quarta-feira, 30 de junho de 2021

Isto da política de protecção de dados...

RGPD - Privacy Policy - AWD - Agência de Comunicação


 


Hoje é o último dia para renovação de matrículas para quem vai para o 12º ano, algo que fiquei a saber por mero acaso, mas que me diz respeito, porque é para esse ano de escolaridade que a minha filha vai.


Acedi logo ao Portal das Matrículas, para dar início à renovação.


Tinha os dados todos comigo. Copiei a foto do ano anterior. Estava tudo a correr bem mas...


 


... em determinada fase, não me deixava preencher nada, nem avançar, porque era preciso preencher.


Pesquisei os contactos da linha de apoio, e liguei para a da minha zona.


Atendeu-me uma senhora que avisou logo: "Tem que aguardar em linha porque estou com outra chamada!".


E eu esperei.


 


Esperei, e fiquei a ouvir a conversa toda da dita senhora com a mãe que estava do outro lado ao telefone, também a tentar validar a renovação da matrícula.


É que nem silêncio, nem a música da praxe.


Lá se foi a protecção de dados.


Era naturalidade, número de cartão de cidadão, e não sei mais o quê, que nem prestei mais atenção porque, enquanto esperava, fui tentando safar-me sozinha, saindo e voltando a entrar no portal, até que funcionou e consegui completar tudo.


Nesse tempo, a outra chamada ainda estava a decorrer, pelo que, validada a minha matrícula, e não precisando mais de ajuda, acabei por desligar o telemóvel.


 


Num altura em que tanto se priviligia a protecção de dados, de todas as formas e mais algumas, é de estranhar que uma situação como estas aconteça.


Até pode ter sido uma situação isolada. A senhora pode ter-se esquecido de dar-me música. 


Mas imaginemos que funciona mesmo assim, e com várias chamadas, e várias pessoas a ligar e a ter acesso a dados confidenciais de alunos e encarregados de educação?


 

Uma Hora de Vida, de M. J. Arlidge

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Este seria um bom livro para se transformar em filme, ou em série!


O que faríamos se, de repente, alguém desconhecido nos ligasse e dissesse as temidas palavras "Tens uma hora de vida"?


Eu penso que alternaria entre acreditar que era uma piada de mau gosto, e começar a premeditar e olhar para trás a cada passo que desse, durante a próxima hora, ansiando para que chegasse ao fim e a profecia não se concretizasse.


 


Mas, aqui na história, não é uma piada. 


E a primeira vítima está feita.


Outra se seguirá.


E se, no início, a investigação estava renitente em seguir um caminho, por não haver indicadores suficientes, cedo se percebe que, afinal, terão que ir pelo rumo que queriam descartar, uma vez que a segunda vítima leva a crer que os homicídios estão relacionados.


Na verdade, tanto Justin, o primeiro a morrer, como Callum, o segundo, tal como Maxine que, curiosamente, foi a segunda a receber a chamada mas ainda está viva, e Fran, que ainda não foi contactada, faziam parte do grupo de adolescentes que foi preso numa quinta, e torturado, tendo escapado com vida por pura sorte.


Daniel King, o sequestrador, nunca foi encontrado. Suspeita-se que terá cometido suicídio, após incendiar a quinta, com Rachel, a única dos cinco jovens que ele conseguiu matar, lá dentro, mas nunca se comprovou.


Será que é ele o assassino? Será que voltou para completar aquilo que não fez anos antes? Aniquilar os restantes quatro, um por um?


E porquê agora?


Terá o livro de Maxine, sobre esse pesadelo, acabado de lançar, sido o que acendeu o rastilho?


 


A verdade é que as pistas apontam para outro suspeito, e Emilia Garanita, a jornalista que vai cobrir os acontecimentos, terá um papel fundamental na captura desse suspeito.


Só que... pode não ser ele!


E, entretanto, Maxine é assassinada.


Só resta Fran que, neste momento, está numa casa de protecção da polícia, para mantê-la em segurança, até desobrirem quem anda a matar deliberadamente, os sobreviventes de King.


No entanto, também ela parece esconder alguma coisa.


 


Numa corrida contra o tempo, toda a equipa, liderada por Helen Grace, tenta apanhar o assassino que parece estar sempre dois passos à sua frente e que, após uma testemunha visual o descrever, poderá mesmo ser King.


 


Eu, que à medida que fui avançando na leitura, apontei as minhas suspeitas para outra direcção, embora parecesse absurdo, fiquei satisfeita por ver que, mesmo não sabendo de todos os contornos, tinha acertado em cheio.


 


A narrativa está muito bem construída, tal como todas as personagens, excepto Joseph que, ao longo da história, não chegamos a perceber que tipo de pessoa é, o que esconde, o que quer, e o que será capaz de fazer, para o obter.


Será um homem violento? Manipulador? Egocênctrico? Calculista?


Ou ainda se esconde algo de bom, por detrás dessa capa?


Ficou a dúvida, que talvez possa vir a ser esclarecida num próximo livro do autor.


 


 


 


SINOPSE


 


O que faria se recebesse uma chamada a dizer:
"Tens uma hora de vida"?
Estas são as únicas palavras recebidas num ameaçador telefonema. A seguir, desligam. Certamente que só pode ser uma brincadeira… Um engano? Um número errado? Qualquer coisa menos a verdade arrepiante… Que alguém está a observar, à espera, a trabalhar para roubar uma vida no espaço de uma hora. Mas porquê?
A tarefa de o descobrir recai sobre a inspetora Helen Grace: uma mulher com um histórico de caça a assassinos. No entanto, este é um caso em que o homicida parece estar sempre um passo à frente da polícia e das vítimas. Sem motivo, sem pistas e sem dicas — nada além de puro medo —, uma hora pode parecer durar uma vida inteira…


terça-feira, 29 de junho de 2021

Troncos que parecem obras de arte!

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Passo por estas árvores diariamente.


Já cheguei a fotografar as copas. As folhas caídas. Os ramos despidos.


Mas nunca tinha reparado para os troncos.


 


No outro dia, numa manhã de chuva, calhei olhar para eles.


Talvez pelo efeito molhado, as cores sobressaíam, e não resisti a fotografar estas "obras de arte".


À tarde, por curiosidade, voltei a olhar para eles.


Já secos, passavam despercebidos.


 


 

segunda-feira, 28 de junho de 2021

Histórias Soltas #19: Perdidos no espaço

Como funciona o lançamento de um foguete - Brasil Escola


 


Se há muita gente que gostaria de fazer parte de uma tripulação, enviada numa nave espacial, para descobrir mais sobre o universo, outras há que preferem ter os pés bem assentes na Terra!


Mas, claro, fica sempre aquela curiosidade...


Foi essa curiosidade que levou a que se criasse uma espécie de simulador avançado que recria, de forma muito aproximada à realidade, uma viagem espacial, desde o lançamento do foguetão, até à sua estabilização, para lá da Terra, em pleno espaço, e o respectivo regresso ao nosso planeta.


Era a mais recente atracção a nível de realidade virtual, e das mais procuradas, naquele momento.


E era para lá que se dirigia aquele grupo de amigos que, sem marcação, arriscou ir na mesma, esperando poder viver a experiência de que tanto ouvira falar.


 


A atracção situava-se junto à agência espacial, para imitar o mais possível um ambiente real.


À chegada, tiveram que esperar para ver se haveria alguma hipótese de entrar, uma vez que tinham decidido em cima da hora.


 


Enquanto isso, numa outra sala...


- O que te parece?


- Agora? 


- Porque não? Temos tudo preparado. Eles querem. E nós podemos fazê-lo.


- Sim... Parece um bom grupo. Ok. Avança, então. Mas dá-lhes o treino prévio. 


 


De volta à recepção...


- Podem entrar. Como não têm marcação, vão fazer a experiência no nosso simulador extra, que fica do outro lado. O meu colega já vos vem trazer os fatos, e dar todas as indicações.


 


E, assim, devidamente equipados, dali a meia hora, lá estavam eles, animados e ansiosos, a bordo da nave espacial, prestes a viver uma experiência inesquecível.


A adrenalina começou assim que ouviram a contagem decrescente, e sentiram o impacto dos propulsores a impelir o foguetão.


De repente, já não estremeciam. Já não sentiam a velocidade. Estavam em órbita. A vista, quando se atreveram a olhar para fora, provocava-lhes uma certa claustrofobia mas, ao mesmo tempo, era de cortar a respiração.


O técnico que lhes deu o treino tinha dito que iriam andar por ali cerca de uma hora, antes de regressarem, pelo que aproveitaram ao máximo para apreciar o que iam vendo.


Não tinham, propriamente, uma noção do tempo. Todos os seus pertences, incluindo relógios e telemóveis, tinham ficado guardados num cacifo.


Mas, a determinada altura, começou-lhes a parecer que já estaria na hora de voltar. Só que não havia sinais de que isso fosse acontecer.


Um dos amigos lembrou-se de accionar os comandos de comunicações, que lhes tinham sido indicados, e tentar perceber o que se passava.


 


Foi, então, que ouviram a voz daquilo que lhes parecia um assistente virtual:


"Bem vindos a bordo da Futurex! Daqui a 260 dias chegaremos a Marte, completando a missão que teve início hoje! Em que vos posso ser útil?"


- Estão a brincar, certo?


- Isto ainda faz parte da experiência, de certeza!


- Podes levar-nos de volta? - perguntou, um deles, ao assistente.


- A programação só permite o retorno daqui a 300 dias.


- E como se reprograma? - voltou a perguntar.


- Não é possível reprogramar sem os códigos de acesso.


- E quem tem esses códigos?


- O centro operacional, de onde acabámos de partir.


- Como podemos comunicar com o centro de controlo?


- A nave só permite recepção de comunicações, não o envio. 


- E não há outra forma de contornar a questão dos códigos?


- Sim, pode-se fazer reprogramação manual. Mas, aí, o centro operacional deixa de ter controlo, e estão por vossa conta.


E a comunicação desligou automaticamente. Estavam entregues a si próprios. Se o arrependimento matasse...


 


Uma semana depois, na Terra, passava na televisão:


"Continuam desaparecidos quatro jovens, entre os 20 e os 25 anos, sem ter deixado qualquer rasto. Foram vistos, pela última vez, nesta estrada, mas até agora não foi possível encontrar o veículo, nem qualquer outra pista...." 


 


 


E agora, que final decidiriam para esta história?


1 - Seria mesmo uma experiência da agência espacial, que utilizou os jovens como cobaias, tal como já tinha feito outras vezes.


2 - Tudo aquilo faria ainda parte da experiência virtual, e acabaram por perceber isso dali a poucos minutos.


3 - Não passou tudo de um pesadelo!

sexta-feira, 25 de junho de 2021

A subida

Pode ser uma imagem de natureza, céu e lusco fusco


 


"Parar é morrer", dizem.


Mas, por vezes, para não morrer, é preciso parar.


 


Naquela subida, que parecia não ter fim, ela subia, insistia, passo a passo, sem parar, ainda que todas as forças lhe estivessem a fugir pelo corpo porque sabia que, se parasse, por um minuto que fosse, já não conseguiria continuar.

 

No início, movia-a a coragem, a determinação, a força.

Depois, a perseverança. 

E, à medida que ia subindo, a obstinação. A vontade de superar o desafio.

Que logo se transformou em teimosia. Em sobresforço, contraprodutivo.

Uma espécie de testagem dos limites, que já há muito acusavam estar a ser ignorados.

 

Mas, depois, deu-se por vencida. Parou. Sentou-se, esgotada.

Ali permaneceu, por bastante tempo.

Acreditava mesmo que, dali, já não conseguiria sair.

Que tudo tinha sido em vão.

 

Ainda assim, restava-lhe uma centelha de orgulho. De dignidade. 

Algo a impelia fazer uma derradeira tentativa. Porque há coisas que não devem ficar a meio. E seria mais fácil chegar ao destino, do que retornar ao ponto de partida.

 

Quando se tentou pôr de pé, ficou surpreendida.

As dores já não se faziam sentir tanto. Já não se sentia tão cansada.

Não faltava assim tanto para alcançar o topo. Não custava tentar.

 

Motivada e esperançosa, retornou à subida, acabando por alcançar o objectivo a que se tinha proposto.

E assim, depois de vencida, acabou vencedora.

Mas como saber se as subidas que iniciamos têm uma meta ou se, pelo contrário, são eternas e infinitas? 

 

Na verdade, não sabemos.

Mas, se não acreditarmos que elas nos levam a algum lado, de que nos servirá subi-las?

Se não existir topo, de que adianta escalar?

 

 

 

Inspirado neste texto!

 

quinta-feira, 24 de junho de 2021

Sentimentos ambivalentes que as "despedidas" me provocam

Sobre despedidas e o partir... | ACESSA.com - Saúde


 


Existem pessoas que são avessas a despedidas. E as evitam a todo o custo.


E outras que fazem questão de as viver, que ampliam o seu significado, e as tornam ainda mais difíceis.


Eu tenho sentimentos ambivalentes em relação às despedidas.


 


Por um lado, quero-as.


Considero-as necessárias, importantes.


Faz-me sentir que, dessa forma, nada fica por fazer, ou dizer. 


É uma espécie de conclusão de um ciclo.


Um andar para a frente, e seguir o curso natural das coisas.


O deixar ir, partir, o apoiar e dizer que estamos lá, apesar de tudo.


 


Mas, por outro lado, deixam-me a sofrer antecipamente.


Deixam-me melancólica, saudosista.


A pensar no que passou, e já não volta, ou poderá não voltar.


 


É uma felicidade, ensombrada por uma tristeza, de certa forma, egoísta.


É um adeus, disfarçado de um "até breve" quando, muitas vezes, sabemos que nunca haverá essa brevidade.


 


É uma mistura de risos, com lágrimas.


De coragem, com fraqueza.


De suspensão, ou corte definitivo, com renovação, e recomeço.


 


É uma espécie de tormenta, que acreditamos que nos traz paz. Ou uma paz momentânea, que sabemos que se irá transformar em tormenta.


É uma espécie de "estou mal", mas vou ficar bem". Ou de "estou bem, mas logo me vou sentir mal".


 


Comovo-me sempre.


Com as minhas despedidas, e as dos outros.


Com as reais, e as fictícias.


Com as despedidas de pessoas, de animais, de momentos, de locais, até de livros ou séries que gosto!


 


Poderia evitar tudo isso.


Mas não quero.


As despedidas fazem parte da vida e, se é para vivê-la na sua plenitude, então que se experimente tudo o que ela traz consigo.


Incluindo, as despedidas.


Porque, para mim, abdicar delas, far-me-ia sentir ainda pior, do que viver o tubilhão de emoções com que elas me brindam.


 

quarta-feira, 23 de junho de 2021

Vacinação Covid-19: agendamento pelo SNS ou auto-agendamento?

Plano de vacinação contra a Covid-19 – SNS


 


Desde o início da vacinação que se tem assistido a uma "corrida" às vacinas.


Por vezes, com recurso aos mais diversos estratagemas, trafulhices, chico-espertices.


Isto, quando ainda existia apenas o método de contacto, pelo SNS, consoante a idade e determinados problemas de saúde.


 


Mais recentemente, com a disponibilização do agendamento, por parte dos utentes, por faixas etárias, foi a loucura!


Andava toda a gente a agendar, e a anunciar aos quatro ventos que tinha a vacina marcada, como se tivessem ganhado o Euromilhões, tal o entusiasmo e felicidade.


Agendadas com extrema rapidez, acabou por fazer com que estas pessoas conseguissem ser vacinadas antes de muitas outras, de grupos que deveriam ter prioridade, serem chamadas.


E, com esta possibilidade, veio a pergunta que todos andam a fazer, a toda a gente:


"Então, já agendaste a vacina?"


 


No meu caso, há cerca de duas semanas que o auto-agendamento está disponibilizado para a minha faixa etária. 


Já perdi a conta as vezes que me fizeram a dita pergunta.


Não. Não agendei. E nem foi preciso!


Ontem, recebi no telemóvel a dita mensagem do SNS, a marcar a vacina para domingo.


Ou seja, não há um grande desfasamento entre uma ou outra forma de agendamento.


As coisas estão a acelerar, com a ameaça de uma quarta vaga a atingir o pico daqui a um mês, a época de férias à porta, e a necessidade de travar o mais possível um regresso ao indesejado confinamento.


 


De qualquer forma, tenho notado que, mais do que o receio da doença em si, muitas pessoas têm aderido à vacinação, até mesmo as que, antes, tinham recusado a vacina, mais por pressão dos que os rodeiam, por receio de futura discriminação e/ou represálias, por receio de futuras dificuldades no acesso a determinadas ofertas de trabalho, ou acesso a estabelecimentos de ensino, por impedimento ou restrições a determinadas acções que, agora, exigem vacina e/ou certificado de vacinação.


 


Já sabemos que existem extremistas em todo o lado e, se é verdade que há movimentos extremistas antivacina, começa também a haver movimentos extremistas contra quem opta por não ser vacinado.


Ainda no outro dia, alguém dizia "Quem não leva a vacina devia ser despedido!".


E já se começam a atirar as primeiras "culpas" para cima desta minoria. Há um surto? A culpa é daqueles que não estão vacinados!


Como se quem tem a vacina não pudesse também apanhar o vírus e contagiar os outros.


Portanto, estão a ver a escalada e as proporções que isto pode tomar.


 


Acima de tudo, as pessoas devem levar a vacina por vontade e desejo próprio, bem esclarecidas e informadas quanto às suas dúvidas e receios, e sem pressão.


Seja por agendamento do SNS, ou por auto-agendamento que, à velocidade a que o processo está a decorrer, parece-me que, salvo raras excepções, não se justifica, em termos de diferença temporal.


 


 


 


 


 

"Se Ainda Me Quiseres, Eu Fico", de Armindo Mota

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Por cada decisão que se toma, há consequências.


Algumas, têm apenas efeito em quem as toma.


Outras, afectam também quem está, de alguma forma, envolvido com quem as tomou.


Algumas, podem ser revertidas. E os seus efeitos atenuados.


Outras, nem tanto. E os efeitos podem permanecer ao longo do tempo.


Ainda assim, é preferível decidir, do que deixar que decidam por nós...


 


 


A história começa com uma viagem de Pedro, a Portugal, para tentar descobrir mais sobre a história e as origens dos seus pais, já falecidos, que sempre fizeram um grande mistério sobre o passado, sobre o que os levou a emigrar para Nova Iorque, e nunca mais querer regressar ao seu país.


Eles apenas dizem que foi um período complicado, tempos difíceis que não desejam a ninguém, e que não lhes foi permitido viver a sua vida e história de amor livremente.


No início, o autor dá a entender que se tratou de alguma interferência familiar, de alguma imposição ou manipulação, de algum esquema para os separar. Ou, quem sabe, discriminação ou preconceito.


Na aldeia, onde Pedro tenta saber mais sobre os pais, também quase ninguém parece disposto a esclarecê-lo, adensando ainda mais o mistério, apenas revelando que o pai era tido como um jovem estranho para a época, incompreendido, e que muitos criticavam.


No entanto, Pedro percebe que, apesar dos caminhos dos pais se terem separado na juventude, eles acabaram por se reencontrar, viver o seu amor e ser felizes. Só não sabe, o que poderia ter levado à separação.


 


E é isso que nos é revelado em seguida.


A história de Pedro e Inês, que tiveram dois filhos, a que deram os nomes de Pedro e Inês, e cujos netos, atrevo-me a dizer, mais à falta de originalidade, do que em homenagem aos avós, também herdaram os mesmos nomes!


Nesta segunda parte, Pedro e Inês reencontram-se, vários anos depois, e tentam perceber o que os afastou, e o que ainda os une.


Afinal, ao contrário do que foi dado a entender, foi Inês quem terminou o namoro, porque queria “viver outras experiências”, dizendo a Pedro que não o amava mais. E Pedro, aceitando a sua decisão, sofreu em silêncio, sem tentar fazê-la mudar de ideias.


Portanto, enquanto Inês foi, talvez, inconsequente, Pedro foi conformista, algo de que ambos se arrependem.


 


Pedro casou-se. Trabalha, agora, no ramo da hotelaria. Inês casou-se, teve filhos, e trabalha na área da saúde.


Ambos andaram com a sua vida para a frente, sem nunca serem totalmente felizes, porque o amor que sentiam um pelo outro o impedia.


Mas, agora, depois de esclarecidos os mal entendidos, ilibados de culpa e percebendo que o amor se mantém, não podendo mudar o passado, podem mudar o presente e o futuro, assim o queiram verdadeiramente.


 


E é aqui que considero que o autor atribuiu às personagens um sofrimento desnecessário, e alguma inconsistência nos seus actos.


É certo que, havendo outras pessoas envolvidas, não se pode tomar uma decisão de ânimo leve, e é preciso medir as consequências que essa decisão implicará em todos os que os rodeiam, nomeadamente, as suas famílias.


Mas Pedro, afinal, até já estava separado da mulher, embora tenha passado a maior parte do tempo sem o revelar.


E Inês, a quem no início lhe parecia impossível deixar o marido e os filhos, para viver este amor do passado, a partir do momento em que descobre a traição do marido, parece esquecer tudo isso, e já está disposta a ir viver com Pedro noutro continente!


 


Pedro e Inês passam a maior parte do tempo a recordar o passado, embora concordem que não devem mais falar do passado.


Passam a maior parte do tempo a chorar, apesar de acordarem que já chega de lágrimas.


Passam a maior parte do tempo a falar de culpas, a ilibar o outro da culpa, a auto culpar-se e desculpar-se pela culpa que tiveram mas, afinal, não tiveram, ou numa tentativa de medir quem teve mais ou menos culpa.


Até parece que os seus encontros, em vez de lhes proporcionarem momentos felizes, trazem ainda mais sofrimento.


Passam o tempo todo a planear viver uma relação extraconjugal, limitada no tempo e espaço, com muitas reservas e receios, quando bastava separarem-se dos respectivos cônjuges (o que Pedro já tinha feito), se o seu amor é assim tão forte como dizem, e não estão dispostos a abdicar dele novamente.


Mas a Inês, faltava-lhe coragem. Se da primeira vez, falhou e arrependeu-se desde então, parece ainda não ter aprendido a lição, e estar prestes a falhar novamente.


E, apesar de ela própria já estar a trair o seu marido, acabou por usar a traição dele como a chave para sua cobardia, como a desculpa de que ela precisava para terminar a relação, e poder viver o seu amor livremente, sem se sentir responsável pelo término do casamento.


Na verdade, depois de conhecermos o Pedro e a Inês da adolescência, percebemos que ambos mudaram muito. Pedro para melhor. Inês, nem por isso.


 


Outro dos aspectos que considero desnecessário e, até, maçador para quem lê, são os eternos "esquecimentos" sobre o que iam dizer, o "engonhar" das conversas, e a excessiva lamechice "meu querido", "minha querida", "és tão querido", "és tão querida" a toda a hora.


E quando parecia que a história ia ganhar um novo fôlego, e tornar-se mais intrigante, logo o mistério foi resolvido, e voltámos ao mesmo.


 


Confesso que as minhas expectativas relativamente a esta história foram um pouco defraudadas.


Prometia mais do que deu.


E poderia ter dado tanto, se tivesse cortado aquilo que era desnecessário, para nos dar mais sobre o tanto que ficou por saber.


 


 


Sinopse



"Não havia luar e o céu estava carregado de nuvens negras. A escuridão era total. Ouvia-se um leve murmúrio da brisa que corria lá fora, e o rumorejar das árvores batidas pelo vento. Ao longe, no terminal de cruzeiros de Leixões, um barco produzia um sinal sonoro, porventura a assinalar a sua presença no cais. Não tardaria e as nuvens cumpririam a ameaça de que, quando menos se esperasse, descarregariam sobre a terra a imensidão de água que acumulavam nas suas entranhas, adivinhando-se, por consequência, uma noite imprópria para se estar fora de casa. Inês não se importou com isso. A sua cabeça estava ocupada com um só pensamento: tenho de o encontrar. Custe o que custar, tenho de o encontrar. E, a espaços, a sua memória reportava-lhe as palavras que, vezes sem conta, ouvira da boca do Pedro: “só se vive uma vez, minha querida; só se vive uma vez”. Era a réstia de motivação que lhe faltava. Vestiu o seu casaco acolchoado, impermeável, com capuz, enrolou um cachecol à volta do pescoço, calçou botas, forradas com pele de carneiro, desceu as escadas do prédio que habita, saiu para a rua e apanhou o primeiro táxi que apareceu.


– Para a Avenida da Boavista, por favor – disse ao taxista, ainda emocionada e com dificuldade em conter os soluços que a tomaram de assalto."



 


 


Autor: Armindo Mota


Data de publicação: Maio de 2021


Número de páginas: 388


ISBN: 978-989-37-0030-3


Colecção: Viagens na Ficção


Idioma: PT


 


terça-feira, 22 de junho de 2021

Um desafio e uma chávena de chá!

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Perguntou-me o meu marido, no outro dia, quando me viu a preparar um chá:


"Estás doente?"


Porque é que perguntas?


Porque só bebes chá quando estás com alguma coisa.


Nada disso!


Bebo, várias vezes, chá de manhã, por exemplo.


Bebo quando tenho frio, e quero aquecer.


Bebo porque sabe bem, e prefiro chá a café.


Porque reconforta, e aconchega.


E sim, muitas vezes, bebo quando me dói a cabeça.


Quando tenho a garganta irritada, ou o nariz entupido.


Quando estou constipada, ou engripada.


E hoje?


Hoje é porque me dói mesmo a cabeça.


Eu bem sabia que alguma coisa tinhas!


 


 


Em resposta a este desafio, da Ana!

Em Fúria

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Cuidado com o teu comportamento na estrada.


Nunca se sabe se, do outro lado, não estará um psicopata, disposto a infernizar-te a vida!


 


O que é certo é que a vida das pessoas lhes condiciona algumas reações e comportamentos, e a estrada é, por norma, um dos locais mais propícios para descarregar o stress, a frustração, e demonstrar uma certa falta de paciência, civismo, compreensão, em forma de buzinadelas, gestos, palavras.


No mínimo, as pessoas acham que quem está do outro lado, se vai limitar a ouvir e ignorar.


Talvez responda de volta.


Talvez se atirem culpas de parte a parte, e se recusem a admitir que estiveram mal.


Talvez até se gere ali uma discussão, que logo termina, e cada uma segue o seu caminho.


Ou...


Pode correr pior. 


As pessoas andam descontroladas, e já sabemos que são capazes de matar por muito menos.


 


Imaginem que estão atrasados, a enfrentar uma fila de trânsito, tiveram que parar num semáforo que, entretanto, já passou a verde, e o condutor à vossa frente não anda.


Qual a vossa reacção?


Buzinar? Reclamar? 


Pois, acho que é óbvio.


Rachel estava a ter um mau dia. Estava atrasada para levar o filho à escola. Ficou sem uma cliente. O ex marido quer ficar-lhe com a casa, e ainda desiludiu o filho, ao desmarcar o programa combinado. E, depois, apanha esse condutor que parece parado no tempo, e não anda, nem deixa andar.


Buzinou-lhe, claro. Alto e bom som. Ele continuou no mesmo sítio, E ela teve que o ultrapassar, para ir à sua vida. Seria só mais um idiota na estrada. Um, de tantos que por lá andam.


 


Mas não. 


Rachel não sabia, mas o homem a quem ela businou é um psicopata.


Alguém que não tem nada mais que fazer, e nada a perder.


Ele segue-a, para ao lado dela, mete conversa e, depois de se desculpar, quer ouvir também um pedido de desculpa da parte de Rachel. Por ela não ter sido paciente. Por não ter dado apenas uma "buzinadela simpática". Porque há pessoas que podem estar a ter um mau dia, e ela deveria ser mais compreensiva.


No fundo, porque não se deve perturbar um homem instável, e já de si perturbado, ainda que os outros estejam, também eles, a ter um mau dia.


 


Numa situação normal, o dito condutor saberia que estava errado, e nem teria dito nada.


Numa situação normal, ainda que fosse interpelada, Rachel teria pedido desculpa, ainda que sem razão, só para evitar mais confusões.


E mesmo que não pedisse, nada de mais se passaria.


Mas, aquela, estava longe de ser uma situação normal.


Rachel não fazia ideia do que estava a despoletar.


Um homem capaz de matar a namorada e a sua família à machadada, e pegar fogo à casa, é capaz de tudo.


E Rachel, e todos aqueles que a rodeiam, serão as próximas vítimas.


 


Após matar o seu advogado, num café cheio de gente, sem que ninguém tenha feito nada para evitar, não fosse sobrar para eles, e em que, à semelhança da vida real, é muito mais seguro filmar com o telemóvel, à distância ou, simplesmenter, fugir, do que intervir, segue-se a cunhada e o irmão de Rachel.


 


Sem grande alternativa, e apesar da polícia já estar no encalce do psicopata, Rachel tenta a todo o custo evitar mais mortes, nomeadamente, a do seu filho.


Para isso, engendram um plano, baseado nas táticas de um jogo virtual, para conseguir evitar o pior, e ganhar tempo, até a polícia chegar.


Conseguirá Rachel salvar-se a si própria, e ao filho?


Chegará a polícia a tempo de salvá-los?


E se se safarem, irá Rachel, de futuro, pensar duas vezes, antes de buzinar a alguém de novo?


 


Um filme cheio de acção, do início ao fim, e que vale a pena ver, com Russel Crowe no papel do temido psicopata!


 


 


 


 


 


 


 


 


 


 

segunda-feira, 21 de junho de 2021

Primeiro passeio pós desconfinamento: Lagoa de Pataias

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Num dos poucos fins de semana, pós confinamento, em que estávamos os dois livres, e com um dia de calor a apelar à praia, para onde devem ter ido a maioria das pessoas, nós rumámos ao campo, à Lagoa de Pataias, no concelho de Alcobaça.


Para quem gosta de natureza, paz e sossego, esta é uma boa opção de passeio.


Tem um pequeno parque, com alguma sombra das árvores, onde se pode estacionar, para depois fazer o percurso a pé.


Existem também mesas de piquenique, e alguns equipamentos para as crianças brincarem.


 


 


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Num passadiço ao redor da lagoa, podemos ir apreciando a mesma, e toda a fauna e flora por lá existente.


 


 


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A Lagoa de Pataias não é muito extensa, mas há sempre uns banquinhos de madeira pelo caminho, e há quem leve mantas, toalhas ou cadeiras para se sentar nas margens da lagoa.


Vimos também algumas pessoas a passear os cães, ou a fazer exercício, uma vez que até tem uma espécie de "estações" de exercício.


Mas nós ficámo-nos pela paisagem, o canto dos pássaros, os mergulhos dos patos, e a beleza das borboletas, por exemplo.


 


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E é bonito de ver as árvores e plantas reflectidas na água da lagoa.


 


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Fiquei também admirada com o facto de muitas destas árvores terem os seus troncos dentro de água.


 


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Há também um pequeno miradouro em madeira, ao qual se sobe por uma escada, também ela de madeira e pouco recomendada a quem tenha vertigens, calçado impróprio ou receio de cair cá em baixo, de onde se pode ver toda a lagoa e a área envolvente.


 


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E porque não podia deixar de partilhar este momento caricato, que nos surpreendeu a meio do percurso quando, após ouvir um salto para a água, e ver que se tratava de um cão Golden Retriever que tínhamos visto antes, que se tinha atirado para a água para ir buscar o disco (e acho que aproveitou para se refrescar), aqui fica o registo!


 


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sexta-feira, 18 de junho de 2021

Desafio dos Pássaros 3.0 #4

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Ela: - Então, vamos lá desenhar este gatinho lindo!


Gato: - Não sei se tens muito talento para o desenho, a julgar pelas tentativas que estou a ver por aí penduradas!


Ela: Oh, que encantador. Sem dúvida que sabes incentivar uma aspirante a artista!


Gato: Desculpa lá. Mas pelo menos és mais bonita que o outro fulano. E mais simpática.


Ela: Isso quer dizer que te vais portar bem, e ficar aí sossegadinho?


Gato: És louca?! Não sou nenhum bibelô. Nem um gato estátua.


Ela: Se não estiveres quieto, o teu retrato vai sair como aqueles.


Gato: Está bem. Mas deixa-me ver qual o melhor sítio onde posar.


 


E nisto começou a tentar subir para o cadeirão, mas ficou preso na manta de crochet, e lá teve ela que ir ajudá-lo.


Gato: Obrigada! Não foi lá muito boa ideia. Vou antes ali para cima. - disse, subindo para cima da mesinha.


Ali ficou durante uns minutos, até que reparou nuns frasquinhos de tinta que estavam ao seu lado. 


Ela (ao ver o que estava prestes a acontecer, apelando entre dentes): Não! Não vais fazer isso, pois não?


Gato (olhando para ela, ao mesmo tempo que esticava a pata, em câmara lenta): O quê? Isto?! - responde, atirando com o primeiro frasco, que se partiu e espalhou a tinta pelo chão.


Enquanto ela interrompia, mais uma vez, o trabalho, para tentar salvar os frascos ainda intactos, e limpar o chão, colocando os cacos dentro de um saco do lixo, o gato saltou da mesinha e passou com as patas cheias de tinta por cima da tela, deixando a sua marca naquele que deveria ser o seu retrato.


Ela: Ora bolas! Agora tenho que recomeçar.


Gato: Talvez seja melhor ficar ali no parapeito da janela. A luz do sol favorece a cor do meu pelo!


Ela: Está bem. Mas tenta ficar sossegado.


 


Ele ali ficou mais uns minutos, até que se distraiu com um mosquito, que andou a passear à sua frente, e depois fugiu, desafiando-o a ir atrás.


Quando ela levantou a cabeça, só o viu a atirar-se para cima dos seus ombros, fazendo-lhe uns valentes arranhões, que logo começaram a deitar sangue


Gato: "Caramba, quase que conseguia apanhá-lo!" 


Ela: A mim apanhaste-me, e bem! Isto está bonito, está. Não bastava as marcas de tinta, agora também há manchas vermelhas. 


 


E, pegando numa nova folha, fez mais uma tentativa agora que ele, cansado, se tinha deitado aos seus pés.


Fez o melhor que conseguiu mas, ao observar a sua obra, achou que lhe faltava qualquer coisa e, de súbito, teve uma ideia.


Pegou na tesoura, fez uns recortes e colagens e, só então, emoldurou o retrato.


Gato (com um olho meio aberto, ao ver o resultado final): "Ora, ora! Esmeraste-te! 


Ela: Gostas?


Gato: Não está mauzito! - disse, dando-lhe uma turra.


Ela: O mérito é teu, Manjerico! - respondeu, fazendo-lhe uma festinha, ao mesmo tempo que segurava o retrato dele, rodeado de patas coloridas e salpicos vermelhos!


 

The Good Doctor: chegou ao fim a quarta temporada

The Good Doctor 4x20 FINAL: una inesperada despedida, una reconciliación y  una propuesta de matrimonio | El buen doctor Temporada 4 Capítulo 20 | FAMA  | MAG.


 


Foi em Outubro de 2017 que estreou a série, e já lá vão quatro temporadas.


Quando vi anunciar, cativou-me.


No entanto, a primeira temporada não me entusiasmou muito.


A segunda temporada melhorou.


Já a terceira foi, até então, a mais emocionante, a mais diversificada, a que mais nos fez reflectir e emocionar, com os temas abordados em cada episódio.


 


Então, chegou a quarta temporada!


E não poderia ter começado da melhor forma, com os dois primeiros episódios a abordar a pandemia que vivemos na vida real - a Covid-19.


Mas é muito mais do que isso.


Novas personagens, novas decisões, novas relações, novos dilemas, novos desafios.


 


Essencialmente, a quarta temporada foi assente na relação entre Shaun e Lea, na forma como os dois, juntos, vão interagindo enquanto casal, ao mesmo tempo que terão que superar diversas dificuldades pelo caminho, como a aceitação por parte dos pais dela, a gravidez, ou a posibilidade de perder o bebé.


 


Mas muitos outros temas são abordados:


 


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- o stress pós traumático de Lim


 


- a crise no casamento de Glassman e Debbie


 


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- o fim do casamento de Andrews


 


- o perdão e uma nova oportunidade entre Claire e o pai, que a abandonou


- o perceber se aquilo que fazemos é o que queremos, ou o que os outros esperam de nós


- a aceitação da morte, e dos desejos dos outros sobre ela, ainda que não compartilhemos desse ponto de vista


 


 


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- a dificuldade em assumir sentimentos, emoções e compromissos, pondo em risco o amor


 


Os dois últimos episódios, fecharam a temporada com chave de ouro, como a cereja no topo do bolo, com uma missão humanitária em Guatemala, onde mais emoções fortes os (e nos) esperam. Uma mudança de cenário positiva, e bem vinda, que fez com que a série ganhasse ainda mais.


 


 


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A vida de Claire irá sofrer uma reviravolta inesperada, nos minutos finais do último episódio. 


 


É incrível perceber como todos eles cresceram, mudaram, estão mais maduros, confiantes, independentes.


É incrível a evolução de Shaun, desde os primeiros episódios, até aqui. Nem parece o mesmo. 


Tal como na vida real, uns ficam, e outros partem.


Uns terminam felizes, e outros ainda terão que encontrar a felicidade.


Mas há algo que permanece: a esperança!


 


E eu, espero que venha uma quinta temporada brevemente!

quinta-feira, 17 de junho de 2021

Certificado de amizade para despedida de amigas da turma!

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O final do ano lectivo está à porta e, com ele vêm, muitas vezes, grandes mudanças.


É possível que as turmas se separem, que os amigos mudem de escola, que se sigam áreas e caminhos diferentes.


Claro que, se as amizades forem verdadeiras, permanecem, ainda que não tão presentes como antes.


Mas nunca é demais mostrar aos(às) amigos(as) como foram e são importantes, oferecendo um presente especial e personalizado, a cada um deles.


 


Há dois anos, na despedida do 9º ano, a minha filha ofereceu às amigas estas caixinhas.


Este ano, como foi o último em que, à partida, estarão juntas, uma vez que no 12º as turmas, por conta das diferentes opções de disciplinas, vão mudar, pensámos em algo do género.


Mas, em cima da hora, e sem grandes ideias, veio-me à mente os tempos da minha adolescência, em que se vendiam nas papelarias uns diplomas e certificados para oferecer às mais variadas pessoas.


 


E, porque não, criarmos o nosso próprio "Certificado de Amizade"?!


Basta escolher um fundo que mais gostem, as palavras que querem dizer a cada um(a) dos(as) amigos(as), e decorar como acharem mais giro.


Nós optámos por colocar, ao meio, uma foto da minha filha com a respectiva amiga.


Imprimimos o certificado em papel de fotografia, e o nome da amiga e a assinatura foram feitas à mão.


 


Depois, podem entregar emoldurado, optar por colocar dentro de um envelope e lacrar, enrolar como se fosse um pergaminho, atado com uma fita, ou qualquer outra ideia que achem que fica bem.


Nós, como foi muito em cima da hora, decidimos colocar uma fita de tecido castanha, em forma de laço, à volta.


 


Espero que elas gostem da surpresa!


 


 


 


 

A Ilustre Casa de Ramires, de Eça de Queirós

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Tenho este livro em casa desde 1996. Foi-me oferecido por ocasião dos meus 18 anos.


Não me recordo se o li na altura. Mas li-o agora. Vinte e cinco anos depois.


Não é dos meus preferidos do Eça. Gostei muito mais d’Os Maias.


 


 


A comparação entre Presente - Passado/ Família Ramires, Gonçalo – Portugueses, Portugal


Em “A Ilustre Casa de Ramires”, ficamos a conhecer a história da família Ramires, numa ação dividida em duas épocas distintas: a real, passada no século XIX, tendo como protagonista de Gonçalo Mendes Ramires, também chamado de Fidalgo da Torre, e a ocorrida no século XII, que nos é contada por Gonçalo, através da novela que está a escrever, e que tem como protagonistas os seus antepassados, nomeadamente, o seu avô Tructesindo Ramires.


 


Esta ação em dois tempos, e a própria família Ramires representam, de certa forma, o Portugal do passado, através de Tructesindo, e o Portugal do presente, através de Gonçalo.


Um Portugal outrora orgulhoso dos seus feitos heroicos, das suas conquistas, dos seus valores e tradições e, agora, economicamente e moralmente falido, abandonado, entregue a um governo que pouco faz, tal como os Ramires que restam.


Um povo cheio de bravura e valentia, que agora se acobarda, que se encolhe perante outros, que deixa corromper, traindo os valores que lhe foram passados pelas gerações anteriores e que, agora, são ignorados.


Tal como Gonçalo Mendes Ramires que, perante a pobreza em que se encontra, com as dívidas que acumula dos tempos da faculdade, e a baixa renda, que mal dá para manter o solar, procura caminhos nem sempre éticos e morais, que lhe proporcionem dinheiro para manter a sua propriedade, e lhe permitam manter o bom nome e o prestígio da família.


 


 


A perda dos valores, da honra e da dignidade, pelo dinheiro


 A política apresenta-se como o caminho mais fácil para o conseguir.


Para se candidatar a deputado, Gonçalo tem, no entanto, que pôr de lado o seu orgulho, de abandonar as suas convicções, e reatar a amizade com o seu inimigo André Cavaleiro, o Governador Civil, que tanto criticou até então, por puro oportunismo.


Ainda que isso signifique trazer para perto da sua irmã Gracinha, o homem que a abandonou sem explicação, e que, agora, com esta proximidade, poderá arruiná-la, ao seu casamento, e ao bom nome da família.


No entanto, convence-se, e aos outros, de que o faz por um interesse maior, pelo país.


Mas também não põe de parte o casamento com a viúva D. Ana Lucena, agora que ela herdou tudo o que era do falecido marido.


 


 


Dualidade na caracterização do Gonçalo


Gonçalo é descrito como um homem fraco, mas que, ao mesmo tempo, se quer mostrar superior.


No início, acobarda-se perante as situações de perigo em que se vê.


Deixa que os outros, subtilmente, “mandem” em si, dizendo-lhe o que deve fazer, como deve agir, o que lhe convém.


Não se mostra muito honrado, faltando à sua palavra, por causa de dinheiro.


Algo que contrasta com a sua intenção de seguir as pisadas dos antepassados e honrá-los.


Apesar de, muitas vezes, se comparar aos seus antepassados nas virtudes, também muitas vezes percebe que as suas ações os envergonhariam.


Mas, por outro lado, é sensível e generoso. Brando e benevolente.


Ajuda os que mais precisam. E gosta muito de crianças.


Não é dado a confusões, a conflitos, a guerras.


 


 


A renovação social através da literatura, do saber e da arte


No início da história Gonçalo e o seu amigo José Lúcio Castanheiro tomam, como missão, restaurar o romance histórico em Portugal, promovendo a ressurreição do patriotismo e do amor ao país, e enaltecendo os seus heróis, e os seus feitos, que parecem, agora, caídos em esquecimento.


E pretendem fazer essa renovação social através da literatura, do saber e da arte, como outrora o fizeram os antepassados, com a espada.


Por outro lado, no Portugal do século XIX, a escrita pode ser um meio de se alcançar algum prestígio e reconhecimento, levando a outras conquistas, como a que Gonçalo almeja, na política, como deputado.


Castanheiro funda, então, a revista Anais de Literatura e de História, para a qual Gonçalo irá escrever, para o primeiro número, uma novela sobre o avô Tructesindo, intitulada “Torre de D. Ramires”, que relata a vingança de Tructesindo contra Lopo de Baião, pela morte do seu filho Lourenço, por este raptado e usado como forma de Tructesindo conceder a mão de D. Violante em casamento, algo que este nunca permitirá, mesmo que, para tal, tenha que ficar sem o filho.


 


 


Como manter os valores e tradições dos antepassados, adaptados aos tempos atuais


Essa novela fará Gonçalo refletir, à medida que a vai escrevendo, sobre a sua honra e honestidade, e tudo aquilo que a sua família defendeu. Embora os tempos sejam outros, e alguns costumes rígidos e bárbaros já não sejam aceitáveis poderá, ainda assim, haver uma regeneração de Gonçalo e, paralelamente, de Portugal?


Restará algo da alma dos seus antepassados em si, e dos portugueses do passado, nos jovens que serão o futuro do país?


Certo é que, depois de conquistar o tão almejado cargo de deputado, Gonçalo abandona o seu trabalho, e parte para África de onde retornará, anos mais tarde, um homem diferente, e economicamente estável.


 

quarta-feira, 16 de junho de 2021

A ganância das pessoas

Ameixa Rainha Claudia Banco de Imagens e Fotos de Stock - iStock


 


Perto de onde vivo existe um recinto público com ameixoeiras.


Neste momento, elas estão carregadas de ameixas, embora a maior parte ainda não muito amarelas.


As que estão do lado mais virado para o sol, amadurecem mais depressa mas, ao mesmo tempo, estão menos acessíveis, seja porque os seus ramos estão mais altos, seja porque caem para o lado de fora da grande muralha, a que não se consegue chegar.


As que estão do lado de dentro, apanham menos sol e, por isso, ainda estão meio esverdeadas.


 


No entanto, à semelhança de outros anos, raramente as vemos amarelas porque as pessoas apanham-nas antes.


Chegam a levar escadotes, e sacos para encher, até não restar nenhuma.


Este ano, por enquanto, isso não tem acontecido muito.


Eu própria, que passo lá diariamente, por uma ou duas vezes fui lá apanhar meia dúzia, para provar.


Se todos levarmos um pouco, dá para muita gente, e é uma forma de não se estragarem, caídas no chão.


 


Mas há quem não pense assim.


A ganância das pessoas é incrível.


Numa das tardes em que estava a regressar a casa, estavam duas mulheres a carregar uma caixa de madeira cheia de ameixas, a maior parte verdes, para o carro.


Quando estavam a despejar as ameixas para a mala do carro, espalharam uma boa parte delas pela estrada fora.


Uma das mulheres dizia "ai minhas ricas ameixas, até as do meu quintal já andam aí estrada fora".


Ou seja, uma delas até tinha, supostamente, ameixoeiras no seu quintal, mas ainda veio apanhar mais a outro lado!


 


 

Da genética e hereditariedade

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Nunca liguei muito a essas coisas, até que a minha filha deu essa matéria, na disciplina de ciências, no 8º ou 9º ano.


Não muito aprofundado, claro, tendo em conta o ano em que estava, mas foi das matérias que mais gostei, e até tinha algum jeitinho para resolver aqueles quadros a que chamam "xadrez mendeliano", para aferir as probabilidades de se nascer com características do pai, ou da mãe.


 


Foi então que comecei a reparar que, aqui desta lado, a herança vem quase toda do lado feminino, ou seja, o gene dominante.


Praticamente todas as características, tanto minhas, como da minha filha, vêm do lado da minha mãe, e do meu.


 


E por aí, carregam mais o gene dominante, ou o recessivo?


 

terça-feira, 15 de junho de 2021

A pandemia entorpeceu as pessoas

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Dizem que a pandemia veio alertar as pessoas para terem mais calma.


Para desacelerarem. Para moderarem o ritmo.


Mas isso não deveria ser levado tão à letra.


 


Sinto, de uma forma geral, que a pandemia entorpeceu as pessoas.


Que lhes limitou as suas capacidades.


Que lhes roubou energia e vivacidade.


Que as "drogou" com inércia e apatia.


Que lhes prendeu os movimentos.


Que lhes toldou o cérebro, os pensamentos e as acções.


Que as tornou mais desligadas, desconectadas.


 


Ou, então, serviu de desculpa para fazer o mínimo, sem ser penalizado por isso.


Para pôr em prática medidas que lhes facilitam a vida, mas complicam a de todos os outros.


 


Se é verdade que há serviços que se tornaram mais rápidos, eficazes e descomplicados, com outros, aconteceu o oposto.


Em muitos deles, o facto de não terem o espaço interior ocupado pelos clientes, que esperam na rua, foi suficiente para lhes aliviar a "pressão", e fazer o atendimento de cada um, com mais tempo, sem pressas, e com direito a pausas entre o cliente que sai, e o outro que está à espera para entrar.


E como lá fora não se ouve e, muitas vezes, não se vê que número está a ser chamado, pode ser que muitos percam a vez, e desistam de estar na fila.


 


Noutros, a pressão foi diminuída através dos atendimentos por marcação. Agora, atendem quem querem, quando querem (claro que não é bem assim mas...), sem terem junto a si as várias pessoas em espera que costumavam ocupar a sala.


 


E depois, há serviços onde as limitações impostas ao atendimento presencial, que nem colmatado pelas máquinas pode ser, porque também as retiraram, levam a um acumular de pessoas à espera, e tempo perdido, em coisas que, por norma, seriam tão simples.


 


Estranhos tempos estes que, num mesmo contexto, levam a formas tão distintas de agir, e de estar na vida...


 

segunda-feira, 14 de junho de 2021

"Perdeste o Meu Nome", de Ricardo Mota Pereira

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Existem duas formas de reagir ao amor:


Ou se corre para ele. Ou se foge dele.


Ou se abre os braços para o receber. Ou se fecha a porta, para não o deixar entrar.


O amor pode ser comunhão, ou conflito.


Ou ele acalma, ou ele desassossega.


Ou ele faz bem, ou gera mal estar.


Mas uma coisa é certa: para ele florescer e se fortalecer, têm que ser dois a querer.


 


E, nesta história, a maior parte dos protagonistas está numa dança solitária, que o par parece não estar disposto a dançar.


 


Fernando e Alice têm uma relação há vários anos.


Ele ama-a. Faz tudo por ela. É capaz de tudo, por ela. Até anular-se. O que leva a suspeitar antes de uma obsessão. Ou libertá-la, o que confirma o seu amor.


Ela, acredita que o ama.


Alice vai ser operada a um tumor no cérebro e, após a cirurgia, começa a tratar Fernando de forma diferente. Nada é como antes.


Ou, acredito eu, já nada era, antes da cirurgia, mas Alice andava a adiar o inevitável. 


E a cirurgia foi a desculpa perfeita.


A história leva-nos a crer que Alice tem medo de não sobreviver à delicada operação a que vai ser submetida. Não digo que não. Mas havia, também, a certeza do que aconteceria após a cirurgia.


O saber que, ultrapassada aquela barreira, se sobrevivesse, não haveria mais desculpas, e tudo o que tinha estado a conter, correria livre e sem barreiras.


Alice era amada, mas não sabia aceitar esse amor. Nem, talvez, amar. 


 


Num outro núcleo, Teresa amava.


E Pedro, parecia começar a saber o significado disso. E o peso do amor que ameaçava surgir, também, da parte dele.


Mas não sabia lidar com isso. E, por isso, antes que o amor o matasse, matou ele o amor.


 


Amélia amava António.


António, à sua maneira, amava Amélia.


Mas, então, por força das circunstâncias, Ana entrou nas suas vidas. Ou foram eles que entraram na vida dela.


E, desde então, Amélia desistiu do seu amor.


Ana começou a amar António, mas António fugiu desse amor.


No fim, restou o amor puro, e genuíno, de uma mãe, pelo seu filho, seja ele de sangue ou não.


Um filho que lhe foi tirado e que, só passados vários anos, voltou a reencontrar.


 


Poderá, no meio de tantos amores destruídos, haver um final feliz?


Amélia, que amava, morreu.


Teresa, que amava, morreu.


António, que fugiu do amor, morreu.


Pedro, ao rejeitar o amor, morreu.


Ana, morreu amando, e sentindo-se amada.


De uma forma, ou de outra, todas estas vidas, e mortes, se cruzam na história de Alice e Fernando.


 


O que estará destinado a Fernando e Alice, outrora tão unidos, agora dois estranhos?


Uma vez separados os caminhos de cada um poderão, algum dia, voltar a transformar-se num só?


Ou será cada um deles mais feliz, em caminhos separados?


 


Pessoalmente, penso que o autor se dispersou por várias histórias e personagens em simultaneo, não desenvolvendo muito algumas delas, pelo que poderia ter optado por se focar mais, naquelas que mais relevância têm, em todo o enredo.


Por outro lado, foi um pouco difícil habituar-me à escrita do autor, nomeadamente quando passa da terceira pessoa, enquanto narrador, para a primeira pessoa, enquanto personagem.


Talvez por isso, apesar da questão central, não me tenha conseguido prender.


 


Sinopse



"Parada diante do mar, Alice percebe que a sua vida está prestes a mudar para sempre. Dentro da sua cabeça existe um tumor que vai ser removido nesse dia. Fernando, que a vigia à distância, deseja apenas que a sua vida volte à nor­malidade dos dias felizes. Contudo, não sabe que a Alice que ele ama desaparecerá no meio da cirurgia.


Até onde estamos dispostos a ir em nome do amor? Até onde podemos ir para não perder o centro da nossa perso­nalidade? Estas são as questões que as personagens têm de responder. Estas são as perguntas que todos fazemos em algum momento das nossas vidas."



 


 


Autor: Ricardo Mota Pereira


Data de publicação: Maio de 2021


Número de páginas: 652


ISBN: 978-989-37-0831-6


Colecção: Viagens na Ficção


Idioma: PT


 


 


sexta-feira, 11 de junho de 2021

Ainda não consegui mudar o "chip"

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Eu queria.


A sério que queria, mas ainda não consegui mudar o "chip", do inverno para o verão.


A sério que gostava de já andar por aí com roupas mais frescas.


De pôr as botas de parte e dar uso às sandálias.


Como tanta gente que vejo por aí.


Mas não consigo!


 


A sério que comprei uma garrafa de limonada, para beber nos dias de mais calor, com uns cubinhos de gelo. Mas, até agora, o que mais me tem apetecido é chá quente.


A sério que ainda ontem me atrevi a vestir algumas peças mais leves mas, tirando os escassos minutos em que estive num local abrigado e com o sol a aquecer, passei o tempo todo arrepiada.


 


Queria muito poder mudar o "chip".


Deixar de querer sentir-me aconchegada e quentinha, e a aproveitar qualquer raio de sol, ou manta, para aquecer, para sentir algum calor, e pedir sombra para refrescar.


Queria ter vontade de dar uns mergulhos na água fria do mar, mas só me sabe bem a água quente do duche.


Queria ter vontade de ligar uma ventoinha no frio, mas por aqui ainda se liga para aquecer a casa.


 


A sério que queria ter dias bons, de sol, de calor, apenas com uma suave brisa a correr, a fazer lembrar o verão que chega daqui a dias.


Mas o que há por aqui, são dias ventosos, ou encobertos, e cheios de nevoeiro, a fazer lembrar o inverno, que já há muito se despediu de nós, mas continua a marcar presença.

Milagre Azul, na Netflix

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Do bairro degradado de Istambul (do filme Vidas de Papel), para o Cabo San Lucas, no México, onde está situada a Casa Hogar, uma organização não governamental que acolhe crianças e jovens desprotegidos e vulneráveis, salvando-as das ruas, servindo também como lar para órfãos.


 


A Casa Hogar foi uma das atingidas, em 2014, pelo furacão Odile, pelo que necessitava, com urgência, de obras de reconstrução que lhe permitisse continuar a abrigar as suas crinaças e jovens. 


Mas não havia dinheiro.


Então, na sequência da isenção de taxa de inscrição num famoso concurso de pesca, por conta do furacão, a Casa Hogar acabou por participar no evento, e ganhar, quase como um milagre, o prémio que lhe permitiu salvar a instituição.


 


Esta é a história real!


A que inspirou o filme "Milagre Azul", que agora pode ser visto na Netflix.


 


No filme, Omar é o responsável pela instituição, junto com a mulher, e estão em risco de perder a propriedade, e deixar as crianças e jovens sem um tecto, tendo que voltar para as ruas, de onde as tiraram, se não conseguirem pagar as dívidas que têm, no prazo de um mês.


A determinado momento, e perante a iminência de perderem tudo o que construiram e conseguiram até ali, riem e fazem piadas, para não chorarem.


 


Até que o organizador do torneio de pesca Bisbee's Black & Blue tem a ideia de juntar um velho pescador, que não pode participar sozinho, à Casa Hogar, que pertence à localidade e, por isso, pode competir como equipa de pescadores locais.


Só que Wade é um velho rabugento e solitário que não lida bem com companhia, nem com crianças.


E Omar terá que moderar a convivência entre todos, gerir as expectativas de todos, e ainda tentar ajudar Moco, um jovem que está entregue a si próprio, mas que oferece uma certa resistência a fazer parte daquela "casa", preferindo ficar sozinho.


 


Os primeiros dois dias não deixaram margem para dúvidas de que seria quase impossível apanhar o maior espadim, e vencer o torneio, pelo que, no terceiro e último dia, só restam duas opções: fazer batota, ou rezar por um milagre.


Omar, também ele criado nas ruas, após a morte do pai, e envolvido em alguns esquemas, juntamente com os companheiros, para sobreviver, mudou de vida. E não tenciona voltar ao mundo do crime.


Wade oferece-lhe uma solução: comprar um espadim, e simular a sua pesca durante o torneio. É a única forma de salvar a Casa Hogar.


Mas Moco sabe do estratagema, e não parece satisfeito com Omar, por este aceitar a proposta.


O que deverá Omar fazer?


Fazer as coisas bem, e arriscar perder tudo? Fazer batota, salvar a Casa Hogar, mas perder o respeito e a credibilidade junto dos seus meninos?


 


O discurso de Omar é derrotista, e deixa os miúdos tristes e revoltados com ele, por não cumprir aquilo que lhes prometeu, e terem que voltar à insegurança das ruas, e à luta pela sobrevivência.


Viver nas ruas não é fácil mas, quando é a única realidade que se conhece, as pessoas, mesmo as crianças e jovens, acabam por se adaptar, por arranjar estratégias.


Mas, quando se retiram as mesmas desse mundo, e lhes dão abrigo, elas conhecem uma outra realidade, que lhes permite baixar a guarda, as defesas, que as leva a "desaprender" aquilo que é preciso quando se está lá fora.


E é por isso que, novamente devolvidas à rua, têm ainda mais dificuldades, e correm mais perigo.


 


No filme, tal como na realidade, o "Milagre Azul" acontece, e a Casa Hogar consegue pescar o maior e mais pesado espadim.


Mas nem sempre acontecem milagres.


Na maior parte das vezes, não acontecem mesmo porque, então, se se tornassem algo banal, deixaria de ser milagres.


A Casa Hogar teve sorte. 


Mas podia não ter tido.


Tal como muitas outras não têm, por esse mundo fora.


 


Infelizmente, aquelas crianças e jovens estavam dependentes de um espadim, para conseguir o dinheiro necessário para salvar o seu lar.


Mas isso não seria preciso, se houvesse mais apoio, mais ajudas, mais intervenção daqueles que deveriam ser os primeiros a defender e proteger essas crianças e jovens.


Não é impossível, mas é muito difícil levar um barco às costas, sozinho, e tentar mantê-lo à tona quando, volta e meia, disparam contra ele, e começa a dar sinais de se poder afundar.


 


Quanto a Wade, o que ele precisava mesmo, era de conviver com pessoas, com crianças, com jovens que, apesar da sua tenra idade, também podem ter uma palavra certa a dizer.


Esta experiência, esta socialização forçada, devolveu-lhe o sentido para a vida, mostrou-lhe aquilo que é o mais importante, e que nunca é tarde para tentar mudar.


 


 



 


 

A semana numa imagem

  Chuva, chuva, e mais chuva!