quarta-feira, 23 de setembro de 2026

Pessoas que se alimentam de provocações e discussões

 



Quem nunca lidou com pessoas assim?
Que retiram prazer de ver os outros irritados ou desestabilizados?
Que se alimentam das reacções que geram nos outros?
Que transformam, sempre, uma conversa banal numa discussão disfarçada?
Que se acham donas e senhoras da razão, pessoas superiores, detentoras de verdades absolutas e que os outros não sabem do que falam?
Que querem "doutrinar" os outros para que pensem como elas, porque a visão delas é a única que está certa?
Que têm, seja por provocação, ou porque realmente o pensam, visões extremistas e radicais de tudo?
Que questionam as nossas escolhas ou opiniões de forma, aparentemente, inocente, apenas para nos tentarem encurralar?

Não sei se isso lhes proporciona adrenalina temporária. Talvez uma sensação de poder e controlo sobre o outro. Ou, simplesmente, estão entediadas e precisam de entretenimento.

Uma coisa é certa, não querem conversar ou debater diferentes ideias ou pontos de vista. 
Querem, apenas, vencer. 
Procuram, intencionalmente, um conflito.
Não estão minimamente interessadas em compreender o outro. Apenas em desgastá-lo.

Se conseguirem que, do outro lado, percam o controlo, a discussão está ganha, ainda que não tenham razão.
Se, por outro lado, são ignoradas, agem com fingida inocência, numa tentativa de voltar a estabelecer o contacto e a interação.

Se puderem, evitem pessoas destas na vossa vida.
São como vampiros, dispostos a sugar a vossa energia para se alimentarem a elas.
Se não tiverem como fugir, cortem o conflito.
Sejam entediantes. 
Optem pelo silêncio, ou respostas curtas e desinteressadas.
Não se justifiquem ou expliquem demasiado. 
Não vale a pena tentar mostrar que essas pessoas podem estar erradas.

E, como se costuma dizer, há um momento na nossa vida em que mais vale ter paz, do que ter razão!





terça-feira, 22 de setembro de 2026

"As Filhas do Silêncio", de Minka Kent




É o segundo livro que leio desta autora, e estou rendida.

Em "As Filhas do Silêncio", duas jovens, que toda a sua vida viveram isoladas do mundo, junto com a irmã mais nova, Evie, e a mãe, terão de enfrentar os seus maiores receios e sair da cabana, para a floresta, de forma a escapar ao homem que, na ausência da mãe, lhes invadiu a casa.
Acreditando que a mãe só iria levar a irmã à civilização para a curar, e que ambas voltariam em breve, Wren e Sage percebem que, provavelmente, foram ali deixadas para morrer à fome.
E quando o desconhecido lhes diz que as vai levar dali, elas antecipam-se, e fogem.
Essa fuga será o levantar do véu de uma teia de mentiras em que foram enredadas durante toda a sua vida.

Paralelamente, Nicolette e Brant, um casal aparentemente feliz, parece prestes a desfazer-se, quando Nicolette descobre que Brant guarda a fotografia suspeita na gaveta, anda a desviar dinheiro da conta dela para outra pessoa, e todas as sextas-feiras, de manhã, quando ela não está em casa, liga para uma mulher de nome Beth.
Acreditando que está a ser traída, roubada, e apunhalada naquilo que mais lhe dói - não poder ser mãe, e o seu marido ter uma filha com outra mulher - Nicolette não descansa enquanto tenta descobrir as provas de que necessita.

É quando está sozinha em casa, nessa busca, com o marido em viagem, que Wren e Sage lhes aparecem à porta, a pedir ajuda, sem saberem que, de certa forma, os seus caminhos e as suas vidas estão interligadas.

Afinal, não são só as jovens que viveram uma mentira. Também Nicolette apagou a verdade da sua mente e, agora, será obrigada a enfrentá-la.
Nada daquilo em que acreditava é totalmente verdadeiro. 
Há algo que ela não sabe, e que pode mudar para sempre o rumo da sua história.

Enquanto as autoridades tentam perceber o que aconteceu com as raparigas de Stillwater, e descobrir o paradeiro da mãe e da irmã mais nova, Nicolette e Brant investigam quem poderá estar a chantageá-los. Quem, tão próximo deles a ponto de saber algo tão íntimo sobre as suas vidas, seria capaz de usar essa verdade para extorqui-los de forma tão leviana, negando-lhes aquilo que lhes é mais precioso?

Uma história sobre mães que perdem os seus filhos. 
Mães que lidam, de formas diferentes, com o trauma da perda, em diversos sentidos. 
Com o luto. 
Uma história sobre memórias desvanecidas que, muitas vezes, são encaradas como fruto da imaginação e, outras vezes, parecem tão reais. 
Pesadelos que se creem partidas da mente mas que, no fundo, escondem segredos que não conseguimos ver, ou compreender.





  

 

segunda-feira, 21 de setembro de 2026

"Mal de Amores", na Netflix


 

A série ocorre no início do século XX, em plena revolução mexicana, e tem como protagonista Emilia Sauri, uma jovem boticária que tem o sonho de se tornar médica.

Emilia, criada numa família relativamente liberal para a época, vive em Puebla.

Desde criança criou uma amizade com Daniel, que se transformou num amor cego.

Daniel é um aventureiro, um revolucionário que coloca a causa política acima de tudo - acima da estabilidade, acima da sua segurança, acima do seu amor por Emilia.

Durante anos, o amor de ambos vai resistindo às ausências de Daniel, à incerteza sobre se estará vivo ou morto, aos momentos vividos a dois no meio de uma guerra que parece não ter fim.

Por mais do que uma vez, Emilia segue o seu coração, e Daniel, construindo vidas temporárias em acampamentos e povoações onde reina a pobreza, a doença, os feridos e as consequências da guerra.

No entanto, chega a um ponto em que Emilia terá de pensar em si mesma, e no que realmente quer para a sua vida. 

Depois de abdicar do casamento com Antonio, e de deixar a meio a sua formação em medicina, depois de ver a morte de perto e perder pessoas que lhe eram próximas, depois de tanto tempo longe de casa, Emilia decide que não é isso que quer para a sua vida.

E acaba por construir a sua vida ao lado de Antonio, tornando-se, finalmente, médica e exercendo a sua profissão no hospital de ambos.


"Mal de Amores" aborda o papel das mulheres naquela época - esposa e mãe, mercadoria de troca, sem direito a trabalhar ou expressar a sua opinião.

Emilia, e as mulheres da sua vida, desafiam essas convenções, dando azo a comentários mais depreciativos sobre as mesmas, ainda que isso não as faça deixar de ser elas próprias, donas das suas vidas e dos seus destinos.

Mas os homens da vida de Emilia também são dignos de nota, e verdadeiros exemplos, que a influenciaram, de forma positiva, na sua vida, no seu percurso e nas suas escolhas.

Quanto à vertente política, como sempre, a ideia que fica é a de que, quem não está no poder promete muito, mas depois de lá estar cumpre pouco, e aqueles que hoje eram seguidos fervorosamente, amanhã serão o inimigo.

Ainda assim, entre tomadas e quedas de governos, e governantes, há sempre algo que vai mudando na sociedade. 

Pode não se ter tudo o que se desejava, mas sempre se vai conseguindo uma conquista ou outra, pelo caminho.

E, talvez, isso já torne, de alguma forma, o mundo melhor.

sexta-feira, 18 de setembro de 2026

A semana numa imagem #18

 



Manhã fresca, mas luminosa.
O sol brilha no céu, apenas com umas pequenas nuvens, aqui ou ali, que em nada o afectam.
As árvores recebem os raios. 
E transformam-se.
Um contraste perfeito.
As cores não mentem!


quinta-feira, 17 de setembro de 2026

Ouriço-cacheiro

 



Esta bolinha de espinhos estava à minha porta, supostamente a fazer a sua refeição nocturna, ração dos gatos, e quase nem dei por ela!

Estava eu a regressar a casa, com uma caixa enorme nas mãos.

Pousei a caixa no degrau, para tirar a chave do bolso e abrir a porta, mesmo ao pé do bichinho, e não o vi.

Entrei em casa. Voltei à rua para trancar o portão e foi, ao virar-me de novo para a porta, que vi um ser estranho não identificado!

Pequeno demais para ser um gato. Quer dizer, até podia ser um gato bebé, mas esses não costumam aparecer ali.

Ao aproximar-me, percebi que era um ouriço-cacheiro. Ou porco-espinho, como é mais conhecido.

Nem se mexia, o moço, ali todo enroladinho. Nem lhe vi os olhos.

Tirei a foto. Entrei em casa.

Quando espreitei pela janela, já se tinha pisgado.

De pancinha cheia mas, ainda assim, muito ágil e veloz.

terça-feira, 15 de setembro de 2026

Histórias soltas #34: Ilusão


Naquele dia de Outono, estavam distantes.

No entanto, os seus pensamentos eram próximos do que imaginavam e, de certa forma, similares.

Como se a mente de um reflectisse a do outro, unidos, quem sabe, por uma mera ilusão.

A ideia que cada um tinha ou fazia do outro, era o que os cativava. 

Mas... corresponderia à realidade?

Enquanto se mantivessem nesse universo paralelo, haveria um permanente encanto. Um certo mistério. 

Se, pelo contrário, saíssem dele para o mundo real, talvez a ilusão se quebrasse.

Como quem hesita em abrir uma porta com receio de que, o que possa encontrar do outro lado, não corresponda ao que imaginou. E que, depois, não possam voltar atrás.

Era por isso que, por mais que pensassem em mudar as coisas, dar novos passos, experimentar sair da zona de conforto, deixavam-se estar.

Um a pensar no outro.

A querer estar, nem que fosse por breves momentos, mais perto do outro.

E, ainda assim, permanecendo distantes...




segunda-feira, 14 de setembro de 2026

Sorrir

 


É difícil não o fazer quando, até numa flor, nos deparamos com um sorriso!

Por vezes, sorrimos porque estamos felizes. Animados. Bem dispostos.

Outras, porque algo, ou alguém, nos desperta essa reacção. Uma frase. Um gesto. Uma memória.

E há momentos em que sorrimos para esconder o que nos vai no coração, e no pensamento. Como uma capa.

Ou como forma de lutar contra o que de mais negativo se está a tentar apoderar de nós. Uma arma.

Sorrir faz bem.

Contagia.

E é grátis!



domingo, 13 de setembro de 2026

O alicerce


 
Nem sempre escolhemos sê-lo.
Não deliberadamente. Não conscientemente.
São as circunstâncias da vida que, muitas vezes, nos levam a assumir essa posição.
Por nós, e pelos que nos são mais próximos.
Então, passamos a ser vistos como a "pessoa forte", que resolve tudo, que tem sempre uma solução, que apoia. 
O pilar que segura tudo, que mantém a estrutura intacta, e nunca desaba.
E passa a ser a nossa "identidade". 
Porque a ideia que temos é a de que, se não o fizermos, mais ninguém o fará.
Como nunca, antes, fizeram.
Como alicerce, guardamos para nós aquilo que sentimos, como se não fosse relevante ou importante.
É-nos difícil baixar a guarda, quando acreditamos que só podemos contar connosco.
E quem nos rodeia tende a achar que estamos sempre bem, porque somos "fortes".
Nem sempre estamos.
Por vezes, a única coisa de que precisamos é de colo. E, por vezes, não há ninguém para no-lo dar. 
Porque, afinal, somos os "fortes".
Mas até o alicerce precisa de cuidados.
Porque até pode resistir às tempestades, mas os efeitos vão-se infiltrando.
E, depois, quando menos se espera, quando o pior já passou, por vezes, o alicerce cai...

sexta-feira, 11 de setembro de 2026

A semana numa imagem #17

 



Pousadas no pontão, um dos seus pontos de vigia habituais, as gaivotas andam à luta com as ondas que, volta e meia, rebentam por ali e as fazem levantar por segundos, até a água sair, e voltarem a pousar.

Já por entre o areal e as rochas, encontramos a rola-do-mar.

Também ela a tentar escapar de molhar as patas, enquanto procura petisco ou se limita, como mera espectadora, a observar o mar.

Ou então, está simplesmente a tentar abstrair-se de uma certa "ave rara" que insiste em persegui-la, para conseguir uma fotografia da sua beleza!

quinta-feira, 10 de setembro de 2026

Já cheira a Outono

 



Já cheira a Outono.

Por muito que, um dia ou outro, a temperatura suba para valores que nos relembram que ainda é Verão, a verdade é que os restantes dias têm estado mais frescos.

Manhãs nubladas, fins de tarde a prometer chuva.

As folhas das árvores, envelhecidas precocemente, já começam a cair e a forrar a terra, ou o alcatrão, de várias cores.

Os dias já se sentem mais pequenos.

Em breve, recomeçará um novo ciclo de regeneração da Natureza.

segunda-feira, 7 de setembro de 2026

Gripe A - uma estreia lá em casa


 

A minha filha constipou-se. Supostamente.

Dor de garganta, expectoração, tosse.

Andou a tomar ibuprofeno, pastilhas para a garganta, chás, mucolítico. 

Esteve assim duas semanas. 

Parecia não haver forma de melhorar mas, no fim da segunda semana, viu uma pequena luz ao fundo do túnel.

Muito breve.

A terceira semana trouxe de volta a tosse, a febre, os vómitos.

Perdeu o olfacto, e o paladar.

Foi à urgência para ver se lhe receitavam antibiótico porque mais parecia estar com uma infecção respiratória a arrastar-se sem o devido tratamento.

A médico disse que não era nada de grave.

Já em casa, por curiosidade, e porque já tinha feito um teste de Covid que deu negativo, fez o que dá para várias gripes e covid. 

Deu positivo para gripe A.

Uma estreia lá por casa.

Diz ela que, ao pé da gripe A, o Covid foi uma brincadeira. E que não deseja a ninguém.

À quarta semana, parece estar, finalmente, a recuperar.

Já que a primeira semana de férias passou na cama, a ver se aproveita a semana restante de uma forma melhor, e com mais ânimo.


E eu?

Bem, nas primeiras duas semanas, escapei. 

No final da terceira semana, comecei a sentir-me estranha e pensei: já apanhei o vírus. Mas não, deu negativo.

Para o tsunami que parecia estar a formar-se dentro de mim, a suposta onda gigante dissipou-se antes de chegar, atenuando os efeitos. 

Ainda assim, não me livrei das dores de cabeça, dores no corpo, e uma torneira a pingar constantemente.

Talvez uma constipação, ou uma crise de sinusite.

A esta altura, acho que já não corro risco de contágio pela minha filha.




Músicas que inspiram histórias #1

Imaginar a cena ao som da música Open Sky, de Ella D Ela estava a preparar-se para sair, quando o seu telemóvel vibrou. Uma mensagem. Dele. ...