Não vou falar novamente do Salvador, mas de todas as restantes músicas que participaram, e da gala final em si.
Começo, talvez, pelo momento mais hilariante: aquele em que Jamala começa a cantar, e alguém do público decide subir ao pequeno palco, passar à frente dela, despir-se e mostrar o rabo, antes de ser retirado pelos seguranças!
Confesso que não me agradou a música nova dela, nem tão pouco a voz dela na interpretação da mesma.
Já o novo tema da Ruslana, a vencedora ucraniana em 2004, adorei!
Relativamente às músicas a concurso:
- Hungria - não dei por ela na semifinal, mas confesso que gostei de ouvi-la no sábado, e de ver a bailarina, que acompanhava o cantor, dançar, reproduzindo quase um casal cigano num qualquer ritual característico do seu povo, embora não fosse uma das minhas favoritas.
- Croácia - o homem das duas vozes - a música é muito bonita, e trouxe aquele efeito de dueto, misturando uma voz pop com uma voz lírica. Contudo, confesso que não apreciei muito a parte lírica.
- Suécia - a sério que não compreendo como é que conseguiu ficar nos primeiros lugares da tabela, a música era mais uma igual a tantas outras, e a única coisa que sobressaía ali era o "Ken" e companhia, que mais pareciam bonecos formatados para fazer aquela coreografia sem falhas.
- Bielorússia - era uma música mais tradicional, alegre, que convidava à dança, mas fizeram barulho a mais. Cheguei a meio da música, e só pedia uma parte mais calma, ou que se calassem de vez.
- Espanha - meu deus, a sério que levaram aquela música?! Eu até gostei, mas para ouvir no verão, nas férias, numa esplanada na praia, ou numa viagem de carro, para animar. Mas era mesmo a mais fraquinha.
- França, Reino Unido e Alemanha - a par com a Espanha e a Itália, são os "5 grandes" que estão sempre automaticamente apurados para todos os festivais porque são eles que contribuem com o financiamento. Isso não é, no entanto, sinónimo de boas músicas. E acabam por tirar lugar a outras que talvez merecessem mais, e que tiveram que ficar pelo caminho. A do Reino Unido foi a que mais gostei, destas três.
- Itália - desde sempre a favorita à vitória, ouvi-a pela primeira vez no sábado. Gostei do ritmo, e da mensagem, mas não compreendi todo o favoritismo dado à música. E a verdade é que, somados os votos, ficou muito aquém do esperado.
- Holanda - lembraram-me mesmo as Wilson Phillips! Tanto na composição de três elementos como, em certas partes, no próprio timbre. Mas não era das minhas preferidas.
- Polónia - pode não ter tido a melhor música, embora eu tenha gostado, mas o que é certo é que a cantora tem uma grande voz, e faz-me lembrar alguém, não sei se a Celine Dion ou outra artista do género.
- Ucrânia e Noruega - para mim, foram duas das piores músicas que ali se apresentaram.
- Áustria - não trouxeram uma mulher barbuda, mas um rapaz simples, com uma música simples e bonita, da qual destaco esta parte do refrão " if you push me down I’ll get up again, if you let me drown I’ll swim like a champion, I’m sure there’ll be good times, there’ll be bad times, But I don’t care..."
- Moldávia - com o seu tema "Hey Mamma" e aquela despedida de solteiros, consegue ficar no ouvido e dá vontade de dançar. Gostei especialmente da parte do saxofone, e da coreografia. No entanto, não lhe daria o lugar de destaque que obteve.
- Chipre - com o seu Gravity, foi mais uma música que ficou no ouvido, pelo menos a parte do refrão, e mais uma que exigia coreografia a rigor. É uma boa música comercial, para ser ouvida nas rádios, como muitas outras que por este festival passaram.
- Grécia - também gostei da música da Grécia, independentemente da pouca pontuação que obteve.
Aquelas que não me aqueceram nem arrefeceram:
Israel
Arménia
Dinamarca
Australia
Entre as minhas preferidas estavam:
Bélgica - por ser diferente, por não precisar de gritos para se destacar, gostei mesmo da voz da Blanche- uma voz pequenina, mas que pode crescer, tanto num tom mais grave como no mais agudo
Bulgária - adorei a música e ainda mais, a segurança da interpretação de um miúdo de 17 anos
Roménia - que se há-de fazer, adorei aquela mistura de hip hop com yodelling
Azerbeijão - com o seu "Skeletons" que levou, do juri português, os 12 pontos
E, mais por uma questão de ser o nosso representante, e não tanto pela música: Portugal!
Não tinha ouvido o Salvador cantar com a irmã na final do Coliseu dos Recreios. Pude ouvi-los nesta final. E, ao contrário de muitas opiniões, que preferem ouvir a música portuguesa na voz da Luísa, eu acho que só poderia ser cantada pelo Salvador, e é cantada por ele que gosto de ouvir.
Curiosamente, fui ouvir o seu tema "Excuse Me" e um outro em português, porque não conhecia ainda, e não gostei de nenhum.
Talvez a dupla perfeita seja a Luísa como compositora, e o Salvador como intérprete!
Mas, voltando ao festival, foi muito divertido ver o treino militar que tiveram os apresentadores, e que proporcionaram, também eles, momentos únicos.
Para terminar, uma constatação: por mais festivais que veja, ano após ano, nunca irei perceber o que faz com que uma determimada música seja eleita vencedora.
Ah e tal, normalmente ganham músicas com uma mensagem inerente. Nem sempre! Já se fizeram músicas com mensagens fortes, que não ganharam.
Ah e tal, ganha a excentricidade. E depois, no ano seguinte, surgem músicas excêntricas, e não resulta.
Ah e tal, são questões políticas. A mesma razão que apontavam para Portugal nunca ter ganho. E, no entanto, vencemos este ano.
Ah e tal, ganham músicas cantadas na própria língua, tradicionais. Falso. Muitas vezes, essas ficam nos últimos lugares.
Ah e tal, o que está a dar é cantar em inglês, ou dividir fifty-fifty. E a teoria cai por terra, porque quase todos o fazem.
Ah e tal, o aparato também conta muito; o ser bizarro; o facto de dançar para além de cantar. Na prática, nem sempre dá certo.
Ah e tal, ganham músicas simples. Querem apostar que, para o ano, vão imitar o Salvador, e não terão sucesso?
Já ganharam tantas músicas diferentes, por motivos tão diferentes, que é difícil acertar na fórmula milagrosa da vitória.
Mas, em cada ano, há um cenário e uma conjuntura que torna tudo mais favorável, e um alinhamento do que quer que seja, que se traduz numa estrelinha que aponta à vencedora.
Este ano, felizmente, tudo se alinhou para o lado português! E ainda bem que assim foi. Se a receita se deve exclusivamente ao mérito dos manos Sobral, isso permanecerá um mistério...
Imagens: Andres Putting (https://eurovision.tv/)
Aquele saxofone da Moldávia fica no ouvido e alcançaram um bom lugar! =) A da Roménia também me cativou!
ResponderEliminarOs meus parabéns aos nossos representantes =)
Beijinhos
Marta para mim o que ganhou este ano, sem sombra de dúvidas (opinião pessoal, claro) foi tudo o que se passou em volta deste festival. O entusiasmo perdido voltou em força. Eu assisti a tudo, com uma adrenalina tal!!!
ResponderEliminarGostei do som da Húngria e adorei a da Moldavia, com o seu saxofone.
ResponderEliminarAs minha favoritas foram da Bulgária e da Austrália, sinceramente não gostei da Itália e nem vou falar nos noutros hermanos, acho que ficaram em último, não foi?
Não consigo decidir se gostei mais da Moldávia ou da Roménia. Adorei estas duas músicas, muitos animadas. Em seguida, ficou sem dúvida a Bélgica, depois não gostei de mais nenhuma.
ResponderEliminarQuer dizer, também engracei com a da Hungria mas aquele final à década de 80 em que ela o abraça por trás dando ideia de uma submissão feminina estragou tudo
Acho que sim, com 5 pontos, seguidos da Alemanha :)
ResponderEliminarE olha que a da Itália já tinha ganho um prémio qualquer. O gorila era desnecessário, a música era gira mas normal. Só a letra tinha uma mensagem.
O que quer que tenha sido, ainda bem que nos possibilitou este momento, que não se irá repetir tão cedo!
ResponderEliminar3º lugar para a Moldávia, com as suas noivas! 7º lugar para a Roménia.
ResponderEliminarE o Salvador Sobral com salas de concertos esgotadas!
Beijinhos
Bom, poucas vi e ouvi, estava concentrada em Portugal.
ResponderEliminarGanhamos e porque estamos em festa, vou já ver o 5 para a meia-noite que vão falar do festival.
É para rir.
Beijinho