A nossa Tica fugiu ontem de casa.
Apanhou-me distraída no espaço de alguns minutos, e saiu pela janela da entrada, que estava entreaberta enquanto a máquina de secar roupa estava a trabalhar.
Quando dei por isso, tinha ela acabado de sair. Fui atrás dela, mas fugiu para um lado. Depois voltou para trás, mas em vez de ir para casa, olhou para mim e saltou para a rua, depois foi para o quintal dos vizinhos e enfiou-se debaixo de uma carrinha.
Chamei-a, mas nem se mexeu.
Parva, estúpida, palerma, idiota...sei lá o que lhe chamei na altura, irritada como estava por ela ter fugido. Tem tudo cá em casa, é tratada como uma rainha (tomara muitos terem a mesma sorte) e é assim que agradece. Não dá valor à sorte que tem. Pois se não está bem em casa, fique na rua, para onde sempre quis ir. Nós é que somos maus por tentar protegê-la, por evitar que ela vá para a rua sozinha e lhe aconteça alguma coisa.
Os animais são como as pessoas, têm que aprender à sua custa, com os seus erros. Espero é que a lição não lhe saia cara.
Com este estado de espírito só pensava que, quando ela voltasse, ia levar um belo raspanete. E ia ficar de castigo sem ir à rua nos próximos dias para aprender. Depois, pensei em, simplesmente, ignorá-la por uns tempos para ela perceber que nos magoa cada vez que foge de casa.
No entanto, a minha fúria dura pouco, e com o passar das horas, sem ela dar sinal, só quero mesmo que ela volte, para recebê-la de braços abertos, como a um filho pródigo.
Não voltou. Passou a noite toda fora. Uma noite em que, a cada barulhinho, me levantava para ver se ela estava à porta. Sem sucesso. Em que ouvia a chuva lá fora e imaginava onde ela poderia estar - se estaria ao frio, se estaria molhada. Ou se tinha encontrado um abrigo. Se alguém a tinha apanhado, ou se algum cão a tinha atacado, ou algum carro atropelado. Se estaria presa em algum sítio sem conseguir sair.
A essa altura, o meu único desejo era que ela estivesse bem, onde quer que estivesse, mesmo que não voltasse.
De manhã, procurámos nos sítios em que ela normalmente se costuma esconder. Nada. Chamámos por ela, apitámos os seus ratos, agitámos a caixa da ração. Apareceram outros gatos, mas não a Tica.
A verdade é que não há muito que possamos fazer. Não sabemos onde está ou para onde foi. Só podemos esperar que ela apareça, e bem. Foi ela que escolheu o seu caminho. Mas custa-me não saber dela.
Já tentei ser compreensiva, optimista, forte, realista ou indiferente para não descambar. Para não me lembrar que todas as noites ela dormia encostadinha a mim, e esta sabe-se lá onde dormiu. Para não me lembrar do último olhar que me deu antes de saltar o muro e fugir. Para não me lembrar que todas as manhãs estava a postos para receber o dono e ir para a janela da sala, para não pensar na falta que ela faz e como a casa fica mais vazia sem ela...
Pode até parecer um exagero, mas a Tica é como uma filha para mim. E a pior coisa que pode acontecer a uma mãe, é perder um filho...
compreendo tão bem, Marta.
ResponderEliminarHá uns anos A nossa "Maria" escapou-se de casa e lá andava eu e o maridão a chamar rua a fora "Maria, Maria". Quem nos ouvisse achou certamente que andaríamos à procura de uma pessoa e não da gatita. A tola apenas apareceu no dia seguinte e sabes como? Gravida.
Demos conta passado uns meses.
O meu outro gato numa determinada altura apareceu em casa todo cheio de sangue porque tinha sido atropelado. Pegámos nele a chorar e lá fomos nós à procura de um veterinário às tantas da noite.
Como vês também os considero como filhos.
Que a Tica apareça sã e salva
Obrigada Joana,
ResponderEliminarEspero bem que sim! E depressa, antes que me dê uma coisinha má :)
é um sofrimento tremendo quando se ama assim uma gata, nunca senti nada assim! :((((((((((( o vosso gatinho salvou-se?
ResponderEliminarSalvou sim, André.
ResponderEliminarEsteve 2 dias internado, gastamos uma pipa de massa mas está vivinho de boa saúde e dar-mos momentos deliciosos.
Sei muito bem o que está a sentir.
ResponderEliminarPerdemos um membro da família o meu gato de nome Asterisco, no dia 04 de Agosto passado.
Teve um insuficiencia renal aguda o que o levou a estar internado 7 dias no hospital veterinário Vasco da Gama , ainda o trouxemos para casa, mas no dia seguinte tivemos de lá voltar, os rins tinham parado, começaram as complicações e só havia uma alternativa, a eutanásia.
Apesar de ser uma decisão muito dificil de tomar, tivemos que ceder e não fomos egoistas ao ponto de o querer ver sofrer. Tem nos custado muito, mas ele sabe que esteja onde estiver, teve nestes 9 anos e meio de vida os melhores donos, que sempre o trataram bem e o fizeram muito feliz.
fernanda
Lamento muito, Fernanda.
ResponderEliminarInfelizmente, a nossa Tica também faleceu uns tempos mais tarde, ainda nem 4 anos tinha, de morte súbita.
E, apesar de tudo, todos nos dizem, e acredito, que foi melhor assim, porque nem sofreu, nem nós a vimos sofrer, nem tivemos que tomar nenhuma decisão difícil.
Mas custa na mesma. Ninguém a irá substituir mas, logo depois, adoptámos duas gatinhas.