quarta-feira, 11 de abril de 2018

Estará Portugal preparado para as intempéries?

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Ontem de manhã estava a chover por aqui. Enquanto ia para o trabalho, reparei que, de entre as 4 ou 5 valetas que encontrei pelo caminho, a maioria delas estava entupida, com a água a acumular-se mesmo em cima delas, sem escoar.


Essa situação, na zona em que vivo, é um mal menor, porque é uma zona que não é plana e, por isso, pouco propícia a eventuais cheias. Mas numa outra zona mais plana, sem ter por onde escoar e com as valetas tapadas, provavelmente de lixo e folhas levadas pelo vento, poderia provocar estragos.


 


E, assim, dei por mim a divagar se Portugal é um país minimamente preparado para as intempéries, que cada vez mais parecem querer visitar o nosso país.


Não me parece.


 


Temos uns meses de seca, em algumas regiões de seca extrema, e o país fica em alerta vermelho. Os rios secam, as barragens ficam abaixo dos níveis. Depois, quando chove, já há água a mais, e é preciso abrir as barragens, que podem levar a cheias.


 


Constroem-se moradias e empreendimentos turísticos à beira mar (só não o fazem em plena praia porque não dá mesmo), porque é o que atrai os turistas, os veraneantes. É chique ter uma casa de praia para passar os fins-de-semana. E penso que todos nós, algum dia, sonhámos com isso – ter uma casa ali tão perto da praia. Ou dos rios. Mas, cada vez mais, o nível das águas do mar sobe, a extensão de areia diminui, os rios enchem e saltam as margens. Cada vez mais a costa portuguesa é ameaçada. E tudo o que nela existe também.


 


E se as construções antigas eram, de certa forma, mais resistentes, com paredes grossas de pedra, por exemplo, hoje em dia, optam-se por outros materiais, tanto por uma questão estética, como financeira. Por outro lado, constrói-se em quantidade, e nem sempre em qualidade, o que faz com que, em casos de fenómenos extremos de vento, ou outros, as construções não resistam.


 


Também a questão dos incêndios tem muito que se lhe diga, como ficou provado em 2017, e em anos anteriores.


Tal como a iminência de um grande sismo ocorrer, mais cedo ou mais tarde.


 


Podemos ser um paraíso à beira mar plantado, com tudo o que de bom temos por cá, e que atrai tanta gente ao nosso país.


Podemos ser um país relativamente calmo em termos de guerras ou conflitos.


Podemos ser um país, até ao momento, pouco dado a tsunamis, tornados, furacões e outros fenómenos do género, ao contrário de outros que são fustigados por eles.


Podemos ser um país em que, apesar de tudo, ainda não conheceu a pobreza, a fome e a miséria no seu pior estado, como outros países.


 


Mas não significa que não venhamos a sofrer com tudo isso, e muito mais.


Já vi muitos "paraísos" ficarem completamente destruídos num curto espaço de tempo.


E sempre ouvi dizer que mais vale prevenir, que remediar.


No entanto, não me parece que Portugal seja um país dado à prevenção. Parece-me mais aquele popular ditado “depois da casa roubada, trancas a porta”.


 


Portugal aposta em tentar remediar os erros que cometeu pela não prevenção, ao invés de se prevenir e preparar para os perigos que podem um dia, quem sabe mais cedo do que imagina, cá chegar, e entrar sem pedir licença.

5 comentários:

  1. Aqui na minha zona quando chove cheira a esgoto. E é um bairro moderno.
    Claro que Portugal não está preparado para as intempéries.

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  2. Em Portugal não há prevenção nem gestão de recursos ambientais, se nos virmos a braços com uma grande calamidade estaremos em sérias dificuldades.
    Basta um exemplo, estamos à beira-mar, estima-se que a água doce venha a escassear, Espanha controla a maioria dos rios que desaguam na nossa costa, há investimentos em desnasalização? Nenhuns.

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  3. Excelente reflexão essa...
    Qual prevenção Marta? Andam tão preocupados com a limpeza das florestas que não obrigam as freguesias a limpar valetas e afins! A caminho da formação, as ruas ficam cheias de água quando chove! Sinto que não temos uma política coerente e que não está minimamente preparada para um evento catastrófico!
    É rezar para que nada venha a acontecer.
    Beijinho

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  4. não acredito que estejamos preparados e como de costume só vamos regir quando as desgraças acontecerem

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  5. Faz-me pensar se Portugal estará preparado para algo xD O clima de Portugal está a tornar-se tropical, temos o tempo das chuvas e o tempo do calor. Começo a pensar se aquela roupa de Primavera ou Outono irá servir para algo, pois por agora ou é frio ou calor, não temos meio termo. Quanto aos incêndios, nem vou comentar sobre isso senão já não saía daqui. Adorei o teu blog, um beiijinho *

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