segunda-feira, 16 de agosto de 2021

O que faríamos de diferente se soubéssemos o nosso "prazo de validade"?

Il significato umano del tempo. Categorizzazioni culturali – Linda Armano


 


Aquilo que de mais certo temos na vida, é a morte.


Sabemos que ela a um dia virá.


Esperamos sempre que seja muito lá para a frente, quando formos muito velhinhos.


Ou então, nem sequer pensamos nisso. Porque não queremos sofrer por antecipação. Ou porque é algo tão certo e natural que, mesmo sem dar por isso, aceitamos como dado adquirido e passamos à frente.


 


A partir do momento em que nascemos, é accionada uma contagem decrescente, para um final que nunca sabemos quando chegará.


Mas...


E se nos fosse permitido saber?


Se nos dissessem, exactamente, quando o nosso tempo se esgotará?


O que faríamos de diferente, se soubéssemos o nosso "prazo de validade"?


O que mudaria? 


 


Deixar-nos-ia, essa certeza, mais descansados?


Viveríamos mais, e mais intensamente?


Aproveitaríamos mais cada minuto, cada hora, cada dia?


Faríamos tudo aquilo que, por norma, tendemos a adiar?


Daríamos mais importância ao que realmente importa?


Valorizaríamos mais os bons momentos?


Seríamos mais felizes?


 


Ou seria, pelo contrário, condenar-nos a uma permanente angústia?


Levar-nos a pensar constantemente no fim?


Não deixaríamos nós de viver?


Não nos entregaríamos nós à tristeza, à depressão?


Não ficaríamos nós obcecados com a nossa morte, sem aproveitar a vida?


 


Eu confesso que, por muito tentador que possa ser, saber quando chegará a nossa hora, prefiro permanecer na ignorância.


Prefiro não saber quando chegará esse momento.


Porque não saberia lidar com essa informação.


A não ser, claro, que estivesse doente e me restasse pouco tempo de vida.


Mas, numa situação normal, mais vale não saber quando o tempo se esgotará.

7 comentários:

  1. Preferível mesmo, é não saber...
    Bom texto, como sempre. Tenho saudades de ter tempo para escrever sobre isto, aquilo e aqueloutro...
    Boa semana

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  2. Acho que essa experiência seria diferente para cada pessoa.
    Só passando por ela é que se pode responder.
    Tenho doentes que ao saber do seu diagnóstico, organizam a sua e deixam tudo tratado.
    Outros deixam-se levar e entram numa profunda depressão.

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  3. Marta, eu se soubesse o meu prozo de validade, metia-me debaixo do edredon e não saia mais.

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  4. Pelo menos estavas quentinha e aconchegada!
    Mas olha que há muitas pessoas que, contra todas as expectativas, ultrapassam o prazo de validade.

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  5. Isabel, há-de vir o tempo e ideias para escrever
    Obrigada!
    Beijinhos e bom fim de semana!

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  6. Cada pessoa é diferente.
    Deve ser complicado também para quem tem essa informação, saber como dá-la, se deve dá-la ou não, e prever como o receptor irá reagir.

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  7. Sou como tu, estar na igorância é o melhor, se a gente soubesse, eu acho que não saberia lidar também com essa informação, é uma questão difícil e complicada.

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