segunda-feira, 20 de junho de 2022

"A Rapariga no Abismo", de Charlie Gallagher

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Em duas palavras, esta é uma história de impotência e frustração, em todos os sentidos!


 


Impotência das vítimas, que dificilmente, por mais que queiram, escaparão com vida aos ataques daquele homem.


Impotência dos inspectores, que parecem não chegar a lado nenhum num caso de atropelamento e fuga que, só mais tarde, percebe que não é apenas isso.


Impotência de Maddie que, após anos a trabalhar como infiltrada, se vê obrigada a "esconder-se" para sua própria protecção, e aceitar um cargo que não quer, por ter feito asneira na sua última missão.


Impotência de quem tem as vidas tão viradas de pernas para o ar, que lhes é difícil, ou mesmo impossível, lutar contra os seus vícios. 


 


E, lá está, na sequência dessa impotência, a frustração.


Porque nem os inspectores descobrem as vítimas a tempo, nem as vítimas conseguem fazer-se ouvir.


Porque o assassino continuará a matar.


Porque Maddie, apesar de querer muito empreender os seus esforços no que realmente importa, e isso começa por descobrir o paradeiro de Lorraine, e ajudar Harry no caso do atropelamento, vê-se posta de parte, delegada para assuntos escolares, como se estivesse a cumprir castigo.


E porque os vícios, sejam eles quais forem, chamam por alimento que os sacie e, para além do perigo que lhes está inerente, podem constituir um perigo ainda maior, e mais mortal.


 


Confesso que fiquei desapontada com este livro.


A história em si está bem conseguida, mas acho que enrolou muito e, de repente, despachou tudo.


Foi dada a conhecer uma personagem quase irrelevante, mas que daria direito a um livro prévio sobre essa história (não sei se existe), com Maddie e Adam, o seu passado como infiltrada, e a relação estranha que ambos mantêm.


Da mesma forma, ficamos sem saber se aquela relação tem futuro, se as suspeitas do chefe de Maddie se confirmam, e ficamos com vontade de saber se ela vai mesmo ficar por ali, e fazer dupla com Harry.


Se está segura, ou se corre perigo.


Por outro lado, a mãe de Lisa sofre de uma doença mental que pouco é abordada, tal como a sua relação bipolar com a filha Lisa.


Também Lisa é uma personagem pouco explorada, sabendo-se pouco mais do que o básico, e o porquê de se tornar uma vítima, sem aprofundar muito o seu vício.


E o que vai acontecer ao assassino?


Dúvidas que, para já, ficam para quem quiser tentar desvendá-las, por conta própria.


 


 

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