segunda-feira, 7 de setembro de 2020

"Remar contra a maré"

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Durante vários dias de viagem:


- O barco tem um furo.


- Tapamo-lo. Não há-de causar grande estrago.


 


- Está demasiado vento. Vai desviar o barco.


- Juntos talvez consigamos contornar.


 


- O remo partiu-se. Assim nunca mais lá chegamos.


- Remamos com o que temos. Demora mais, mas havemos de lá chegar.


 


- Com esta tempestade é impossível seguir em frente.


- Ficar no meio dela também não é solução.


 


- As provisões estão a acabar. Qualquer dia não temos o que comer ou beber.


- Economizamos. Poupamos até chegar ao destino.


 


- Já não remas com tanta força como antes. À velocidade a que vamos, o mais certo é o barco ir ao fundo antes da chegada. 


- Sim, é verdade. estou mais cansada. Mas nem por isso paro.


 


- Assim não dá, o barco está a deixar entrar água por todo o lado. Não vale a pena consertar de um lado, se se estraga do outro. Vai acabar por afundar.


- Tens razão. Desisto. É melhor deixar o barco afundar!


 


Alguns minutos depois:


- Não era isso que eu queria dizer. Não quero que o barco afunde.


- Pois, mas de tanto o dizeres, começo a concordar contigo. Não vale a pena "remar contra a maré".


 

2 comentários:

  1. Parece complicado...
    Parece simples...
    Mas difícil é.
    É sempre um prazer ler-te.

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  2. Gostei desta metáfora
    Na verdade não é possível aguentar eternamente o pessimismo ao nosso lado...
    Boa semana Marta!

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