terça-feira, 30 de setembro de 2025

Enquanto esperava...

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...naqueles minutos, enquanto não chegava a minha vez, fui observando quem, por ali, estava. E quem ia chegando.


 


Um casal de idosos, ela a guiar o marido, debilitado, até ao gabinete onde aquele iria ser atendido.


Lembrei-me dos meus pais. Se fossem vivos, talvez fossem eles ali. Ou talvez não. O meu pai, provavelmente, iria sozinho. A minha mãe, talvez, comigo.


 


Uma outra senhora, também já idosa, chegou sozinha.


É o que acontece quando não há ninguém disponível para acompanhar.


Ou quando não se quer chatear ninguém com essas coisas.


 


E pensei em mim.


Ali estava eu, sozinha, apenas para levantar uns exames.


Mas, como será quando chegar àquela idade?


Entraria ali com o companheiro de uma vida? Ele a tomar conta de mim, ou eu a acompanhá-lo na sua luta? Como em todos os outros momentos da vida?


Ou estaria ali sozinha, independente, entregue a mim própria?


 


 

segunda-feira, 29 de setembro de 2025

"Sweet Magnolias", na Netflix

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Mais uma daquelas séries, com várias temporadas, que me foi recomendada na sequência das duas anteriores.


Sweet Magnolias, que é o nome dado às três amigas - Maddie, Dana Sue e Helen - é uma história de amizade.


 


Passada em Serenity, mostra-nos como vive uma comunidade pequena, mas unida.


O que tem de diferente, relativamente a outras, é a componente religiosa. Quase todos os residentes frequentam a igreja e têm, na pastora June, uma amiga, conselheira e confidente.


Aliás, muitas personagens citam, ao longo das temporadas, frases que assentam nos ensinamentos divinos, ou livros bíblicos.


Há, também, diversas iniciativas,  promovidas pela igreja, incluindo para os mais jovens, que os movem a fazer o bem ao próximo, a ser úteis, a servir a comunidade.


 


O enredo gira em torno da vida das três amigas, focando-se nas suas famílias, carreiras e romances.


Em simultâneo, vamos vendo crescer uma nova geração de amizades, nomeadamente, entre os filhos de Maddie e Dana Sue, a que se juntarão outras personagens, com o decorrer da história.


E posso dizer que, apesar de serem crianças/ adolescentes a serem isso mesmo têm, muitas vezes, atitudes mais honestas e sem filtros, e um discurso ou forma de se expressar mais adulta, que muitos adultos. 


A amizade está, ainda, presente no núcleo masculino.


 


Maddie deve ser das poucas personagens femininas, ditas "boazinhas", das séries que tenho visto, que é a minha preferida, comparativamente às amigas Helen e Dana Sue.


Longe de ser perfeita, como mulher, como mãe, como amiga, ela esforça-se sempre por melhorar, por se encontrar, por se reinventar e seguir em frente, errando, aprendendo, crescendo.


E é por isso que todos gostam dela, a respeitam e admiram.


 


Relativamente à Dana Sue (ainda não percebi porque não pode ser apenas Dana), tenho sentimentos contraditórios sobre ela.


Por um lado, é uma pessoa amistosa, sempre preocupada com os outros, prestável. Por outro, sobretudo com a filha, mas também em algumas situações com as amigas e com os seus funcionários, consegue ser uma pessoa arrogante, com ar de superioridade, muito rígida, rude.


É aquela pessoa que tem tanto de empatia, como de antipatia.


 


Já a Helen, que começou por ser apresentada como uma mulher empoderada, independente, de forte personalidade, foi-me desapontando em muitos momentos da série, por conta de algumas das suas atitudes.


Confesso que é uma personagem que me irrita. Até mesmo a sua forma de falar.


Achei a discussão entre as amigas, na terceira temporada, totalmente absurda. E tanto Helen, a principal interveniente, como Dana Sue, apanhada no meio, foram muito injustas com Maddie.


Como amigas que são, há décadas, e mais do que à vontade para isso, todas elas fazem perguntas sobre as vidas umas das outras, se preocupam e querem ver as restantes felizes.


Todas dão conselhos, todas se metem na vida umas das outras, porque têm confiança para isso.


E, do nada, a Helen fica ofendida com uma pergunta perfeitamente normal, e habitual? Fica ofendida com uma preocupação genuína? A ponto de expulsar as amigas de casa e quase cortar relações com elas?


 


Mais à frente, na quarta temporada, outra vez uma cobrança parva, uma conversa sem sentido, quando o objectivo era ser uma surpresa para todos. 


Mais uma vez, a mostrarem-se contraditórias, e pouco amigas - primeiro chateiam-se com Maddie por fazer uma simples pergunta, normal entre amigas, por supostamente ela estar a intrometer-se na vida de Helen. 


No entanto, agora, ficam ofendidas por não se terem "intrometido" num momento que foi preparado em família.


A ideia que fica é que tem de ser tudo à maneira de Helen ou Dana Sue, e que Maddie não pode ter voz ou vontade própria.


Enfim, talvez tudo isso faça parte de uma amizade - os ciúmes, a injustiça, as cobranças, as zangas, as parvoíces. 


 


As personagens que mais me cativaram foram Trotter, o professor de ioga do SPA, e Paula, mãe de Maddie.


Acredito que são abençoadas as pessoas que têm a sorte de os ter como amigos.


São duas personagens extraordinárias, sempre com bons conselhos, prontas a ouvir o próximo, a ajudar, a não julgar, a trazer ao de cima o melhor de cada um dos que os rodeiam.


 


Não achei grande piada ao Cal, apesar de ser um protagonista.


O Bill é o típico mulherengo. Não consegue estar sozinho. Ainda casado, envolve-se com Noreen e engravida-a, deixando a mulher. Depois de Noreen o deixar, ao ver que ele não está nem um pouco comprometido na relação de ambos, ele acaba por iniciar um novo romance.


Confesso que, mais para o fim, ele tem o seu momento de redenção e, apesar de tudo o que fez, e do mal que causou, uma ou duas pessoas foram injustas com ele, e agiram motivadas por fundamentos sem qualquer sentido.


Sem sentido foi também o final desta personagem. Demasiado "planeado", para algo que era suposto ser repentino.


 


A Noreen foi daquelas personagens que me irritou ao início, depois redimiu-se, e mais para o fim voltou a decepcionar. Com o Isaac foi semelhante - primeiro uma desconfiança, depois a positiva surpresa e, sem motivo, mais à frente, a cair um bocadinho na minha consideração.


 


Costuma-se dizer que "tudo está bem quando acaba bem". No entanto, nem tudo pareceu ter terminado bem, nesta quarta temporada. Ou, pelo menos, como o público desejaria.


Vamos ver o que traz de novo a quinta temporada, ainda por estrear.


 



 


 


 


 


 


 


 

sexta-feira, 26 de setembro de 2025

Dois pássaros a voar

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Voarão juntos, no mesmo sentido?


Ter-se-ão, apenas, cruzado pelo caminho?


Ou estarão a despedir-se, seguindo em sentidos opostos? 


 


Irão, eles, rumo ao pôr do sol?


Ou, pelo contrário, ao encontro da lua?


Talvez se percam, pela noite, por entre as estrelas.


 


Texto escrito para o Desafio 1 Foto, 1 Texto

quinta-feira, 25 de setembro de 2025

A oportunidade

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"Sabes qual é a coisa mais assustadora que podes enfrentar?


A oportunidade."


(do filme A Outra Paris)


 


Será?!


Será que, quando ela aparece, olhamos para ela com mais receio, do que coragem?


Será que, perante ela, retrocedemos, ao invés de avançarmos?


Deixamo-la ir, quando a deveríamos a agarrar?


Boicotamo-la, em vez de a fazer prosperar?


 


 


 

quarta-feira, 24 de setembro de 2025

Histórias Soltas #31: O menino e a flor

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Naquela pequena aldeia, viviam-se tempos difíceis.


A seca extrema obrigou ao racionamento da água, que era usada apenas para o essencial.


Naquela pequena aldeia, numa casinha de pedra, morava um menino. No jardim, a sua flor. 


Eram companheiros, cúmplices. Tinham-se um ao outro. E ele não queria que a história de ambos terminasse.


Não havendo forma de a regar, como em outros tempos, e com a chuva a teimar em não cair, não sabia bem como mantê-la viva.


Mas, sempre que podia, sempre que conseguia, à socapa, guardar umas gotas de água, levava à sua flor.


Não era muito. Não era, certamente, o suficiente. Mas era melhor que nada. Talvez, com sorte, essas pequenas gotas lhe permitissem resistir mais um pouco.


Era a única coisa que ele podia fazer. Dar-lhe algum alento. Esperança. Por ela, e por ele.


 


No entanto, a flor via as coisas de outra forma.


Aquelas gotas, não só não lhe matavam a sede, como pareciam, pelo contrário, fazê-la ansiar por mais água.


Água que não sabia quando, ou se, algum dia, viria.


Não sabia quanto tempo mais aguentaria sem a água que, realmente, necessitava.


Além de mínima, parecia que aquela água já nem tinha o mesmo sabor de antes. Parecia insípida.


Talvez ela estivesse mesmo condenada.


 


Então, entrou em modo de rejeição.


Começou a recusar as poucas gotas que o menino lhe trazia.


Ao contrário do menino, que acreditava que mais valia pouco, que nada, a flor começou a pensar que mais valia nada, que tão pouco, se o fim que os esperava era o mesmo.


O menino não conseguia compreender.


Ainda insistiu, contrariando-a. Levando, de vez em quando, as suas preciosas gotas.


Mas vendo a atitude da flor, acabou por, também ele, se render. E desistir.


 


A flor percebeu que, quanto menos água tinha, menos parecia precisar dela.


Menos lhe sentia a falta.


Achou que era um bom sinal. Que a sua resolução estava a resultar.


Até que, um dia, simplesmente, morreu.


E, com a sua morte, também a de uma bonita história, que poderia ter tido outro final.


 


 


 


Imagem: abano


 


 


 


 

terça-feira, 23 de setembro de 2025

Isto não é sobre escrita...

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Pode parecer mais fácil pegar em algo que já está escrito, e fazer apenas ajustes, do que criar algo novo.


 


No entanto, o problema de querermos corrigir algo que já está escrito é que, de tanto escrevermos por cima, anotarmos, riscarmos, acrescentarmos ou mudarmos as palavras, frases ou excertos, chegamos a um ponto em que perdemos o fio à meada.


Em que olhamos para aquele emaranhado, e não percebemos nada do que está escrito.


Porque é demasiado confuso. Ou parece não fazer sentido nenhum.


 


Por outro lado, pegando numa folha em branco, para criar uma nova história, podemos escrever aquilo que queremos, do início ao fim, da forma como queremos.


Só que também, perante ela, muitas vezes, nos perdemos.


Porque não fazemos a mínima ideia do que escrever. De como começar. 


Que história contar.


Bloqueamos.


Limitamo-nos a olhar, e deixamo-la ali, sem saber o que fazer com ela. 


 

segunda-feira, 22 de setembro de 2025

"Tudo O Que Ficou Por Dizer", de Rebecca Yarros

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Noah e Georgia encontram-se, por acaso, numa livraria.


Ela, na secção de romance, onde se encontram os livros publicados pela sua bisavó.


Ele, na secção de ficção, onde entenderam colocar os seus próprios livros.


Na opinião de Georgia, são mundos separados.


Mas, onde termina uma, e começa outra?


Não pode, o romance, ser ficcionado? Não pode, a ficção, conter romance?


 


No entanto, a grande discussão entre ambos será sobre outro eterno dilema: um final real ou um final feliz?


Scarlett Stanton era uma famosa escritora de romances, cuja imagem de marca das suas obras assentava num final feliz.


Tendo falecido, e deixado um manuscrito por terminar, caberá a Noah escrever o restante. Ele quer honrar a autora, e dar-lhe o "seu" final feliz.


No entanto, a bisneta, Georgia, quer que o final da história da sua bisavó seja um final real, ainda que cru, triste, trágico, por se tratar daquilo que, realmente, aconteceu. Ou o que se supõe que aconteceu. A verdade é que, tal como o manuscrito, a história de Scarlett e Jameson foi interrompida, sem ter um final.


 


Discordando de quase tudo, mas atraídos um pelo outro, Noah e Georgia serão, como seria de esperar, o típico caso de "inimigos a amantes".


Mas, mais importante do que a sua história de amor, na actualidade, é a história de amor de Scarlett e Jameson, no passado. 


Aquela que ficou inacabada. E tudo o que ficou por dizer, escrever ou viver.


 


Esta é também, uma história sobre confiança.


Como conquistá-la. Como merecê-la. Como destrui-la. Como reavê-la.


Como voltar a acreditar.


 


Sobre expectativas. E desilusões.


Sobre anulação. E redescoberta.


 


E há, também, um segredo.


Um segredo que pode abalar a única confiança que se mantinha intacta.


 


Confesso que estou a gostar muito de descobrir as obras da Rebecca Yarros.


E esta história arrebatou-me!


Alvitrei algumas possíveis hipóteses sobre esse segredo, mas estive longe de imaginar a imensidão do mesmo.


A descoberta, já quase no final, foi mesmo surpreendente.


 


 


Sinopse:


"Georgia Stanton regressa à sua cidade natal após a morte da bisavó, uma famosa escritora de romances, que ela amava como uma mãe. Herdeira dos direitos autorais, será Georgia a decidir o futuro do manuscrito que ficou inacabado.
Encarregado de terminar o texto estará Noah Harrison, um arrogante e atraente autor de bestsellers. Georgia odeia Noah desde o primeiro minuto, pelo que ele terá de conquistar a sua confiança… e, mais tarde, talvez o seu coração.
Juntos, apercebem-se de que Scarlett estava a guardar a maior história de amor para o fim: a sua. Mas o que Georgia e Noah não suspeitam é de que esta história esconde um grande segredo que pode mudar tudo."

sexta-feira, 19 de setembro de 2025

Dia de chuva

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Chove...


 


Depois de dias soalheiros, eis que ela vem: a chuva.


Veio de mansinho, durante a noite.


Deixou-se ficar, para o dia.


 


Um dia taciturno, melancólico.


Um dia confuso, em que nada parece estar no seu lugar. No seu tempo. 


Um dia que não é fim, nem começo.


 


Mas a chuva mantém-se, indiferente a como, a ela, reagem.


Afinal, está habituada a ser venerada por uns. Amaldiçoada por outros.


Como em tudo na vida, cada um escolhe como acolher aquilo que a natureza lhe dá.


 


E aquela folha, cujo destino se antevê triste, caída no chão, fê-lo com dignidade.


Enquanto tudo à volta permanece cinzento, ela ganhou cor. Ganhou brilho. 


Adornada por gotas de todas as formas.


 


Texto escrito para o Desafio 1 Foto, 1 Texto

quinta-feira, 18 de setembro de 2025

Frenesim

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Enquanto, na árvore ao lado, tudo está tranquilo, na mais absoluta paz, nesta, a escassos metros de distância, há todo um frenesim.


Dezenas de pássaros entram e saem. Sobem e descem nos ramos.


Tagarelam uns com os outros.


Há vida, disso não restam dúvidas.


Talvez alegria, como quem prepara alguma festa, ou apenas porque estarem vivos já é, por si só, uma festa.


Ou talvez a pressa habitual do fim de mais um dia de trabalho.


E há ruído, isso é certo. A contrastar com o silêncio da vizinha.


Quem sabe, para destoar. Quem sabe, para equilibrar.

quarta-feira, 17 de setembro de 2025

"Ele Sabe Os Teus Segredos", de Charlie Gallagher

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Ingenuidade.


Vergonha.


Medo. 


Círculo vicioso.


Descrença.


Conformismo.


 


O que parece ser algo completamente normal, pode transformar-se numa armadilha.


E, uma vez apanhado por ela, não há como fugir.


Primeiro, por vergonha. Depois, por medo. Por si, e pelos seus.


É assim que aquilo, que pensavam ser um pesadelo de uma noite, que só queriam esquecer, se torna um tormento diário, que lhes destrói a vida, e a dignidade.


Um círculo vicioso no qual são obrigadas a permanecer porque, afinal, quem acreditaria nelas?


Como conseguiriam escapar dessa teia, sem sofrerem as consequências?


Então, depois da revolta, da insubordinação, e do castigo,  resta a descrença, e o conformismo.


 


A não ser que, não havendo mais nada a perder, haja alguém disposto a sacrificar-se, para que a pessoa que mais amam seja libertada e, com ela, todas as outras.


Um acto de desespero? Ou de coragem? Ou andarão, ambos, de mãos dadas, lado a lado?


 


Certo é que Holly tinha um objectivo claro em mente, e um plano bem elaborado que, se corresse bem, libertaria Kelly da teia em que estava presa.


Mas Kelly não está pronta para ir à polícia.


Há uma outra vida em perigo e, por muito que ela queira, não consegue ignorar.


Por isso, cabe a Maddie, a inspectora que está a investigar o acidente, seguir as pistas, decifrá-las e chegar aos criminosos, antes que eles acabem com a vida de Kelly, e a morte de Holly tenha sido em vão.


 


Uma história sobre chantagem, tráfico sexual, e abuso de menores, que não deixa ninguém indiferente.


 


 


Sinopse:


"Quando Holly Maguire apanha um táxi até ao topo de uma falésia, está decidida a corrigir um grande erro, porém, momentos depois, o carro desliza pela encosta. Enquanto cai para a morte, Holly agarra com firmeza uma mochila, que contém a chave para derrubar um criminoso perigoso.


Kelly Dale acorda para o pior dia da sua vida. A mãe faleceu na noite anterior, após uma dura luta contra o cancro, e agora uma mensagem enviada pela namorada, Holly, leva-a até ao local do acidente, mas é demasiado tarde. Em poucas horas, perdeu as duas pessoas mais importantes da sua vida. E a seguir… pode ser ela.


Tudo aponta para um trágico acidente, ou suicídio, contudo Maddie não se deixa convencer. Holly era trabalhadora do sexo, e a história oficial não encaixa. Dentro da mochila, elementos aparentemente banais revelam uma teia sinistra que conduz até um poderoso chefe do crime.





Cabe à inspetora Maddie Ives descobrir a verdade, antes que Kelly também já não possa falar.


O TEMPO ESTÁ A CONTAR… E KELLY NÃO PODE ESPERAR."




terça-feira, 16 de setembro de 2025

Devaneios

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Todos lhe diziam que deveria aproveitar a vida.


Viver cada dia como se fosse o último.


 


No entanto, os dias repetiam-se. Um após o outro.


Por semanas. Por meses.


As mesmas pessoas. Os mesmos lugares.


As mesmas responsabilidades e obrigações.


 


Começara, aos poucos, a perder o entusiasmo.


A garra. A inspiração.


 


Ansiava por algo novo.


Que lhe desse um novo alento.


Que lhe despertasse, novamente, o prazer pelas pequenas coisas.


 


Sabia que lhe faria bem uma mudança.


Sair dali. Nem que fosse por uns dias.


Sabia, também, que nunca o faria.


 


Eram, apenas, devaneios.


Pensamentos que lhe vinham à mente para fugir ao marasmo da sua vida.


Como quem se apresenta, de malas aviadas, na estação, mas limita-se ver o comboio partir, sem nunca entrar nele.


Quem sabe se na esperança de que, apenas por estar ali, algo mudasse.


E a magia acontecesse.


 


Talvez lhe bastasse a ilusão.


Talvez lhe faltasse a coragem.


Talvez ainda não fosse o momento.


Ou, talvez, já o tivesse deixado passar.


 


 


 


 

segunda-feira, 15 de setembro de 2025

"Com Amor, Mãe", de Iliana Xander

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Dos melhores livros que li este ano!


A história começa a encaminhar-nos, com a morte de Elisabeth Casper (ou, na sua vida anterior, Elisabeth Dunn), num sentido, fazendo-nos formar um determinado "juízo de valor" sobre a mesma, à medida que vamos tendo acesso às cartas - páginas de um diário antigo de Lizzy - e ao seu conteúdo.


 


É certo que Lizzy não teve uma infância e adolescência fáceis mas terá, isso, tornado, aquela mulher, alguém sedento de vingança? Uma assassina?


Ao que parece, os seus livros, todos best-sellers, inspiraram-se na sua própria história de vida. 


E, de acordo com os livros, os três rapazes que abusaram dela tiveram o merecido castigo. Na vida real, morreram de forma suspeita.


Mas não terão sido os únicos.


 


Ou, então, talvez estejamos a ver tudo da perspectiva errada. Sem saber de todos os factos.


Afinal, a primeira parte é contada no presente. Na perspectiva de Mackenzie/ Lizzy.


É preciso voltar atrás, ao passado, para perceber como tudo começou. Nas perspectivas de Ben, pai de Mackenzie, e Tonya, alguém que conhece Lizzy ainda há mais tempo.


Aí, percebemos que nem tudo o que está escrito é, necessariamente, real. Nem sempre devemos acreditar em tudo o que lemos.


E, por vezes, os vilões são, afinal, as vítimas. Seja de assassinato, ou de algo bem pior.


 


De volta ao presente, na terceira parte da história, a autora dá-nos, então, todos os pontos necessários para desvendar o grande mistério, o grande crime, a grande mentira!


Aquela que vai virar a vida de todos de pernas para o ar, e trazer uma justiça tardia, mas necessária, e mais que merecida.


 


 


Sinopse:


"Embora seja uma estudante notável, Mackenzie Casper é mais conhecida por ser a filha de uma escritora bestseller de thrillers sombrios.


Quando a mãe morre num acidente, o mundo literário chora a sua perda, porém, Mackenzie é atormentada por muito mais do que o luto.


No dia da cerimónia fúnebre, ela recebe um envelope misterioso, assinado:


Do fã #1. XOXO


Lá dentro, encontra páginas do diário da mãe com uma pergunta inquietante:


Queres saber um segredo?


Com amor, Mãe.


O que lê deixa-a em choque.


Depois chega uma segunda carta.


E uma terceira…


É assim que Mackenzie dá início a uma investigação que a leva a tropeçar em segredos familiares há muito enterrados.


Não demorará a descobrir que o caminho da mãe para o estrelato foi sustentado por mentiras sinistras que enredaram toda a família.


À medida que se aproxima da verdade, Mackenzie percebe que afinal...


… HÁ COISAS PIORES DO QUE UM ASSASSINATO."

sexta-feira, 12 de setembro de 2025

A Romãzeira

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Ali tem estado, discreta, quase sem se dar por ela.


Confundida com qualquer outro arbusto, planta ou erva.


 


Mas, de repente, quando damos por isso, ela cresceu.


Já se faz notar. Já tem presença.


 


 


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Com o passar do tempo, a flor dá lugar ao fruto.


Como se costuma dizer, não há flor que não dê fruto.


 


Mas, como a paciência é uma virtude, há que esperar que esteja no ponto.


Afinal, é uma fruta de Outono.


 


Neste momento, ainda estão a ganhar cor.


Mas de certeza que valerá a pena a espera, a quem a plantou!


 


 


Texto escrito para o Desafio 1 Foto, 1 Texto

quinta-feira, 11 de setembro de 2025

Navegar no desconhecido, no mesmo mar de sempre

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Há momentos, na nossa vida, em que nos sentimos a navegar no desconhecido, ainda que no mesmo mar de sempre.


Faz sentido?


Talvez.


Até porque, lá está, o mar pode ser o mesmo de sempre, mas tudo nele pode mudar de um momento para o outro.


As correntes, as marés, a agitação.


O mar não é estático. Ainda que seja sempre mar, água, ondas.


Da mesma forma, por muito que tudo pareça igual, por mais que acreditemos que determinado conhecimento é uma vantagem, nem sempre assim é.


Porque existem sempre condicionantes novas, com as quais nunca antes lidámos.


O desconhecido, no meio daquilo que julgávamos conhecer.


Por outro lado, também nós mudamos.


E, quando tudo, e todos, mudam, o que fica daquilo que, um dia, foi?


E o que nos espera daquilo que nem sabemos o que será?


 


 

quarta-feira, 10 de setembro de 2025

"Sempre Tu", de Colleen Hoover

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O filme, baseado neste romance, irá estrear nos cinemas a 23 de Outubro mas, antes, tinha de ler o livro!


Mais do que uma mera história de amor romântico, que também o é, esta história aborda o amor e as relações que se establecem entre pais e filhos (e avós e netos), sobretudo, entre uma mãe e uma filha, com personalidades tão diferentes e, ao mesmo tempo, tão parecidas.


O livro é dividido em capítulos alternados, com a história a ser contada do ponto de vista de Morgan, a mãe, e de Clara, a filha.


 


Por um lado, Morgan perde o marido e a irmã num acidente de viação o que, já por si, é trágico. No entanto, a perda acaba por ser maior, ao descobrir que os dois tinham um caso, e a andavam a trair há muito tempo.


Pior: o filho de Jenny, a sua irmã, é filho do seu marido, e não de Jonah, como ela fez acreditar.


Agora, não sabe como enfrentar o luto, e todas estas revelações, mantendo o segredo para que a filha não perca a boa imagem e as boas recordações que tinha do pai e da tia.


 


Já Clara, sem saber de nada, não compreende as atitudes e o comportamento da mãe. 


Também ela a passar por um momento complicado, com a vida virada do avesso, é-lhe difícil que a mãe não perceba que cada uma faz o luto de forma diferente, e que não a está a ajudar a ultrapassá-lo, ao descarregar nela tudo o que sente. 


E, mantendo firme a intenção de não contar a verdade a Clara, esta acaba por ver a situação de modo totalmente oposto, acreditando que a mãe é a grande vilã.


Afinal, acabou de ver a mãe a beijar o noivo da tia. E sabe que os dois estiveram juntos, dias antes, num hotel.


 


O limite entre desculpar algumas coisas devido à morte recente da família, e impôr o devido respeito que deve haver entre mãe e filha é muito ténue.


Nenhuma está em condições de discernir o melhor a fazer, para que se entendam, pelo que a relação entre ambas está presa por um fio.


Também na sua vida pessoal, tudo está confuso.


Por um lado, Morgan não quer assumir que sempre gostou de Jonah, desde o tempo em que eram adolescentes.


Por outro, Clara acaba por usar Miller como arma, numa batalha em que ele não quer estar, o que faz tremer o recente namoro deles.


 


E Jonah, o que mais perdeu. O que sempre se sacrificou pela felicidade dos outros.


Há dezassete anos, perdeu Morgan para Chris, o seu melhor amigo.


Agora, acaba de perder a noiva. Descobre que ela tinha um caso com o melhor amigo. E percebe que o seu filho não é, na verdade, seu filho.


Ele foi apenas o meio usado para esconder a traição, e o resultado da mesma.


Conseguirá ele cuidar de um bebé que não é seu, e que o lembrará constantemente do que aconteceu?


Conseguirá Jonah ter, finalmente, a sua oportunidade com Morgan?


 


 


Sinopse:


"Morgan e a sua filha adolescente, Clara, parecem não ter nada em comum. Depois de ter engravidado e casado quando era muito jovem, Morgan viu-se obrigada a adiar os seus sonhos, e está determinada a não deixar que a filha cometa os mesmos erros. Clara não quer seguir os passos da mãe, que considera demasiado previsível, e é na sua tia Jenny que encontra uma confidente.
Quando Chris, marido de Morgan e pai de Clara, sofre um trágico e inexplicável acidente, o equilíbrio precário entre mãe e filha é quebrado e as consequências parecem alastrar-se às pessoas que as rodeiam.
Enquanto tentam reconstruir as suas vidas, Morgan encontra conforto num amigo do passado e Clara aproxima-se de Miller, uma companhia que a sua família não aprova. À medida que novos segredos e mal-entendidos surgem entre mãe e filha, ambas terão de lutar por uma reconciliação, antes que as suas diferenças e ressentimentos consigam afastá-las de modo irremediável."

terça-feira, 9 de setembro de 2025

Coisas

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Há coisas que, quanto mais tempo nos privamos delas, menos sentimos a sua falta.


Mais nos habituamos a não as ter.


Menos necessidade temos das mesmas.


 


Talvez seja um sentimento ilusório.


Porque, muitas vezes, quando temos a oportunidade de experimentá-las de novo, percebemos que, afinal, ainda gostamos delas.


Que ainda nos sabem bem.


Que nem sabíamos que nos faziam falta.


 


Ainda assim, com algumas dessas coisas, sabemos que é diferente.


É certo que as adoramos. 


Que não queremos que deixem de fazer parte da nossa vida.


Que esperamos que, de vez em quando, possamos usufruir delas, aproveitá-las ao máximo.


Mas não permamentemente. 


 


Como se esse tempo já tivesse passado, e não voltasse mais.


Como se fosse mais prejudicial, do que saudável, ou até extenuante, lidar com elas todos os dias.


Há coisas que nos sabem bem apenas em determinados momentos, porque é nesses pequenos momentos que elas se tornam especiais.


 


Como se fosse um presente.


Algo que apenas apreciamos verdadeiramente, porque é esporádico e, por isso mesmo, lhe damos mais valor.


Mas que sabemos que, regularmente, o perderia. Seria apenas algo banal. 


 


E, com outras, talvez nos estejamos apenas a enganar.


Talvez não as queiramos a tempo inteiro, por receio de nos habituarmos a elas de novo, e de não conseguirmos abrir mão delas.


Talvez seja mais fácil acreditar que não nos fazem falta, não as tendo, do que sentir a sua falta, tendo-as.


Ou talvez estejamos sob um feitiço, ou anestesia, cujo o efeito facilmente se quebra quando nos voltamos a deparar com elas.


 


 

segunda-feira, 8 de setembro de 2025

"A Rapariga Que Mataste", de Leslie Wolfe

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Gostei da forma como a história foi apresentada.

Excertos de interrogatórios a várias testemunhas, no final de cada capítulo.

 

No entanto, pergunto-me porque insistem, os autores, em enveredar pela premissa do "casal feliz com vida aparentemente perfeita que, afinal, não é bem assim"?

Por outro lado, talvez por já estar habituada a este tipo de histórias e enredos, foi relativamente fácil perceber o que tinha acontecido, e como Craig tinha, de facto, "matado" Andrea.

 

 

A cada capítulo, vamos percebendo quem é Craig, e o quanto a sua ambição pode constituir uma ameaça aos que o rodeiam, da mesma forma que estes, sem o saberem são, por ele, considerados ameaças ao seu sucesso e futuro cuidadosamente planeado.

Andrea é a sua mulher. E ele tem planos para ela. Sobre o papel dela na sua vida, e no casamento. Planos de uma pessoa narcisista, que não olha a meios, para atingir os fins.

 

 

Andrea vai demorar a perceber o quão errada estava sobre o seu adorado marido.

Mas, a seu tempo, descobre a verdade.

A partir daí, tudo o que se segue parece uma cópia ou imitação de outros enredos semelhantes, sem grande surpresa.

 

 

 

 

Sinopse:







"A rapariga que tu mataste está a olhar por ti do paraíso com uma margarita na mão, e a desejar que tenhas tudo o que mereces nesta vida depois de ela se ter ido. Adeus, meu amor. Tu foste o tal.
Andrea e Craig tinham a vida quase perfeita. Acabadinhos de se mudar para um dos subúrbios mais desejados de Houston, planeavam desfrutar da nova casa e do bairro onde viviam.
Porém, alguns meses mais tarde, Craig vê-se preso numa teia intrincada e acusado do assassínio da sua jovem esposa. Assassino ou vítima? As opiniões dividem-se, e o julgamento polariza a cidade. O caso, altamente mediatizado, alimenta a imprensa e as redes sociais.
O seu casamento está na boca do mundo e é exposto e esmiuçado ao detalhe. Mas a névoa não se dissipa. A vida de Andrea continua um mistério que nem a polícia consegue resolver. Seria ela a esposa feliz e dedicada que todos julgavam ser? Ou era tudo uma grande mentira?
Quando estás a ser manipulada psicologicamente, depressa aprendes que não tens valor, que o teu sofrimento não tem importância e que não há escapatória…"




sexta-feira, 5 de setembro de 2025

Cochichos

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Num jardim cheio de flores, cochicha a da esquerda, com a da direita...


 


- Estás a ver esta mulher?


- Sim. O que tem?


- Está a tentar tirar-nos uma foto!


- E então? Até parece que não vêm aqui centenas de pessoas fotografar-nos.


- Eu sei. Mas fico sempre nervosa.


- Porquê?


- E se não fico bem na foto? E se não estou num bom dia? Ou se não está a apanhar o meu melhor ângulo?


- Acalma-te! É só uma foto, não é um concurso de beleza!


- Para ti é fácil, estás esplendorosa. Já eu, aqui toda marreca e torcida...


- Deixa-te de parvoíces. Somos iguais. E é só uma fotografia.


- Está bem. Mas achas que estou com boa cor?


- (já sem grande paciência) Estás óptima, com a mesma cor de sempre.


- Obrigada! Se não tivesse que posar para a foto, dava-te um beijinho.


- Olha, isso é que seria uma bela fotografia.


- Deixa lá, assim, serão só duas flores, aos cochichos, enquanto a estranha tenta perceber se estamos a falar sobre ela!


 


Texto escrito para o Desafio 1 Foto, 1 Texto

quinta-feira, 4 de setembro de 2025

O Mapa Que Me Leva Até Ti

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Tinha ouvido falar deste filme e perguntei à minha filha se o queria ver comigo, no fim de semana.


Assim fizémos.


A ideia até é gira, mas o filme não foi nada de especial.


 


Aliás, começamos logo mal, com tudo aquilo que não se deve fazer.


Três amigas de férias numa viagem pelo mundo, combinam ir a uma discoteca com uns rapazes que conheceram nesse mesmo dia. Depois, em vez de ficarem juntas, vai cada uma, com cada um dos rapazes, para sítios diferentes. Uma delas, inclusive, está a beber que nem uma louca, e a experimentar drogas.


Felizmente, no filme, não era o objectivo que as coisas corressem mal para elas. À excepção dessa amiga ter sido roubada. 


Mas, até a isso, conseguiram dar a volta, com ela a recuperar as suas coisas, e a encontrarem no mesmo local um molho de notas, também elas, provavelmente, roubadas, que decidem agora gastar, juntamente com os rapazes.


 


A primeira meia hora (ou mais) de filme é uma seca.


Heather decide prolongar a sua viagem com Jack, um rapaz que conheceu no comboio, e que anda a seguir um percurso feito pelo seu bisavô, há muitos anos.


No entanto, ele anda apenas a fugir de uma situação que não sabe bem como enfrentar, ou que lhe futuro reservará.


Os dois apaixonam-se mas, no último momento, ele deixa-a sozinha no aeroporto, sem dar qualquer justificação.


 


Depois, é a mesma história de sempre.


Com o mesmo final de sempre.


Mas, pelo menos, com um pouco mais de emoção. 


A fazer valer parte do tempo perdido a ver o filme.


 


Sinceramente, esperava mais.

quarta-feira, 3 de setembro de 2025

Chesapeake Shores

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De "ressaca", após seis temporadas de Virgin River, procurei uma nova série, dentro do mesmo estilo, para me entreter até ao lançamento da sétima temporada.


A escolha recaiu em Chesapeake Shores.


E posso dizer que saíu pior a emenda, que o soneto!


 


Chesapeake Shores superou, sem qualquer dúvida, Virgin River.


O problema, é que esta série, ao contrário de Virgin River, termina mesmo na sexta temporada, sem retorno.


E agora? Onde vou descobrir outra série que me prenda desta forma?


 


Enquanto Virgin River faz da toda a comunidade uma grande família, Chesapeake Shores centra-se mesmo numa família: os O'Brien.


E cada uma das personagens é cativante, de forma diferente.


 


Tal como Virgin River, Chesapeake Shores é uma cidade fictícia, ainda que exista, na realidade, a Baía de Chesapeake.


Em ambas as séries, as paisagens são deslumbrantes. Muitas das cenas de Chesapeake Shores, tal como as de Virgin River,  foram filmadas na Ilha de Vancouver, no Canadá, em locais como Parksville e Qualicum Beach.


Outra ligação entre estas duas séries é a presença de alguns dos mesmos actores, ainda que em papéis mais secundários ou não tão relevantes. É o caso de Libby Osler, Teryl Rothery e Christina Jastrzembska.


E ambas nos deixam "viciadas", a ponto de devorar episódios e temporadas num curto espaço de tempo.


Até o riso de algumas personagens se entranhou em mim.


 


 


 


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No entanto, são séries diferentes, com temáticas diferentes.


Chesapeake Shores centra-se no drama da família O'Brien, uma família que, de certa forma, se começou a desmoronar com a partida de Megan, a mãe, deixando os cinco filhos, alguns ainda pequenos, aos cuidados de Mick, um pai muitas vezes ausente, e da avó Nell, a matriarca que é o porto seguro de todos.


A série começa, após uma pequena introdução, na actualidade, muitos anos (15) após essa partida.


Agora, por motivos diferentes, todos os filhos parecem regressar às origens, tal como a mãe deles, e terão de aprender a perdoar, a superar o passado, e voltar a ser uma família unida, nos bons e nos maus momentos.


 


As primeiras temporadas exploram o romance entre Abby e Trace, também ele interrompido, quando Abby partiu para Nova Iorque sem se despedir. Agora, com ambos de volta a Chesapeake Shores, o inevitável acontece.


Abby é a primogénita, muito parecida com o pai, quer a nível de personalidade, quer em termos profissionais.


Divorciada e com duas filhas, volta a viver em Chesapeake Shores, mas nem tudo serão rosas. 


É, dos cinco filhos, a personagem que gosto menos.


 


Bree é a filha escritora. Adora escrever, tanto como adora ler.


Com um bloqueio criativo, acaba por se mudar para Chesapeake Shores em busca de inspiração.


Vai ficar com uma livraria que ia encerrar portas, e escrever um livro baseado na sua família, que não irá agradar a todos os membros, gerando alguns conflitos mas, também, curando antigas feridas.


Não tem muita sorte ao amor, mas é uma mulher cheia de estilo. Aliás, o seu guarda-roupa foi destaque em toda a série.


É, juntamente com Jess e Connor, uma das minhas preferidas.


 


Jess é a filha mais nova, a que mais sofreu com a partida da mãe, e a menos disposta a perdoá-la.


É, sem dúvida, a minha personagem favorita!


É daquelas mulheres que sente tudo à flor da pele, em que tudo lhe sai pela boca antes, sequer, de pensar no que vai dizer. Erra muitas vezes, mas lança-se de cabeça. É uma pessoa natural, sem máscaras, genuína. Uma espécie de furacão ou "espalhas brasas". E linda!


As irmãs e a avó são o seu pilar.


É a personagem que mais irá evoluir ao longo da série.


 


Já Connor, é o incompreendido, e desvalorizado.


Muitas vezes, ao tentar provar o seu valor, e o seu mérito, toma atitudes precipitadas e impulsivas.


No fundo, ele só quer ser aceite pelo pai, com quem tem uma relação conturbada.


Também será das personagens com maior evolução.


 


Depois, temos Kevin, que é fuzileiro (outra semelhança com Virgin River), mas acaba por vir para casa, após um grave acidente, que o faz repensar toda a sua vida.


É o filho certinho e ajuizado.


 


A avó Nell representa a sabedoria, a paz, a união, o elo de ligção entre todos. O amor, o conforto, o carinho, os cuidados, os mimos.


Apesar de, a determinada altura, quase todos terem as suas próprias casas, é na casa da avó que se juntam, que fazem as suas refeições, que passam o tempo.


 


A série é recheada de boa música, ou não fosse Trace Riley um famoso cantor de música country, sendo Freefall uma das mais bonitas, e mais tocadas na série.


Mas toda a banda sonora é espectacular.


 


Ao longo das várias temporadas, muitas personagens novas vão chegar, mas há uma que não posso deixar de mencionar, pela sua personalidade, e por tudo o que esconde dentro de si: Evan Kincaid.


Um multimilionário adulto solitário, e com alguns traumas, que se esconde numa máscara de criança imatura, impulsiva, fútil e exibicionista quando, na verdade, tudo o que quer é alguém que goste de si, que o compreenda, e uma família que nunca teve. Mais uma vez a provar que nem sempre o dinheiro compra a felicidade, ou substitui tudo na vida.


 


Poderia passar aqui horas a falar da série.


Mas, em vez disso, vejam-na!


 


 


 

terça-feira, 2 de setembro de 2025

Temos, todos, de ter um dom?

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Todos temos um dom?


Ainda que não saibamos qual é?


Ainda que não o tenhamos descoberto?


Há que diga que sim. Mas...


 


Temos, todos, obrigatoriamente, de ter um dom? Um talento especial?


Temos, necessariamente, de ser bons, ou melhores, em algo em particular?


Será assim tão errado não nos destacarmos em nada específico?


Não irá gerar, essa espécie de busca, uma pressão e insegurança desnecessárias?


 


 


 

segunda-feira, 1 de setembro de 2025

Chegou Setembro!

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Chegou Setembro!


Mês de regressos.


Mês de recomeços.


 


De transformação. E mudança.


De despedida. E de boas vindas.


Alegre para uns. Triste para outros.


 


Tudo é novo.


E, ao mesmo tempo, tudo é o mesmo de sempre.


O que, antes, voltou, parte. 


O que tinha partido, volta.


 


É apenas um mês.


Pequeno, por sinal.


Mas é daqueles que, ou se ama, ou se odeia.


 


Setembro não é de meios termos.


É um estado de espírito.


E cabe, a cada um de nós, vivê-lo como assim o decidirmos.

A semana numa imagem

  Chuva, chuva, e mais chuva!