quarta-feira, 29 de janeiro de 2025

Todos nós lá chegaremos, mas...

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... não é fácil.


Está a fazer três anos que o meu pai foi diagnosticado com insuficiência cardíaca, e insuficiência renal.


Desde então, já algumas vezes se foi abaixo, já algumas vezes tememos o pior, e outras tantas, deu a volta e mostrou vontade de por cá continuar.


Desde então, foram algumas as viagens, consultas e um segundo internamento a deixarem-no debilitado, mas de volta a casa, para recuperar.


Desistiu das consultas, rejeitou as eventuais cirurgias, e rejeitará, provavelmente, quando chegar a hora, a hemodiálise.


 


Nestes três anos, com os problemas de saúde a pregarem umas partidas, ficou mais dependente.


A cabeça também não está nos melhores dias. Embora ele tenha plena consciência da sua situação e dificuldades.


É difícil ter uma conversa normal com ele, faz muitas confusões, esquece-se do nome das coisas, temos quase que decifrar o que ele quer dizer.


Para falar com alguém ao telefone, tem que ter alguém para lhe "traduzir" o que, do outro lado, está a ser dito.


 


Ultimamente, queixa-se dos pulmões.


Nota-se a respiração acelerada.


O cansaço.


Uns dias dorme. Outros, nem por isso.


Mas não quer ir ao hospital. Não o censuro. Nem obrigo.


Ele conhece os seus limites e, sempre que se viu aflito, pediu para ir.


Mas a verdade é que, queiramos ou não, está o relógio a andar, em contagem decrescente.


 


Ontem, lembrou-se que tinha que cortar o cabelo.


Pediu ao meu tio para marcar hora no barbeiro.


Num dia de temporal.


Foi apanhar o autocarro da vila, duas horas antes. Não sei, sequer, se passou.


Não sei se não cai, se não escorrega por causa da chuva, se não se engana no barbeiro.


E ainda vai ter que esperar, na rua, que este abra.


 


Sei que vai apanhar frio.


Provavelmente, chuva.


Não sei como vai para casa. 


Pedi para, caso estivesse a chover, chamar um táxi.


Teimoso como é, ainda é capaz de ir a pé.


E, depois, é mais cansaço, e mais uma noite com dores, pelo esforço.


 


Eu sei que ele quer manter e dar uso à pouca autonomia que ainda tem.


Mas, por vezes, isso depois, se correr mal, traduz-se em mais dependência.


 


Não posso ligar para ele, porque ele nem saberá atender o telemóvel (já confunde as teclas) e, mesmo que o atenda, não me ouvirá, pelo que não serve de nada.


Enquanto isso estou eu, aqui, com o "coração nas mãos".


 

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