quinta-feira, 17 de março de 2022

Desafio de Escrita do Triptofano #8

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Deofrásia vai com a família ao cinema.


Para poupar, coloca dentro da mala uma garrafa de água, umas bolachas e um pacote de leite, caso  tenham fome.


 


À chegada ao estacionamento, depois de tirar o ticket


Bitóles (para a mulher): Toma, mulher. É melhor ficares tu com o bilhete, que eu não tenho bolsos. Olha, e já agora, guarda-me aí a carteira e o telemóvel.


Ninufas (para a mãe): Oh mãe, posso pôr os meus fones na tua mala, para eu não perder?


 


E Deofrásia lá vai pondo tudo dentro da mala, que agora já nem fecha.


Quando acabam de ver o filme, Deofrásia já colocou na mala os bilhetes do cinema, e uns folhetos que lhe deram com a programação da semana seguinte.


 


Entretanto, o telemóvel toca


Deofrásia (tentando encontrá-lo): Raios, não vejo o telemóvel no meio disto tudo. 


E tanto tempo levou que, quando o encontrou, já não foi a tempo de atender a chamada.


 


À saída do shopping


Bitóles: Oh mulher, passa-me aí a carteira, para eu pagar o estacionamento.


Deofrásia (não vendo a carteira onde a tinha posto): Ai, Bitóles, queres ver que a carteira caiu lá no cinema? 


Bitóles: Tu não digas isso, mulher. Tu procura bem.


Deofrásia: É o que estou a fazer. Ah, está aqui. Ufa.


Bitóles: Só falta mesmo o ticket.


Deofrásia (tirando um molho de cartões da bolsa): O ticket, pois... Ora bem... churrasqueira, cabeleireiro, electrista, calendário... Ticket!


 


A caminho de casa, com o sol a bater de frente


Deofrásia (procurando na mala): Ia jurar que tinha aqui os meus óculos de sol.


Bitóles: Então, se os puseste, estão aí!


Deofrásia: Pois, só não sei onde!


Ninufas: Oh mãe, já que estás com a mão na massa, passa-me os fones.


Deofrásia (vasculhando): Mau... carregador... cabo... fones! Olha, e como é que a caixa de óculos veio parar aqui?!


 


Ao aproximar da portagem


Bitóles: Oh mulher, tens aí moedas para a portagem?


Deofrásia: Hum... deixa ver. Aqui nesta carteira não. Mas espera, tenho aqui um porta moedas. Pode ser que tenhas sorte. Afinal não, são só uns botões que guardei aqui. E aqui nesta bolsinha, será que pus algumas? Nada feito. São só umas moedas de escudo, que andava a coleccionar!


Bitóles: Santo Deus. Do que esta mulher se lembra!


 


À chegada a casa


Deofrásia: Olha, vou só ali a casa do meu pai.


Bitóles: E tens a chave?


Deofrásia: Claro. Tenho sempre aqui na mala!


 


À porta de casa do pai, já noite, com pouca luz, procurando a chave


Deofrásia: Mas que raio?! Onde está a chave? Carteira... lenços de papel... outra carteira... agenda... estojo... chaves do trabalho... Querem ver que perdi a chave?


 


Sem conseguir encontrá-la, Deofrásia corre até casa, e já desesperada, depeja todo o conteúdo da mala em cima da mesa.


Deofrásia: Ora vamos lá ver. Um saco... bolsa das pen's... travessão de cabelo... bloco de notas... Olha, a caneta que andava à procura no outro dia! E cá está ela, a maldita chave! 


Ninufas: Credo, mãe! Que confusão que aí vai! Porque é que guardas tanta coisa dentro da mala?


Deofrásia: Filha, a mala de uma mulher é como um armazém - cabe sempre tudo!


Ninufas: Pois, pois... Cá para mim está mais para poço sem fundo! Nunca se encontra nada!


 


 


Texto escrito para o Desafio de Escrita do Triptofano


 


Também participam:


Ana D.


Maria Araújo


Bii Yue


Triptofano


Maria


Bruno


 


 


 


 


 


 

5 comentários:


  1. Eu passo muitas vezes por aqueles "5 segundos de pânico", a achar que perdi aquilo que era suposto estar na mala, e não vejo em parte nenhuma!
    Mas lá acaba por, milagrosamente, aparecer

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  2. A grande desespera para encontrar alguma coisa.
    A pequena desespera porque não cabe o mínimo que quero ( queremos).

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  3. E olha que já tirei algumas coisas desnecessárias, até porque era um peso enorme, mas parece que volta sempre ao mesmo

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