segunda-feira, 11 de agosto de 2025

Gostar de alguém à distância

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Poderá, a distância, invocar sentimentos que, depois, na presença do outro, se desvanecem?


Pode, a distância, levar-nos a sentir coisas que a proximidade aniquila?


É possível gostar-se mais de alguém, quando esse alguém está longe, do que quando está perto de nós?


Será possível duas pessoas darem-se melhor, ou serem mais compatíveis, quando afastadas uma da outra?


Talvez sim.


 


Porque, quando há distância entre duas pessoas, há conversas, há diálogo, há expectativas, há planos que se imaginam. 


Há uma maior comunicação, um maior "à vontade" para exprimir aquilo que se sente.


Há um romantismo e uma idealização de como será quando ambos estiverem juntos. De como as coisas vão acontecer. De como vai ser bom matar saudades. O que vão fazer. Como vão aproveitar os momentos.


 


No entanto, mal a distância dá lugar à proximidade, tudo muda.


Fica-se com a sensação que, afinal, não se gosta assim tanto.


Seja porque as coisas não aconteceram, exactamente, como seria de esperar.


Ou porque, com a proximidade, vem tudo aquilo que mina um relacionamento - a perda de autonomia e de espaço pessoal, os atritos da convivência, a rotina, a saturação, o assumir que tudo é garantido.


De certa forma, é como se a presença física repelisse, em vez de atrair.


 


A propósito desta questão li, no outro dia, uma frase:


"A ausência diminui as paixões medíocres e aumenta as grandes, assim como o vento apaga velas e alimenta fogos." - François de La Rochefoucauld.


 


Talvez.


Mas também é certo que a paixão, qualquer que seja a sua intensidade, é um estado que não dura para sempre. Pelo contrário, é apenas uma fase breve, de transição. 


Assim, o que acontece quando ela chega ao fim?


 


Creio que gostar à distância é sempre gostar pela metade. É sempre uma relação incompleta.


E, como tal, como pode ela satisfazer, ou resultar a longo prazo?


Fica sempre a dúvida se se gosta mesmo da pessoa, ou daquilo que idealizamos dela.


Se se quer uma relação verdadeira, ou a relação que imaginamos na nossa mente e que, depois, na prática, nem sempre corresponde à realidade.


 


 

sexta-feira, 8 de agosto de 2025

De braços abertos

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Poder-se-ia dizer que está a levantar os braços para o céu.


Quem sabe, a pedir algo ou, talvez, a agradecer.


Talvez esteja num qualquer ritual de louvor ao sol, ou numa oração.


Talvez esteja com os braços abertos, para receber algo, ou alguém.


 


Texto escrito para o Desafio 1 Foto, 1 Texto


 


 

quinta-feira, 7 de agosto de 2025

A linha que separa a rotina que conforta, da que sufoca

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Aquilo que, para determinadas pessoas é visto como uma forma de manter a chama acesa, para outras, é visto como água que, quanto mais se deita, mais o fogo corre o risco de se apagar de vez.


O problema é quando essas visões diferentes pertencem a duas pessoas que estão a tentar levar a bom porto uma relação, já ela, assente em bases muito frágeis.


Como conjugar estes dois entendimentos, totalmente opostos, num propósito comum?


Como agir, sem se estar limitado ou condicionado nos movimentos, pela outra parte?


Como equilibrar, de forma a que a outra parte não tenha o sentimento de que o seu espaço individual não está a ser respeitado?


Como distinguir a linha que separa a rotina que conforta e aconchega, da que sufoca e desgasta? 

quarta-feira, 6 de agosto de 2025

Por entre os ramos das árvores

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Por entre os ramos das árvores, há todo um mundo para descobrir.


Aqui, forma-se uma espécie de cabana natural.


 


 


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Há folhas que sobressaem e contrastam com as restantes.


 


 


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Há o sol a querer irromper.


 


 


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Há troncos que parecem ter sido esculpidos.


 


 


 


 


 


 


 


 


 

terça-feira, 5 de agosto de 2025

Porque afastamos as pessoas que nos querem bem?

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Porque afastamos de nós (ou nos afastamos de) as pessoas que nos querem bem?


Porque as tentamos manter à distância, mal se aproximam quando, momentos antes, sem elas, só desejávamos tê-las por perto?


Porque retribuímos carinho, com frieza ou desprendimento, quando não é isso que sentimos?


Porque é que, em vez de aceitar e guardar os gestos de atenção, cuidado e amor (seja de que tipo for) que têm para connosco, pegamos neles, amachucamos e arremessamos de volta, como se não os quiséssemos?


Como se não precisássemos deles?


Quando, no fundo, é tudo o que desejamos?

Músicas que inspiram histórias #1

Imaginar a cena ao som da música Open Sky, de Ella D Ela estava a preparar-se para sair, quando o seu telemóvel vibrou. Uma mensagem. Dele. ...