



Guardamos tanta coisa só para nós - opiniões, sentimentos, ideias, estados de espírito, reflexões, que ficam arrumados numa gaveta fechada... Abri essas gavetas, e o resultado é este blog!

Não de todos, claro!
Há amores que resistem. Que sobrevivem. Que perduram.
Assentes em alicerces firmes.
Seguros por fortes raízes.
Mas, outros, são tão efémeros como esta flor.
Tão difícil de despontar.
E quando, finalmente, o consegue, apesar de todas as adversidades, logo vê o seu fim chegar.
Num dia, estava ali, solitária, a querer mostrar que era possível, mesmo que as expectactivas fossem mínimas.
E, no seguinte, já lá não estava.
Como um amor que morreu, ainda mal tinha começado.
Porque, tal como a árvore onde esta flor nasceu, que um dia já floriu e deu frutos em todo o seu esplendor, e que agora parece condenada a meros galhos e meia dúzia de folhas, também há amores que estão destinados a ser breves.
A não vingar.
A estar condenados, ainda antes de acontecerem.
Texto escrito para o Desafio 1 Foto, 1 Texto
Irritam-me, profundamente, aquelas pessoas que criticam, nos outros, aquilo que elas próprias fazem.
Como quem procura, desesperadamente, nos outros, algo que possam usar contra eles mas, no fundo, o que encontram, é apenas o seu próprio exemplo reflectido.
Como um espelho.
Como um boomerang que atiram aos outros, mas que volta sempre para si mesmas.
Irritam-me aquelas pessoas que, em vez de assumirem os seus erros, tentam fazer-se passar por vítimas, colocando a culpa de tudo nos outros, exonerando-se totalmente da mesma.
Como se não tivessem, muitas vezes, sido as causadoras das situações.
Ou não tivessem contribuído para tal.
Como se fossem absolutamente inocentes.
Irritam-me aquelas pessoas que, no que a si mesmas, e àquilo que fazem, diz respeito, tentam desvalorizar a relevância que, ao mesmo tempo, e na mesma proporção, e idênticas circunstâncias e situações, fazem questão de sobrevalorizar nos outros.
Como quem usa, no seu dia a dia, e na sua vida, a regra "dois pesos e duas medidas", conforme se trata de si, ou dos outros. E, ao mesmo tempo, e contraditoriamente, insistem, em circunstâncias e situações distintas, em querer comparar o incomparável.
No fundo, irrita-me o falso moralismo das pessoas que, se pensassem um bocadinho antes de abrir a boca, perceberiam que o melhor a fazer era estarem caladinhas.
Porque, já diz o ditado: "Quem tem telhados de vidro não atira pedras ao do vizinho."
Acho que posso afirmar, sem andar longe da verdade, que esta é a série do momento!
Aquela de que todos falam, que todos comentam, sobre a qual todos têm algo a dizer.
E, opinião quase unânime, uma excelente série.
Que todos deveriam ver: pais, filhos, alunos, professores.
E que até chegou ao parlamento britânico, reacendendo o debate acerca da influência, nos jovens, das redes sociais.
Quanto a mim, digo-vos que comecei a ver a série e, a meio do segundo episódio, desisti!
Não estava a cativar nada, não me estava a passar mensagem nenhuma. Em bom português "uma grande seca".
Qualquer coisa era bem vinda, e me distraía daquilo que estava a fazer um esforço para ver.
Não sei se por, no fundo, nada daquilo ser uma novidade para mim.
Oiço muitas pessoas dizerem que é um choque de realidade, um soco no estômago.
Mas, a verdade, é que vemos situações do género a toda a hora. Cada vez mais adolescentes perdidos, influenciados de forma negativa pelas redes sociais, vítimas de bullying, da crueldade dos seus pares.
E sim, como se costuma dizer, até "no melhor pano cai a nódoa".
Os pais fazem o melhor que podem (os que fazem) com aquilo que têm. Também a sua vida não lhes permite, mna maioria das vezes, um maior acompanhamento dos filhos. E, ainda que assim fosse, não podem controlá-los a todo o instante. Saber o que lhes vai na cabeça. Prever as suas acções.
Claro que, quando há cumplicidade, diálogo, compreensão, abertura e disponibilidade, tudo pode ser diferente. Mas não é uma garantia absoluta.
E, também, nas melhores famílias, pode acontecer aquilo que nunca, ninguém, pensaria.
Por outro lado, os pais podem exercer, eles próprios, mesmo sem o saberem, uma influência negativa nos filhos. Seja pela exigência em relação a eles, e eles, pelo receio de desapontar, ou envergonhar.
Todas as fases são complicadas, e a adolescência não é excepção. Aliás, incidentes, crimes, começam a ser cada vez mais frequentes até na infância.
Portanto, como dizia, nada isto é surpresa ou novidade.
Mas, como sou teimosa, e porque queria ver aquela que, para mim, é uma das cenas mais bem conseguidas da série - a conversa de Jamie com a psicóloga - recomecei a ver, de onde tinha parado.
A série começa a melhorar para o final do segundo episódio, o que ajudou a terminar de vê-la (até porque são só 4 episódios).
E só vos digo: uma vénia para a interpretação de Owen Cooper e Erin Doherty!
Sobretudo, para Owen que, com apenas treze anos, fez um trabalho fenomenal no seu primeiro papel, na sua primeira cena gravada.
Quanto à história em si, Jamie é um rapaz de 13 anos acusado de assassinar uma colega de escola, esfaqueando-a até à morte.
Não percebi o porquê de todo aquele aparato policial para deter o rapaz, como se se tratasse de um bandido extremamente perigoso, de um qualquer cartel de droga, ou algo semelhante.
Sim, é um assassino. Mas também é apenas um jovem. Que estava em casa, com a sua família. Assustado.
Por outro lado, é fácil perceber a "culpa" que, um acontecimento como este, gera em todos ao redor.
Nomeadamente, no Inspector Bascombe que, de repente, perante tudo o que presencia na escola, decide aproximar-se do seu enteado, tentando estar mais presente, percebê-lo melhor.
É um começo, sim. É positivo.
Mas não é isso que o vai levar, de uma hora para a outra, a tornar-se o melhor amigo, o confidente. Não é de um momento para o outro que vai conseguir perceber toda a complexidade dos jovens, dos seus problemas, das suas interações, dos seus receios, das suas dinâmicas, e do que os leva a cometerem determinados actos.
Posto isto, pode-se dizer que "Adolescência" é mais um alerta, mais uma chamada de atenção, mais uma oportunidade de reflectirmos sobre aquilo em que o mundo se está a transformar.
Nos jovens que estamos a criar, a educar, nesse mesmo mundo louco. Em toda a rede de suporte e apoio (ou falta dela) que os (e nos) empurra para determinados caminhos.
Mas, como digo, não é a única.
A culpa?
Essa pode ser de todos, em geral. E não é de ninguém, em particular.
No fundo, morre solteira.
É a dura realidade dos nossos dias, reflectida, mais uma vez, no ecrã e na ficção.
As mantas são daqueles presentes que, nos últimos tempos, estão na moda.
E os meus pais tinham, lá por casa, uma colecção delas.
Esta, foi uma das que trouxe para mim.
No fim de semana, pu-la na cama, para ver o efeito.
E, só então, percebi que continha diversas palavras.
Umas, em espanhol. Outras, em português.
Infinito
Sonho
Sorriso
Luz
Paz
Estrelas
Brisa
Tempo
Instante
Fugaz
Ciclo
São apenas algumas das palavras. E fazem tanto sentido! ![]()
Texto escrito para o Desafio 1 Foto, 1 Texto

Avisados, estávamos!
Mas acredito que não esperávamos os ventos ciclónicos, que se fizeram sentir ao longo da madrugada, com rajadas superiores a 130km/h.
Acordei já com a ventania no seu pior, e confesso que receei que os vidros das minhas janelas não resistissem, e se partissem todos.
Estive ali algumas horas acordada, a ver se o Martinho acalmava a sua fúria. Algures, nessas horas, ficámos sem electricidade.
Hoje, a manhã acordou com sol. Como que a anunciar a chegada da Primavera.
Mas com muitos estragos: fios de electricidade caídos na minha rua, contentores derrubados e sem tampas, janelas e vidros de varandas partidos, madeiras arrancadas.
No Palácio dos Marqueses, as fechaduras das portadas cederam com o vento, e abriram-se.
E, em frente, no logradouro da Igreja de Santo André, esta árvore caída.
Uma coisa é certa: nunca mais vamos olhar para o "Verão de São Martinho" da mesma forma!



À medida que vamos despachando mobílias, vamos pondo pequenas coisas nas cadeiras que sobram.
Esta era uma delas.
É uma cadeira antiga, de madeira, com o assento em tecido. Nunca me senti muito segura ao sentar-me nela, porque parecia que o assento ia todo abaixo (e não era do meu peso).
Íamos, com toda a certeza, pô-la ao pé dos contentores do lixo, para quem a quisesse levar.
Mas, ainda assim, decidi anunciá-la, no mesmo grupo onde doei as restantes coisas, não fosse alguém querer aproveitá-la.
Pois não é que um casal jovem quis mesmo ficar com ela. Até aqui, não seria de espantar. Não fosse o facto de terem vindo de propósito, no próprio dia, já depois das 21 horas, com chuva, de Torres Vedras (ainda são alguns quilómetros).
Até ao último minuto, achei que acabariam por não aparecer.
Mas vieram.
E levaram-na.
O rapaz referiu mesmo que a cadeira era "muito fofa"!

Como já vos tinha dito, ando a desfazer-me de tudo o que o meu pai tem lá por casa.
No sábado, uma senhora - Isabel Gaspar - foi lá buscar uma dos móveis.
Não sei se chegou intacto à sua casa uma vez que, como não levou ajuda para carregá-lo, uma parte já se estava a desfazer ao arrastá-lo pelos degraus, e a levantá-lo e empurrá-lo para caber na carrinha.
Mas isso não a incomodou.
E ainda me ofereceu esta tábua de queijos, uma peça de artesanato, com um azulejo pintado pela própria.
Um "obrigada" à Isabel, por este miminho!
E, de repente, por entre as chuvas, as trovoadas, e o vento arrasador, que não têm dado grandes tréguas, eis que uma nova vida desponta, de mansinho, quase sem darmos conta.
Não parece, mas a Primavera está quase aí.
Se estivermos atentos, conseguimos perceber, por aí, o prenúncio da sua chegada.
Da mesma forma que surge um arco-íris depois de uma tempestade, surge a cor, depois do cinzento.
Surge a vida, depois da morte.
E renasce a esperança!
Texto escrito para o Desafio 1 Foto, 1 Texto
Já vai fazer, daqui a pouco, três semanas que o meu pai faleceu e, verdade seja dita, acho que ainda nem tive tempo para assimilar, ou fazer o devido luto.
Têm sido dias/ semanas atribuladas, a tratar de burocracias da herança.
A dar a volta às coisas que estão na casa do meu pai, casa que teremos que entregar, vazia, no fim de Abril.
E ainda tem por lá tanta coisa.
Nós, filhos, bem queríamos ficar com elas mas, por muito que queiramos, nas nossas casas não cabe mais nada.
Nem sequer temos um espaço, como uma arrecadação ou garagem, para guardar o que quer que seja.
Assim, ando a publicar nos grupos aqui da zona, os vários artigos, mobílias e coisas que estamos a doar, para quem quiser vir buscar.
Ora, como se sabe, o que é dado toda a gente quer. Mas não é bem assim.
Há pessoas muito interessadas, que perdem logo a seguir o interesse. Pessoas que dizem que querem, mas no dia seguinte já não querem. Pessoas que ficam com tudo para, dali a poucas horas, "abdicar" em prol de outros. Pessoas que inventam as desculpas mais esfarrapadas, para justificar o desinteresse repentino.
O que vale é que, para algumas coisas, há vários interessados em fila de espera.
Mas, enfim, com jeito, e muita paciência, algumas coisas vão saindo.
Uma senhora, por exemplo, surpreendeu-me ao perguntar se tinha naperons, paninhos, bibelots e afins.
Claro que andar a gerir estes contactos todos e doações (achar que já vai sair de lá mais alguma coisa e depois, afinal, ainda não é desta), tratar de papelada da herança, trabalhar, fazer as coisas em casa, e aproveitar todos os bocadinhos para ir a casa do meu pai adiantar mais qualquer coisa, está a dar comigo em doida.
Esta semana, então, tem sido uma semana de loucos.
Já para não falar em termos de saúde - em 3 semanas, 3 infecções, 3 antibióticos. Uma constipação, e um nariz "assassinado".
Sim, o meu pai partiu.
E, com isso, termina toda uma história, mais minha que do meu irmão, daquela casa onde também eu morei e que, literalmente, era a minha segunda casa.
Mas, enquanto ando a esvaziá-la, atarefada entre móveis, loiças, roupas e tantas outras coisas, só quero que tudo isto termine, para poder ter um pouco de sossego.
Ainda não houve tempo para me perder em memórias, em nostalgia pela casa que vai deixar de ser "minha" daqui a pouco, nos momentos que lá vivemos todos juntos, em família.
Talvez, depois, quando tudo estiver, definitivamente, encerrado.
Espero que as próximas semanas sejam mais pacíficas, e menos stressantes.
Domingo à noite, estava eu a ir buscar a minha filha ao trabalho quando vejo um cão ali parado numa rotunda.
Parecia perdido.
Atrapalhado.
Quando passei perto dele, decidiu acompanhar-me.
Mas andava a atravessar na estrada, obrigando os carros a parar, para não o atropelarem.
Fez-me companhia até ao Intermarché, onde ainda entrou primeiro que eu!
Claro que veio logo o segurança acompanhá-lo, de novo, à rua.
Pelo que a minha filha me disse, ele já tinha lá estado antes naquele dia.
Entretanto, fui despejar um saco de lixo que a minha filha lá tinha, enquanto esperava que fechasse a loja.
Os contentores ficam do lado onde o cão estava, pelo que veio novamente ter comigo, e voltou a entrar no supermercado.
Um cão muito simpático, aparentemente, bem tratado e, talvez, fugido (porque tinha coleira), deixava mimar-se por quem quisesse afagá-lo.
Felizmente, uma família vinha a sair e, percebendo que o cão não era meu, e deveria estar perdido, tomou a iniciativa de o levar ao veterinário, para ver se tinha chip, já que na coleira não havia qualquer contacto.
Não sei qual terá sido o resultado: se encontraram o dono, ou se foi para o canil.
Ainda me perguntaram, mais tarde, se tinha ficado com o contacto do cão.
Respondi que, infelizmente, não tinha dado tempo para isso!
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Ninguém dá por eles, disfarçados que andam, ou escondidos, até perceberem que chegou a sua hora de atacar.
Sem dó, nem piedade.
Sem qualquer consideração, ou respeito.
Afinal, as suas necessidades são mais urgentes que qualquer espera, ainda que meramente simbólica.
E um corpo morto já não importa a mais ninguém. Mas, para eles, é puro alimento.
Então, é vê-los chegar, a ver se conseguem ter sorte.
É isso que tenho sentido nestes dias: que há "abutres" escondidos no meio de nós que, de repente, começaram a mostrar-se!
Sobretudo, para ver se ficam com a casa que o meu pai tinha arrendada e que, agora, ficará disponível.
Mas não só.
Surgiram também outros pedidos, ainda no próprio cemitério, com o meu pai acabado de enterrar. E de pessoas que, em vida, pouca atenção lhe deram.
Suspeito que ainda andarão a pairar por aqui, nos próximos tempos.
É ignorá-los.
Relevar a falta de tacto, e ter muita paciência.

Depois de meses parado, sem lhe tocar, reuni coragem para acabar de ler este livro.
O que nem parece meu, tendo em conta o autor, e sabendo que era a continuação de uma história que acompanho ao longo dos últimos anos.
Mas a verdade é que, não sei se por não ser o tempo certo, ou se por o início não me estar a cativar como deveria, acabou por ficar em banho-maria.
E, agora que acabei de o ler, percebi que a história de Sam Capra ainda não ficará por aqui, pelo que quero muito ler o próximo!
Quando se tem segredos a esconder, não é fácil contar uma história alternativa, e mantê-la, por toda a vida, sempre a mesma versão, sempre os mesmos detalhes.
E, como se costuma dizer, a mentira tem perna curta.
Mas há coisas que não se podem, não se devem, ou que não serve de nada, contar.
Há verdades que podem ser dolorosas. E condicionar o presente e o futuro, sem necessidade. Já que o passado não pode ser mudado, ao menos, que no presente se possa atenuar os estragos, os danos colaterais.
Ainda assim, a curiosidade costuma levar a melhor, sobretudo, quando falamos de adolescentes.
E Daniel, o filho de Sam, quer saber a verdade sobre a mãe.
A verdade que o pai insiste em ocultar-lhe.
E que, agora, outras pessoas parecem dispostas a revelar-lhe.
Resta saber a que preço.
E se, realmente, se trata da verdade, ou de um mero estratagema, com fins menos inocentes.
Talvez nem o próprio Sam saiba metade da história, e esteja prestes a descobri-la, da pior forma.
"Sam Capra e o filho de treze anos, Daniel, desfrutam de uma vida tranquila em Austin, de onde Sam continua a administrar a sua rede de bares e clubes noturnos. Secretamente, porém, Sam trabalha para a agência de espionagem mais sigilosa dos Estados Unidos, conhecida como Secção K, enquanto tenta parecer um típico pai suburbano.
Um dia, é abordado por um colega, que lhe faz uma revelação incrível: Markus Bolt desapareceu. Bolt é o traidor por definição, responsável por denunciar nomes de agentes aliados dos EUA e segredos militares aos russos. Há décadas que vive exilado em Moscovo, de onde parece ter agora fugido para parte incerta e sem razão aparente. Sam é encarregado de vigiar Amanda, a filha que Bolt abandonou nos EUA, e determinar se ela conhece o paradeiro atual do pai. O objetivo é encontrar o traidor antes dos seus ferozes perseguidores e ajudar à sua captura. No entanto, à medida que a busca se vai intensificando, Sam é forçado a envolver-se mais do que o planeado, não só para proteger Amanda, como para enfrentar um crescendo de ameaças – uma das quais pode mudar a sua vida e a do filho para sempre."
Vou para o trabalho e continuo a ver-te, ali na rua, a fazer a tua caminhada do costume - o teu exercício matinal às pernas.
Venho do trabalho e continuas a estar lá, à janela, à minha espera, para aquele bocadinho entre dois dedos de conversa e deixar-te os comprimidos a jeito para o dia seguinte.
Nos fins de semana, à tarde, continuo a ver-te ali encostado ao muro, a apanhar sol, que te sabia pela vida.
Partiste, mas continuas vivo na nossa mente, nos nossos corações, a fazer a tua vida, ainda que não o vejamos mais.
E, da mesma forma, imagino que estes dias tivessem sido, para ti, um enorme castigo, porque a chuva não te teria dado espaço para dares a tua voltinha, e terias que ficar fechado em casa, preso.
Num destes dias de chuva, chorei.
Não sei se contagiada pelas lágrimas do céu, deixei que as minhas, disfarçadamente, se misturassem com elas.
Talvez tivesse aqui uma daquelas nuvens negras e pesadas, e tivesse que aliviar, da mesma forma que a natureza o faz.
E, sim, continuo a ver-te, ansioso por irmos ao Mc'Donalds. Depois, lá sentado, cheio de pressa enquanto não trazem o teu hamburguer. E, a seguir, a saboreá-lo! A beber o teu café cheio, com dois pacotes de açúcar! E a comer o teu gelado, que sobrava sempre para, depois, comeres em casa!
Prometo comer um por ti, quando lá formos.
Mas, por enquanto, ainda é difícil ir lá sem ti.
Da mesma forma que é difícil ir às compras, e já não comprar nada para ti.
Já não compro o queijo de ovelha, os bolinhos, o doce.
Já não compro a mão de vaca com grão, nem o arroz de pato.
Já não compro o arroz doce, nem um geladinho ou outra sobremesa qualquer que por lá houvesse.
E as águas?!
Item obrigatório na lista de compras semanal.
Ainda sobraram tantas.
Enfim, todos nós, por aqui, te relembramos como sempre foste, como nos habituaste a ver-te, e tentamos lidar com tudo da forma como gostarias que fizessemos, embora nem sempre seja fácil.
Um dia de cada vez.
Se há pessoa que, provavelmente, viveu tudo o que tinha para viver, foste tu.
Resta seguir-te o exemplo.