sexta-feira, 30 de junho de 2023

Para que serve mesmo um "médico de família"?

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"O médico de família está focado no indivíduo como um todo, no seu contexto familiar e social, promovendo o seu bem-estar físico e psíquico, para que o paciente possa viver na plenitude das suas faculdades.


Este médico é o pilar dos cuidados de saúde e é responsável por coordenar todos os aspetos do mesmo, trabalhando em sinergia com outras especialidades, no melhor interesse do doente.


O médico de família aborda todo o tipo de doenças de todo o tipo de sistemas, em todas as faixas etárias e em ambos os géneros. Observa e orienta doentes com queixas respiratórias, cardíacas, urinárias, musculares, neurológicas e outras. ", de cuf


 


No outro dia, em conversa com o meu irmão, questionei-me para que serve mesmo um médico de família.


No verdadeiro sentido da palavra. 


E que diferença encontramos entre esse, e um qualquer outro médico que nos atenda, em substituição do primeiro.


 


Isto, a propósito de a nossa médica de família se lembrar, agora que o meu pai tem 81 anos, e por conta de uma dor que tem na sequência de uma queda, de passar um exame para diagnóstico de osteoporose.


E se tiver? De que adianta agora?


Não deveria ter passado esse exame há uns 10/ 20 anos atrás? Para que fosse possível prevenir?


Isto é só um exemplo.


Posso dar mais.


 


Há já alguns anos, queixei-me à médica de família que costumava ter enxaquecas.


Resposta: nesses dias, deitas-te na cama, às escuras e em silêncio, até passar, e pões o teu marido a fazer as tarefas domésticas. Se necessário, tomas comprimidos.


Nunca teve a iniciativa, ou me perguntou se eu queria que me encaminhasse para a especialidade, para descobrir a causa das enxaquecas, e ver o tratamento mais adequado. 


 


É suposto um médico de família conhecer bem o seu doente.


No entanto, acompanhando-me desde a infância, nunca me alertou para o perigo dos meus imensos sinais no corpo, ou me aconselhou a ser vigiada por um dermatologista, por prevenção.


 


Em 2021, fiz uns exames que deveriam ser repetidos, para controlo.


Em 2023, fui à médica, e ela nem se lembrou disso.


A ideia que dá é que a pessoa vai lá, queixa-se de qualquer coisa, e é nisso que se foca (quando se foca), esquecendo o resto.


Aliás, pelo que vejo, qualquer informação mais antiga já nem consta no processo.


 


Então, pergunto-me eu: será que os médicos de família, hoje em dia, acompanham os seus pacientes como deveriam?


Por vezes fico com a sensação de que, indo a outro médico do mesmo centro de saúde, à falta de vaga para a médica de família, sou melhor atendida. E que há uma maior preocupação e interesse.


 


A minha mãe, por nunca ir às consultas, perdeu a médica de família.


Passou para outra unidade (onde estão os utentes sem médico de família), e foi-lhe atribuída outra médica.


Posso dizer que, da única vez em que precisou dela (infelizmente já tarde demais), a médica foi mais prestável, expedita e atenciosa, que a nossa médica de família.


 


Agora que a médica de família está prestes a reformar-se, será que as coisas vão ser piores?


Sei que, em vários centros de saúde, as coisas são um descalabro, quer a nível de comunicação, de marcação de consultas, ou emissão de credenciais para exames.


Médicos de família ausentes, de baixa ou sem vagas.


Aqui até vai funcionando.


E acredito que, talvez, não seja assim tão mau a nossa médica de sempre ir embora.


Quem sabe, não fica alguém melhor no seu lugar...


 


E por aí, qual a vossa experiência com médicos de família?

4 comentários:

  1. o meu médico de família era simpático, mas, em 17 anos, nunca me auscultou e não me lembro de me ter medido a tensão arterial.
    aposentou-se
    tenho agora uma nova médica de família
    simpática
    mediu-me a tensão arterial, estava alta, consequência da bata branca
    sem eu o pedir, receitou-me análises e vários exames ao funcionamento do coração
    e marcou logo a próxima consulta
    fiquei bem impressionado

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  2. Realmente serve para nos encaminhar, quando nos queixamos. pouco mais...

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  3. É a prova de que, por vezes, a mudança é para melhor
    A simpatia ajuda, mas não cura, nem faz diagnósticos.

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