quinta-feira, 10 de março de 2022

Desafio de Escrita do Triptofano #7

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Mirófones aproveitou que a sua mãe, Vitolina, estava a dormir, para se esgueirar até ao laboratório mágico da progenitora, onde nunca lhe havia sido permitido estar sozinho, e tão pouco tocar em nada. O objectivo era tentar criar uma poção que lhe devolvesse o coração, que lhe havia sido roubado.


 


Mirófones (entusiamado com a ideia): Espelho meu, espelho meu, haverá alguém mais mágico do que eu?!


Espelho: Olha, olha! Acaso és mágico, tu?!


Mirófones (dando um salto, com o susto): Tuuuu... Tu falas?


Espelho: E porque não haveria de falar? Não me fizeste uma pergunta?


Mirófones: Estava apenas a brincar. Sabes, aquela cena da bruxa má, do conto da Branca de Neve.


Espelho: Bem, bruxa má não és. Ao pé dela, és um franganote. E mágico, tão pouco! 


Mirófones: Não importa. Vou olhar para todos estes livros, e descobrir a receita para ter o meu coração de volta. Depois, vou criar a poção, e bebê-la. Não há-de ser assim tão difícil.


Espelho (duvidando das capacidades de Mirófones): Veremos... Boa sorte!


Mirófones: Ora bem. Por onde começo? Letra C... coração... tratar do coração... deve ser isto! 


 


 


Encontrada a receita, e olhando atentamente para os ingredientes


Mirófones: Portanto, três colheres de farinha branca refinada. Onde é que estará isso? Ah, estás aqui! 


Frasco (assim que Mirófones tentou pegá-lo): Não me toques.


Mirófones, apreensivo, tentou novamente, e de novo a mesma resposta.


Mirófones: Mas que raio! Aqui tudo fala? Pois não quero cá saber de frescuras! Vou pegar em ti, e vou abrir-te!


 


Ao fazê-lo, todo o conteúdo saltou para a sua cara.


Mirófones (depois de uns quantos impropérios, provando a dita "farinha"): Hum... olha que até não és má de todo. 


Passados alguns minutos, enquanto tentava reunir os ingredientes em falta, Mirófones ouve uma voz.


Morcego (imaginário): Vou-te comer!


Mirófones (olhando em volta, e vendo um grande morcego pendurado na beirada da janela): Sai daqui!


Morcego: Vou-te comer agora!


 


E Mirófones, assustado com aqueles olhos demoníacos, e dentes afiados que se dirigiam a si, encolheu-se debaixo da bancada. Mas nada aconteceu. 


Mirófones: Já devo estar a alucinar!


E, dito isto, começou a rir dos seus próprios medos, e da figura ridícula que tinha feito. 


 


Mirófones (depois do ataque de riso): Certo. Só falta o chá espirituoso destilado.


Misturou tudo e esperou que a poção ficasse pronta.


Enquanto isso, curioso, decidiu provar um pouco do chá. De repente, viu o seu coração à sua frente.


Mirófones: Ah, malandro! Voltaste!


Coração: (imaginário): Apanha-me, se puderes!


Mirófones: Queres brincadeira, é?! Pois vais ver como elas te mordem!


Começou a tentar apanhar o coração, que o fintava a cada investida, como se estivesse a gozar com ele.


No meio desta luta, sem se dar conta, atirou com alguns balões e tubos, fazendo imenso barulho, até que acabou por, ele próprio, tropeçar na cadeira e cair ao chão. 


 


Ainda atordoado, vê uma "lava" azul a sair do caldeirão, e espalhar-se pelo chão, aproximando-se cada vez mais de si, como se quisesse persegui-lo.


Levantou-se num ápice, e fugiu dali para fora!


 


Vitolina (que entretanto tinha acordado): Mas o que é que se passa aqui?


Mirófones (correndo que nem um louco pela casa fora, até sair para a rua): É o mar! Quer engolir-me! Foge, mãe, que ele está a vir aí!


Vitolina (seguindo-o até à porta):Ensandeceu! Só pode... Mas que raio andaste tu a fazer esta noite?! 


Mirófones: Eu... Eu... Eu só queria ter o meu coração de volta. Ela roubou-mo, e agora não mo quer dar.


Vitolina: Ela? Ela, quem? A tua namorada? 


Mirófones: Sim.


Vitolina: Tolo! 


Mirófones: Fui tentar fazer uma poção mágica, mas não sei se resultou.


Vitolina: Ouve-me com atenção. Não há magia nenhuma no mundo que possas usar contra o amor. Quando se ama, cada um guarda o coração do outro, e cuida dele, como se fosse o seu. Não é roubado, é partilhado. Confiado. A única forma de teres o teu coração de volta, só para ti, é deixares de amar. É isso que queres?


Mirófones: Não...


Vitolina: Então, deixa-te de parvoíces!


 


Ao voltar a entrar em casa, Vitolina vira-se para o filho 


Vitolina: E da próxima vez, não abuses do "pó de macaco" e da aguardente! Fizeram uma bela magia contigo!


E seguiu caminho, dando umas valentes gargalhadas, enquanto o filho subia para o seu quarto, envergonhado.


 


Texto escrito para o Desafio de Escrita do Triptofano


 


 


Também participam:


Ana D.


Ana de Deus


Triptofano


Maria


Biiyue


Maria Araújo


Bruno


 


 


 


 


 


 


 

8 comentários:

  1. maravilhoso muito bom, muito mesmo. adorei!
    beijos e feliz dia

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  2. Adorei querida Marta! Uma narrativa cheia de imaginação e movimento! Cria entusiasmo na leitura!
    Obrigada pela partilha!

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  3. Muito bom Marta, obrigada por partilhares connosco este teu lado humorístico! Tem um dia lindo!

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  4. Eu é que agradeço
    Nem eu mesma sabia que tinha esse lado!
    Beijinhos e bom fim de semana

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  5. Obrigada!
    Deve ser o efeito do pó de macaco, que chegou aqui a este lado
    Beijinhos e um bom fim de semana

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  6. Ainda bem que gostaste
    Achei que esta carta pedia qualquer coisa assim mais divertida, para compensar a da semana anterior.
    Beijinhos e um bom fim de semana

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  7. Olá Marta.
    Adorei Adorei .Grande imaginação.
    Então os nomes ..
    Será que existem?
    Um beijinho.
    Luisa Faria

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  8. Ainda bem que gostaste!
    Quanto aos nomes, não faço ideia, mas duvido. Coitadas das pessoas!
    Beijinhos

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