quinta-feira, 23 de abril de 2026

Quando a onda rebenta

 

 


Não raras vezes, mesmo sabendo que o mar está agitado, insistimos em caminhar junto a ele.
Talvez por acreditarmos que estamos a manter a devida distância da rebentação. Que estamos perto mas, ainda assim, suficientemente longe para sermos atingidos.

Pensamos que, desde que nos mantenhamos assim, nada acontecerá. Que temos o controlo da situação.


No entanto, é puro engano.

Quando menos esperamos, ainda que soubéssemos que não era uma questão de "se", mas de "quando", a onda bate contra a rocha, a água salta, e levamos um banho.

Não deixamos de ser surpreendidos quando isso acontece. Porque, por mais que se espere, a verdade é que nunca esperamos que aconteça mesmo. 


Num primeiro momento, somos atingidos pelo choque.

Depois, começamos a sentir os efeitos. No corpo. E na mente.

Mas tudo passa. Não dura para sempre.


Talvez aquela onda tivesse um propósito. 

Talvez fosse a única forma de mudarmos o rumo.

Talvez, no fundo, precisássemos dela, sem o saber. 








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