No programa 1ª Companhia, da TVI, foi proposto, pelo comandante, aos recrutas, criarem e apresentarem um espectáculo a este, e aos instrutores e enfermeiras.
Desafio que aceitaram de bom grado e com entusiasmo.
O espectáculo foi apresentado e o público, cá fora, aplaudiu de pé.
Apresentadores, comentadores, espectadores, todos adoraram.
Todos consideraram um momento divertido.
Durante a apresentação, vemos um comandante a desfrutar do espectáculo.
Um instrutor com sorriso disfarçado.
Um outro instrutor, a determinado momento, emocionado.
Uma instrutora a rir e aplaudir.
As enfermeiras, receptivas.
E depois, temos um instrutor com uma cara trancada, com olhos capazes de fulminar os recrutas enquanto estes actuavam, a tomar notas.
Para quê? Pois, não sei...
Pelos vistos estava a avaliar a prestação.
Era suposto ser um momento descontraído, em que os militares se abstraem por uma horinha que seja, das regras, da formação, dos treinos, da disciplina e rotina militar.
Uma pausa para convívio entre todos.
Mais: bem ou mal, com menor ou maior capacidade, todos estavam ali a apresentar-se, a entreter as pessoas que os desafiaram a tal.
Portanto, o mínimo que se esperava, era alguma manifestação que fosse - um aplauso, um agradecimento pelo empenho.
Mas depois, existem os "calhaus" desta vida, que não sabem distinguir dever, de lazer.
Que acham que tudo deve girar em torno da vida militar.
Como se alguém, no pouco tempo que tem para se abstair dessa exigência fosse, precisamente, divertir-se com algo relacionado com aquilo que enfrentam diariamente?
Que acham que são superiores, e que nada do que os outros fazem é digno de elogio, ou de mérito.
Ora porque é descontextualizado. Ora porque não está enquadrado com a vida militar. Ora porque não houve grande criatividade.
Eu gostava de ver uma inversão de papéis: os instrutores e comandante a actuarem para os recrutas!
A ver onde andaria a criatividade deles. Sobretudo, a dos "calhaus".
E ainda falam em falta de decoro.
Poupem-me.
Como se fossem uns santos.
Como se os militares, de uma forma geral, fora da base, não bebessem uns copos, não andassem a meter-se com as raparigas, não se divertissem.
Como se muitos, na vida real, não fossem frequentadores das famosas "casas das meninas"!
O comandante esteve bem na sua chamada de atenção aos instrutores, para que despissem a capa naqueles momentos e mostrassem, para lá da rigidez, o seu lado humano.
E que quem está a presenteá-los com uma actuação, merece um aplauso, uma reação, um agradecimento.
É verdade que pode-se gostar mais ou menos, achar muita ou nenhuma piada.
Eventualmente, dar sugestões para próximos espectáculos.
Mas daí a criticar tudo e todos (à excepção de um recruta), a acusar estes de estarem mais focados em promover as suas carreiras individuais, vai uma grande distância.
Convém relembrar que a 1ª Companhia é um programa de televisão, um reality show onde estão artistas das mais diversas áreas, exceptuando a Noélia, e que aceitaram o convite não só pela experiência em si mas, em grande parte, para se darem a conhecer, ou para tentarem alavancar ou dar um novo impulso às suas carreiras.
Portanto, quando proposto um espectáculo, é normal que cada um escolha a área em que se sente mais à vontade, e aproveite o momento para brilhar.
E, verdade seja dita, calhaus à parte, o desafio foi superado e a TVI, por certo, agradece a audiência!
Imagem: https://tvi.iol.pt/