sexta-feira, 3 de julho de 2015

Porque não existem famílias disponíveis para Acolhimento Familiar?


 


Se a ideia é boa ou não, não sei. Cada caso é um caso, e é muito difícil prever o futuro.


Por norma, uma criança estará sempre melhor se acolhida por uma família, que reproduzirá exactamente o ambiente familiar que era suposto ter, do que numa instituição, com outras crianças.


Mas nem sempre as famílias que acolhem as crianças são recomendáveis. Assim como existem instituições onde o risco é maior do que aquele que em que viviam até serem retiradas à família biológica.


Em Portugal, a nova lei prevê, até aos seis anos, o acolhimento familiar de crianças que tenham sido retiradas aos pais


O objectivo, ao querer integrá-las em famílias de acolhimento em vez de irem para instituições, é proporcionar-lhes um ambiente acolhedor, enquanto aguardam uma solução para o futuro, que pode passar pelo regresso a casa ou pela adopção.


No entanto, torna-se difícil concretizar esta medida, uma vez que não existem famílias disponíveis.


Em 2013, apenas 374 crianças estavam integradas em famílias de acolhimento, a maioria delas situada no norte do país. Em Lisboa, nem uma! Segundo a Segurança Social, 90% dos menores que em 2013 estavam à guarda do Estado, viviam em lares e centros de acolhimento, instituições com dezenas de menores e onde o acompanhamento é feito por técnicos.


Mas porque é assim tão difícil encontrar famílias disponíveis?


Em primeiro lugar, porque o acolhimento familiar exige um grande compromisso da parte dessa família de acolhimento para com a criança acolhida.


Depois, os casais temem afeiçoar-se à criança que mais tarde, vão ter de entregar e são pouco receptivos a uma das missões da família de acolhimento que é facilitar, e até mediar, a relação da criança com a família de origem. 


Outro dos factores é não saberem que criança virá, quando e por quanto tempo porque, apesar de a lei dizer que é uma medida transitória, na prática as crianças acabam por ficar mais tempo, na maioria das vezes mais de cinco anos. 


Também não ajuda o facto de, sendo família de acolhimento, não se poder candidatar à adopção.


Tudo isto leva a que as pessoas optem por outros caminhos, que não o do acolhimento familiar, afinal, é preciso ter uma grande preparação psicológica, uma grande entrega mas, ao mesmo tempo, um grande desprendimento ao relação à criança. Quem é que está na disposição de aceitar uma criança em sua casa por alguns anos, promover nesse tempo o contacto com a família de origem e saber que a qualquer momento ela pode ir embora?


 


 

6 comentários:

  1. Olá, posso falar na 1ª pessoa. É sim, muito difícil receber uma criança, criar laços e conseguir dizer adeus quando ela se vai embora.
    Eu não o consegui fazer e lutei com unhas e dentes em tribunal pela minha menina.Mas nem sempre isso é possível.

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  2. Pois, pelo que percebi, as famílias de acolhimento não podem adoptar as crianças que acolhem, porque isso poderia impedi-las de fomentar o contacto com a família biológica. Sempre que o caminho a seguir seja o da adopção, optam por outras famílias que não a de acolhimento.
    Mas pelo que dizes, foste uma dessas excepções e, pessoalmente, considero que é o que faz mais sentido. Se já houve um processo de adaptação e integração, se já se criaram laços, se a criança ganhou estabilidade, para quê retirá-la e voltar à estaca zero?

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  3. As famílias de acolhimento podem ser candidatas à adoção e podem ser aprovadas pela segurança social. Desde que a criança também seja considerada apta para a adoção. O problema é que essas famílias não têm qualquer preferência, entram nas listas nacionais e só caso ninguém "queira" essa criança é que a família pode ficar com ela. Por isso é que conseguimos ficar com a menina, ela já tinha 11 anos e ninguém mais (quem estava antes de nós na lista) a quis.

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  4. Eu não concordo muito com as famílias de acolhimento. Tanto a família como a criança criam laços que depois têm de ser quebrados e é muito doloroso. Se a família biológica não serve, parta-se para a adoção, para mim não há meios termos.

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  5. É complicado. Só por esse aspecto, eu nunca poderia aceitar fazer da minha família uma família de acolhimento. Não deixa de ser uma espécie de desenrasque, passagem. Se é preferível a uma instituição? Talvez seja. Mas quem se propuser a isso tem que ter um grande desprendimento.

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  6. Quem se propuser a isso tem consciência do que está a fazer e merece todo o meu respeito, mas preocupa-me mais a criança. Também cria laços e também sofre com a separação. É muito violento

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