Amanhã, se precisassem de outra, iam novamente. Para o meu pai, era uma espécie de passeio, de convívio, uma forma de sair de casa.


Agora, tiveram que se adaptar à nova realidade - compras em quantidade, para vários dias, ao fim de semana, que é quando eu vou às compras para mim também.


O pão do dia, ou alguma coisa da farmácia, ou do banco, como estão aqui pertinho do trabalho, calham em caminho, mas os hipermercados não.


 


Acabaram-se os pagamentos em mão, os carregamentos nas lojas e afins. Passa a ser tudo por transferência bancária ou multibanco, até porque também calha em caminho, e poupa tempo e trabalho.


Fica tudo a meu cargo, porque sou a filha que está aqui mesmo ao lado deles.


E não custa nada cuidar de quem, um dia, cuidou de nós.


 


Não é fácil para eles.


Para o meu pai, é um castigo não poder sair de casa. Mas as dores não lhe permitem andar muito. Se tiver que ir a algum lado, é de táxi.


Depois, se forem como eu, haverá coisas que gostariam de ser eles a comprar, a escolher, a fazer, e vêem-se dependentes de terceiros.


 


Para mim também não o é.


São contas, facturas, pagamentos, compras, leituras dos contadores, e tudo o resto, a dobrar.


Ultimamente, até tenho levado a minha filha para me ajudar, se não, ainda me esqueço de alguma coisa.


Uma vez, estava a levantar dinheiro para mim mas, como os últimos movimentos tinham sido para os meus pais, já estava a inserir o código deles, em vez do meu.


 


Mas se não formos nós a cuidarmos dos nossos, e a ajudá-los, quem o fará?


Estranhos?


Enquanto eu puder, estou cá para eles. Da mesma forma que eles, apesar de tudo, ainda continuam cá, para mim, para o meu irmão, para os netos!


 


 


 

8 comentários:

  1. Sou a favor de cuidar dos nossos!
    Aqueles que estiveram sempre ao nosso lado

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  2. Bravo, bravo, bravo!
    Agora imagina estar com alguém com 90 anos e completamente senil que nem queixar sabe.
    Estou cá para a minha sogra, pois ela esteve sempre para os meus filhos.
    E isso jamais esquecerei.

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  3. Acredito que seja ainda mais complicado.
    Não sei se os meus pais lá chegarão. O meu pai vai agora fazer 80, mas já fala que não vai estar cá muito tempo.
    No outro dia até me estava a dizer onde é que tinha fotografias dele, para o caso...
    Mas somos muito ligados. Nunca me falharam, e não quero falhar com eles.

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  4. Verdade.
    E deste lado estiveram sempre. Para mim, para o meu irmão, para a minha filha e para os outros dois netos.

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  5. Sim, lá chegaremos também. Quem sabe se até pior.
    E também gostaríamos que os nossos filhos cuidassem de nós.

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