sexta-feira, 23 de janeiro de 2015

Pelo bem do ambiente, taxem-se os sacos de plástico!


 


Portugal é um dos países europeus onde se utilizam mais sacos de plástico, a maioria dos quais usados apenas uma vez, e depois deitados para o lixo, criando um problema ambiental, uma vez que demoram décadas a desaparecer.


Seguindo a linha de outros países, Portugal optou então por medidas ambientalistas que passam pela aplicação de taxas aos sacos de plástico. 


A não entrega, ou atraso, da contribuição é punível com multa, e se o sujeito passivo não realizar o pagamento voluntário no prazo, é extraída uma certidão de dívida, e o fisco avança com processos de execução fiscal. É também uma das medidas que deverá gerar mais receitas, provavelmente destinadas a subsidiar outras reformas fiscais. A excepção para esta medida, segundo dizem, serão os sacos de plástico sem asas, destinados a contacto directo com os alimentos.


No entanto, o objectivo principal, diz o ministro do Ambiente, Jorge Moreira da Silva, não é o de obter receitas, mas sim o de incentivar a mudança de comportamentos. A meta? Baixar o consumo per capita para 35 sacos por ano, pouco mais do que um saco por mês!


A sério?! Acreditam mesmo nisso?!


Se o governo está tão preocupado com o impacto ambiental provocado pelo uso excessivo dos sacos de plástico por que é que, simplesmente, não os extingue? Corte o mal pela raiz. Ataque o problema na sua origem. Não os havendo, ninguém os utiliza! 


Faça campanhas de sensibilização, distribua sacos amigos do ambiente pelas famílias, em substituição dos sacos de plástico! Mas, é claro, isso seria uma despesa que não pode ter. Por isso, em nome do ambiente, taxa-se os sacos de plástico! Quem quiser, paga. Quem não quiser, que compre outros, de pano, ou papel, ou qualquer outro material biodegradável. 


O que é que pretendem? Que as pessoas, perante mais 10 cêntimos, deixem de comprar sacos de plástico quando vão às compras? Não sei se resulta! Isso é a mesma coisa que aumentarem o preço de um maço de tabaco - não é por isso que vai haver menos fumadores, ou estes vão fumar menos. Mas em qualquer das situações as receitas do Estado aumentam!


Pois eu penso que quem se preocupa com o ambiente, já tem determinados cuidados sem que lhes imponham taxas. E quem não se preocupa, não sei se começará agora a fazê-lo. Não sei se muitas pessoas estarão dispostas a sair de casa, ou de onde quer que estejam, com sacos dentro dos bolsos, ou na mala, para ir às compras. Ou com carrinhos ou cestas à moda antiga.


Eu própria, para poucas compras, vejo-me mais inclinada a comprar os ditos sacos na hora, do que a levá-los comigo. 


Uma coisa é certa: ou as pessoas deixam de comprar (ou reduzem o uso) sacos de plásticos para não dar, de bandeja, dinheiro (ainda mais) a quem já tanto nos rouba e estão, involuntaria e automaticamente, a contribuir para a preservação do ambiente, que é suposto ser o objectivo, ou continuam a utilizá-los, cai por terra a meta pretendida quanto ao ambiente, mas o Estado enche os cofres à custa destas taxas! Não é uma medida genial?! 


Vamos ver no que se vai traduzir, em termos práticos e ambientalistas, esta nova medida. Mas acredito que se atinja mais depressa a meta das receitas, do que a da redução da utilização de sacos de plástico!


 


 


 


 

2 comentários:

  1. O problema é que a nossa geração aprendeu a viver assim, com mais facilidades, e se alguém diz o contrário dizem logo "achas que antigamente é que era bom? Queremos é progresso e não voltar atrás!".
    Eu concordo com o fim dos sacos para as compras, é demais, em certos supermercados colocam um pacote num saco, mais umas caixinhas no outro, mais um para o peixe e mais um para não sei o quê!
    Vamos ver, eu já levo os sacos de casa e faço as compras para dentro deles, na caixa despejo-os e volto a enchê-los no fim, assim não levo nada a mais pois sinto o peso nos braços!!! É só poupar!

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  2. Também não tenho nada contra o fim dos sacos de plástico. A questão é que eles não vão deixar de existir, mas sim passar a ser pagos! Parece mais um negócio que uma medida ambientalista, embora possa ter resultados nesse sentido.
    Acabem de vez com sacos de plástico, e ponham sacos de outros materiais à venda.
    Eu, confesso, não sou daquelas pessoas que costuma levar sacos de casa só para não ter que pagar mais uns cêntimos (nos sítios onde já se paga), mas também concordo que por vezes, nos supermercados (onde ainda são grátis), as funcionárias exageram e muitas vezes digo a elas que podem pôr mais coisas no mesmo saco.
    Mas, pagar por pagar, prefiro pagar por sacos mais resistentes porque será um desperdício pagar por sacos de plástico simples, que se for preciso nem a casa chegam intactos.

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