
"Há algum fio condutor na nossa vida ou ela é um emaranhado de acontecimentos sem sentido e sem relação entre si?"
A minha filha anda a dar religião, na disciplina de filosofia e, às tantas, leu algures no manual esta questão, perguntando a minha opinião.
A primeira imagem que me veio à mente, ao ler a questão, foi a do algodão doce: também ele tem um "fio condutor" - a vareta - mas, ao mesmo tempo, o que o caracteriza é o "emaranhado de fios de açúcar", que se vão juntando uns aos outros e formando o conteúdo.
Acredito que existe um fio condutor, que nos guia, a partir do momento em que nascemos, e até morrermos.
Esse fio condutor pode traduzir-se na sociedade em que estamos inseridos, através das regras, conduta, deveres e direitos, responsabilidades. Sem elas, cada um faria o que lhe desse na real gana, e viveríamos numa espécie de anarquia.
Traduz-se na família, nos valores que nos transmitem, no seu apoio e orientação, no seu suporte e alicerce.
Traduz-se nos planos que traçamos, nos objectivos que nos propomos concretizar, nas metas que ambicionamos alcançar.
De alguma forma, consciente ou inconscientemente, há algo a que estamos "presos", ligados, e que nos mantém no trilho que aparentemente escolhemos, ou nos foi destinado.
No entanto, isso não significa que, a esse fio condutor, não se possam ir juntando acontecimentos, experiências, vivências, que nos acrescentam enquanto seres humanos.
Ainda que alguns façam sentido, e outros nem tanto.
Ainda que alguns tenham relação entre si, e outros, nenhuma.
Mal de nós se nos limitássemos a seguir o fio condutor da nossa vida, sem absorver mais nada. Sem complementar, sem viver o inesperado, sem ser surpreendido.
Somos eternos seres em construção, e haverá sempre espaço para mais, ainda que não estejamos a contar com isso, ou não o tenhamos previsto.
E, da mesma forma que, quanto mais fios se forem juntando à vareta, maior o algodão doce, também quanto mais acrescentarmos à nossa vida, mais rica ela se tornará. E melhor nos saberá vivê-la!
Até mesmo nas dificuldades e momentos menos bons, que dispensaríamos de bom grado.
Já há muito tempo que não conseguia vir aqui, ao teu blog, tenho tido pouco tempo livre e raramente dá para tudo aquilo que eu gostava, como visitar o teu cantinho! Hoje consegui vir aqui e adorei o que li! Vou guardar nos meus favoritos, porque eu senti exatamente o mesmo que tu! Obrigada por esta tua partilha! Um beijo grande minha amiga e uma linda semana para ti com muita inspiração e reflexões importantes como esta
ResponderEliminarExcelente reflexão Marta
ResponderEliminarAcredito que todos temos o nosso fio condutor, eu adoro seguir o meu, assim sinto-me mais confiante e confortável com as minhas escolhas. Assim sou mais feliz
Mas há aqueles que, apesar de lhes terem "dado" um fio condutor, preferem seguir ao "sabor do vento", sem regras, vivendo o aqui e agora e são felizes!
Beijinhos
Feliz Dia
Belíssimo post, que aponta para algo que não nos lembramos de analisar. É um texto assertivo e coerente.
ResponderEliminarBeijinho
Quando a minha filha me perguntou, estava eu a ir para a cama, cheia de sono E disse-lhe "manda-me a questão, que eu depois analiso". E este é o resultado, que só chegou no dia seguinte, claro, com a mente mais desperta
ResponderEliminarBeijinhos
Obrigada, Sandra
ResponderEliminarE logo eu, que nunca na vida comi algodão doce
Por acaso muitas reflexões vêm de questões filosóficas, por conta da minha filha.
Beijinhos e bom feriado!
Obrigada, Luísa!
ResponderEliminarE até mesmo esse seguir ao sabor do vento, sem regras, pode ser considerado o "fio condutor" dessas pessoas.
É quase como um palco, onde tens espaço para te movimentar, mas isso não quer dizer que, volta e meia, não saias dele e vás para o meio do público.
Beijinhos e bom feriado!