
E quantas personagens diferentes podemos encarnar, até percebermos que, por mais que queiramos ser outra pessoa, por mais personagens que inventemos para nós, e por mais vidas diferentes que queiramos viver, nunca deixamos, na verdade, de ser quem somos, e sempre fomos, e apenas passámos a viver a nossa vida numa teia de ilusões e mentiras, que um dia se esvanecerá?
Porque, mais do que enganarmos ou iludirmos os outros, estaremos a enganar e iludir a nós mesmos. E acham mesmo que vale a pena, e que os outros se preocupam com isso? Quem é que sairá, no fim, mais magoado dessa farsa?
"Podemos fingir que temos uma vida social muito preenchida, que comparecemos a não sei quantas festas e convivemos com vários amigos ou até celebridades quando, na verdade, saímos de casa e passamos o tempo em plena solidão num qualquer sítio, a fazer tempo para voltar para casa, onde nos espera mais solidão e tristeza.
Podemos fingir que somos donos de um carro topo de gama, quando somos apenas o motorista. Podemos fingir que comprámos um casarão, quando somos apenas o jardineiro. Podemos fingir que temos muitos amigos, quando nem um temos a quem ligar. E por aí fora..."
Até ao dia em que alguém, fria e cruamente, nos desmascara. Quando cai a máscara daquela personagem, inventamos outra. E se essa também for descoberta, encontramos uma nova.
Mas chegará a um ponto, em que esgotaremos tudo. Não haverá mais personagens, não haverá outras vidas, não haverá credibilidade para mais nada. Ninguém mais nos aceitará, porque ninguém saberá quem ali está. E nem nós próprios tão pouco saberemos...
Bom dia, Marta!
ResponderEliminarDescreves situações extremas, mas quantos de nós não tem de pôr uma máscara de protecção que também que nos é prejudicial?!
Em qualquer das situações nós é que sofremos.
Beijinho.
Acho que nunca conseguiria ter uma vida de fingimento.
ResponderEliminarBonito texto.
Eu penso que até conseguiria, durante um tempo, mas o meu verdadeiro eu acabaria por vir ao de cima. Constantemente, seria um desgaste emocional e psicológico demasiado difícil, para sequer tentar.
ResponderEliminarBom dia Novembro!
ResponderEliminarSim, aqui fui para situações mais extremas.
Por vezes temos mesmo que usar um escudo protector, fingir uma segurança que não temos. Por vezes, para nosso próprio bem, e em determinadas situações.
Mas há quem o faça constantemente.
Beijinhos e bom fim-de-semana!
Obrigada! Um Bom Fim-de-Semana!
ResponderEliminarPor essas e por outras é que eu não me dou ao trabalho de fingir nada.
ResponderEliminarPenso que não conseguiria fingir durante muito tempo, acho que não vão a lado nenhum.
ResponderEliminarAinda bem que tu és esse eu verdadeiro, pois eu amo esse teu eu! Obrigada por seres tu própria!
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