Mostrar mensagens com a etiqueta flor. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta flor. Mostrar todas as mensagens

quarta-feira, 24 de setembro de 2025

Histórias Soltas #31: O menino e a flor

abano-producions-2007-la-flor-frame-6.jpg 


 


Naquela pequena aldeia, viviam-se tempos difíceis.


A seca extrema obrigou ao racionamento da água, que era usada apenas para o essencial.


Naquela pequena aldeia, numa casinha de pedra, morava um menino. No jardim, a sua flor. 


Eram companheiros, cúmplices. Tinham-se um ao outro. E ele não queria que a história de ambos terminasse.


Não havendo forma de a regar, como em outros tempos, e com a chuva a teimar em não cair, não sabia bem como mantê-la viva.


Mas, sempre que podia, sempre que conseguia, à socapa, guardar umas gotas de água, levava à sua flor.


Não era muito. Não era, certamente, o suficiente. Mas era melhor que nada. Talvez, com sorte, essas pequenas gotas lhe permitissem resistir mais um pouco.


Era a única coisa que ele podia fazer. Dar-lhe algum alento. Esperança. Por ela, e por ele.


 


No entanto, a flor via as coisas de outra forma.


Aquelas gotas, não só não lhe matavam a sede, como pareciam, pelo contrário, fazê-la ansiar por mais água.


Água que não sabia quando, ou se, algum dia, viria.


Não sabia quanto tempo mais aguentaria sem a água que, realmente, necessitava.


Além de mínima, parecia que aquela água já nem tinha o mesmo sabor de antes. Parecia insípida.


Talvez ela estivesse mesmo condenada.


 


Então, entrou em modo de rejeição.


Começou a recusar as poucas gotas que o menino lhe trazia.


Ao contrário do menino, que acreditava que mais valia pouco, que nada, a flor começou a pensar que mais valia nada, que tão pouco, se o fim que os esperava era o mesmo.


O menino não conseguia compreender.


Ainda insistiu, contrariando-a. Levando, de vez em quando, as suas preciosas gotas.


Mas vendo a atitude da flor, acabou por, também ele, se render. E desistir.


 


A flor percebeu que, quanto menos água tinha, menos parecia precisar dela.


Menos lhe sentia a falta.


Achou que era um bom sinal. Que a sua resolução estava a resultar.


Até que, um dia, simplesmente, morreu.


E, com a sua morte, também a de uma bonita história, que poderia ter tido outro final.


 


 


 


Imagem: abano


 


 


 


 

sexta-feira, 12 de setembro de 2025

A Romãzeira

1000028636.jpg


 


Ali tem estado, discreta, quase sem se dar por ela.


Confundida com qualquer outro arbusto, planta ou erva.


 


Mas, de repente, quando damos por isso, ela cresceu.


Já se faz notar. Já tem presença.


 


 


1000033619.jpg


 


Com o passar do tempo, a flor dá lugar ao fruto.


Como se costuma dizer, não há flor que não dê fruto.


 


Mas, como a paciência é uma virtude, há que esperar que esteja no ponto.


Afinal, é uma fruta de Outono.


 


Neste momento, ainda estão a ganhar cor.


Mas de certeza que valerá a pena a espera, a quem a plantou!


 


 


Texto escrito para o Desafio 1 Foto, 1 Texto

sexta-feira, 28 de março de 2025

A efemeridade do amor

1000015844.jpg


 


Não de todos, claro!


Há amores que resistem. Que sobrevivem. Que perduram.


Assentes em alicerces firmes.


Seguros por fortes raízes.


 


Mas, outros, são tão efémeros como esta flor.


Tão difícil de despontar.


E quando, finalmente, o consegue, apesar de todas as adversidades, logo vê o seu fim chegar.


Num dia, estava ali, solitária, a querer mostrar que era possível, mesmo que as expectactivas fossem mínimas.


E, no seguinte, já lá não estava.


 


Como um amor que morreu, ainda mal tinha começado.


Porque, tal como a árvore onde esta flor nasceu, que um dia já floriu e deu frutos em todo o seu esplendor, e que agora parece condenada a meros galhos e meia dúzia de folhas, também há amores que estão destinados a ser breves. 


A não vingar.


A estar condenados, ainda antes de acontecerem.


 


 


Texto escrito para o Desafio 1 Foto, 1 Texto

sexta-feira, 9 de agosto de 2024

A Maravilha

20240806_204936 - Cópia.jpg 


 


- Vejam só esta "maravilha"! - disse o homem que por ali andava a tratar do jardim.


- É gira, mas não exagere. - afirmou a miúda.


- Já vi flores mais bonitas. - respondeu o rapaz.


- Acredito. Mas continuo a dizer que esta é uma "maravilha"! - defendeu o homem.


- Se o diz. Gostos não se discutem. - disseram os jovens que, dando por concluída a conversa, se afastaram e foram à sua vida.


- Não perceberam nada! - riu-se o homem.


- Maravilha é o nome da flor!


 


 


A título de curiosidade, as flores costumam abrir no final da tarde para o anoitecer, e assim permanecem até antes do amanhecer, ou em parte da manhã, se o dia estiver nublado. Cada planta pode apresentar flores de diversas cores, e cada flor pode, ela própria, ter manchas, raios e salpicos de cores diferentes.


 


Texto escrito para o Desafio 1 Foto, 1 Texto 

sexta-feira, 12 de abril de 2024

1 Foto, 1 Texto #38

20240411_134025.jpg 


 


 


De repente, sem esperarmos, a vida presenteia-nos com o seu lado


mais  caloroso


colorido


ameno


e


leve!


 


A Primavera tem destas coisas 


 


 


 


Texto escrito para o Desafio 1 Foto, 1 Texto 

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2023

sexta-feira, 6 de maio de 2022

Ameixoeiras em flor

20220504_214610cópia.jpg 


 


Pode parecer que uma nova fotografia, à mesma árvore, e às mesmas flores, será apenas mais do mesmo.


Mas não resisto, e acabo sempre por obter imagens completamente diferentes, de outras perspectivas, mas igualmente bonitas.


 


 


20220422_085024.jpg


20220324_144732.jpg


20220422_084914.jpg


 


Este ano, as ameixoeiras da minha zona demoraram a florir.


Uma flor ou outra, meio envergonhada, no meio dos galhos despidos.


 


 


20220504_214500.jpg


20220504_192000cópia.jpg


20220504_191946cópia.jpg


 


Agora, acabam por se juntar meia dúzia de flores, com as folhas verdes que, com mais garra, ocuparam os ramos.

sexta-feira, 22 de abril de 2022

A flor

20220417_201859.jpg


 


Era uma vez uma flor, com lindas pétalas amarelas.


Nos dias de sol, era vê-la aberta, a receber o calor, a energia, a viver e fazer as delícias de quem por ela passava, e a via por ali em todo o seu explendor.


Já nos dias em que o sol se escondia atrás das nuvens, também ela se mantinha fechada, protegida, para que nada lhe acontecesse.


 


Havia uma menina que, todos os dias, quando por ali passava, olhava para a flor, ora aberta, ora fechada, como se já fosse um gesto rotineiro, e familiar.


E foi assim que começou a reparar que, ao contrário do habitual, nos últimos dias, a flor continuava fechada, sem dar sinal de vida.


A menina estranhou, e decidiu aproximar-se mais da flor.


Foi então que percebeu que a flor não podia mais abrir, porque tinha perdido todas as pétalas. Tinha perdido parte de si.


 


A flor contou-lhe, então, desolada, que num dia em que estava sol, ela tinha aberto, como era habitual, mas não percebeu que um vento forte se estava a aproximar e, quando ele passou por ela, com tal força e velocidade, arrancou-lhe pétala por pétala, sem lhe dar tempo para se resguardar.


 


Tinha "baixado a guarda", confiado, e fora traída.


Agora, era uma flor incompleta, sem graça, murcha, sem vontade de viver.


Nunca mais seria a mesma.


 


A menina, querendo animá-la, disse-lhe que agora, ela seria diferente, mas não menos bonita.


Simplesmente, agora tinha-se transformado numa flor apétala. 


Mas muito mais forte. Uma sobrevivente.


E garantiu-lhe que ia continuar a passar por ali, e admirá-la ainda mais!

quinta-feira, 29 de março de 2012

Sinto-me...

... como uma flor a murchar!


 



 


Habituada a estar grande parte do tempo num belo jardim florido, apesar das intempéries a que estou sujeita, sentia-me bem e estava feliz.


Nem sempre posso ser regada como deveria, mas costumo aguentar-me durante esses períodos, até que a água me volte a devolver a vivacidade.


Por vezes, flores mais pequenas são arrancadas e levadas, mas dali a pouco, novas flores voltam para me alegrar e compor o jardim!


Mas, com o tempo, as coisas tornam-se mais difíceis… E começamos a perder a nossa força.


Depois de um momento complicado, quem cuida de uma parte de mim, ficou impedido de o fazer. E eu vejo-me impedida de lhe dar o que ele precisa para que tudo volte a ser como antes.


Depois de umas pisadelas, sem água e sem companhia, sinto-me a secar e a murchar, aqui “presa” neste jardim…  


Ele sabe, ou deveria saber, como estou. Também ele se sente preso numa teia que não criou, e que não o deixa vir até ao jardim. Também ele está triste por não poder cuidar da sua flor.


Ainda assim, e porque sei que nenhum de nós tem culpa pela situação em que nos encontramos, tento não deixar transparecer a tristeza que me invade, a fraqueza que de mim se apodera. Tento manter-me erguida, apesar da eternidade que me parece o retorno à normalidade.


Só que ele, não sei bem porquê, deu-me a entender que preferia ver-me murcha e triste por não estar com ele, do que me encontrar aparentemente bem na sua ausência…


E então, as poucas forças que me restavam desapareceram…  

O outro lado da independência

  Muitas vezes, seja por receio, ou por hábito de haver sempre ali um apoio, vamos levando a nossa vida nessa relativa dependência.  Não é q...