domingo, 13 de setembro de 2026

O alicerce


 
Nem sempre escolhemos sê-lo.
Não deliberadamente. Não conscientemente.
São as circunstâncias da vida que, muitas vezes, nos levam a assumir essa posição.
Por nós, e pelos que nos são mais próximos.
Então, passamos a ser vistos como a "pessoa forte", que resolve tudo, que tem sempre uma solução, que apoia. 
O pilar que segura tudo, que mantém a estrutura intacta, e nunca desaba.
E passa a ser a nossa "identidade". 
Porque a ideia que temos é a de que, se não o fizermos, mais ninguém o fará.
Como nunca, antes, fizeram.
Como alicerce, guardamos para nós aquilo que sentimos, como se não fosse relevante ou importante.
É-nos difícil baixar a guarda, quando acreditamos que só podemos contar connosco.
E quem nos rodeia tende a achar que estamos sempre bem, porque somos "fortes".
Nem sempre estamos.
Por vezes, a única coisa de que precisamos é de colo. E, por vezes, não há ninguém para no-lo dar. 
Porque, afinal, somos os "fortes".
Mas até o alicerce precisa de cuidados.
Porque até pode resistir às tempestades, mas os efeitos vão-se infiltrando.
E, depois, quando menos se espera, quando o pior já passou, por vezes, o alicerce cai...

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