terça-feira, 25 de março de 2025

Adolescência

adolescencia-final-explicado-de-la-exitosa-serie-d 


 


Acho que posso afirmar, sem andar longe da verdade, que esta é a série do momento!


Aquela de que todos falam, que todos comentam, sobre a qual todos têm algo a dizer.


E, opinião quase unânime, uma excelente série.


Que todos deveriam ver: pais, filhos, alunos, professores.


E que até chegou ao parlamento britânico, reacendendo o debate acerca da influência, nos jovens, das redes sociais.


 


Quanto a mim, digo-vos que comecei a ver a série e, a meio do segundo episódio, desisti!


Não estava a cativar nada, não me estava a passar mensagem nenhuma. Em bom português "uma grande seca". 


Qualquer coisa era bem vinda, e me distraía daquilo que estava a fazer um esforço para ver.


 


Não sei se por, no fundo, nada daquilo ser uma novidade para mim.


Oiço muitas pessoas dizerem que é um choque de realidade, um soco no estômago.


Mas, a verdade, é que vemos situações do género a toda a hora. Cada vez mais adolescentes perdidos, influenciados de forma negativa pelas redes sociais, vítimas de bullying, da crueldade dos seus pares.


E sim, como se costuma dizer, até "no melhor pano cai a nódoa".


Os pais fazem o melhor que podem (os que fazem) com aquilo que têm. Também a sua vida não lhes permite, mna maioria das vezes, um maior acompanhamento dos filhos. E, ainda que assim fosse, não podem controlá-los a todo o instante. Saber o que lhes vai na cabeça. Prever as suas acções.


Claro que, quando há cumplicidade, diálogo, compreensão, abertura e disponibilidade, tudo pode ser diferente. Mas não é uma garantia absoluta. 


E, também, nas melhores famílias, pode acontecer aquilo que nunca, ninguém, pensaria.


Por outro lado, os pais podem exercer, eles próprios, mesmo sem o saberem, uma influência negativa nos filhos. Seja pela exigência em relação a eles, e eles, pelo receio de desapontar, ou envergonhar.


Todas as fases são complicadas, e a adolescência não é excepção. Aliás, incidentes, crimes, começam a ser cada vez mais frequentes até na infância.


Portanto, como dizia, nada isto é surpresa ou novidade.


 


Mas, como sou teimosa, e porque queria ver aquela que, para mim, é uma das cenas mais bem conseguidas da série - a conversa de Jamie com a psicóloga - recomecei a ver, de onde tinha parado.


A série começa a melhorar para o final do segundo episódio, o que ajudou a terminar de vê-la (até porque são só 4 episódios).


 


E só vos digo: uma vénia para a interpretação de Owen Cooper e Erin Doherty!


Sobretudo, para Owen que, com apenas treze anos, fez um trabalho fenomenal no seu primeiro papel, na sua primeira cena gravada.


 


Quanto à história em si, Jamie é um rapaz de 13 anos acusado de assassinar uma colega de escola, esfaqueando-a até à morte.


Não percebi o porquê de todo aquele aparato policial para deter o rapaz, como se se tratasse de um bandido extremamente perigoso, de um qualquer cartel de droga, ou algo semelhante. 


Sim, é um assassino. Mas também é apenas um jovem. Que estava em casa, com a sua família. Assustado.


 


Por outro lado, é fácil perceber a "culpa" que, um acontecimento como este, gera em todos ao redor.


Nomeadamente, no Inspector Bascombe que, de repente, perante tudo o que presencia na escola, decide aproximar-se do seu enteado, tentando estar mais presente, percebê-lo melhor.


É um começo, sim. É positivo.


Mas não é isso que o vai levar, de uma hora para a outra, a tornar-se o melhor amigo, o confidente. Não é de um momento para o outro que vai conseguir perceber toda a complexidade dos jovens, dos seus problemas, das suas interações, dos seus receios, das suas dinâmicas, e do que os leva a cometerem determinados actos.


 


Posto isto, pode-se dizer que "Adolescência" é mais um alerta, mais uma chamada de atenção, mais uma oportunidade de reflectirmos sobre aquilo em que o mundo se está a transformar.


Nos jovens que estamos a criar, a educar, nesse mesmo mundo louco. Em toda a rede de suporte e apoio (ou falta dela) que os (e nos) empurra para determinados caminhos.


Mas, como digo, não é a única.


 


A culpa?


Essa pode ser de todos, em geral. E não é de ninguém, em particular.


No fundo, morre solteira.


É a dura realidade dos nossos dias, reflectida, mais uma vez, no ecrã e na ficção.


 


 


 


 


 

9 comentários:

  1. Já vi a série, traz-nos uma profunda reflexão sobre educação, escola e bulliyng.
    Beijinhos

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  2. O que mais me preocupa, é o bullying.
    Tempos esquisitos que vivemos.
    E como dizes " a culpa morre solteira"

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  3. imediatamente, desde já, admirável esta narrativa (post).
    No começo, percebendo que se tratava da série (que nao vejo ), iria dizer que é só mais uma série, mas hesitante para nao ferir a suscetibilidade.
    Afinal e especialmente a dado passo, o realismo da autora, fascinou-me.
    E outra vez no fecho do post brilha, um brilho singular, nada comum.
    Parabens.

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  4. é como é, e nao será de outra maneira, garantidamente !!!
    ...............................
    A Geração Z prefere ver vídeos de ‘influencers’ do que assistir a filmes ou programas de TV -
    expresso, no sapo, 26 03 2025

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  5. desconhecia, ate ia sentenciar que nao contam para o totobola, mas vejo que estao na tal serie Adolescencia.
    Portanto mais um buraco negro que se nos abre neste nosso universo.
    Partilho a primeira parte do texto, noticia no 24.sapo.pt 26 03 2025 :
    ...............
    O que são os incels?

    O termo tem origem nos anos 90 e é uma abreviação de “celibatários involuntários”. São incels aqueles que se descrevem como incapazes de ter um relacionamento ou uma vida sexual ativa, apesar de desejarem o contrário.

    A comunidade é maioritariamente composta por homens héterossexuais, que comunicam em fóruns virtuais, no entanto as discussões não ficam pelo sentimento de tristeza e ressentimento que partilham. Pelo contrário, as mensagens e os posts da comunidade incel são frequentemente caracterizados por misoginia, misantropia, racismo e ódio por pessoas sexualmente ativas.

    A oposição ao feminismo e aos direitos das mulheres é também uma ideologia comum entre os incels, que culpam a emancipação feminina pela dificuldade que sentem em encontrar um par.

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  6. Álvaro Bilbao é formado em Psicologia da Saúde e Neuropsicologia, além de autor de livros em que se dirige directamente às famílias. O mais recente, Prepara-te para a Vida, é um manual para os adolescentes viverem melhor.⁠

    Em sete capítulos, vai explicando aos jovens porque é tão importante que assumam a responsabilidade sobre o seu desenvolvimento ou que procurem ajuda quando não o podem fazer sozinhos. E que, sim, algumas coisas vão correr mal e que isso é normal. O importante é como se vai lidar com esses fracassos.⁠ -
    em : publico.pt 26 03 2025

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  7. Uma história pode ser contada de diferentes maneiras, de monótona e desinteressante a excepcional. Neste caso, a Marta terá alguma razão sobre a forma como começa, mas vamos ficando na expectativa do resultado. Afinal o adolescente é culpado ou não ? No meio termo vão surgindo qualidades inicialmente insuspeitas, e vamos percebendo a excelência dos atores, sobretudo do principiante Owen Cooper (o rapazinho tem futuro, se continuar no oficio), do ritmo, da realização, e sobretudo do impressionante trabalho de camera. Reparem que todo o enredo quase dispensa edição, e é filmado de uma só assentada. A minha opinião, vale o que vale. Não costumo ser pródigo em elogios, mas tiro o chapéu a esta série.

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  8. Obrigada pela visita e comentário
    Sim, até concordo com a excelência dos actores e a qualidade técnica, a gravação em plano-sequência e toda a coordenação necessária para tal.
    O que me causa estranheza é a reação ao tema em si: como se as pessoas fossem confrontadas com ele pela primeira vez, como se andassem, até esta série ser exibida, alheadas da realidade, para o choque ser tão grande.

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  9. Por acaso, depois de ver a série, o termo surgiu-me também num livro

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