
Ao longo da vida, vamo-nos deparando com situações em que parece que destoamos, que não nos encaixamos. Ou as pessoas assim nos fazem crer.
Então, para que sejamos aceites, para que possamos "encaixar", moldamo-nos àquilo que é esperado de nós. Ou fazemos ainda mais, mudando a nossa forma de ser, para nos podermos integrar, e seguirmos o caminho que escolhemos.
No fundo, tentamos deixar os outros confortáveis com a nossa presença, para que não nos criem obstáculos, e tenhamos a vida um pouco mais facilitada ou, pelo menos, mais calma, sem levantar ondas, tentando passar o mais despercebidos possível.
Mas, até que ponto, agir de forma a que os outros, ao nosso redor, se sintam confortáveis com a nossa presença, faz-nos sentir mais confortáveis?
Será mesmo verdade que é conforto que nós sentimos? Lidamos bem com isso? Fazemo-lo sem esforço?
Sentimo-nos realmente bem com isso?
Ou será apenas uma ilusão? Um alívio por não termos que estar constantemente a lutar? Um atenuante? Uma pausa que nos deixa mais confortáveis, durante aquele período de tempo?
Será uma trégua temporária em relação aos outros, ou o início de uma luta interior entre aquilo que somos e pensamos, e aquilo que "somos obrigados a ser e pensar", enquanto não chegamos à meta?
Num dos episódios de The Good Doctor, Claire afirmava que, em toda a sua vida, tinha tentado deixar os outros confortáveis com a sua presença. E que, ainda agora, depois de se formar como médica, o continuava a fazer.
E às tantas, dizia ela para o colega "Mas tínhamos que o fazer, não tínhamos? Para chegar até aqui?"
Talvez...
Mas torna-se cansativo.
E a verdade é que, como já percebemos, não conseguimos agradar a todos.
No fundo, é como se nos anulássemos.
Deixamos de ser nós. E como é que, deixando de ser nós, isso nos fará sentir confortáveis?
Um bom texto para reflectir
ResponderEliminarA mim parece-me que dá apenas um conforto temporário, ou um falso conforto que, com o tempo, acaba por se transformar num desconforto ainda maior.
ResponderEliminarFazer com que os outros fiquem confortáveis, alivia-nos muitas das vezes de situações menos boas, ou discussões, mas infelizmente não nos deixa confortáveis pelo menos a mim não deixa e acabo por ficar mais frustrada :(
ResponderEliminarO teu post no meu Blog amanha :)
Talvez seja uma das maneiras de conseguirmos viver com os outros, de fazer com que o ambiente seja propício a bons entendimentos. Não podemos é deixar-nos de lado, teremos que nos sentir bem ao fazê-lo.
ResponderEliminarConforto a curto prazo mas muitos problemas a longo.
ResponderEliminarSim, acho que é um pouco isso.
ResponderEliminarAlivia-nos em algumas situações e percebemos que nos ajudou.
Mas, no fundo, o que queríamos era não ter que fazê-lo.
Podemos encarnar uma personagem durante algum tempo mas, a certo momento, a nossa essência acaba por vir ao de cima. Será difícil representar uma vida inteira aquilo que não somos.
A questão é mesmo se nos sentimos realmente bem a fazê-lo, ou se é visto como um mal necessário, mas que nos reprime e frustra.
ResponderEliminarAté podemos viver com os outros mas, e connosco?
Sim, sou da mesma opinião.
ResponderEliminarMais tarde, irá refletir-se, nem sempre da melhor forma, na maneira como lidamos com os outros e também na nossa personalidade.
Eu acho que todos devemos fazer um esforço para nos adaptarmos uns aos outros. Só assim conseguimos viver em sociedade. Mas se esse esforço é de tal forma exigente que deixamos de ser nós, isso é "perigoso", deixa-mos de ser nós e isso jamais pode ser "saudável"
ResponderEliminarSim, a questão é nesse sentido.
ResponderEliminarNo caso da série, Claire esforçou-se tanto para deixar os "brancos" confortáveis com a sua presença enquanto "preta" que, às tantas, ela própria, vítima de racismo, estava a ter atitudes racistas, prejudicando o seu trabalho, e a posição que a obrigou a deixar os outros confortáveis, para conseguir lá chegar.