terça-feira, 6 de abril de 2021

Histórias Soltas #16: Por detrás da lente

a8ff7e3f2b8c7e608e2a9ac8e5386ad1.png


 


Tal como no fim-de-semana, que ela não conseguiu aproveitar, o sol tinha vindo dar um ar da sua graça naquela segunda-feira.


E como ela gostava destes dias de primavera, logo após a tradicional mudança da hora, em que ainda era dia, quando saía do trabalho, e podia aproveitar para tirar algumas fotografias.


Apesar de trabalhar, há vários anos, como administrativa, Mariana tinha vindo a descobrir, ao longo desse tempo, algumas actividades que lhe davam prazer, e a fotografia era uma delas.


Nada de profissional, ou muito aprimorado. Até porque nunca tinha, sequer, tirado um curso para aprender essa arte. Para saber como captar o melhor ângulo, como obter a melhor imagem, o que evitar ou coisas do género.


E tão pouco tinha equipamento à altura para tal. Por norma, servia-se da velhinha máquina fotográfica digital, ou do smartphone, que lhe tinham oferecido no seu aniversário.


O que ela gostava de captar as imagens, e os momentos, na hora, fazendo-o normalmente, nas suas deslocações para o trabalho, ou de volta a casa.


Ou, mais esporadicamente, nos seus passeios ou caminhadas ao fim de semana, em locais onde predominasse a natureza, que era o que mais gostava de fotografar.


Ela gostava da espontaneidade, da simplicidade das fotos. Não queria que algo que fosse demasiado editado ou modificado, de forma a parecer mais perfeito.


Se saísse bem e gostasse do resultado, melhor. Senão, apagava, sem stress.


Naquele dia, Mariana lembrou-se de ir espreitar um sítio, do qual já lhe tinham falado, não muito longe de casa. Como foi uma decisão do momento, só tinha o smartphone consigo. Teria que servir.


E lá estava o portão de acesso ao parque, e o caminho de terra que descia até à parte mais isolada do mesmo, junto ao rio. 


Fotografou as flores que foi encontrando, as árvores imponentes que a rodeavam, os arbustos que iam aparecendo pelo caminho.


Continuou pela margem do rio, captando a água límpida, as pedras que emergiam do leito, algumas folhas caídas que nele viajavam, levadas por uma leve corrente.


Atravessando algumas dessas pedras, que quase faziam de ponte, conseguiu chegar a um ponto mais alto, de onde podia avistar uma parte mais escondida do parque, quase selvagem.


Noutro dia, com mais tempo, teria que ir até lá. Mas estava a ficar tarde, e teria que se contentar em tentar tirar algumas fotos dali mesmo. 


Tirou algumas. Tentou ver como tinham ficado, mas o sol a reflectir no ecrã não a deixou ver bem. Tentou mais algumas. Acabou por perceber que, sem querer, tinha ligado o flash. Maldito telemóvel.


Há mais de um ano que o tinha, e ainda não tinha atinado completamente com ele.


Estava tão focada no seu trabalho, que nem deu por uma outra mulher se aproximar, cumprimentando-a.


- Boa tarde! - disse a mulher


- Boa tarde! - respondeu Mariana, reparando que a mesma também andava por ali a fotografar.


A mulher, vendo Mariana às voltas com o telemóvel, perguntou-lhe se precisava de ajuda.


- Agradeço-lhe, mas acho que já consegui desligar o flash.


- Conseguiu tirar boas fotos?


- Se quer que lhe diga, em relação às últimas, não faço ideia. Espero que sim. Mas em casa vejo melhor. Estava só a tentar apanhar aquela zona lá mais ao fundo, mas está difícil. - disse Mariana.


- Posso tentar, se quiser.


Talvez aquela mulher tivesse mais experiência, pensou Mariana.


- Por que não? Aqui tem. - disse, passando-lhe o telemóvel para a mão.


Segundos depois, a mulher caiu inanimada no chão.


E Mariana, nem teve tempo para perceber o que tinha acontecido, porque, de repente, começou a ver tudo escuro e, também ela, apagou.


 

segunda-feira, 5 de abril de 2021

Marta no "parque das maravilhas"!

Este fim de semana fomos conhecer o Parque Desportivo de Mafra, de uma outra perspectiva, através de uma nova entrada, que fica a poucos metros da nossa casa, e onde conseguimos observar a parte mais escondida, e menos visitada (agora mais) do mesmo.


 


169315462_3773443199437624_4088902676049294287_n.j


A Árvore dos Desejos


 


168355137_3773436666104944_193778174654085628_n.jp


O Portal Secreto


 


168314430_3773443642770913_3838483868043828905_n.j


O Reino das Fadas


 


168685432_3773440666104544_5626152430456685696_n.j


167058155_3773440179437926_3085578724700635998_n.j


As flores mágicas


 


167954084_3773438232771454_1961183944620208545_n.j


O Jardim Encantado


 


168385702_3773440762771201_3753968292916434399_n.j


O Cantinho dos Apaixonados


 


168443652_3773444689437475_2349058126514485933_n.j


A Floresta Misteriosa


 


169069111_3773443446104266_7251794135866766615_n.j


O Caminho Infinito


 


168685520_3773446882770589_1599061347235758863_n.j


A Árvore das Promessas


 


169326120_3777004192414858_4432194050203427691_n.j


As Guardiãs dos Segredos


 


169028237_3776999965748614_1729255681722521202_n.j


O Riacho Conselheiro


 


169276492_3776999925748618_6101057558450784507_n.j


A Colina da Esperança


 


 


Nota: os nomes foram totalmente inventados!


 


 


 


 


 


 


 


 


 

quinta-feira, 1 de abril de 2021

Silêncios...

 


Silêncio-foto-Magdalena-Berny.jpg


 


Há silêncios que estão cheios de palavras. E silêncios que são ocos.


Há silêncios que existem, porque não é necessário pronunciar, o que quer que seja, para que os outros nos entendam. E silêncios que existem porque não há nada para dizer.


Há silêncios que são um livro aberto. E outros, que são um mensagem indecifrável, que ninguém consegue descodificar.


Há silêncios que dizem tudo. E outros, que não dizem nada.


Há silêncios que tranquilizam. E outros, que incomodam.


Há silêncios que transmitem paz. E outros, que escondem guerras.


Há silêncios que libertam. E silêncios que aprisionam.


Há silêncios que nos dão vida. E silêncios que matam.

quarta-feira, 31 de março de 2021

O Hábito do Amor, de Teresa Caetano

140-capa-1.jpg


 


A autora Teresa Caetano tem vindo a tornar-se uma presença assídua entre as minhas leituras e, desta vez, tive o privilégio de receber, de presente, uma das suas obras - "O Hábito do Amor", que desde já agradeço.


E, como não poderia deixar de ser, partilho agora a minha opinião sobre o mesmo que, como o próprio nome sugere, é um romance.


 


Aliás, com o título do livro, surge-me logo uma questão no que respeita ao amor - será este um "hábito"?


Algo que, a partir do momento em que é sentido a primeira vez, passa a habitar em nós de forma natural, tranformando-o num hábito como tantos outros que vamos adquirindo ao longo da vida?


Devemo-nos nós "habituar" a amar? Ou, pelo contrário, deixar que o amor surja de forma inesperada, e se manifeste sem contarmos com ele? 


A verdade é que para Beatriz, amar, seja o que, ou quem for, está tão arreigado na sua essência, que quase se torna um hábito. E, confesso, irrita-me um pouco! 


Porque ela parece espalhar apenas amor e bons sentimentos, e agradecer por tudo o que tem e lhe foi permitido viver, mesmo que tenha todos os motivos do mundo para estar contra a vida.


E ninguém (ou quase ninguém) é assim. Até mesmo a pessoa mais positiva e grata, tem os seus momentos de revolta.


 


Mas, voltando ao título, se o amor é, verdadeiramente, um hábito, será um bom hábito ou um mau hábito?


Será algo que nos faz bem, e que não devemos perder? Ou um vício, que nos leva a percorrer caminhos que não devemos, e que poderá trazer-nos dissabores?


Hábito ou não, bom ou mau, a verdade é que Beatriz e Rodrigo se apaixonam, e fazem promessas de amor eterno.


Mais uma vez, a minha veia céptica tende a não compreender um amor que nasce assim, "à primeira vista", em meros segundos. Aquela ligação que ambos sentem, de que já se conhecem de outras vidas, e que estavam destinados um ao outro. Que ainda mal falaram e já estão apaixonados. Que ainda mal se conhecem, e já se amam.


Penso que nos é dado a conhecer um amor tão ingénuo, tão puro, tão inocente, tal como a personalidade de Beatriz, que parece mais um amor de contos de fadas, do que real. Tal como as personagens que lhe dão vida.


Faz lembrar aquelas histórias em que acreditávamos quando éramos adolescentes, de que tudo era um mar de rosas, e tudo iria dar certo, apenas porque se amavam e que, hoje, já não reconhecemos porque a vida nos ensinou que as coisas não funcionam assim. Ou é muito raro isso acontecer.


 


Por outro lado, o amor manifesta-se de várias formas, e entre várias pessoas, nomeadamente, entre irmãos.


É o que acontece entre Rodrigo e Daniel, uma relação na qual acredito mais, e que encaro como mais aproximada à realidade.


Rodrigo é quase como um pai para o seu irmão mais novo, e tudo fará para o ver feliz. Sobretudo depois do acidente que o atira para uma cadeira de rodas.


Da mesma forma que um pai, ou uma mãe, fariam, por amor aos filhos. Ou talvez não...


 


E o que dizer do amor entre avós e netos, aqui tão bem representada por Beatriz e pelo avô Manuel?


Que me fez logo lembrar a relação da minha filha com o seu avô, também ele Manuel.


São pessoas simples, mas honestas, trabalhadoras, com princípios que transmitiram à sua neta, e ensinamentos, para que ela enfrentasse as dificuldades, e se tornasse na mulher que é hoje.


 


No entanto, por vezes, o amor é uma vítima de si próprio.


Por vezes, por amor, fazemos coisas que nos levam a perder o amor.


Por amor a uns, perdemos outros. E perdemo-nos a nós próprios.


Sim, por vezes o amor também é confuso. 


 


Ainda assim, mais do que sobre amor, diria que este livro nos fala de sentimentos antagónicos, mas que se complementam.


Por um lado, a resiliência. Por outro, a vulnerabilidade.


Por um lado, a aceitação. Por outro, o nunca deixar de se lutar.


Por um lado, abdicar. Por outro, guardar.


Por um lado, esquecer. Por outro, recordar.


Por um lado, seguir em frente. Por outro, estar-se, inevitavelmente, ligado ao passado.


Por um lado, partir. Por outro, ficar.


Por um lado, amar os outros. Por outro, amar-se a si próprio.


 


No fundo, o amor tem um pouco de tudo isto.


Só temos que saber dosear nos momentos certos, e na quantidade certa.


 


 


E como um "conto de fadas" que se preze tem que ter "vilões", eles também existem nesta história de amor, ainda que até os próprios sejam caracterizados de forma não muito vilanesca.


Ah, e como não podia deixar de ser, para dar um toque ainda mais mágico, a maior parte da história é passada na Ilha do Faial, nos Açores, por entre o mar, os verdes prados, as flores e os animais.


 


Será o cenário perfeito, para a história de amor perfeita?


Talvez...


Mas como eu não acredito na perfeição, prefiro um amor que sobreviva no meio de todas as imperfeições que for encontrando no seu caminho. E se não acontecer, é porque não tinha que ser.


E, talvez, não fosse amor. Ou até fosse, mas não chegasse...


 


 


 


 


 


 


 


Sinopse


"Beatriz e Rodrigo vivem uma paixão secreta, que tem como cenário a beleza natural da ilha do Faial, nos Açores. Ela vive com os avós numa pequena quinta daquela ilha e ele mora na cidade de Lisboa. Apesar de terem um oceano a separá-los, o destino faz com que as suas vidas se cruzem.


Uma história de amor apaixonante e intensa, revelando que um sentimento verdadeiro nunca se esquece, vivendo para sempre no coração de quem ama.


A saudade, a esperança, a desilusão e a capacidade de amar à distância serão sentimentos bem presentes ao longo deste livro.


As cartas de amor alimentam o sonho e fazem com que as palavras escritas sejam decisivas no rumo do enredo.


Poderá Beatriz – uma mulher romântica e com uma forte ligação à natureza – derrubar os muros que se vão erguendo ao longo da sua vida?


E Rodrigo – um político de sucesso – conseguirá cumprir a promessa de um amor eterno?"


 

terça-feira, 30 de março de 2021

Ir pelos outros, ou ir por nós?

moca-frioI.jpg


 


Num dia, ela viu que o tema do momento eram as cores.


Então, no dia seguinte, ela falou de cores.


Mas, nesse dia, ninguem a ouviu, porque o tema já não eram as cores. Eram os números.


Assim, no dia seguinte, ela falou de números.


Oh, mas já ninguém queria saber deles, porque o que estava a dar eram os animais.


De novo, ela tentou falar sobre os animais.


Mas é que, no dia seguinte, o tema era a moda...


 


Então, ela deixou de ver sobre o que se andava a falar.


Um dia, falou sobre o que lhe apeteceu.


E, nesse dia, ela conseguiu aquilo que tinha vindo a tentar de todas as outras vezes, sem sucesso:


falar, e ser ouvida... 


 


 


Porque, mais do que seguir os outros, devemo-nos seguir a nós.


Mais do que ir atrás de tendências, devemos criá-las.


E o resto, acontece naturalmente...


 


 

A semana numa imagem #16

  A discoteca Ouriço, na Ericeira, é conhecida pelas diferentes fachadas que vai exibindo ao longo dos anos. Esta, é a actual, pintada de fr...