terça-feira, 28 de junho de 2022

Que demónio é este?...

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Mas que demónio é este, que por aqui ciranda?


Seja ele qual for, que volte depressa para de onde veio.


É impossível andar na rua.


 


Mal uma pessoa sai, fica à mercê dele.


Revoltoso, gélido, sem dar um único segundo de tréguas.


Esbofeteia-nos de um lado. E do outro.


Empurra-nos, fazendo-nos acelerar mesmo sem querer. Outras vezes, trava-nos, como se nos tentasse impedir de seguir caminho.


Desorienta-nos.


 


Já não basta a chama intensa que nos fere os olhos, também ele quase nos cega.


Enquanto nos debatemos com ele, nem nos atrevemos a respirar. Sustemos a respiração, até estarmos em relativa segurança.


Que só chega quando entramos em casa.


Até então, percorremos o caminho o melhor que conseguimos, quase sem o ver, em modo automatico, porque perceber onde estamos e com o que estamos a lidar é doloroso e cansativo demais.


 


Na rua, o demónio anda à solta.


Chama-se vento.


Já deveríamos estar habituados.


Mas o vento nem sempre está assim.


Com esta fúria desmedida. Com esta raiva descontrolada.


A fustigar cada centímetro da nossa pele, e do nosso corpo.


 


Em casa, continuamos a ouvi-lo.


A sentir que ele tenta, de todas as formas, quebrar as barreiras. Chegar até nós.


Mas não consegue.


E nós podemos, então, tranquilamente, abrir os olhos, que demoram a habituar-se à calmaria.


Podemos respirar de alívio.


Podemos descontrair o corpo que, só então, percebemos como estava contraído, e relaxar.


 


Até à próxima luta, quando tivermos que voltar à rua, e enfrentá-lo novamente.


 


 

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