quinta-feira, 24 de março de 2022

Desafio de Escrita do Triptofano #9

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Corda:


Porque insistes em queimar-me?


 


Vela:


Porque é a única forma de perceberes que eu estou aqui. De me sentires. De olhares para mim.


 


Corda:


Eu sei que estás aí. Eu sinto-te. E vejo-te. 


Talvez não da forma que queres. Com a frequência que queres.


 


Vela:


Hum...


Pois não me parece.


Sinto que a única forma de virares a tua atenção para mim, é quando a minha chama te atinge.


 


Corda:


E o que esperas de mim, com essa chamada de atenção? 


 


Vela:


Que percebas que estou aqui. Que faço parte da tua vida.


E que te aproximes mais de mim.


Porque quanto mais foges, e mais te afastas, mais a minha chama aumenta, e se estica para te alcançar.


Ainda que, com essa atitude, eu me torne mais pequena, e perca um pouco de mim. 


 


Corda: 


Lamento, mas não consigo compreender a tua perspectiva.


O que acontece é que, aos poucos, muito lentamente, vais-me queimando.


Com o tempo, vou perdendo a cor. Vou escurecendo.


Dia após dia, vou enfraquecendo com a tua chama e, a qualquer momento, posso quebrar.


E quando eu quebrar, quando me partir, não terás mais como me queimar. 


Terás que procurar outra corda.


Ou, então, arder em vão, sozinha, até que a chama se extinga... 


 


Texto escrito para o Desafio de Escrita do Triptofano


 


 


Também participam:


Ana D.


Maria Araújo


Ana de Deus


Bruno


Triptofano


Maria


Biiyue


 


 


 


 


 


 


 

4 comentários:

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