segunda-feira, 8 de janeiro de 2018

O Rapaz do Pijama às Riscas

Resultado de imagem para o rapaz do pijama às riscas filme


 


No sábado, a minha filha escolheu este filme para vermos.


Não é, por certo, o género dela, mas ela queria vê-lo, e eu aproveitei para lhe explicar um pouco como funcionavam as coisas naquele tempo, como pensavam os alemães, o que faziam aos judeus, para que serviam os campos de concentração.


Pelo menos, não está, neste momento, na mesma total ignorância que Bruno, a personagem principal deste filme, que achava que o campo de concentração era uma quinta, que os lavradores vestiam pijamas, e que poderia fazer amigos entre as crianças que por ali estavam. 


Por falta do que fazer, e porque não tem ali quaisquer amigos ou entretimento, Bruno escapa-se por uma janela de um barracão nas traseiras da casa, para explorar tudo à sua volta, indo parar à vedação do campo de concentração, onde conhece um menino judeu - Shmuel.


É incrível a ingenuidade de Bruno, talvez herdada da mãe, que só mais tarde percebe quem é, realmente, o marido e o que faz ali.  Mas, se o objectivo era fazer o expectador sentir empatia por Bruno, isso nem sempre é conseguido. Aliás, houve uma parte em que me apeteceu pregar-lhe dois pares de lambadas.


Porque, afinal, na maioria das vezes, filho de rico nunca chega a perceber verdadeiramente quem não nasceu com a mesma sorte, e tende a mostrar o seu carácter egoísta e medroso, quando mais se exigia coragem.


Até na parte final, Bruno vê a entrada no campo de concentração, disfarçado com o seu "pijama às riscas", como uma aventura na qual vai tentar ajudar Shmuel a encontrar o pai deste. E, mal começa a ver as coisas complicarem-se, quer voltar atrás, para a sua vidinha, para a sua segurança.


Mas Shmuel relembra-o do motivo porque ali está, e da ajuda que lhe ofereceu, levando Bruno a ganhar coragem, e seguir em frente. Só não sabia as consequências que daí adviriam.


Disseram que era apenas um banho que iriam tomar. Na verdade, estavam numa câmara de gás, a caminho da morte.  


 


E se, de repente, fossemos os responsáveis pela morte do nosso filho? Se fizessemos a ele o mesmo que fazemos àqueles que não consideramos "gente"? 


Mudaria alguma coisa na nossa consciência? Ou seguiríamos adiante, lamentando a perda como um dano colateral, numa missão nobre pela salvação da raça superior?


 


Chegará o pai de Bruno a tempo de impedir aquele genocídio, que ele mesmo, à semelhança de outros tantos, ordenou?

8 comentários:

  1. Estava na minha lista de "filmes a ver" e consegui ver, pois estava cheia de curiosidade com a história. Chorei imenso quando vi o final do filme.

    ResponderEliminar
  2. Olá Marta. Já vi o filme mas, não li o livro apesar de tê-lo lá em casa. Quanto à minha opinião, viviam num regime bastante fechado que nem a própria mulher sabia bem o que estava ali a fazer, ela é usada como um objeto e só lhe dão a casa e os filhos para cuidar. O próprio regime era muito duro pois, se uma palavra sequer do marido para os membros familiares, era pela certa a sentença de morte para todos. A falta de diálogo também tem a culpa, tanto pela mãe como o pai. Infelizmente pela educação que o regime obrigou a educar as crianças, paga o justo pelo pecador. Eu resumo numa só frase para evitar tudo o que se passou no filme é sim, a falta de diálogo.

    ResponderEliminar
  3. Chorei baba e ranho a ver este filme... devia ter lido o livro primeiro!

    ResponderEliminar
  4. É um dos meus filmes favoritos, já o vi três vezes...
    Corta-me o coração só de pensar naquelas crianças.
    Um beijinho

    ResponderEliminar
  5. Eu por acaso, neste, não chorei.
    Acho que já tinha ouvido falar, mas do livro. A minha filha é que descobriu o filme na Netflix.

    ResponderEliminar
  6. O livro também não li. E depois de vermos o filme, acho que nem vale a pena.
    Infelizmente, as mulheres só serviam para isso mesmo: cuidar da casa e dos filhos, e exibir aos outros a imagem de uma família respeitável.
    Diálogo é também algo que não se usava naquele tempo, quando tudo o que se decidia era uma ordem a ser cumprida de forma obediente.
    A própria mãe, que poderia mostrar mais esse lado, quase não conversava com os filhos.

    ResponderEliminar
  7. Eu o livro não li. O filme fui vendo enquanto arrumava a roupa,mas não é daqueles que me dá para chorar.

    ResponderEliminar
  8. Gostei muito da personagem Pavel. Houve um momento em que pensei que ele tinha alguma coisa a ver com o rapaz que fazia de motorista, de tão nervosos que estavam os dois. E, claro, do Shmuel.

    ResponderEliminar

A semana numa imagem

  Chuva, chuva, e mais chuva!