A minha filha constipou-se. Supostamente.
Dor de garganta, expectoração, tosse.
Andou a tomar ibuprofeno, pastilhas para a garganta, chás, mucolítico.
Esteve assim duas semanas.
Parecia não haver forma de melhorar mas, no fim da segunda semana, viu uma pequena luz ao fundo do túnel.
Muito breve.
A terceira semana trouxe de volta a tosse, a febre, os vómitos.
Perdeu o olfacto, e o paladar.
Foi à urgência para ver se lhe receitavam antibiótico porque mais parecia estar com uma infecção respiratória a arrastar-se sem o devido tratamento.
A médico disse que não era nada de grave.
Já em casa, por curiosidade, e porque já tinha feito um teste de Covid que deu negativo, fez o que dá para várias gripes e covid.
Deu positivo para gripe A.
Uma estreia lá por casa.
Diz ela que, ao pé da gripe A, o Covid foi uma brincadeira. E que não deseja a ninguém.
À quarta semana, parece estar, finalmente, a recuperar.
Já que a primeira semana de férias passou na cama, a ver se aproveita a semana restante de uma forma melhor, e com mais ânimo.
E eu?
Bem, nas primeiras duas semanas, escapei.
No final da terceira semana, comecei a sentir-me estranha e pensei: já apanhei o vírus. Mas não, deu negativo.
Para o tsunami que parecia estar a formar-se dentro de mim, a suposta onda gigante dissipou-se antes de chegar, atenuando os efeitos.
Ainda assim, não me livrei das dores de cabeça, dores no corpo, e uma torneira a pingar constantemente.
Talvez uma constipação, ou uma crise de sinusite.
A esta altura, acho que já não corro risco de contágio pela minha filha.

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