quinta-feira, 31 de outubro de 2019

Sem medo de ficar sozinhos ou com pouca paciência para investir numa relação?

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Sinceramente, ainda não consegui perceber porque é que as relações amorosas duram, hoje em dia, tão pouco tempo.


Não sei se é porque, de há umas décadas para cá, aprendemos a apreciar mais a liberdade, a ser mais independentes, a viver melhor connosco próprios e a ser felizes sem companhia romântica, e sem a necessidade de "fazer fretes" ou estar com alguém por conveniência ou obrigação, ou se é porque, simplesmente, manter uma relação amorosa dá trabalho, requer paciência e investimento que a maioria não está disposta a empreender, só para ter alguém ao seu lado.


 


Passámos do 8 para o 80.


Do tempo em que tínhamos que aguentar tudo em nome de um casamento, e parecia mal ser uma pessoa separada, passámos para aquele em que não temos que fazer o mínimo esforço para que as coisas resultem porque, se não dá certo com a pessoa com quem se está, outras haverá que possam servir melhor.


 


E parece-me que, quanto mais velhas as pessoas ficam, mais intolerantes, impacientes e inflexíveis se tornam.


 


Ainda no outro dia, brincava com o meu marido, a propósito dos Casados à Primeira vista.


"Olha, não tivemos lua de mel, nem tempo só para nós, mas estamos a aguentar bem. Já lá vão quase 10 anos!".


E sim, passámos por muitas situações semelhantes aos que estes casais passam.


Não tivemos um "casamento à primeira vista" mas quase um "namoro à primeira vista".


Houve momentos em que quase não nos víamos nem estávamos juntos. Outros, em os ciúmes ameaçaram a relação.


Houve muitos momentos de insegurança, incerteza, e uma certa negatividade quando se falou de viver juntos. E, de um momento para o outro, e de forma inesperada, lá calhou e tivemos que nos adaptar a uma nova realidade.


Houve várias discussões, sim. E momentos em que quase batemos com a porta para seguir cada um o seu caminho.


Também cada um de nós trazia a dita "bagagem". A minha, incluía uma filha e, de certa forma, um ex marido.


Temos coisas em comum, mas outras muito diferentes, a nível de personalidade e, muitas vezes, como bons sagitarianos, chocamos um com o outro e também dá "faísca".


Lidar com a rotina, a falta de tempo, as inúmeras tarefas que se interpoem entre nós, não é fácil. E o romantismo muitas vezes falta, porque não há clima que o proporcione e porque, de certa forma, se começam a valorizar e dar importância a outras coisas.


Estamos longe de ter uma relação perfeita. Mas ainda não desistimos. Porque, no fundo, ainda permanece aquilo que nos une.


 


Não significa que vá durar para sempre. 


Apenas que, caso um dia acabe, saibamos que tentámos todas as formas possíveis para que resultasse, antes de baixar definitivamente os braços.


 


 

quarta-feira, 30 de outubro de 2019

A todos os estudantes...

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Dizem que a escola é o trabalho deles e que, afinal, até lá estão para adquirir conhecimentos e saber, algo que a muitos, por esse mundo fora, é negado, por isso deveriam estar gratos.


Mas a vida dos estudantes não é fácil. Já não o era, no nosso tempo. Agora, está pior. Pelo menos, para aqueles que se preocupam realmente em estudar e tirar partido desses 12 anos, em que são obrigados a frequentar a escola.


 


Por isso, a todos os estudantes:


- que todos os dias têm que acordar cedo para ir para as aulas, e muitas vezes chegam a casa tarde;


- que passam quase o dia todo enfiados numa escola;


- que têm horários sobrecarregados, que têm de gerir a par com tudo o resto que o estudo implica;


- que têm de saber uma enorme quantidade de informação, de múltiplas áreas e disciplinas;


- que têm de saber falar variadas línguas, e apresentar trabalhos nessas línguas oralmente, sem recurso a auxiliares (quando por vezes nem os professores o fazem);


- que têm que dividir o seu tempo entre trabalhos de grupo, trabalhos individuais e testes;


- que têm que abdicar do seu tempo em família, de lazer, de descanso, porque o estudo e a escola a isso obrigam;


- que todos os dias sofrem com a pressão da avaliação, das médias, e com a eventual desilusão quando as coisas não correm da melhor forma;


- que todos os dias têm que ir para um espaço onde nem sempre têm amigos ou colegas com quem possam estar;


- que têm que aprender a lidar com diferentes professores, e respectivas personalidades tão distintas;


- que, muitas vezes, têm que assistir a aulas tão desinteressantes que lhes dão mais vontade de dormir que entusiasmo pelo que deveriam estar a ouvir;


 


e tantas outras provações pelas quais passam todos os dias, ao longo de todo o percurso escolar, uma palavra de admiração e apoio, pela forma como enfrentam cada dia, e cada etapa desse percurso, sem enlouquecer!

Rx - João Reis Pedreira

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"Eu Tenho um Segredo" para vos contar:


João Pedreira é um artista que leva a música "Ao Limite", e "Vive Sem Medo" de aceitar novos desafios.


Como este disco de originais que, para além de nos deixar com um "Sorriso Puro", nos leva numa viagem pelos seus gostos e influências musicais, desde o Pop ao Reggae, passando pelo Bossa Nova.


Com o pensamento "Sinto-me Livre" e a "Minha Corrente Vai Mudar", João criou um disco calmo, com ritmos e melodias que nos mostram o seu lado mais introspetivo, e que reflectem a sua maneira de estar.


Diz que "Céu Aberto É Incerto", mas o que é mesmo certo é que este trabalho de João Pedreira, intitulado “Segredos”, foi editado no passado dia 25 de Outubro.


Mas, afinal, que segredos esconde o álbum? Poderia afirmar que "Basta um Sorriso Teu" para desvendar o mistério mas, isso, só o João poderá dizer.


Por enquanto, "Ouve o Dia Nascer", seja no "Magoito" ou em qualquer outro local, por este mundo fora, ao som do single de apresentação "Eu Tenho Um Segredo".


E porque "Alguém Precisa de Nós" - entrevistadora e entrevistado - para ficar a conhecer melhor João Pedreira, aqui fica o RX ao artista!


 


 


 


 


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João, de que forma te descreverias através das seguintes palavras:


Marta antes de mais quero agradecer as palavras e os trocadilhos que fizeste para esta entrevista, está espectacular.


 


Família - base


Infância - sonhos


Música - terapia


Guitarra - extensão


Público - energia


Desafios - ser pai


Viagens - interiores


Introspecção -Deus


Natureza - Mar


Momento - o nascimento da minha filha


 


 


Pegando em alguns dos temas que compõem o álbum "Segredos", de que forma completarias as seguintes expressões?


Sinto-me livre para...viver


Basta um sorriso teu para...começar bem o dia


Chegas ao limite quando...não durmo


Vive sem medo porque...o medo é uma ilusão


 


 


Que "segredos" podes contar ao público sobre o que encontrará neste álbum de originais?


Este disco tem refletido a minha forma de estar e as minhas influências musicais, quem ouvir o disco com atenção percebe que "eu vivo sem medo" de me entregar e procuro sempre dar e receber "sorrisos puros"... as coisas mais simples da vida.


 


 


Em que/ quem te inspiraste para compor estes 11 temas, e que influências estão presentes nos mesmos?


Quis gravar um disco que mostrasse a minha forma de sentir o mundo, por isso inspirei-me na própria vida, nas minhas aprendizagens e no meu pai que era e é uma das minhas maiores referências na vida e na música.


 


 


Após o lançamento do álbum nas plataformas digitais, quais serão os teus próximos passos, a nível musical?


Agora estou concentrado na promoção deste disco, mas depois deste espero que venham mais. Para já ainda não tenho espectáculos marcados, mas aproveito para informar que podem enviar mail para   vdiasagencimento@gmail.com


 


 


Muito obrigada, João, pela disponibilidade e palavras!


 


 


 


Nota: Este RX teve o apoio da editora Farol Música, a qual cedeu também a imagem.


 


 


 

terça-feira, 29 de outubro de 2019

The Voice Portugal - 3ª ronda de provas cegas

A terceira ronda das provas cegas ficou marcada por caras já nossas conhecidas, como foi o caso do João Wilson e da Carolina Cardetas.


 


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O primeiro, vimo-lo há alguns anos numa das edições do Ídolos.


Penso que, na altura, não passou. Desta vez, foram vários os elogios à sua voz, talento e qualidade. É a prova de que, nem sempre, somos ouvidos no momento certo, pelas pessoas certas, e nem sempre aquela oportunidade é a que tínhamos que agarrar.


 


 


A imagem pode conter: 2 pessoas, pessoas em palco, pessoas em pé e concerto


 


A segunda, já participou no The Voice Kids e outros concursos, e já começou a trabalhar nas suas próprias músicas tendo, inclusive, participado aqui no blog, na rubrica À Conversa Com.


 


 


Não gostei:


Apesar de dar para perceber que existe ali muito talento, não gostei do que os Little Mess fizeram à música do Gotye. Arruinaram-na completamente.


Já o Rodolfo cantou melhor a música do Zambujo, que a da prova cega.


 


 


Em destaque:


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Rita Rice


Margarida Andrade


Carolina Pinto


 


 


Por mim, não passava:


Júlia Ribeiro


 


 


Merecia passar:


A imagem pode conter: 1 pessoa, em pé e chapéu


O Alexandre - ao contrário dos Little Mess, cantou a sua versão, valorizando a música, e deu um show! Versatilidade não lhe falta.


 


 


A minha dúvida:


A Flaviana - gostei da voz, mas não gostei especialmente da forma como interpretou a música.


 


 


Quando a timidez, a idade tenra e os nervos se juntam para atrapalhar, mas se antevê futuro:


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O Rafael - ele estava tão concentrado a cantar, e em não falhar, que quase nem se mexia. Achei o timbre parecido com o original, gostei de o ouvir cantar com o Diogo Piçarra, só lhe falta mesmo confiança, mais atitude e adquirir mais alguma experiência, porque voz e imagem já tem.


 


 


 


Imagens: The Voice Portugal


 

Fractured - o filme


 

O que estamos dispostos a fazer para salvar a nossa família?

Até onde estamos dispostos a ir, e a sacrificarmo-nos, para recuperá-la?

Será que teremos forças para lutar contra tudo e contra todos, quando todos parecem estar contra nós, a fazer-nos passar por desequilibrados, para nos descredibilizar, e evitar que desmarcaremos os seus macabros segredos?

 

É por algo assim que Ray, uma das personagens principais deste filme, irá passar.

A nós, que estamos a assistir, resta-nos perceber qual a verdadeira realidade, e quem, ali serão os verdadeiros loucos.

 

 

 

 

Ray viaja com a sua mulher, Joanne, e a filha de ambos, Peri, de regresso a casa, depois de um almoço do Dia da Acção de Graças, que não correu da melhor forma.

 

Percebe-se que não estão bem. Para além de discutirem, Joanne dá a entender que a relação deles está condenada. A situação só não piora porque Ray concentra-se na filha, e se acalma.

 

Numa pequena paragem, numa estação de serviço, enquanto Ray está distraído a limpar o carro, e Joanne foi à procura de algo que Peri deixou na casa de banho, Peri afasta-se e, quando dá por isso, tem um cão a assustá-la e encurralá-la, muito perto de uma cratera feita por causa de uma obra de construção civil.

 

 

 

 



Sem que Ray consiga chegar a tempo de evitar o pior, Peri acaba mesmo por cair. Enquanto Ray tem apenas um ferimento na cabeça, Peri parece ter fracturado o braço, por isso, acabam por seguir para o hospital mais próximo. E é aí que tudo irá acontecer.

 

Após um tempo excessivo de espera e uma burocracia sem fim e, aparentemente, despropositada para a situação, Peri é finalmente vista por um médico e aconselhada a fazer uma TAC, por prevenção.

 

Enquanto Joanne acompanha a filha, Ray aguarda na sala de espera, acabando por adormecer. Quando acorda, várias horas depois, e pergunta aos funcionários do hospital pela mulher e filha, é informado de que nenhuma delas esteve naquele hospital, naquele dia.

 

 

 

 

 

 

 

 

Enquanto Ray pensa que lhe estão a esconder a família, e que algo de muito errado se passa naquele hospital, com a conivência de todos, auxiliares e médicos, provavelmente relacionado com tráfico de órgãos, a opinião dos especialistas é a de que Ray está a ter alucinações e a confundir a realidade, provavelmente devido à pancada na cabeça.

 

Já a psiquiatra de serviço, tem uma outra opinião, que configura um cenário ainda mais sinistro, e uma posição ainda mais delicada para Ray.

 

Estarão todos a tentar fazê-lo passar por louco, para desacreditá-lo? Ou estará ele a viver numa outra realidade, sem se dar conta?

Onde estão, de facto, Joanne e Peri, e o que realmente lhes terá acontecido?

segunda-feira, 28 de outubro de 2019

O primeiro jantar de grupo de Casados à Primeira Vista

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Foi o descalabro!


E, por incrível que pareça, começo a apreciar a frontalidade da Ana Raquel, por oposição à dupla personalidade de outras concorrentes.


 


Daquilo que nos é dado a ver, destaco pela positiva os casais:


Hugo e Inês - É provável que, para além da amizade, o Hugo sinta que aquela relação até poderá funcionar. Já da parte da Inês, está a usufruir da experiência, e a criar uma relação de amizade, pelo menos enquanto durar o programa, até agora, com base no respeito mútuo.


 


Marta e Luís - Ele está na boa, calmo, descontraído, e levar um dia de cada vez, sem querer espantar a noiva. Já a Marta, está numa do politicamente correcto. Sabe de antemão que a relação não terá pernas para andar mas, enquanto lá estiverem e se sentirem bem na companhia um do outro, vão levando as coisas, também com respeito pelo parceiro, respeito que é recíproco.


 


 


Pela negativa:


Lurdes e António - Como é que estas pessoas se sujeitam, com a idade que têm, e maturidade que deveriam ter, a vir para estes programas e descer tão baixo, numa onda de desrespeito e críticas constantes, de ambas as partes. Não havia necessidade.


 


Liliana e Pedro - Que Liliana foi esta que conhecemos ontem no jantar? Então, não tinham sido feitos um para o outro, como dizia ela no dia do casamento? Não estavam destinados? Não se mostraram tão românticos e cúmplices na lua de mel? Então, porquê todas aquelas queixas agora? Porquê todo aqueles incómodo? Para quê tantas críticas ao marido?


 


Anabela e Lucas - O Lucas pode não ser a pessoa que ela esperava, ter-se revelado machista e desapontá-la. E ela até pode querer ir com calma, e não mentir acerca dos seus sentimentos, ainda que isso não seja o que o Lucas esperaria. Mas, se é para ir com calma, que o seja sempre. Ou a "bagagem" dela muda de peso consoante as circustâncias?


 


 


O casal neutro:


Ana Raquel e Paulo - Não se pode dizer que tenha havido desrespeito entre ambos, até porque a Ana Raquel mal abriu a boca. Esteve mais interessada em apreciar o companheiro do lado, e até a vimos sorrir, enquanto o Paulo se aproximou da Lurdes, em amena conversa.


 


 


Conclusão (que, no fim, já todos sabemos):


A maioria dos concorrentes que ali vai, não está preparada para a experiência, sobretudo, as mulheres.


A maioria dos concorrentes que ali vai, não vai à procura do amor.


Há luas de mel que são autênticos desperdícios, quando oferecidas a quem delas não sabe usufruir.


 

A melhor versão de nós mesmos

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Será que existe?


 


Por vezes, a vida e as várias situações, contratempos, dificuldades, rotinas e problemas que dela fazem parte, levam-nos a que, aquela pessoa que um dia fomos, dê lugar a uma outra, moldada pelas circunstâncias.


 


Não tem que ser, necessariamente, mau. Mas, na maioria das vezes, também não é bom.


Algumas pessoas nem se apercebem disso, dessa mudança gradual que as vai tornando diferentes.


Outras, têm essa noção, mas uma certa habituação e conformismo, sobretudo se, do outro lado, ninguém se opuser ou se mostrar descontente com a mudança, fá-las deixar andar.


 


Só quando começam a ver a sua vida a descambar, as coisas a complicarem, as críticas e a desilusão dos outros a fazer-se sentir, percebem que, algures, ficou alguém muito diferente do que hoje são. 


Aquela versão de nós próprios que era melhor e que, hoje, nem mesmo nós gostamos dela, quanto mais os outros.


 


O problema, é que não há soluções milagrosas, se não houver vontade de procurar essa versão perdida, ou de melhorar a actual, de mudar, de ser e fazer diferente. 


Se não estamos satisfeitos com a pessoa que somos, ou com aquela em que nos transformámos, só nós poderemos melhorá-la.


Não depende de terceiros. Apenas, e exclusivamente, de nós mesmos.


 


A melhor versão de nós mesmos é aquela com a qual, acima de tudo, nos sentirmos bem, felizes, realizados, e de bem com a vida.


Pode não ser aquela que os outros querem ou esperam de nós.


Mas deve ser, sempre, aquela que queremos ou esperamos de nós próprios!

sexta-feira, 25 de outubro de 2019

À Conversa com Nelson Leal

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Nelson Leal. nasceu no lugar serrano de A-dos-Ferreiros, mas cedo foi arrancado das suas raízes e plantado nas terras estranhas e longínquas de Moçambique.
Para além do curso de Administração Naval, esteve também ligado ao jornalismo, tendo colaborado durante vários anos em vários periódicos regionais e insulares.
Actualmente oficial da Armada, na reforma, Nelson Leal é autor de "Moinho", "Crepúsculo de Sangue" e "O Reino dos Cegos", bem como "Rapto Sem Vilania", a sua última obra, editada em 2019.



Para ficarem a conhecer melhor o autor, aqui fica a entrevista:


 


 


 


 


 


 


Quem é o Nelson Leal?


Suponho que a biografia referida no livro seja suficiente. Atualmente estou reformado e sou presidente de uma IPSS a titulo voluntário, que me consome tempo, ralações e noites mal dormidas.


 


 


Como surgiu a sua paixão pela escrita?


Sempre tive uma musa dentro de mim que me atraía para estas coisas do espirito.


Lamentavelmente, apesar do barro disponível, este artesão nunca foi para além de toscos potes.


Andei pelos cartoons (colaborando nessa área em diversos semanários regionais), pratiquei pintura, cujos quadros amarelecem de teias no sótão da casa, fui articulista e coisa e tal.


Mas sempre, desde que me conheço, adorei ser artesão da palavra. Despretensioso, mas fiel e determinado…


 


 


O Nelson tirou o curso de Administração Naval. Em que ponto é que a escrita e a marinha se cruzam, ou se complementam?



A imensidão do mar, a solidão, o brilho pacato que das estrelas que floresciam na negritude do universo, quando ficava de “quarto” à ponte do navio,  tudo, tudo, convidava ao sonho.



E o sonho, quando se amansa na alma, acaba sempre por se sumir. Não quis que se sumisse e fui-o guardando nas palavras. Foi só isso…


 


 


Esteve também ligado ao jornalismo. Na sua opinião, o que de mais positivo e negativo tem constatado no que respeita à evolução do jornalismo, tanto no nosso país, como a nível mundial?


Às vezes apetece-me ser um Velho do Restelo, mas inspiro, conto até dez e amaino.



A evolução está a ser trepidante e o caldo cultural que a sustenta ferve, borbulha e, por vezes, escorre para fora do pote da humanidade.



É tudo muito rápido e as instituições não conseguem digerir convenientemente estas alterações, por vezes, cataclísmicas.


É o preço da modernidade. Uma moeda com duas faces. Uma, que nos pode salvar. Outra que nos pode matar. Portugal, um país aberto, não sendo uma ilha, será o que o mundo  fôr.


 


 


 


 



 


Depois de "Moinho" (2012), "Crepúsculo de Sangue" (2013) e "O Reino dos Cegos" (2014), chega, em 2019, "Rapto Sem Vilania". O que o levou a esperar 5 anos para lançar esta quarta obra?


Este hiato de 5 anos, decorre da minha opção pelo voluntariado, que me retira tempo para o sonho. E eu escrevo o que sonho.


 


 


Em que se inspirou para escrever este livro?


Inspirei-me nas coisas negras da vida. Nas contradições e nas injustiças sociais do mundo de hoje, de ontem e de sempre.


Refleti sobre a noção escorregadia da liberdade. Na contradição entre a liberdade individual e coletiva.


Se não era livre a Carla, deprimida pela angústia e entaipada pelos raptores, também já não o era, enquanto personagem de um mundo feérico e poderoso em que antes vivia. Afinal, o que é a liberdade?


 


 


A determinado momento, na história, Jacinta, filha de João Carlos e Carla, vai com o pai para Moçambique. Também o Nelson passou pela mesma experiência, na sua infância. Pode-se dizer que colocou, nesta história, um pouco da sua vida também?


Quando escrevemos, escrevemos também, sobre nós próprios, sobre o nosso pensar e sobre a nossa vida. Moçambique viu-me crescer. E quis que o livro crescesse com Moçambique.


 


 


 


 


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Porquê o nome “Rapto Sem Vilania”? Na sua opinião, um rapto pode, por vezes, ser um acto sem vilania?


O Alcindo foi, antes de tudo, uma vitima da sociedade. O rapto não passou de um grito de revolta. De uma tentativa  de fazer justiça pelas próprias mãos. O contexto, a mãe, o desprezo, a segregação, foram as causas. Quem seria o vilão? Ele, a vitima, ou o pai, o algoz?


 


 


Mais do que o rapto em si, foram abordadas outras questões com as quais nos deparamos no nosso dia-a-dia, como o poder, interesses financeiros e políticos, aparências, traição, vingança... Para si, quais são os maiores problemas com os quais a sociedade se depara na actualidade, e mais difíceis de combater?


Como dizia o poeta castelhano António Machado, “o caminho faz-se caminhando”.


Um mundo em rápida transformação, exige passos rápidos e permanentes. Não existe uma solução.



A sociedade muda com tal celeridade, que as soluções têm sempre um carater cada vez mais transitório.



Esse é o nosso drama. Os problemas ambientais são tão graves, que exigem alterações dramáticas no nosso comportamento, nos nossos hábitos de consumo e de mobilidade. De tal modo, que, para sobrevivermos, o mundo futuro (se sobrevivermos) terá que ser radicalmente diferente.


A economia não se faz sem consumidores. Ou seja, a pobreza é inimiga do desenvolvimento. Como conciliar esta verdade de Lapalice com a piramidização crescente do mundo financeiro, com a robotização do mundo económico, com o desemprego previsível e com o envelhecimento da população?



Ou se altera este estado de coisas, seja com maior regulação, seja com politicas globais de politicas fiscais e financeiras radicalmente diferentes, seja de que forma for, ou haverá um ponto de não retorno e depois… o futuro o dirá!



Dava para outro livro, a resposta a esta pergunta…


 


 


Que feedback tem recebido por parte dos leitores que já leram a história?


O meu feedback são estes olhos e a pouca massa cinzenta que se esconde por detrás da calva grisalha.


 


 


Muito obrigada!


 


 


Nota: Esta conversa teve o apoio da Chiado Books, que estabeleceu a ponte entre a autora e este cantinho.


quinta-feira, 24 de outubro de 2019

Migrantes ou vítimas de tráfico humano

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Há algo que é inevitável neste mundo: qualquer pessoa que não esteja bem no país onde vive, tentará a sua sorte noutros, que lhe pareçam melhores, seja quais forem os motivos que levaram a tal.


Só que nem sempre o conseguem fazer legalmente e, quando assim é, resta-lhes comprar a travessia, para a promessa de uma vida melhor. Travessia que não cobre riscos, acidentes ou até a morte de quem a compra.


É também esse desejo de melhores condições de vida que leva a que muitas pessoas apostem tudo em propostas de trabalho que, mais tarde, se revelam falsas, funcionando apenas como isco para o tráfico humano.


 


Assim, sejam migrantes ou vítimas de tráfico humano, sejam eles transportados em barcos, em contentores ou outra forma de transporte clandestina, uma coisa é certa: a sombra da morte acompanha-os sempre. E, em último caso, é com a própria vida que pagam o sonho e a esperança, que os levou a arriscar a partida, em busca de algo melhor.


 


Se, no caso dos migrantes, eles já têm a noção de que estão a participar numa missão arriscada, que pode correr mal, no caso das vítimas de tráfico humano, o choque com a realidade é maior, porque é algo que, certamente, nunca ponderaram vir a ocorrer.


 


As causas são muitas, mas todas têm um ponto comum: falta de condições humanas para transportar essas pessoas em segurança. 


As mais frequentes são afogamento, desnutrição, calor ou frio excessivo ou falta de oxigénio.


Muitas vezes, por abandono por parte de quem faz o transporte, e demora das autoridades em encontrar o local exacto onde se encontram, em tempo útil, e determinante para fazer a diferença entre a vida e a morte.


 


 


 


Imagem: euronews


 

quarta-feira, 23 de outubro de 2019

RX - Dona Elvira

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"Se Eu Disser" que os DONA ELVIRA estão de volta, acreditam?


Pois é verdade!


A banda de Sintra, formada por Paulo Lawson, Tiago Caldeira, Francisco Durão, Fané Elias e António Oliveira, "Quis Acreditar" que conseguiria criar novos horizontes musicais.


E, assim, assumiu o "Compromisso" com todos aqueles que sempre a apoiaram, do "Moleiro" à "Mondadeira" e, até mesmo, "Contigo", público, editando um álbum que pudesse levar ainda mais longe, e a mais pessoas, que o seu antecessor.


"Mais Uma Vez", como não poderia deixar de ser, os temas que compõem o novo trabalho são cantadas em português.


"Procurei" saber se era desta que haveria uma Dona Elvira a colaborar com a banda mas, em jeito de "Confissão", mulher, só mesmo a "Cindybella", que é o single de apresentação do álbum, e a Célia Lawson, que colabora num dos temas.


Para ficarem a saber mais sobre os Dona Elvira, e este novo trabalho, aqui fica o RX à banda, a quem desde já envio "Um Beijo" de agradecimento, pela participação!


 


 


 


 


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De que forma se descreveriam através das seguintes palavras:



Em primeiro lugar, os Dona Elvira querem agradecer à Marta Segão, a oportunidade de estarmos aqui no Blogue O Meu Canto três anos depois do nosso primeiro trabalho discográfico “Histórias e Segredos”. Teremos sempre muito gosto em conversar com quem nos ajuda a divulgar os Dona Elvira e a sua música. Já agora, permitam-nos enaltecer a introdução que o Blogue “O Meu Canto” fez ao novo álbum: fabuloso e muito obrigado!


 



Rock – é o estilo musical que nos define e que, desde o princípio, nos propusemos a fazer.


Público foram os principais “culpados” da génese dos Dona Elvira. Foi igualmente o público que decidiu a continuidade do projeto.


Horizonte – queremos criar vários horizontes que nos deem a oportunidade de levar o nome dos Dona Elvira e a sua música, o mais longe possível.


Desafio – foi o que nos aliciou a formar os Dona Elvira. Compor e tocar as nossas próprias músicas, gravá-las em álbuns e tocá-las em concertos.


Dedicação – desde que assumimos que iriamos ser uma banda de originais, teve de haver uma mudança de atitude. Isso implicou mais tempo e dedicação ao projeto, passando a estarmos mais tempo juntos e isso obviamente reforçou os nossos laços de amizade.


Compromisso – em primeiro lugar, entre nós, como banda. O assumir ainda mais esta cumplicidade entre os elementos dos Dona Elvira. Em seguida, transmitir o respeito e o agradecimento a todos aqueles que desde sempre nos apoiaram, acreditaram e incentivaram a prosseguir com este sonho.


Acreditar – que ainda é possível concretizar o sonho de adolescentes em ter uma banda de originais e levar a nossa música o mais longe possível.


Palco – para nós é o local sagrado! É onde vemos materializado todo o esforço, a dedicação e a realização pessoal e coletiva pela causa que nos move. Acho que é um sentimento transversal a todos os artistas.


 


 


O segundo álbum da banda, "Compromisso", chega 3 anos depois do vosso disco de estreia "Histórias e Segredos". Por onde andaram os Dona Elvira nos últimos anos?


Os últimos três anos foram de reflexão, aprendizagem e composição. Achamos, sobretudo, que foi um amadurecer das nossas ideias e objetivos como banda.


Houve uma reestruturação com a entrada de um novo elemento e foi necessário também efetuar o acolhimento dentro do “espírito Dona Elvira”. A sua integração nos Dona Elvira foi fácil e trouxe um enorme valor acrescentado ao projeto.


Por outro lado, embora tivessem havido alguns concertos, a banda focou-se mais em compor os temas para um segundo trabalho discográfico e ao mesmo tempo ir testando a recetividade deles nos concertos. Acabaram por ser escolhidos os temas que tiveram melhor aceitação do público.



Basicamente, estes três anos serviram para refletir e tentar corrigir alguns erros, reestruturar a banda, compor os temas para o álbum “Compromisso” e testar a sua recetividade perante o público.



No entanto, há que realçar que para além de tudo isto, houve um amadurecimento das nossas ideias e, fortificamos ainda mais o espírito de união entre nós.


 


 


Existem semelhanças entre os dois álbuns, ou quiseram fazer algo diferente, em "Compromisso"?


Podemos dizer que sim. Existem algumas semelhanças entre os dois álbuns.


Houve temas que não foram integrados de forma propositada no álbum anterior, “Histórias e Segredos”. Sabíamos de antemão que alguns desses temas iriam ser integrados num outro trabalho. Poderia ser neste ou num outro à posteriori.



No entanto, um dos fatores determinante deste novo álbum foi fazer com que os temas e a sua temática estivessem devidamente enquadrados quer no espírito, quer na sonoridade, dos Dona Elvira.



Achamos que isso foi conseguido e a essência musical dos Dona Elvira manteve-se.


 


 


 


 


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Em que consiste o "espírito Dona Elvira"?


O “espírito Dona Elvira” é algo que se sente de uma forma natural!


Ele traduz toda a energia positiva que a banda transmite a quem os ouve e a quem os vê.


Os Dona Elvira são uma espécie de montra de emoções e vivências que muitas pessoas já experienciaram e que se identificam.



Ao se deixarem envolver neste turbilhão de sentimentos que transmitimos através da nossa música, as pessoas acabam por se sentir cúmplices, sentindo-se de tal forma integradas como se já fossem parte da banda Dona Elvira.



E na verdade acabam por ser! É o nosso público que nos incentiva a cumprir este “compromisso” para com eles. A grande constatação sobre o “espírito Dona Elvira” por ser experienciada em cada concerto. Normalmente quem vê pela primeira vez, volta para o concerto seguinte.


Em jeito de brincadeira, costumamos dizer nos concertos: “Muito obrigado por terem vindo a esta enorme reunião de amigos!”. Isto é o “espírito Dona Elvira!”.


 


 


No dia 28 de setembro, deram a conhecer o vosso novo álbum, com um concerto de apresentação no Clube da Praia das Maçãs. Quais eram as vossas expectativas, e de que forma foram, ou não, superadas em termos de recetividade do público presente?


Sem qualquer tipo de presunção, os Dona Elvira sabiam que iriam ter muita gente para o lançamento do álbum.


O local do lançamento do álbum não foi escolhido ao acaso. Os Dona Elvira, assumem-se como a banda de Sintra! É em Sintra que está a nossa maior falange de apoio. Queríamos muito que o dia do lançamento do “Compromisso” fosse mais uma data e um momento memorável!



Tínhamos como objetivo principal “reunir os amigos”, fazer um concerto intimista onde deixaríamos fluir os nossos verdadeiros sentimentos. O dia do lançamento superou sem sombra de dúvidas as nossas expectativas.



Tivemos uma recetividade excelente e foram muitas as pessoas que estiveram connosco a viver esse momento de partilha, comunhão e cumplicidade, imbuído no verdadeiro “espírito Dona Elvira”!


 


 


Neste novo trabalho, contam com a participação de Miguel Castro e Célia Lawson. Como surgiram essas colaborações?


A ideia de termos dois convidados para participarem neste álbum surge um pouco antes de entrarmos em estúdio.



Queríamos muito trazer algo de novo para além da produção e dos novos temas. A ideia dos convidados teve por objetivo ser uma mais-valia e uma surpresa para o público dos Dona Elvira.



Quisemos fazer uma nova versão do tema “A Mondadeira”, onde seria incluído um instrumento tradicional, neste caso, um “Ukelele”. O músico nosso amigo que melhor executa este instrumento é o Miguel Castro. Fizemos-lhe a proposta e ele sem hesitar teve a generosidade de ir para estúdio connosco.


Por outro lado, houve sempre uma vontade enorme de querermos fazer um dueto com uma voz feminina. Nem foi preciso procurar ou pensar muito. Ninguém melhor do que a Célia Lawson para o fazer. No cômputo geral, achamos que as duas participações foram bastante enriquecedoras para o álbum e contribuíram para trazer o fator surpresa ao álbum.


 


 


Sobre o que nos falam as músicas de “Compromisso”?


Este álbum tem 10 temas originais novos, cujos temas são um pouco mais abrangentes em relação ao primeiro álbum.



As temáticas incidem sobre sentimentos, emoções, comportamentos e, imaginem, até há uma homenagem!



Temos a vertente marota herdada do álbum anterior, com a “Cindybella”. A visão introspetiva com “Quis Acreditar” e “Confissão”. O romantismo com “Procurei”, “Um Beijo”, “Contigo” e com a única balada deste álbum, “Se Eu Disser”.


O comportamento descontraído e descomprometido com “Mais Uma Vez”. A vertente conselheira com “Compromisso”. E por fim, a grande homenagem a Luís Vaz de Camões, com “O Moleiro”. O maior poeta português que faleceu como um sem-abrigo e praticamente incógnito. Podemos encontrar uma amálgama de sentimentos e emoções, novamente.


 


 


Que objetivos gostariam de ver concretizados num futuro próximo, a nível musical?


Este trabalho pretende traduzir o compromisso, a cumplicidade com todos aqueles que desde sempre acreditaram e incentivaram os Dona Elvira a gravar as suas músicas, e sobretudo, aqueles que estiveram sempre presentes nos concertos, ou tiveram sempre uma palavra de motivação para a continuidade deste projeto.


Como dizemos na nossa sinopse de apresentação: pretendemos criar novos horizontes!



Levar este álbum ainda mais longe e a mais pessoas através da sua difusão junto dos meios de comunicação social, das plataformas digitais, as redes sociais, as apresentações da banda através dos concertos, enfim, tudo o que possa servir para divulgar o projeto será a nossa grande prioridade num próximo.



Contudo, teremos que manter a janela da inspiração aberta para dar continuidade ao trabalho que temos vindo a desenvolver até agora, isto é, deixar em perspetiva matéria para um terceiro álbum.


 


 


Por onde vão andar os Dona Elvira, até ao final do ano?


Após o lançamento do álbum “Compromisso”, os Dona Elvira irão passar à fase de promoção até ao final ano.


O objetivo será preparar a agenda de espetáculos para 2020, em Portugal Continental, nas Regiões Autónomas dos Açores da Madeira e, quiçá, no estrangeiro.



A curto prazo poderão encontrar-nos em algumas lojas FNAC da grande Lisboa e em alguns eventos que contribuam para os aspetos promocionais dos Dona Elvira.



Por fim, resta-nos agradecer novamente à Marta Segão e ao Blogue “O Meu Canto”, pela oportunidade de podermos falar novamente sobre o projeto Dona Elvira, que se tornou uma das coisas mais importantes na vida de cinco amigos que, um dia, decidiram embarcar numa aventura em busca do seu sonho de adolescentes: fazer a sua própria música e levá-la o mais longe possível!


 


Eu é que agradeço pelas vossas simpáticas palavras e participação, e desejo que esse vosso sonho se concretize e vos leve longe!


 


 


 


Nota: Este RX teve o apoio da editora Farol Música, a qual cedeu também as imagens. 


 

Cereais com iogurte ou iogurte com cereais?!

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Eu prefiro a primeira!


Dos vários iogurtes com cereais que tenho experimentado, queixo-me sempre do mesmo: devia ter mais cereais.


E estes Activia, de aveia e nozes, não foram excepção.


 


O que acontece é que não gosto muito do sabor desses iogurtes, e com bastantes cereais, o sabor fica disfarçado.


Cheguei muitas vezes, quando tinha em casa, a misturar flocos no iogurte, para além dos que já continha, para ficar ao meu gosto!


 


E por aí, qual é a vossa preferência?

terça-feira, 22 de outubro de 2019

Dos concorrentes do "Casados à Primeira Vista" todos temos um pouco

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Encontrei várias semelhanças com as mulheres


Da Liliana:


Tenho a ponderação que ela aparenta demonstrar, a preocupação com o bem estar dos filhos em primeiro lugar.


De diferente, o facto de não me estar sempre a vitimizar, e de ser mais comedida nas demonstrações de sentimentos, sobretudo quando ainda não existem.


 


Da Ana Raquel:


Ainda que em estado muito mais moderado mas - não gosto de surpresas, de me sentir obrigada a, e algumas vezes acabo por fazer algumas coisas contrariada. Também não sou muito adepta de experimentar coisas novas.


Mas ainda não me deu para ser tão desagradável e explodir daquela maneira.


 


Da Anabela:


A determinação, o lutar por aquilo que quero (às vezes), o facto de valorizar muito o carácter das pessoas, mais do que o seu aspecto físico.


 


Da Maria de Lurdes:


Dobrar e arrumar grande parte da roupa, sem a passar. Só passo o esseencial, e já é muito. Uma mulher já tem tanto para fazer, e tão pouco tempo, sobretudo para si mesma.


Também, tal como ela, não gosto de pessoas demasiado inseguras a quem temos que provar, a cada instante, que têm valor, porque elas próprias não o reconhecem a si mesmas.


Mas não sou tão "pra frentex" como ela, nem tão histérica!


 


Da Inês:


O saber levar as coisas com tranquilidade, sem grandes dramatismos.


De diferente, o facto de não me focar exclusivamente na carreira profissional.


 


Da Marta:


A veia meio jornalística.


Por oposição à minha personalidade, não sou assim tão "menina bonita, rica, enjoadinha, princesinha de Cascais"!


 


 


Já no que respeita ao sexo masculino, é mais o oposto - características nas quais não me revejo


Pedro e Luís:


Não me identifico com o lado desportivo, aventureiro e demasiado easy going, mais imaturo. Representam aquilo que, cada vez mais, seria um entrave numa relação.


 


António:


Não gosto de homens possessivos, inseguros, machistas que, à custa disso, azucrinam a vida às mulheres que com eles se relacionam, e acabam por as afastar com esse comportamento.


 


Hugo:


Não me identifico com alguém que gosta de touradas. Que tem um estilo de vida que passa muito por grandes almoçaradas/ jantaradas, com uns bons enchidos, pão e vinho alentejano à mistura 


 


Lucas:


O facto de ser ateia.


 


Paulo:


Para já, a excepção - identifico-me no que respeita à paciência.


 


 


 


E por ai, revêem-se em algum concorrente?


 


 


 


Imagem: movenoticias


 

Diecisiete - um filme Netflix a não perder!

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Será que todos os jovens que estão em centros educativos ou outras instituições do género são delinquentes?


Será que todos os jovens que ali vão parar são mal-educados, pouco inteligentes, e sem vontade de mudar de vida?


Qual será a história de vida de cada um destes jovens, e de que forma essa história contribuiu para aquilo que hoje são?


O que estará por detrás de cada acto?


Serão, esses jovens, os casos perdidos da sociedade?


 


E o que acontece a quem sai fora da norma, e desses padrões definidos? A quem é diferente, a quem tenta ser diferente, a quem quer mudar?


Que influência poderá exercer a maioria, sobre as excepções, levando-as ao mesmo caminho?


Para aqueles que resistem, resta-lhes a solidão, o isolamento. Algo que eles até preferem, e a que já estão habituados.


Até ao dia em que, ainda que com pouca vontade ou contrariados, tenham que lidar com outros seres, como forma de terapia. Não com outros humanos, mas com animais. E, de um momento para o outro, surpreendemo-nos com o que daí resulta.


 


 


 


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Héctor é um desses jovens, com 17 anos, detido num centro de menores por delitos que tem vindo a cometer, o último dos quais o furto de algo que a avó, internada num lar, precisava para ter uma melhor qualidade de vida, uma vez que o aquecimento no seu quarto tinha avariado.


Como lhe fizeram ver, em tribunal, os fins não justificam os meios, mas é fácil perceber que Héctor não rouba por diversão, por prazer, e muitas vezes nem sequer para ele próprio.


Este adolescente é conhecido pelas suas fugas planeadas, que lhe garantem o isolamento que ele tanto quer.


Desde logo se vê que Héctor é um jovem inteligente, perspicaz, com um grande sentido de família, apesar de a sua estar separada, e uma enorme dificuldade de socialização, vivendo ali no centro sem amigos.


 


Quando lhe é proposto, tal como a alguns dos seus companheiros, tomar conta de animais vítimas de maus tratos, e treiná-los, Héctor não fica muito entusiasmado mas, com o tempo, acaba por criar uma bonita amizade com o cão “Ovelha”.


Até que, um dia, o “Ovelha” não vem. É-lhe explicado que o cão foi adoptado, e que ele poderá treinar outros, que também precisam.


Mas Héctor só quer o seu “Ovelha” de volta, e torna a fugir do centro, para recuperá-lo.


Só que o jovem está prestes a fazer 18 anos e, se se meter em algum problema ou sarilho, não voltará para o centro educativo, nem será julgado como menor.


 


 


 


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E é assim que Héctor, com a ajuda do irmão, de quem há muito está afastado, parte numa aventura para descobrir o paradeiro de “Ovelha”, juntamente com a avó, que está prestes a falecer.


Mais do que recuperar o seu amigo canino, poderá Héctor voltar a ter de volta o seu irmão, como antes?  


E se nunca encontrar o “Ovelha”?


Estará Héctor a colocar em risco a sua liberdade, em vão?


 


 



 

segunda-feira, 21 de outubro de 2019

Sonhos que davam filme

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Um casal sai do autocarro.


Mal este arranca, a mãe olha para trás e não vê a filha.


“Onde está a minha filha?”, pergunta, já a perceber a gravidade da situação.


O marido, padrasto da filha, que está com ela, também compreende que algo se passou.


“Só pode ter ficado no autocarro.” Afirma e, de imediato, começa a procurar onde poderão  apanhar outro autocarro, para seguir aquele, de onde acabaram de sair.


 


Era suposto estarem perto de casa, mas saíram num local que lhes é totalmente estranho, e não sabem como sair dali.


O pânico e o desespero apoderam-se deles, ainda mais, quando percebem que não têm nada consigo – nem mala, nem carteira, nem telemóvel…


O padrasto acaba por ir para um lado, tentar encontrar uma solução, e a mãe fica sozinha, a ver se descobre onde estão e qual a melhor forma de chegar onde pretendem.


 


Desesperada, a mãe tenta algo que lhe indique o caminho para casa, mas é inútil.


Nem mesmo quem ela vai encontrando na rua parece saber dizer-lhe  que caminho seguir.


Sem saber o que fazer, o que pensar e vendo-se sozinha, dá um grito. De dor, de raiva…


 


É então que encontra umas pessoas que, aparentemente, a conhecem, mas que ela não reconhece.


Provavelmente (e é a única explicação que lhe vem à mente), terá sido drogada em algum momento, para estar assim desorientada.


Ela explica-lhes a situação, e essas pessoas prontificam-se a fazer o que estiver ao seu alcance, para ajudá-la.


Levando-a dali, para a casa de um deles, que vive ali perto, uma dessas pessoas empresta-lhe então um telemóvel, para que ela possa ligar à filha, e saber onde ela estará, para a ir buscar.


 


O mais curioso é que aquele telemóvel parece ser o seu, até porque tem os mesmos contactos, gravados da mesma forma.


Mas, naquele momento, o desejo de saber da filha era tão grande, que nem se apercebeu.


 


Do outro lado, atende-lhe uma voz masculina. Era a confirmação do pior.


Alguém a tinha raptado do autocarro. Alguém que não teria boas intenções, por certo.


“O que fizeste com a minha filha? Onde é que ela está?”


“A tua filha está aqui comigo.”


“Deixa-me falar com ela. Quero saber se está bem.”


 


O homem passa o telemóvel à filha, que apenas conseguem pronunciar uns sons que o homem vai dizendo, para ela repetir.


Sem conseguir conter as lágrimas, a mãe percebe que, também a filha, foi drogada, e está totalmente vulnerável, para o que quiserem fazer com ela.


 


“Se lhe fizeres alguma coisa, dou cabo de ti, seu monstro!”, diz a mãe com uma determinação que não sabe se tem.


“Tinhas 16 horas para encontrar a tua filha, e já só restam 5. Boa sorte!”


E, assim, desliga a chamada, com a mãe a desabar, e sem saber o que fazer para salvar a sua filha.


 


É nesse momento que acordo, sem saber como o sonho termina…


Eu estou deitada na minha cama, com o meu marido ao lado, e a minha filha dorme tranquila no seu quarto.


 


Afinal, foi só um pesadelo.

The Voice Portugal - 2ª ronda de provas cegas

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And the Winner Is...


A segunda ronda de provas cegas do The Voice Portugal 2019 poder-se-ia resumir a um único nome: Joana Alegre!


Esta actuação foi espectacular, e dispensam-se palavras para a descrever. Só mesmo ouvindo!


 


 



 


 


 


Num segundo patamar, gostei destes dois meninos - Pedro e Gabriel:


A imagem pode conter: 1 pessoa, em palco


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Gostava que tivesse passado a Eva: 


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O momento caricato desta 2ª ronda:


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O Tom Sawyer do trio BEH (digam lá que não acharam parecidos):


 


 


Imagens: The Voice Portugal e http://media.rtp.pt/


 


 


 

sexta-feira, 18 de outubro de 2019

À Conversa com Amélia da Silva

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Amélia da Silva tem 44 anos, é guineense, mãe e vive em Lisboa desde 2010.


A escritora é também atriz, com participações no teatro, cinema e ballet contemporâneo guineense.


Trabalha atualmente na restauração, e lamenta a falta de oportunidades decorrente da guerra em sua terra natal.


Para nos falar um pouco mais sobre si, e o romance que escreveu, aqui fica a entrevista:


 


 


 


 


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Quem é a Amélia da Silva, para além de autora?
Amélia da Silva sou eu, 44 anos, mãe e atriz.


 


Como surgiu a sua paixão pela escrita?


Através de exercícios de escrita que fazíamos nos ensaios teatrais.




O que a levou a escrever o romance “A vida é madrasta”?


Independentemente desta obra nascer através de exercícios de escrita, é também uma forma de falar de minha cultura, manjaco.


 


 


 


 


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Em que se inspirou para dar vida a esta história e personagens?


Os meus pais, sobretudo a minha mãe que não me viu a crescer, pois separamo-nos quando eu tinha quatro anos… No livro, ela morreu, tinha que ser para dar vida a mulher de Manél (madrasta de Toié).




A Amélia é guineense, mas vive em Lisboa desde 2010. Quais foram as maiores diferenças com as quais se deparou entre os dois países?


A grande diferença é que aqui o salário pode ser pouco, mas vivemos em paz.


 


 


 


 


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A personagem Toiê, protagonista da história, representa uma voz de resistência ao papel reservado às mulheres naquela época e cultura. Na sua opinião, que conquistas foram entretanto alcançadas através dessa luta e resistência, e o que é que ainda tem que ser mudado?


Hoje em dia, com as novas tecnologias e o mundo moderno, muitas coisas mudaram e vão sempre melhorar. Hoje em dia as mulheres querem estudar, não é como antigamente. Hoje em dia as mulheres querem ser independentes.


 



Através desta obra, ficamos a conhecer a cultura manjaca, etnia à qual pertence. Apesar de todas as restrições que a mesma implica, o que de melhor destaca desta cultura?


A cultura dos manjacos tem o espírito de competitividade no sentido positivo.




Para além da escrita, a Amélia trabalhou também como atriz de teatro e cinema estando, no entanto, actualmente, ligada à restauração. Foi uma opção sua, ou uma consequência da falta de oportunidades na área da representação?


Falta de oportunidade aqui em Portugal de trabalhar na nossa área… Eu não tenho costas largas, já me deram moradas falsas para ir a entrevistas de casting. Já fui a castings onde me perguntaram se eu tinha sangue angolano…


 


 


 


 


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Pegando no título do livro, diria que a vida foi “madrasta” para si?


Sim, para mim é. Depende de ponto de vista de cada um.


 



No dia 6 de outubro teve lugar a sessão de lançamento de “a vida é madrasta”. Correspondeu às suas expectativas?


Houve público de maioria guinéense, brasileiras e minha sogra e colega de trabalho que são portuguesas. Vendi 15 livros.


 



No futuro, pretende publicar outras obras da sua autoria?


Neste momento, estou a escrever uma historia alegre, intitulada “Histórias de nosso bairro”. Em “A vida é madrasta” não tive apoio de ninguém, nem patrocinios. Projeto de pobre é duvidoso, para realizar o meu sonho, gastei tudo o que eu tinha.


 


Muito obrigada, Amélia!


 


 


Nota: Esta conversa teve o apoio da Chiado Books, que estabeleceu a ponte entre este cantinho e a autora.


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La Victima Número 8 - Netflix

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Quando se é diferente é muito fácil, aos outros, usar essa diferença contra nós, apontando-nos o dedo, acusando-nos, julgando-nos…


Sobretudo, quando existe uma cultura muito vincada de preconceito, discriminação, desconfiança, medo…


Quando se julga o todo pela parte, e actos condenáveis de minorias, por toda uma cultura, religião e forma de estar.


 


 


Num dia como outro qualquer, uma carrinha foi contra um grupo de pessoas, numa esplanada, causando oito vítimas mortais.


O acidente foi, desde logo, considerado um ataque terrorista. O principal suspeito: o árabe Omar Jamal, entretanto desaparecido.


 


 


Na véspera, Omar e a sua namorada, Edurne, passeavam e conversavam, em jeito de brincadeira, sobre o que levariam para uma ilha deserta. 


Mais seriamente, Edurne convidou Omar para um jantar no dia seguinte, para apresentá-lo aos seus pais, convite ao qual Omar tentou, de diversas formas, escapar, sem sucesso.


A verdade é que Omar acaba mesmo por não aparecer e, no dia seguinte, no trabalho, Edurne fica a par do atentado, e da fotografia do suspeito, através de um paciente, entrando em pânico.


 


 


Culpado ou inocente?


Aos olhos da namorada - Edurne acredita cegamente que Omar seria incapaz de cometer aquele atentado, e é inocente. Não só defende-o perante a polícia e imprensa, como vai tentar, de todas as formas, provar a sua inocência.


 


Aos olhos da mãe - Adila também acredita que o filho é inocente e que, como tal, não tem que pedir perdão a ninguém por algo que o filho não fez. Também ela vai defendê-lo até ao último instante, ao contrário do pai, que não põe da lado a hipótese de o filho ser mesmo um assassino.


 


Aos olhos da sociedade - Culpado, sem qualquer dúvida! Afinal, as provas falam por si. Sangue e impressões digitais de Omar na carrinha, e uma imagem dele a sair da mesma a correr. Mas, acima de tudo, porque é árabe, e isso é o mesmo que carregar o selo "culpado" na testa.


 


Aos olhos da polícia - Se para os investigadores, todas as provas levam a Omar, Koro Olaegi começa, a determinada altura, a ter dúvidas sobre a culpabilidade deste, mais ainda quando o jornalista Eche lhe mostra como algumas situações são, no mínimo, suspeitas e sem sentido.


 


 


Monstro ou herói?


Assumindo que ele seja o autor do atentado, ele é visto, pela maioria, definitivamente, como um monstro. Para alguns, no entanto, é considerado um herói.


 


 


Como o peso de uma acusação sobre uma pessoa pode influenciar a vida de todos?


A mãe é despedida pelos filhos da patroa, porque não querem alguém que esteja associado a um crime daquela natureza, a tomar conta da mãe. Vale-lhe a confiança da patroa, e a sua atitude desafiante para com os filhos, para Adila voltar ao trabalho.


O pai, começa a ser posto de lado no trabalho, e em tarefas que antes não lhe competiam, na eminência de ficar mesmo sem emprego.


Os filhos, começam a sofrer bullying na escola.


Edurne, a namorada, enfermeira de profissão, é olhada de lado pelos seus colegas, afinal, ela passou a ser a "namorada do terrorista". E, na sua missão de provar a inocência de Omar, vai acabar por se colocar na mira da polícia, e de pessoas que estão dispostas a matá-la, se for preciso.


A própria comunidade árabe é afectada.


 


 


 


A ligação à família Azkárate


Gorka Azkárate é a vítima número 8. 


Filho de uma família influente e poderosa, ele deixa a viúva e o filho, bem como a amante grávida que, por acaso, será a responsável pela investigação do atentado que o matou.


Gaizka, o irmão que teve a sorte de ter ido à casa de banho, no momento do atentado e, como tal, um sobrevivente.


A mãe de ambos fará de tudo para vingar a morte do filho, nem que, para isso, tenha que pôr a prémio a cabeça de Omar, e humilhando a sua mãe.


 


 


A série


A série peca logo, no primeiro episódio, por nos mostrar no mesmo, até que ponto Omar foi, ou não, responsável pelo atentado, quando deveria ser uma supresa até ao final.


Mas outro mistério permanece, e dá o mote para os restantes sete episódios: o que tem de tão especial a vítima número 8, e de que forma é que ela contribuiu para o desenrolar de toda a história?


É a partir dessas descobertas que nos vamos deparar com o duelo final:


 


Corrupção x Profissionalismo


Verdade x Conveniência


 Justiça x Poder


 


Qual deles ganhará a batalha, no último episódio?


 

quinta-feira, 17 de outubro de 2019

À Conversa com Pedro Forra/ Dinnit Divo


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Pedro Forra, mais conhecido pelo seu alter ego Dinnit Divo, nasceu e cresceu na cidade algarvia de Olhão.

 

Formou-se na escola de Artes, Música, Cinema e Tetro Guilherme Cossoul, em Lisboa e, aos 20 anos mudou-se para Londres em busca dos seus sonhos.

 

O seu primeiro single musical "Lúcifer" ficou 9 semanas, em primeiro lugar, no LGBTQ UK MusicChart

 

Agora, apresenta o seu primeiro romance "Evan Hassow".

 

Fiquem a conhê-lo melhor, nesta entrevista:

 

 

 

 

 

 

 

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Para quem não o conhece, quem é o Pedro Forra?

 

O Pedro Forra é um rapaz lutador e sonhador, que acredita que um dia irá deixar uma marca no mundo através da sua arte.

A desigualdade, o bullying, o racismo, as drogas, a política, os tabus e a discriminação são temas pelos quais me interesso muito, e pelos quais vale a pena lutar contra! 

 

 

 

O que o levou a criar o seu alter ego Dinnit Divo?

 

Lembro-me de ter 7 anos e fechar-me no quarto a ensaiar as minhas "tours mundiais" ao som das músicas das Spice Girls.

Elas foram, sem dúvida, a minha maior influência. Lembro-me de cortar roupa e fazer uma rotina de dança esgotante. Imaginava um enorme público enquanto eu estava no "palco".

Aquela pessoa em que eu me tornava, ali no meu quarto, era uma pessoa completamente diferente do que eu era no dia-a-dia e, com o passar dos anos, comecei a aperceber-me que eu tinha de tornar essa pessoa que viva no quarto, numa pessoa real e então decidi que Dinnit Divo iria ser o nome dela. 

 

 

 

Em que momento sentiu despertar em si o gosto pelas artes?

 

Tal como referi na resposta anterior, lembro-me de começar a ter esta enorme paixão pela arte aos 6/7 anos.

Para além da música, como já disse anteriormente, lembro-me de ver o Baywatch na televisão e como era em inglês, e eu não entendia, e ainda não conseguia ler suficientemente bem e rápido para acompanhar as legendas, no final do episódio fechava-me no quarto e escrevia guiões sobre aquilo a que tinha assistido. Depois decorava tudo e apresentava aos meus pais, sendo que também foi por essa altura que começou a paixão por ser ator e por toda a envolvência do cinema.

 

 

 

Cantor, ator, modelo e autor, qual destas atividades lhe dá mais prazer?

 

É uma escolha difícil.

Tudo me dá prazer, seja escrever livros, seja escrever as letras das minhas músicas (que brevemente irão sair), seja dirigir os vídeos que já realizei, escolher as roupas, fazer as perfomances. E o teatro..as luzes..Tudo está ligado entre si.

 

 

 

Aos 20 anos, mudou-se para Londres em busca dos seus sonhos. Que sonhos tinha, nessa altura, que chegou mesmo a concretizar, ou que ficaram por realizar?

 

Mudei-me para Londres com o grande objetivo de gravar um álbum!

O "Evan Hassow" já estava a ser escrito na altura mas claro que a chegada deste dia, em que apresento o livro, é um dos dias mais importante da minha vida. 

Estou a concretizar tudo o que desejei e ainda mais. 

 

 

 

 

 

 

 


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Quais foram as maiores diferenças, ou semelhanças, que encontrou entre Portugal e Inglaterra, a nível cultural e social?

 

A maior diferença que senti foi a aceitação. Em Londres sinto que não tenho que ser o Dinnit Divo só dentro do meu quarto, mas sim quando e eu onde quero.

Vestir-me como me sinto bem sem receio de ser abordado ou agredido na rua. Posso dizer que Londres fez com que o meu ego, confiança e sentimento de aceitação aumentassem drásticamente.

Hoje sei quem sou, e sou feliz com isso, e Londres teve e tem um papel de enorme importância na minha vida. 

 

 

 

Como artista que é, pretende mudar a forma como a sociedade se comporta em relação a determinados temas e problemas atuais. Na sua opinião, qual o maior flagelo da sociedade actual?

 

Existem tantos pontos que gostaria de mudar na nossa sociedade, mas neste preciso momento sinto que o maior problema é tudo o que está relacionado com o futuro do nosso planeta, o nosso ambiente, as alterações climáticas e todas as suas consequências, a poluição, etc.

Acho que se não nos preocuparmos com isto, então a vida deixa de fazer sentido, uma vez que este planeta é a nossa casa. 

 

 

 

De que forma é que a arte, nas suas diversas vertentes, pode ajudar a essa mudança?

 

A arte, nas suas diversas vertentes, influencia as pessoas e eu quero que a MINHA arte seja um exemplo para todos.

Acredito que ao ser reconhecido pelo que faço e pelo que quero fazer, posso usar isso de forma útil para um mundo melhor. 

 

 

 

 

 

 

 

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“Evan Hassow” é um romance que aborda a história de um amor homossexual entre dois jovens norte-americanos. O que o levou a escrever sobre este tema?

 

Decidi abordar este assunto porque estou farto de ver filmes com histórias românticas entre casais heterossexuais.

Pensei que, se na minha obra, o casal fosse gay, poderia ter mais impacto na sociedade e na comunidade LGBTQ.

Admito também que escrever sobre este assunto foi uma ajuda para me aceitar a mim mesmo como membro da comunidade. 

 

 

 

Considera que a discriminação, a exclusão e o preconceito são algo que nunca se irá conseguir abolir totalmente?

 

A sociedade está mais aberta, é verdade, e a tendência é vir a melhorar. Contudo, acho que ainda há um longo caminho a percorrer, seja em relação à comunidade LGBTQ, seja em relação ao racismo, à xenofobia e outros assuntos. 

 

 

 

Para além da homossexualidade, o romance aborda também um outro tema com o qual nos deparamos na atualidade - o tráfico de humanos para escravidão laboral. O que o levou a escrever sobre esta problemática?

 

Em meados de 2011, estava eu a viver em Santos, Lisboa, e costumava passear à noite, a ouvir música e beber um vinho (como parte do processo de inspiração) perto do porto que vai de Santos a Alcântara. Lembro-me de uma noite estar sentado a olhar para os barcos e despertou-me a atenção uma enorme quantidade de contentores que por lá estavam. Nessa altura, já tinha o esboço da história, mas pensei "e se dentro daqueles contentores estiver alguém?" e uma vez pesquisei mais sobre o assunto e foi assim que tudo surgiu. 

 

 

 

Na sua opinião, entre a “prisão” em que vivem os homossexuais, e a “prisão” em que vivem estes escravos, qual será a mais difícil de suportar?

 

Acredito que a prisão mais dificil é aquela que descrevo no livro, pois, no meu caso, mesmo sendo discriminado num meio pequeno, tive a opção de me mudar para um sítio em que sou aceite. 

No caso de Evan e de Mark, eles não tinham a opção de sair daquela herdade. 

 

 

 

Considera que a fuga de Mark e Evan foi uma decisão precipitada?

 

A decisão de abandonarem o Nebraska? Sim! Totalmente.

Acho que eles deveriam ter esperado um pouco mais para saberem se realmente o amor iria permanecer por mais tempo e aí sim tomar uma decisão mais ponderada.

Mas acredito que os anos 90, onde acontece esta história, fossem uma época em que o medo de ser homossexual falava mais alto do que as decisões acertadas. 

 

 

 

Na sua opinião, o que levará as pessoas, como Evan, a não desconfiar de determinadas ofertas de trabalho no mínimo, estranhas e algo suspeitas – necessidade, ingenuidade, desespero, ambição?

 

Acredito que o desespero e a necessidade são as maiores causas deste tipo de situações, sejam elas o tráfico humano, a venda de drogas ou a pornografia. 

 

 

 

 

 

 

 


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Para o Pedro, o amor consegue vencer qualquer obstáculo que se interponha no seu caminho?

 

Sim, sem dúvida. Acredito que, para além do nosso planeta, o amor é a coisa mais importante da vida! 

 

 

 

Numa futura obra, gostaria de voltar a apostar na temática da homossexualidade, ou prefere abordar outras temáticas?

 

Já estou a escrever a minha próxima obra, intitulada "Caravan 4F".

Trata-se de um grupo de amigos que decidem fazer uma roadtrip numa caravana e as drogas, o álcool, o sexo e as festas serão os temas abordados ao longo da obra.

 

 

 

Que mensagem gostaria de deixar aqui a todos aqueles que, pelos mais diversos motivos, são vítimas de discriminação e preconceito?

 

Não baixem os braços, há sempre alguem que vos ama pelo que vocês são. Aceitem-se e amem-se!

Uma vez que vocês são felizes, nada nem ninguém vos poderá deitar abaixo. Nós não somos diferentes, nós não somos um erro. 

 

 

 

 

Muito obrigada, Pedro! Pela entrevista e testemunho!

 

 

 

 

Nota: Esta conversa teve o apoio da Chiado Books, que estabeleceu a ponte entre este cantinho e o autor.

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