Ela estava a preparar-se para sair, quando o seu telemóvel vibrou.
Uma mensagem. Dele.
Fechou os olhos, pensativa. Vieram-lhe à mente todos aqueles momentos vividos a dois.
Ele, a despertar nela um lado aventureiro. Ela, a trazer leveza e animação.
Não estando à procura de nada, tinham-se cruzado na vida. E o que começara por não parecer nada, foi evoluindo.
Uma nova oportunidade para ambos.
Pequenos instantes passados juntos, em que se sentiam bem, felizes, livres.
Momentos de cumplicidade, de cuidado, de carinho.
Sentiam-se bem na companhia um do outro, fosse na praia, num jardim ou, simplesmente, em casa, agarradinhos, sem pensar no mundo lá fora.
Momentos divertidos, momentos românticos, brincadeiras. Uma conexão.
Havia atracção. Mas havia, também, sentimentos.
Há muito que não se sentia assim.
Abriu os olhos. Sorriu. Quem sabe porquê. Ou de quê.
Fechou a porta atrás de si, e saiu para a rua, ainda com o telemóvel na mão.
Longe dela, dentro do carro, estacionado à porta de casa, também ele estava com o pensamento nesses momentos.
No ecrã do telemóvel, pousado no banco do carro, a conversação ainda aberta, à espera de uma resposta.
Continuavam a surgir os ...
Mas nada mais do que isso.
Fica a dúvida no ar.
Terá ela chegado a responder? Ou acabou por guardar o telemóvel, e deixá-lo sem resposta?
E os momentos em que ambos estavam a pensar terão, realmente, acontecido? Ou era apenas imaginação de ambos?
O desejo deles de que pudessem tê-los vivido, ou vir a vivê-los um dia?
Se, de facto, foi real, o que terá acontecido para, agora, estarem distantes?
