segunda-feira, 23 de fevereiro de 2026

1ª Companhia

 


Vinte anos depois, a TVI voltou a repetir o reality show que recria a recruta militar, sendo os recrutas pessoas relativamente famosas em Portugal.

E digo relativamente famosas porque acredito que alguns eram desconhecidos de muitos de nós.

Catorze concorrentes, um comandante (também ele repetente neste formato), três instrutores residentes e três enfermeiras foram o elenco principal deste programa.

Muitos dirão: mais um reality show!

Mas este acaba por ser diferente. 

A começar pelo cariz militar.

Ali os concorrentes não se limitam a apanhar banhos de sol, a falar mal uns dos outros, e a passar todo o programa à sombra da bananeira.

Na Quinta dos Melos, onde se situa a base da companhia, os recrutas têm uma vida dura pela frente: disciplina, rigor, exercício físico, obedecer a ordens.

Outra diferença é a aprendizagem que levam, e leva quem assista ao programa, nomeadamente, no que se refere a orientação, sobrevivência, superação de limites, defesa pessoal ou manobras básicas de suporte de vida, entre outros ensinamentos.

No entanto, mais do que isso, ali promove-se o espírito de corpo, a união, a camaradagem, a entreajuda.

Para o sucesso do formato, contribuiu a entrega total da apresentadora Maria Botelho Moniz, que entrou no espírito desde o primeiro instante e fez, inclusive, um treino na pista de obstáculos com os recrutas.

Os instrutores, com claro destaque para o instrutor Bruno Marques que mostrou que, por detrás da disciplina, do respeito, e de um certo e necessário distanciamento, está alguém sensível, humano, e humilde.

E, claro, os recrutas.

Destacou-se, desde o início, o Filipe, pelo seu humor, pela sua personalidade, pelas situações caricatas e divertidas que nos proporcionou do início ao fim.

Se o programa foi só "paz, amor e união"?

Não!

Houve algumas intrigas, guerras, discussões.

Curiosamente, a maior parte dessas pessoas acabaram por ir saindo, uma a uma, ficando os melhores para o fim.

No pódio, merecidamente, aquele que era, também para mim, o top três: Rui, Soraia e Filipe.

Qualquer um seria um justo vencedor. O Rui e a Soraia pela vertente militar. O Filipe por ter sido aquele que mais audiência deu, no bom sentido.

Venceu o Rui. Incompreendido, demorou a integrar-se por isso mesmo. Não teve uma estadia fácil, várias vezes nomeado pelos colegas, uma delas pelo próprio comandante pela sua "insolência". 

Mas deu a volta. E levou o prémio.

A final, que decorreu na passada sexta-feira, foi de emoções. Para eles. E para quem assistia.

Vai deixar saudades!


 

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