quarta-feira, 27 de abril de 2022

Uma ida ao hospital...

Consulta médica | Luiz Carlos Marques Cardoso


 


Ontem foi dia de consulta de Nefrologia do meu pai.


Chegados ao hospital, perguntámos a um vigilante onde ficava essa especialidade. Calculei que fosse no mesmo bloco dos internamentos, mas queríamos confirmar. Com maus modos, mandou-nos para a recepção central. Mais à frente, perguntámos a um outro vigilante, mais simpático, que nos disse que estávamos no lado oposto, e que teríamos que dar a volta a todo o hospital.


Não havia volta a dar, só entradas para estacionamento, pelo que voltámos ao mesmo sítio, e ao mesmo vigilante, que então disse ao meu marido para ficar na fila para estacionamento.


Eu e o meu pai saímos, e fomos perguntar a um terceiro vigilante, que nos confirmou que era na recepção central. 


Ou seja, andámos ali às voltas sem necessidade.


 


Chegados ao sítio certo, requisitar cadeira de rodas, para evitar que o meu pai tivesse que andar todo aquele percurso.


Na zona das consultas, tirar senha para confirmação.


E aqui tenho que enaltecer a única coisa boa desta ida ao hospital: uma vigilante que, sem necessidade nenhuma, nos disse para tirarmos uma senha prioritária, para ser mais rápido, e nos disse que podíamos (quem não estivesse a confirmar a consulta) entrar para o corredor, onde estava mais calmo, em vez de ali, junto com dezenas de pessoas.


Confirmada a consulta, algum tempo depois da hora, restava esperar pela chamada.


O meu marido aproveitou para almoçar. Eu estava sem fome. Com uma dor de cabeça horrível e constipada. Até parecia mais doente que o meu pai. A máscara também não ajudava.


 


Fomos então chamados. 


Entrei com o meu pai.


O médico fez umas perguntas básicas, tipo consulta de enfermagem, tirou notas do processo clínico de internamento, e mandou-nos à nossa vida!


Pronto, não foi bem assim.


Apenas nos disse que sem análises ou outros exames, não poderia fazer qualquer alteração à medicação, por isso, mantinha-se tudo como estava.


E como também não tínhamos qualquer noção do peso, valores da tensão arterial ou frequência cardíada, também não podia fazer muito.


É caso para dizer "em casa de ferreiro, espeto de pau". 


Então, um hospital não tem uma balança? Não tem um aparelho que meça esses valores?


Ah e tal, ou medem na farmácia, ou compram os aparelhos e fazem-no em casa.


 


O meu pai começou a queixar-se de uma dor.


O médico nem deu hipótese. "Aqui só vamos falar dos rins, o resto não é para aqui."


Disse que o meu pai está muito, demasiado magro - caquexia.


Explicámos que come bem mas, como agora tem tido episódios frequentes de diarreia, acaba por não adiantar muito.


Ah e tal, isso deve ser problema de intestinos, tem que ser com a médica de família.


Voltámos à dor, por insistência minha, uma vez que era mais ou menos na zona dos rins, ainda que possa ser outra coisa.


Ah e tal, isso deve ser líquido nos pulmões, tem que ir a uma urgência e fazer um RX.


 


Mas voltando, então, à única coisa que interessava ao médico - os rins.


Ficámos a saber que o meu pai está no estádio 4, de 5. E que a ideia é manter por ali, porque se passar para o último, é sinal que os rins deixaram de funcionar, e terá que se sujeitar a hemodiálise, ou diálise peritoneal.


No entanto, tudo está dependente da parte cardíaca. 


Ficámos a saber que não pode fazer nada com contraste pela veia. E que, em caso de toma de antibióticos, tem sempre que referir que é insuficiente renal, para ajustar a medicação.


E confirmámos que não pode tomar anti-inflamatórios para as dores. Só pomadas, ou gel.


 


Fora isso, já percebemos que a ideia é andar lá constantemente, seja nesta vigilância, seja a fazer análises e exames.


Ah e tal, tudo o que é passado aqui, é para fazer aqui.


Mas vejam se a médica de família passa credenciais para fazerem na vossa zona. Se não querem estar a vir cá...


Pois, não queremos!


É dispendioso, incómodo, massacrante. Não moramos em Lisboa. 


Já basta ter que ir às consultas.


 


Saímos do hospital. 


Fui comendo pelo caminho.


Passámos pela urgência de Mafra. O médico ainda perguntou se não queríamos ir à urgência do Santa Maria! Estão a ver a piada?! Só se fosse para passar lá dois dias.


Mesmo assim, aqui em Mafra, no Centro de Saúde, às 17 horas, já não havia consulta de doença aguda. Fomos à urgência, umas 15 pessoas à frente. 


Desistimos.


 


Hoje, enviei email para o Centro de Saúde, a solicitar uma consulta ao domicílio, e coloquei a questão dos exames/ análises.


Estou à espera de resposta...


E é isto: se dúvidas houvesse de que uma pessoa doente fica ainda mais doente com tudo isto, estão, definitivamente, esclarecidas.


E a vontade de voltar a ir a um hospital é quase nenhuma.


 


 

11 comentários:

  1. Oh Marta!😔 O filme repete-se... Sim, o teu pai devia fazer.um checkup geral. E principalmente, saber o.porquê das diarreias e perda de pesa. Já fez alguma colonoscopia?

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  2. Colonoscopia nunca fez nenhuma, e agora com os problemas que tem não sei se pode levar anestesia. E sem ela também não a faz
    Uma treta.

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  3. É muito difícil ver a falta de interesse, a negligência e o jogo do empurra que se vive atualmente no setor da saúde e ver os que amamos a sofrer sem o apoio adequado, sem o carinho e atenção que um doente merece.

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  4. Irritante estás histórias.
    Parece-me que a única doença em que "tudo" é praticamente rápido, é na oncologia.
    Uma amiga minha, sempre que vai com o pai às consultas de urologia, queixa-se de muito.
    Eu acho que o idosos doentes deviam ser prioridade para tudo.
    Às melhoras para o teu pai.
    Por cá 🙏 tem corrido bem.

    Beijinhos

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  5. Tb me sinto sempre confusa nas idas aos hospitais, porque se não somos bem informados na primeira tentativa, começamos a ficar cada vez mais stressados, tirando que o próprio ambiente em si, já é stressante, fará para quem tem praticamente de passar a vida para lá a correr.

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  6. E quem vive sozinho, e não tem familiares que apoiem?

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  7. Fica entregue a si próprio.
    Há pessoas que vão por necessidade, Há pessoas que vão por gosto.
    Há pessoas que, infelizmente, têm que passar a vida em hospitais.
    Espero que não seja nisso que a vida do meu pai se transforme.

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  8. Oncologia e Covid
    Tudo o resto é o salve-se como puder, e se não quiser, há mais gente na fila a querer o lugar.

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  9. Para mim, que estou habituada ao hospital pacato aqui da vila, eventualmente, o de Torres Vedras, ir para esses grandes como o Santa Maria é uma confusão e um stress. O que vale é que o meu marido vai comigo e desenrasca-se porque eu ainda me perderia ali.

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  10. Sem dúvida.
    Boa semana.

    P.S.:
    Quando vires gralhas na escrita, é porque escrevi no telemóvel.

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