
Mirófones aproveitou que a sua mãe, Vitolina, estava a dormir, para se esgueirar até ao laboratório mágico da progenitora, onde nunca lhe havia sido permitido estar sozinho, e tão pouco tocar em nada. O objectivo era tentar criar uma poção que lhe devolvesse o coração, que lhe havia sido roubado.
Mirófones (entusiamado com a ideia): Espelho meu, espelho meu, haverá alguém mais mágico do que eu?!
Espelho: Olha, olha! Acaso és mágico, tu?!
Mirófones (dando um salto, com o susto): Tuuuu... Tu falas?
Espelho: E porque não haveria de falar? Não me fizeste uma pergunta?
Mirófones: Estava apenas a brincar. Sabes, aquela cena da bruxa má, do conto da Branca de Neve.
Espelho: Bem, bruxa má não és. Ao pé dela, és um franganote. E mágico, tão pouco!
Mirófones: Não importa. Vou olhar para todos estes livros, e descobrir a receita para ter o meu coração de volta. Depois, vou criar a poção, e bebê-la. Não há-de ser assim tão difícil.
Espelho (duvidando das capacidades de Mirófones): Veremos... Boa sorte!
Mirófones: Ora bem. Por onde começo? Letra C... coração... tratar do coração... deve ser isto!
Encontrada a receita, e olhando atentamente para os ingredientes
Mirófones: Portanto, três colheres de farinha branca refinada. Onde é que estará isso? Ah, estás aqui!
Frasco (assim que Mirófones tentou pegá-lo): Não me toques.
Mirófones, apreensivo, tentou novamente, e de novo a mesma resposta.
Mirófones: Mas que raio! Aqui tudo fala? Pois não quero cá saber de frescuras! Vou pegar em ti, e vou abrir-te!
Ao fazê-lo, todo o conteúdo saltou para a sua cara.
Mirófones (depois de uns quantos impropérios, provando a dita "farinha"): Hum... olha que até não és má de todo.
Passados alguns minutos, enquanto tentava reunir os ingredientes em falta, Mirófones ouve uma voz.
Morcego (imaginário): Vou-te comer!
Mirófones (olhando em volta, e vendo um grande morcego pendurado na beirada da janela): Sai daqui!
Morcego: Vou-te comer agora!
E Mirófones, assustado com aqueles olhos demoníacos, e dentes afiados que se dirigiam a si, encolheu-se debaixo da bancada. Mas nada aconteceu.
Mirófones: Já devo estar a alucinar!
E, dito isto, começou a rir dos seus próprios medos, e da figura ridícula que tinha feito.
Mirófones (depois do ataque de riso): Certo. Só falta o chá espirituoso destilado.
Misturou tudo e esperou que a poção ficasse pronta.
Enquanto isso, curioso, decidiu provar um pouco do chá. De repente, viu o seu coração à sua frente.
Mirófones: Ah, malandro! Voltaste!
Coração: (imaginário): Apanha-me, se puderes!
Mirófones: Queres brincadeira, é?! Pois vais ver como elas te mordem!
Começou a tentar apanhar o coração, que o fintava a cada investida, como se estivesse a gozar com ele.
No meio desta luta, sem se dar conta, atirou com alguns balões e tubos, fazendo imenso barulho, até que acabou por, ele próprio, tropeçar na cadeira e cair ao chão.
Ainda atordoado, vê uma "lava" azul a sair do caldeirão, e espalhar-se pelo chão, aproximando-se cada vez mais de si, como se quisesse persegui-lo.
Levantou-se num ápice, e fugiu dali para fora!
Vitolina (que entretanto tinha acordado): Mas o que é que se passa aqui?
Mirófones (correndo que nem um louco pela casa fora, até sair para a rua): É o mar! Quer engolir-me! Foge, mãe, que ele está a vir aí!
Vitolina (seguindo-o até à porta):Ensandeceu! Só pode... Mas que raio andaste tu a fazer esta noite?!
Mirófones: Eu... Eu... Eu só queria ter o meu coração de volta. Ela roubou-mo, e agora não mo quer dar.
Vitolina: Ela? Ela, quem? A tua namorada?
Mirófones: Sim.
Vitolina: Tolo!
Mirófones: Fui tentar fazer uma poção mágica, mas não sei se resultou.
Vitolina: Ouve-me com atenção. Não há magia nenhuma no mundo que possas usar contra o amor. Quando se ama, cada um guarda o coração do outro, e cuida dele, como se fosse o seu. Não é roubado, é partilhado. Confiado. A única forma de teres o teu coração de volta, só para ti, é deixares de amar. É isso que queres?
Mirófones: Não...
Vitolina: Então, deixa-te de parvoíces!
Ao voltar a entrar em casa, Vitolina vira-se para o filho
Vitolina: E da próxima vez, não abuses do "pó de macaco" e da aguardente! Fizeram uma bela magia contigo!
E seguiu caminho, dando umas valentes gargalhadas, enquanto o filho subia para o seu quarto, envergonhado.
Texto escrito para o Desafio de Escrita do Triptofano
Também participam:
maravilhoso muito bom, muito mesmo. adorei!
ResponderEliminarbeijos e feliz dia
Adorei querida Marta! Uma narrativa cheia de imaginação e movimento! Cria entusiasmo na leitura!
ResponderEliminarObrigada pela partilha!
Muito bom Marta, obrigada por partilhares connosco este teu lado humorístico! Tem um dia lindo!
ResponderEliminarEu é que agradeço
ResponderEliminarNem eu mesma sabia que tinha esse lado!
Beijinhos e bom fim de semana
Obrigada!
ResponderEliminarDeve ser o efeito do pó de macaco, que chegou aqui a este lado
Beijinhos e um bom fim de semana
Ainda bem que gostaste
ResponderEliminarAchei que esta carta pedia qualquer coisa assim mais divertida, para compensar a da semana anterior.
Beijinhos e um bom fim de semana
Olá Marta.
ResponderEliminarAdorei Adorei .Grande imaginação.
Então os nomes ..
Será que existem?
Um beijinho.
Luisa Faria
ResponderEliminarAinda bem que gostaste!
Quanto aos nomes, não faço ideia, mas duvido. Coitadas das pessoas!
Beijinhos