segunda-feira, 1 de fevereiro de 2021

A Noite Em Que o Verão Acabou, de João Tordo

Bertrand.pt - A Noite em que o Verão Acabou


 


Tinha este livro na minha lista de livros a comprar há imenso tempo.


Foi ficando para trás. Veio no Natal.


Foi a minha estreia com o autor. Esperavam-me mais de 600 páginas, e digamos que o início não estava muito promissor. Imaginei que demoraria várias semanas a lê-lo. Não foi o caso.


Terminei-o esta manhã.


 


Com três personagens principais, Laura, Pedro e Levi, este livro mostra aquela que está um pouco à frente, que tenta tirar o proveito da vida, e do momento, sem se envolver demasiado; aquela que parece ter ficado, para sempre, estagnada num verão da adolescência e vive de memórias, sonhos e desejos não concretizados; e aquela que, alheia às outras duas, parece ser uma criança difícil e problemática, com uma imaginação demasiado sombria e, mais tarde, uma jovem assassina.


 


Uma típica família portuguesa, unida, honesta, numerosa, humilde.


E uma família americana, descontraída, moderna, gente rica e poderosa, a fachada de família perfeita, a caminho de se desfazer de vez.


Um amor da adolescência, que nunca chegou a ser vivido, mas que permaneceu presente na mente de Pedro, condicionando a sua vida e o seu percurso, enquanto Laura seguiu a sua vida.


A vontade de se tornar escritor, ir atrás do seu autor de eleição e, pelo caminho, quem sabe, cruzar-se com Laura. E a constatação de que, provavelmente, fracassaria em todas essas metas, porque as tentava alcançar pelos motivos, e da forma, errados.


 


De repente, na relativa normalidade da sua vida de estudante, Pedro recebe um telefonema de Laura, pedindo ajuda. O pai de Laura tinha sido assassinado. A irmã mais nova, Levi, estava a ser acusada de ter matado o pai de ambas.


A partir daqui, nenhum deles terá, durante muitos e longos anos, sossego ou paz, por conta de um crime que não conseguem desvendar, e um passado que não sabem como investigar, quando falta a maioria das peças.


Existem muitos interesses em jogo. Dinheiro também. E a necessidade urgente de se culpar alguém faz de Levi a única suspeita credível, até porque foi encontrada com a arma do crime na mão, e assinou a confissão, acabando mesmo por ser condenada e passar, os anos seguintes, a cumprir a pena.


Nem mesmo a morte do sócio do pai, no mesmo dia, foi suficiente para relacionar os casos, ou aprofundar a investigação.


 


A história poderia ter ficado por aí. Provavelmente, teria ficado.


10 anos se passaram.


Novamente afastados. Novas vidas a serem vividas.


Até que alguém decide fazer um documentário sobre a inocência de Levi, e "leva" todos ao local do crime, de novo.


Só que, desta vez, alguém quer que a história toda se saiba, e tanto Laura como Pedro, com a ajuda do jornalista Nolasco, e de uns quantos testemunhos que conseguem obter, chegam à verdade que é muito mais obscura, e complexa, do que poderíamos imaginar.


 


Poderão agora, cada um deles, libertar-se do passado?


Recomeçar, sem esse peso nos ombros, e na mente?


Valerá a pena tornar a verdade pública?


E quem o poderá fazer?

3 comentários:

  1. Não conheço as obras deste autor, embora já tivesse pegado em alguns livros, na livraria, e dado uma vista de olhos.
    Pelo que aqui leio, parece ser de relevante lê-lo.

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  2. Eu gostei deste, mas foi o único que li.
    Não prende logo, talvez pudesse ser menos extenso, mas gostei da resolução do mistério, e da forma como foram retratadas as personagens.

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  3. Direitinho para a minha lista de futuras leituras (que começa a parecer infindável), gostei muito da descrição que fizeste!
    Beijinho

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