Estreou, na Netflix, a primeira temporada de Sullivan´s Crossing, uma série, à semelhança de Virgin River, baseada nos livros da autora Robyn Carr.
Com apenas 10 episódios, emoções não faltam.
E é a prova de que, por vezes, as pessoas são mais do que aquilo que mostram. Ou talvez não.
De que os relacionamentos são complicados.
De que os filhos são, quase sempre, quem mais sofre com a separação dos pais.
Sullivan's Crossing é a prova de que há laços inquebráveis, por maior que seja o afastamento. E de que há lugares que tornam as pessoas mais felizes, por mais tempo que tenham estado longe.
É a prova de que cada um tem as suas próprias dores. Os seus fantasmas. Os seus medos. A sua história. Os seus segredos.
O que leva um pai a manter-se afastado da filha que nunca quis perder, durante mais de quinze anos?
Como é que a separação abrupta do pai, e a situação com que se deparou, ao regressar, afectou a filha, ao ponto de se sentir "substituída"?
Que papel tiveram a mãe, e o padrasto, neste afastamento?
A história começa com Maggie a receber um prémio pela sua carreira na medicina para, logo em seguida, ser detida por corrupção, e acusada de negligência, após a morte de um paciente que atendeu.
Com a vida virada de pernas para o ar, Maggie decide refugiar-se em Sullivan's Crossing, junto das pessoas com quem viveu no passado, como Frank e Edna, e o seu pai, Sully.
É lá que irá, também, rever a sua amiga Sidney, e conhecer Cal, por quem se irá apaixonar.
É em Sullivan's Crossing, e ao enfrentar algumas situações mais complicadas por ali, que Maggie começa a encarar a sua carreira, a sua vida, e as suas relações, de uma outra forma.
Aos poucos, algumas verdades vão sendo reveladas. E mudam tudo. Fazem questionar tudo.
Adoro o casal Frank e Edna!
São casa, são colo, são sabedoria. São abraço. São consciência. São coração.
Já Sully, é muito mais do que um homem, aparentemente, desligado ou casmurro.
É um pai amargurado, com um grande peso em cima, de culpa, de mágoa, de arrependimento, de impotência.
É um homem bondoso, que ajuda todos mas se esquece de ajudar a si mesmo.
É aquela pessoa que tem os melhores sentimentos, e as melhores intenções mas, quando os quer mostrar, sai-lhe tudo mal, e acaba por sofrer ainda mais.
Quanto a Maggie, talvez os contratempos que lhe aconteceram tenham servido para ela encarar todas as áreas da sua vida, de uma outra forma.
O término do seu namoro com um homem ciumento e possessivo.
A constatação de que, enquanto médica, nunca pode esquecer de que está a tratar pessoas. Pessoas com famílias. Pessoas para quem esses pacientes são a única família.
É, também, a aportunidade para esclarecer tudo o que nunca foi falado, e fazer as pazes com o pai. Perceber as razões dele. O porquê de as pessoas, quando amam, deixarem ir.
E de perceber que, embora a mãe e o padrasto sempre a tenham apoiado desde a separação, talvez esse apoio não tenha sido assim tão benéfico.
Personagens que não gosto, e que dificilmente mudarei de ideias: Andrew e Lola.
O primeiro, é uma verdadeira "red flag", para além de ser um homem que valoriza as aparências, o luxo, a vida citadina.
A segunda, uma sanguessuga, invejosa e ciumenta. Por mais que tenha sofrido, nada justifica as suas atitudes.
Destaco ainda, para além das paisagens, a excelente banda sonora que acompanha toda a série.
Com quatro temporadas, ainda não se sabe se será renovada para a quinta.
Ainda assim, vale a pena ver!

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