quarta-feira, 18 de agosto de 2021

À deriva...

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Por vezes, sem nos darmos conta, acordamos um dia e sentimo-nos à deriva.


À deriva num imenso mar, sem terra à vista.


À deriva num imenso deserto, ou numa extensa floresta, onde não vislumbramos um único abrigo.


O nosso porto seguro, que sempre ali esteve, não existe mais. Desapareceu.


E nós, ficamos sem referência. Sem orientação.


 


Damos aos braços, para nos mantermos à tona. Mas não sabemos para onde nadar...


Caminhamos, porque de nada adianta ficar no mesmo sítio. Mas não sabemos para onde ir...


Remamos, mas não vislumbramos nada além de água...


Está tudo ligado mas, ainda assim, é como se um dos interruptores se tivesse desligado. E uma parte de nós deixasse de funcionar.


 


É provável que, neste desafio de resiliência e sobrevivência, venhamos a encontrar um novo porto seguro. Diferente do anterior, mas igualmente seguro.


É provável que, com o tempo, nos venhamos a adaptar a esta nova forma de viver. À mudança. Às circunstâncias.


 


É expectável que o tempo volte a pôr-nos a funcionar em "modo manual" mas, até lá, é como se nos tivessem colocado em "piloto automático".


Vivemos, mas não por inteiro.


Sentimos, mas apenas pela metade.


E o que quer que digamos, ou façamos, parece sair forçado. 


Porque tem que ser. 


Mas sem a vontade e o entusiasmo de antes.


Sem a energia de outrora.


 


Sentimo-nos à deriva...


E talvez nos deixemos levar pela corrente, pela maré...


Talvez nos deixemos levar pelo vento...


Talvez nos deixemos guiar por pontos imaginários...


Só para chegar a algum sítio, algum lugar...


Para poder descansar. E recuperar forças. 


 


Até que consigamos discernir entre ficar, ou partir, para outras paragens.


Com energia renovada, e pelo próprio pé.


 

9 comentários:

  1. No fundo, é algo que acontece a todos nós.
    Alguns conseguem encontrar mais rapidamente um novo porto, outros demoram mais um pouco. Cada um de nós tem o seu tempo…

    Parabéns pelo texto maravilhoso Marta.

    Bj

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  2. Percebo o teu não caminho!
    Porém tu tens a vantagem de saberes o que o teu mistério de vida.
    Nestes casos não sei dar conselhos apenas que acredites que o melhor da tua vida ainda estará para vir.
    Um dia lembrares-te-á destas minhas palavras.
    Coragem que a vida é para ser vivida. Em plenitude com o bom e o mau que ela nos brinda.

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  3. Mas vais encontrando portos de abrigo a que te agarrares

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  4. Obrigada!
    Sim, imagino que, pelos mais diversos motivos, todos nós passamos por estes momentos de deriva ao longo da vida. Uns mais do que outros, e uns durante mais tempo que outros.
    Beijinhos

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  5. É verdade, José.
    Não sei se o melhor da vida ainda está por vir, mas ainda há muita coisa para viver, e muitas situações para ultrapassar, com garra e coragem, porque de nada adianta outra atitude.
    Acredito que este sentimento é apenas temporário, e faz parte.
    Beijinhos e obrigada pelas palavras!

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  6. Pois... nessa altura é melhor deixarmo-nos boiar um pouco, até recuperar.

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  7. Nessas alturas, só digo que se deve pensar de forma positiva, embora eu ache que deve ser fácil dizer isso a uma pessoa e deve ser complicado dizer isso para nós próprios, mas é claro que todos nós passamos por momentos à deriva, parabéns pelo excelente texto,

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